Tratado de Segurança UK-USA

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de UKUSA)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Países membros do Tratado
O diagrama mostra a relação entre a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) e as chamadas "segundas partes", que compreende a comunidade UKUSA, havendo intenso compartilhamento mútuo de inteligência de sinais; e os "terceiros", composta por membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e outros aliados ocidentais que fornecem sinais inteligência para a NSA em troca de tecnologia de vigilância e dinheiro.[1]
Uma das cúpulas geodésicas situadas na base RAF Menwith Hill, usadas para esconder a direção de antenas e equipamentos do sistema Echelon
A Ilha de Ascensão é apontada como uma das possíveis bases do Sistema Echelon.

O Tratado de Segurança UK-USA (em inglês: UK–USA Security Agreement) é um acordo que estabelece a aliança de cinco países anglófonos com o propósito de compartilhar informação secreta, especialmente inteligência de interceptação de sinais. Fazem parte do tratado a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia, o Reino Unido e os Estados Unidos da América, os quais em conjunto são denominados Os Cinco Olhos (em inglês: The Five Eyes)[2][3]

Originalmente, o tratado era restrito ao Reino Unido e aos Estados Unidos, tendo sido assinado em março de 1946; posteriormente foi permitida a inclusão dos demais países. Este Tratado era tão secreto que foi mantido sob sigilo dos primeiro-ministros da Austrália até 1973. O tratado formalizou a Carta do Atlântico, assinada em 1941, antes da entrada americana na Segunda Guerra Mundial, que visava a partilha de informação secreta entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Organizações Participantes[editar | editar código-fonte]

A montagem do sistema coincide com a construção da hegemonia norte-americana a partir da segunda metade do século XX, após a Segunda Guerra Mundial.[4] As organizações participantes, sob o comando da NSA são os serviços de informação dos estados membros do Acordo, a saber:

Atividades de Participação Conjunta[editar | editar código-fonte]

Echelon[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Echelon

É uma rede de vigilância global e espionagem[5][6] para a coleta e análise de sinais de inteligência (SIGINT), operada inicialmente pelos cinco Estados signatários do Tratado de Segurança UK-USA conhecidos como "Cinco Olhos" (Five Eyes - em inglês): Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido.[3][7][8]

Em 2013, documentos publicados em jornais mundialmente e revelados por Edward Snowden, confirmam o uso da rede para espionagem de outros países e vigilância global.

Antes das revelações de 2013 havia indícios das atividades de espionagem do sistema, confirmados em 2013 incluindo a espionagem do Brasil não apenas pelos Estados Unidos mas por outro signatário do Tratado, o Canadá.[9][10]

Em 29 de março de 2014, o jornal Der Spiegel publicou documentos que mostram que como parte do programa de Vigilância Global da NSA, mesmo os sistemas de satélite da Alemanha se tornaram alvo de espionagem feita pelo CGHQ, membro do conhecido grupo chamado Five Eyes, Cinco Olhos, em português.[11] Os cinco países participam do sistema de Vigilância global sob o comando da NSA.[9]

SIVAM[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: SIVAM

Segundo o relatório de investigação feita pelo Parlamento Europeu em 2001, o Echelon foi usado pelos EUA para colaborar com a empresa americana Raytheon por ocasião da concorrência, lançada pelo governo brasileiro, por serviços e equipamentos para o sistema de vigilância da Amazônia, o SIVAM. Os americanos venceram a disputa.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Port, Otis (31 de maio de 1999). «They're Listening To Your Calls». www.bloomberg.com. Bloomberg 
  2. Rossi, Clóvis (9 de julho de 2013). «Cinco olhos, todos em você». www1.folha.uol.com.br. Folha de S.Paulo 
  3. a b Maierovitch, Wálter (11 de novembro de 2013). «Os "Cinco Olhos" e os cegos». Carta Capital. Consultado em 17 de março de 2014. Cópia arquivada em 15 de dezembro de 2013 
  4. McCoy, Alfred (19 de janeiro de 2014). «Tomgram: Alfred McCoy, It's About Blackmail, Not National Security». www.tomdispatch.com (em inglês). TomDispatch 
  5. Hager, Nicky; Gallagher, Ryan (8 de março de 2015). «Snowden files: Inside Waihopai's domes». www.stuff.co.nz (em inglês). Stuff. Consultado em 9 de março de 2015 
  6. «Principais estacões do Echelon». world-information.org. World Infomation.org. Novembro de 2005 
  7. Campi, Monica (3 de setembro de 2013). «Brasil sabia sobre espionagem dos EUA desde 2001, diz jornal». exame.abril.com.br. Exame 
  8. a b c d Valente, Rubens (11 de julho de 2013). «Brasil sabe desde 2001 que os EUA espionam internet». www1.folha.uol.com.br. Folha de S.Paulo 
  9. a b «Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem do Canadá». G1. 6 de outubro de 2013. Consultado em 14 de março de 2014 
  10. «Petrobras também foi espionada pelos EUA». CartaCapital. 9 de setembro de 2013. Consultado em 14 de março de 2014. Cópia arquivada em 25 de março de 2014 
  11. Poitras, Laura; Rosenbach, Marcel; Stark, Holger (29 de março de 2014). «'A' for Angela: GCHQ and NSA Targeted Private German Companies and Merkel». Spiegel Online 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bryden, John. Best Kept Secret: Canadian Secret Intelligence in the Second World War. Toronto: Lester Publishing, 1993.
  • Hamilton, Dwight. Inside Canadian Intelligence: Exposing the New Realities of Espionage and International Terrorism. Toronto: Dundurn Press, 2006.
  • Frost, Mike and Michel Gratton. Spyworld: Inside the Canadian and American Intelligence Establishments. Toronto: Doubleday Canada Limited, 1994.
  • Richelson, Jeffrey T.; Ball, Desmond (1985). The Ties That Bind: Intelligence Cooperation Between the UKUSA Countries. London: Allen & Unwin. ISBN 0-04-327092-1.
  • Richelson, Jeffrey T. The United States Intelligence Community, fifth ed. Westview Press, Boulder, Colo.; ISBN 978-0-8133-4362-4; 2008.
  • Rosen, Philip. The Communications Security Establishment: Canada’s Most Secret Intelligence Agency. Ottawa: Library of Parliament Research Branch, 1993.
  • Rudner, Martin. Canada’s Communications Security Establishment: From the Cold War to Globalization in Intelligence and National Security. Volume 16 Number 1 (Spring 2001). 97–128.
  • Secret Power, New Zealand's Role in the International Spy Network; Craig Potton Publishing, Nelson, NZ; ISBN 0-908802-35-8; 1996 (ONLINE EDITION)
  • Whitaker, Reginald. Cold War Alchemy: How America, Britain, and Canada Transformed Espionage into Subversion in Intelligence and National Security.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]