Troika

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Troika ou troica[1] (em russo: тройка) é a palavra russa que designa um comitê de três membros. A origem do termo vem da "troika" que em russo significa um carro conduzido por três cavalos alinhados lado a lado, ou mais frequentemente, um trenó puxado por cavalos. Em política, a palavra troika designa uma aliança de três personagens do mesmo nível e poder que se reúnem em um esforço único para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão, como o triunvirato histórico de Roma.

União Soviética[editar | editar código-fonte]

A palavra também era usada para designar os três supremos chefes dos estados comunistas, o chefe de estado, o chefe de governo e o líder do partido. Dessa forma, este termo tem sido historicamente reservado para designar diferentes alianças políticas dos líderes na União Soviética:

Troika da NKVD[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Troika da NKVD

A palavra se tornou popular mundialmente durante a era stalinista na União Soviética, quando troikas substituíam o sistema legal para perseguir rapidamente dissidentes contrários ao regime ou qualquer cidadão acusado de crimes políticos.[2] Normalmente não havia testemunhas e nenhuma evidencia física.[2] Esta rapidez na prisão e julgamento se transformou numa espécie de "caça às bruxas", levando o medo ao país inteiro.[2]

De acordo com estatísticas do NKVD, a partir de julho 1937 a novembro de 1938, 335.513 pessoas foram condenadas por troikas no curso da execução das Operações Nacionais. Entre eles, 247.157 (ou 73,6% ) foram executadas por fuzilamento.[3]

A troika pelo mundo[editar | editar código-fonte]

No começo dos anos 1960, em seguida à independência da Bélgica, os congoleses entraram em guerra civil. Entre as forças em luta havia uma facção apoiada pelos Estados Unidos, uma pela União Soviética e uma que lutava pela secessão do país. No meio de tudo, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjöld, tentava estabelecer a presença da ONU no país. O líder soviético, Nikita Kruschev, convencido que o secretário-geral era um fantoche político dos Estados Unidos, propôs que a ONU passasse a ser administrada por uma troika, com seus membros indicados pelo mundo capitalista, pelo mundo comunista e um terceiro por países não-alinhados. A ideia não foi adiante devido à recusa das nações não-alinhadas.

O termo troika também é usado na União Europeia quando se refere a um grupo formado pelo Ministro das Relações Exteriores do Estado-Membro que ocupa a presidência do Conselho de Ministros da UE naquele momento, o secretário-geral para a política comum de segurança e exterior e pelo comissário europeu com a responsabilidade das relações externas e da política com a vizinhança europeia.

Durante a presidência de Ronald Reagan nos Estados Unidos, na década de 1980, uma troika também foi formada no poder na Casa Branca, com três dos principais conselheiros do presidente: o chefe de staff James Baker III, o conselheiro presidencial Ed Meese e o vice-chefe de staff da Casa Branca Michael Deaver.

Na América do Sul, troikas do poder militar também entraram para a história, existindo durante os anos em que diversos países do continente estiveram governados por ditaduras militares. As mais conhecidas delas foram as troikas que comandaram a Argentina por quase dez anos e a brasileira, conhecida como Junta Militar, que governou o país por dois meses em 1969, entre os governos Costa e Silva e Médici.

Na década de 2010 na Europa[editar | editar código-fonte]

O termo Troika é chamado como uma referência de uma cooperação do Banco Central Europeu, do Fundo Monetário Internacional e da Comissão Europeia. A Troika ou seus representantes negociam com os países membros dos programas de crédito da zona do euro.[4][5]

Em Portugal, a troika foi chefiada em abril de 2011 por Jürgen Kröger (Comissão Europeia) e contando também com Poul Thomsen (Fundo Monetário International) e Rasmus Rüffer (Banco Central Europeu).[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Porto Editora. «tróica». Consultado em 13 de julho de 2011 
  2. a b c Spy Master, Oleg Kalugin, SmithGryphon Ltd., (1994), págs. 8 e 9, ISBN 1 85685 071 4 (em inglês)
  3. Nicolas Werth, The NKVD Mass Secret National Operations (August 1937 - November 1938), Online Encyclopedia of Mass Violence, [online], publicada em 20 Maio 2010, acessada em 29 de maio de 2015, URL : http://www.massviolence.org/The-NKVD-Mass-Secret-National-Operations-August-1937, ISSN 1961-9898
  4. «'Troika' apresenta plano na representação da CE». Diário de Noticias. 3 de maio de 2011. Consultado em 20 de julho de 2011 
  5. «Troika to assess Greek economic reforms». Financial Times. 25 de julho de 2010. Consultado em 20 de julho de 2011 
  6. «Missão técnica da Comissão Europeia começa a chegar hoje a Lisboa». Jornal de Negócios. 11 de abril de 2011. Consultado em 9 de março de 2012