Tucanos

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Tucanos
Ceremonial costum, bark cloth, Tucano - AMNH - DSC06161.JPG
Veste cerimonial tucana em exibição no Museu Americano de História Natural
População total

~10.000

Regiões com população significativa
 Brasil 5.731 (2014) [1]
 Colômbia 4.075 (2018) [2]
Línguas
Língua tucana, língua portuguesa, nheengatu, língua espanhola
Religiões
Grupos étnicos relacionados
Sirianos, Tuiúcas, Tarianas, Desanos

Em etnologia, o termo Tucano (também usa-se Tukano), além de designar os grupos indígenas cujas línguas pertencem à família linguística tucano, remete ainda a uma etnia indígena específica que habita o Noroeste do estado brasileiro do Amazonas, mais precisamente as Terras Indígenas Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II e Balaio, bem como a Colômbia.

Os nomes dos diversos povos tucanos foram dados por outros povos, indígenas ou não, sendo usados somente em determinados contextos. Os povos Tucano dividem-se em dois ramos linguísticos: o Tucano Oriental e o Ocidental. Os povos falantes do ramo oriental habitam desde Colômbia até o Brasil, enquanto os povos do ramo ocidental habitam o Peru, a Bolívia e o Equador na região do rio Napo, a exemplo dos Siona e Secoya.

Existem pelo menos dezesseis diferentes línguas classificadas como Tukano Oriental, todas elas faladas por povos que habitam o noroeste do estado brasileiro do Amazonas e o departamento colombiano do Vaupés. No Brasil, os tukano habitam toda a bacia do rio Uapés e o trecho do rio Negro entre a foz daquele rio e as imediações da cidade de Santa Isabel do Rio Negro, incluindo a cidade de São Gabriel da Cachoeira.[3]

Tucano oriental[editar | editar código-fonte]

Entre os grupos do ramo Tucano Oriental, a identidade do povo fundamenta-se na língua. Em sua cultura, o casamento é sempre realizado com uma mulher de outro povo, e, portanto, de língua diferente, num sistema de casamento baseado em normas de exogamia linguística. Graças a isso, os grupos Tucano estão numa situação de multilinguismo que não tem paralelo em nenhum outro lugar do mundo, pois cada indivíduo fala no mínimo três línguas, e é comum que fale cinco ou mais.[4]

Após o casamento, a mulher deve ir viver com o povo de seu marido no qual passa a fazer parte deste. Por isso, a identidade étnica do indivíduo é definida pela língua do povo paterno. Além disso, este aprende sempre, desde a infância, a língua do povo original de sua mãe, a língua tucano, que é considerada língua franca entre os povos tucanos da sub-região do Uaupés, onde também se aprende o português. O nheengatu é também falado pelos habitantes dos arredores de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel e nas comunidades do Alto Rio Negro até a fronteira com a Venezuela. Além disso, muitos costumam aprender também línguas das famílias Aruák e Maku, presentes na região, e o espanhol, pela proximidade com a Colômbia.[5]

Segundo estimativas de 2005 compiladas pela DSEI - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, a população da etnia Tucano no Brasil era de 6.241 pessoas. Segundo a mesma fonte, o número total de indivíduos das etnias da família linguística Tucano no Brasil era cerca de 12.650.[6]

Povos do ramo tucano oriental (e suas línguas)[editar | editar código-fonte]

Mapa mostrando as bacias do Rio Negro e do Amazonas.
  • Arapaso
  • Bará (Autodenominam-se Waípinõmakã)
  • Barasana (Autodenominam-se Hanera)
  • Desana (Autodenominam-se Ūmūkomasã)
  • Karapanã (Autodenominam-se Mūteamasa, Ūkopinõpõna)
  • Kubeo (ou Kubewa) (Autodenominam-se Kubêwa ou Pamíwa)
  • Makuna (Autodenominam-se Yeba-masã)
  • Miriti-tapuya ou Buia-tapuya
  • Siriano (Autodenominam-se Siria-masã)
  • Taiwano, Eduria ou Erulia (Autodenominam-se Ūkohinomasã)
  • Tatuyo, Tuyuka (Autodenominam-se Ūmerekopinõ)
  • Tariana (Autodenominam-se Taliaseri)
  • Tucano (propriamente dito) / (Autodenominam-se Daséa ou Ye’pâ-masa; no masculino singular: Ye’pâ-masi; no feminino singular: Ye’pâmaso; no plural: Ye’pâ-masa[7]:3)
  • Wanana ou Wanano (Autodenominam-se Kotiria)
  • Waikhana (ou Pirá-tapuya)
  • Yurutí (Autodenominam-se Yūtabopinõ)
  • Tuiúcas (Autodenominam-se Dokapuara, Utapinõmakãphõná)
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Tucanos

Referências

  1. Siasi/Sesai (2014). «Tukano». Povos Indígenas no Brasil. Consultado em 13 de dezembro de 2021 
  2. DANE (16 de setembro de 2019). Población Indígena de Colombia (PDF). Censo 2018. Bogotá: Departamento Nacional de Estadística. Consultado em 10 de setembro de 2021 
  3. Cabalzar, Aloísio; Ricardo, Carlos Alberto. (editores). Povos indígenas do Rio Negro, uma introdução à diversidade socioambiental do noroeste da Amazônia brasileira (mapa-livro). SP, ISA - Instituto Socioambiental; AM, FOIRN -Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, 2006.
  4. Azevedo, Marta Maria. (2005). Povos indígenas no Alto Rio Negro: um estudo de caso de nupcialidade, in Pagliaro, Heloísa, Azevedo, Marta Maria, e Santos, Ricardo Ventura (Eds.). Demografia dos povos indígenas no Brasil. Rio de Janeiro. Fiocruz/Abep.
  5. Jackson, Jean E. The Fish People: Linguistic exogamy and Tukanoan identity in Northwest Amazonia. Cambridge, Reino Unido. Cambridge University Press. 1983.
  6. Equipe de editores do ISA (Ricardo, Beto, e Ricardo, Fany) Tukanos Povos Indígenas no Brasil. . São Paulo. Instituto Sócio-Ambiental. 2006
  7. Ramirez, Henri (2019). A Fala Tukano dos Ye’pâ-Masa, Tomo I: Gramática (versão atualizada, 2019). Manaus: Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia, CEDEM. Consultado em 22 de agosto de 2021 .

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Epps, Patience; Stenzel, Kristine (eds). Upper Rio Negro, cultural and linguistic interaction in northwestern Amazonia.RJ, Museu Nacional, Museu do Índio/FUNAI, 2013. PDF Jun. 2013
  • Garnelo, Luiza; Buchillet, Dominique. Taxonomias das doenças entre os índios Baniwa (arawak) e Desana (tukano oriental) do alto Rio Negro (Brasil). Horiz. antropol. vol.12 no.26 Porto Alegre July/Dec. 2006 PDF Jan, 2011
  • Gentil, Gabriel dos Santos. Povo Tukano - cultura, história e valores. Manaus. EDUA, 2005
  • Grande Enciclopédia Larousse.
  • Lagório, pe. Eduardo (coord.). 1983. 100 kixti (estórias) tukano. Rio de Janeiro: Funai. 162 p., il. (Prefácio de Câmara Cascudo; capa e ilustrações de Darlan)
  • Reichel - Dolmatoff Gerardo, Correa Francois (editor). La selva humanizada. Bogotá, Instituto Colombiano de Antropologia; FEN; CEREC. 1990 Disponível on-line Jan.2011
  • Ribeiro, Berta. Os Índios das Águas Pretas: Modo de Produção e Equipamento Produtivo. SP. Edusp / Companhia das Letras, 1995
  • Silva, Alcionilio Brüzzi A. A civilização do Uapés, observações antropológicas, etnográficas e sociológicas. Roma, It. Centro Studi di Storia delle Missioni Salesiane - Las-Roma, 1977
  • Sorensen, Arthur P. Jr. (1967). Multilinguism in the Northwest Amazon. American Anthropologist 69, 670-684.
  • Stenzel, Kristine. Traços laringais em Kotiria e Waikhana (Tukano Oriental) USP (Apresentação PPS) 13 de novembro de 2009
  • Lagório, pe. Eduardo (coord.). 1983. 100 kixti (estórias) tukano. Rio de Janeiro: Funai. 162 p., il. (Prefácio de Câmara Cascudo; capa e ilustrações de Darlan)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]