Twink (cultura gay)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Twink, veja Twink.
Brent Corrigan ganhou o prêmio Golden Dickie de 2008 na categoria "Best (Amateur) Twink Performer - Bottom", ou seja, melhor desempenho passivo/receptivo de ator/performer efebo ou twink amador pelo filme Fuck Me Raw, enquanto seu estúdio de então, o Cobra Video ganhou a categoria "Best (Amateur) Twink Studio", melhor estúdio de twinks ou efebos amadores, em grande parte devido aos filmes com a performance bottom/passiva de Brent.

Twink (no diminutivo em inglês, twinkie) é uma expressão da língua inglesa, originalmente proveniente do jargão LGBT, usada para descrever adolescentes ou jovens do sexo masculino, ou adultos com aparência física igualmente jovem ou pueril, caracterizados geralmente por um corpo magro ou atlético e "liso", sem pelos nem marcas de expressão ou de idade. Existe toda uma indústria de pornografia "twink", focada nesse estereótipo físico.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O advento do termo se deve graças ao produto de pâtisserie Twinkie, uma espécie de bolinho pastel

O Twink surgiu a partir do bolinho pastel amanteigado recheado com creme denominado Twinkie [1] criado pela rede estadunidense de padarias Interstate Bakeries Corporation (no Brasil, o mesmo doce é conhecido pela marca Ana Maria). O termo passou então a ser usado no mundo pornô, devido ao creme do pastel ser comparado eufemisticamente à ejaculação masculina. Nos Estados Unidos, o vocábulo twink passa a ser utilizado em referência a jovens gays brancos, imberbes ou de barba feita, lisos ou de pouca pilosidade corporal, esbeltos ou ligeiramente atléticos e geralmente louros ou de madeixas claras em associação com o lanche doce. O tom dourado do doce faria alusão ao bronzeado exagerado de alguns jovens gays, seguindo a imagem icônica do surfista louro californiano popularizada em meandros dos anos 70 antes da pandemia de AIDS e após a década de 1980 já estava consolidada uma noção ou imagem dos homens gays como possuidores de perfil atlético, visual asseado e bem-apessoado, além de extremamente saudáveis. O facto de se tratar de junk food não saudável trazia aos garotos a conotação de pouco inteligentes e de ideais por um curto período de tempo por não possuírem qualidades duradouras e sim efêmeras, mas hoje estas conotações já não se aplicam e twink é tido como um termo positivo que exalta a beleza e juventude. Hoje a definição se expandiu podendo receber adjetivos como muscular, muscle, butch ou manly ao se referir à um twink forte e másculo, o que seguiria o conceito brasileiro de "bofe", mas um jovem bofe, um efebo "bofinho" ou "bofe frangote", além de adjetivos como femme e queen, o que caracterizaria um twink ou efebo de maneirismos e ademanes efeminados ou de psique feminina. E atualmente a acepção também perdeu as limitações de cores de cabelos e raça ou etnia, atendo-se mais essencialmente ao conceito de jovem gay belo e atraente, esbelto ou atlético.

História do Conceito[editar | editar código-fonte]

Muito devassadamente, o atual ícone cultural twinkie está intrinsecamente associado com o conceito do efebo, um termo que além de designar uma faixa etária jovem masculina, tem forte conotação ligada ao status social reservado a este grupo na Antiguidade e que deixou uma herança cultural na atual cultura da civilização ocidental. Efebos eram jovens do sexo masculino que na Grécia e Roma Antigas desempenhavam o papel homossexual passivo/receptivo com homens mais velhos que lhes faziam as vezes de mentor em diversas áreas do conhecimento humano e ainda lhes ensinavam as artes de amar e como mais tarde estes deveriam tratar suas respectivas mulheres. Como a bissexualidade era vista como padrão além de mera naturalidade na época, os jovens garotos eram ou resignados com o papel ou na maior parte das vezes entusiasmados em seu consentimento consensual. O termo é originário do grego ephebos, com o prefixo epi, que quer dizer superior, acima e hebe, juventude, significando tenra virilidade, ou recente, jovem masculinidade. Em termos históricos, na Grécia Antiga, o vocábulo designava um jovem prestes a atingir a total cidadania, especialmente um passando por treinamento militar, onde a homossexualidade era padrão corrente, vide a cidade-Estado Esparta e o Batalhão Sagrado de Tebas. Na Roma Antiga, onde a elite em sua maioria patrícios eram comumente enviados à Grécia ou recebiam ensinamentos de mestres gregos, o vocábulo foi adotado na forma latinizada ephebus com o plural ephebi, fixando a faixa etária entre 16 e 20 anos. O termo adentrou o português através do latim ephebus, de onde também se oriunda o francês éphèbe, que serviu de empréstimo para o inglês ephebe,[2] O dicionário Aurélio atesta que efebos são os adolescentes masculinos que atingem certa maturação sexual, e que em Atenas eram, especialmente, os mancebos entre 18 e 20 anos submetidos à educação especial. Atualmente nos dicionários o termo efebo designa, por extensão, aquele rapazote que passou da puberdade, homem moço, mancebo, rapaz. Na Roma Antiga onde o senhor da casa ou dominus, geralmente possuia concubinas, além da esposa, este poderia possuir um ou mais efebos para educar além de lhes servir sexualmente. Como na Roma Antiga, um patrício não poderia educar ou ter muito contato com seu próprio filho biológico, deixando a educação e contato paterno geralmente para o avô ou um criado que educaria o futuro amo, a fim de que o menino crescesse independente do pai e não houvesse uma afetividade ou calor humano muito fortes que pudessem influenciar na racionalidade do filho e evitar qualquer fraqueza, o senhor da casa geralmente extravazava o instinto paternal com estes efebos que poderia possuir sexualmente e que eram chamados de alumnus, origem da palavra aluno. Existem registros históricos, como atesta Philippe Ariès em Sexualidades Ocidentais, que relatam que alguns destes domini chegavam a ordenar que o buço dos rapazes fossem depilados com intuito de que não aparentassem o fato de estarem se tornando homens adultos, fato este que sinalizaria que o dominus não mais deveria possuir seu alumnus sexualmente a seu bel-prazer, o liberando para seu próprio livre-arbítrio de adulto.

No Mundo[editar | editar código-fonte]

Contraste entre Twinks e Ursos na Parada Gay em Albany, Estados Unidos. O comediante J.Son Dinant é caracterizado como twink por não aparentar a idade, ter corpo esbelto e smooth, liso ou impiloso, além dos cabelos clareados e postura mais alegre, enquanto o homem à sua direita encaixa-se no estereótipo do Bear por ter um tronco mais avantajado e maior pilosidade corporal, além talvez de tattoos consideradas mais invocadas ou ameaçadoras que remeteriam a uma postura de macho.

Twinks são frequentemente lisos ou depilados, para os ursos da comunidade GLTB são denominados de forma depreciativa e pejorativa como jovens frescos. O termo é frequentemente utilizado na indústria pornográfica homossexual dos Estados Unidos que também possui a versão twink feminina (Boi) para denominar as lésbicas. Termo específico do gay porn pode ser utilizado com modificadores como femme twink, Euro twink e muscle twink. Homens que entram para essa categoria têm mais comumente perfil aparentemente de adolescente, ausência de barba, cor branca (caucasiana) e cabelo loiro.

Terminologia Codificada Twink[editar | editar código-fonte]

Similar a outros "códigos" da cultura gay, como o dos ursos, os Twinks tem como código um conjunto de símbolos que lança mão de letras, números e outros caracteres comumente encontrados em teclados modernos ocidentais, utilizados para a descrição e classificação em rating dos Twinks. Esses códigos são utilizados em sites de redes sociais de namoro, chat e forum, além de emails, blogs e outros locais da web para identificar o biotipo físico e preferências de quem posta, mas que caíram em desuso nos últimos tempos. O código inclui traços físicos, tais como "c" que simboliza a cor do cabelo (de louro à preto), l de length, que simboliza o comprimento do cabelo (de raspado reco à longo) , "h" de hairlessness, para o grau de impilosidade, o quanto o corpo é smooth, isto é, liso ou impiloso, além do fator facial imberbe ou glabro, "y " de youthful appearance, como código para aparência jovem, e "e" de endowment para sinalizar o tamanho do dote masculino. Também inclui traços de personalidade como "q" de "queeniness" que avalia o fator de afetação ou desfrute de biba/bicha louca, na linguagem popular e ainda preferências sexuais como "k" de kinky factor para medir a tara ou fetiches sórdidos, o quanto o twink tem de "taradice".

Referências