Crise de Julho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Ultimato de julho)
Ir para: navegação, pesquisa
Alianças na Europa em 1914

A Crise de Julho foi uma crise diplomática entre as principais potências europeias no verão de 1914 que levou ao começo da Primeira Guerra Mundial. Imediatamente após Gavrilo Princip, um nacionalista iugoslavo, assassinar o arquiduque Francisco Fernando (em 28 de junho de 1914), o herdeiro presuntivo do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, uma série de manobras diplomáticas levou a um ultimato por parte da Áustria-Hungria para o Reino da Sérvia. Quando os sérvios não cooperaram, várias alianças políticas de outrora foram ativadas e o conflito em larga escala começou na Europa.[1][2]

O ultimato austríaco[editar | editar código-fonte]

O arquiduque Francisco Fernando e sua esposa pouco antes do atentado

O Ultimato Austro-Húngaro a Sérvia ou Ultimato de julho foi um ultimato contendo a lista de exigências ao governo do Reino da Sérvia enviado em 23 de julho de 1914, logo após o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo.[3] O documento foi descrito como "o documento mais formidável já endereçado de um estado a outro" pelo ministro das relações exteriores britânico, Edward Grey, e amplamente considerado como inaceitável, meramente uma medida para criar um casus belli a fim do Áustria-Hungria invadir e punir a Sérvia.

Detalhes[editar | editar código-fonte]

A Áustria-Hungria demandou que o governo sérvio deveria tomar as seguintes providências:

  1. Suprimir qualquer publicação que incite o ódio e a desobediência à monarquia austríaca;
  2. Dissolver imediatamente a sociedade Narodna Odbrana e proceder do mesmo modo contra outras sociedades engajadas na propaganda anti-Áustria.
  3. Eliminar de instituições públicas sérvias quaisquer aspectos que sirvam para fomentar a propaganda anti-Áustria;
  4. Remover do serviço militar todos os oficiais ligados à propaganda anti-Áustria, oficiais que deverão ter seus nomes dados ao governo Austro-Húngaro;
  5. Aceitar a colaboração de organizações do governo Austro-Húngaro na supressão de movimentos subversivos direcionados contra a integridade territorial da monarquia;
  6. Iniciar uma investigação judicial contra os cúmplices da conspiração de 28 de junho que estão em território sérvio, com órgãos delegados pelo governo Austro-Húngaro fazendo parte da investigação;
  7. Prender imediatamente o major Voislav Tankosic e o oficial sérvio Milan Ciganovitch, comprometidos pelas investigações preliminares empreendidas pela Áustria-Hungria;
  8. Providenciar por meio de efetivas medidas a cooperação da Sérvia contra o tráfico ilegal de armas e explosivos através da fronteira;
  9. Fornecer à Áustria-Hungria explicações sobre declarações de altos oficiais sérvios tanto na Sérvia quanto no exterior, que expressaram hostilidades para com a Áustria-Hungria; e
  10. Notificar a Áustria-Hungria sem demora a execução dessas medidas.

Resposta[editar | editar código-fonte]

O governo sérvio aceitou todas as condições do ultimato, exceto a condição de incluir a Áustria-Hungria na investigação judicial sérvia (demanda 6), que a Sérvia afirmou ser inconstitucional e uma violação de sua soberania. Então, a 28 julho de 1914, os austríacos declaram guerra a Sérvia.

Referências

  1. «Gavrilo Princip and the Black Hand organization». Bookrags. Consultado em 5 de setembro de 2016. 
  2. Alan Cassels (15 November 1996). Ideology and international relations in the modern world Psychology Press [S.l.] p. 122. ISBN 978-0-415-11926-9. Consultado em 8 November 2011. 
  3. Nuclear War could be near, according to Nobel laureate

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Veja também[editar | editar código-fonte]