Ulysses S. Grant

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Ulysses S. Grant
18º Presidente dos Estados Unidos Estados Unidos
Período 4 de março de 1869
a 4 de março de 1877
Vice-presidente Schuyler Colfax (1869–1873)
Henry Wilson (1873–1875)
Nenhum (1875–1877)
Antecessor(a) Andrew Johnson
Sucessor(a) Rutherford B. Hayes
General Comandante do Exército
Período 9 de março de 1864
a 4 de março de 1869
Antecessor(a) Henry Halleck
Sucessor(a) William Tecumseh Sherman
Vida
Nome completo Hiram Ulysses Grant
Nascimento 27 de abril de 1822
Point Pleasant, Ohio,
 Estados Unidos
Morte 23 de julho de 1885 (63 anos)
Wilton, Nova Iorque,
 Estados Unidos
Dados pessoais
Alma mater Academia Militar dos Estados Unidos
Cônjuge Julia Dent (1848–1885)
Partido Republicano
Religião Metodista
Profissão Militar
Assinatura Assinatura de Ulysses S. Grant
Serviço militar
Serviço/ramo Exército dos Estados Unidos
Exército da União
Anos de serviço 1839–1854
1861–1869
Graduação General do Exército
Comandos 21º Regimento de Infantaria de Illinois
Exército do Tennessee
Divisão Militar do Mississippi
Exército dos Estados Unidos
Batalhas/guerras Guerra Mexicano-Americana
Guerra de Secessão

Ulysses S. Grant (nascido Hiram Ulysses Grant; 27 de Abril de 1822 – 23 de Julho de 1885) foi o 18.º Presidente dos Estados Unidos da América (1869–77).[1] Como General Comandante, Grant esteve ao lado do Presidente Abraham Lincoln liderando o Exército da União na vitória contra a Confederação durante a Guerra de Secessão. Implementou a chamada Reconstrução dos Estados Unidos, muitas vezes em desacordo com o sucessor de Lincoln, Andrew Johnson. Eleito por duas vezes presidente, Grant levou os Republicanos a apagar os vestígios do nacionalismo confederado e da escravatura, protegeu os cidadãos afro-americanos, e deu apoio à prosperidade económica por toda a nação. A sua presidência repetidamente alvo de críticas por tolerar a corrupção, e o seu segundo mandato como presidente levou o país a uma grave depressão económica.

Grant formou-se em 1843 na Academia Militar dos Estados Unidos em West Point, e prestou serviço na Guerra Mexicano-Americana, retirando-se em 1854. Durante a sua vida civil, passou por dificuldades financeiras. Quando a Guerra Civil começou em 1861, juntou-se, de novo, ao Exército dos Estados Unidos. Em 1862, Grant ficou responsável pelo Kentucky e grande parte do Tennessee, e levou a as forças da União à vitória na Batalha de Shiloh, ganhando a reputação de comandante agressivo. Durante o conflito, incorporou escravos afro-americanos no esforço da guerra. Em Julho de 1863, depois de várias batalhas, Grant derrotou os exércitos Confederados e cercou Vicksburg, dando o controlo do rio Mississípi à União ao dividir a Confederação em dois. Depois das suas vitórias durante a Campanha de Chattanooga, Lincoln promoveu-o a tenente-general, e a Comandante General dos Estados Unidos em Março de 1864. Grant ficou frente-a-frente com Robert E. Lee em várias batalhas sangrentas, cercando o exército deste na defesa de Richmond. Grant coordenou uma série de campanhas devastadoras em outros locais. Em Abril de 1865, Lee rendeu-se a Grant na Batalha de Appomattox, pondo termo à guerra. A maioria dos historiadores elogiam o génio militar de Grant, e as suas estratégias fazem parte dos livros sobre estratégia militar, mas alguns acham que ele obtinha as suas vitórias por via da força bruta e não de uma estratégia superior.[2]

Despois da Guerra Civil, Grant liderou o a supervisão do exército da Reconstrução nos ex-estados Confederados. Eleito presidente em 1868, e reeleito em 1872, Grant conseguiu estabilizar o estado da nação durante os agitados anos da Reconstrução, processou o Ku Klux Klan[3] e reforçou as leis dos direitos civis e de votos com o apoio do exército e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Com a ajuda do exército, construiu o Partido Republicano no Sul, com base nos cidadãso votantes negros, migrantes do Norte (carpetbaggers) e apoiantes brancos Sulistas (scalawags). Depois da privação de direitos de alguns ex-Confederados, os republicanos obtiveram maiorias e os afro-americanos foram eleitos para o Congresso e altos gabinetes de estado. No seu segundo mandato, as coligações republicanas do Sul dividiram-se e foram derrotadas uma a uma à medida que os redeemers (conservadores brancos) retomavam o controlo pela violência. A política de relações pacíficas com os índios implementada por Grant, resultou numa redução inicial da violência nas fronteiras, mas ficou marcada pela Grande Guerra com os Sioux em 1876, na qual George Custer e o seu regimento foram mortos na Batalha de Little Bighorn. Ao longo da sua presidência, Grant teve de enfrentar acusações de corrupção nos gabinetes executivos, incluindo investigações do Congresso a duas secretarias.

No que respeita à política externa, Grant aumentou as relações comerciais e a influência da América, ao mesmo tempo que se mantinha em paz com o mundo. A sua administração resolveu com sucesso as reivindicações do ''Alabama'' junto da Grã-Bretanha, pondo um ponto final nas tensões da guerra. Grant evitou a guerra com a Espanha depois do Caso Virginius, mas o Congresso rejeitou a sua tentativa de anexação da República Dominicana. Na política comercial, a administração de Grant implementou o padrão-ouro e procurou fortalecer o dólar. A sua resposta ao Pânico de 1873 trouxe algum alívio financeiro aos bancos de Nova Iorque, mas não conseguiu travar a depressão de cinco anos que fez aumentar o desemprego, baixar preços, baixar os lucros e as falências. Ao deixar a presidência em 1877, embarcou numa viagem à volta do mundo que durou dois anos.

Em 1880, Grant não conseguiu obter apoio dos republicanos para um terceiro mandato. Face a sérios reveses financeiros e a morrer de cancro da garganta, escreveu as suas memórias, obtendo uma boa recepção da crítica e boas vendas. A sua morte em 1885 deu origem a um sentimento de uma unidade nacional. As avaliações dos presidentes feitas pelos historiadores foram negativas até à década de 1980. Os académicos colocam a presidência de Grant abaixo da média de outros presidentes. Os seus críticos avaliam negativamente a sua gestão económica e o tratado de anexação da República Dominicana, enquanto os seus admiradores destacam a sua preocupação pelos [[Povos nativos dos Estados Unidos |Nativos Americanos]] e da defesa dos direitos de voto e civis.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e família[editar | editar código-fonte]

Hiram Ulysses Grant nasceu em Point Pleasant, Ohio, em 27 de abril de 1822. Seu pai Jesse Root Grant (1794–1873) era um empresário de ascendência inglesa, de uma família austera. Sua mãe Hannah Simpson Grant (1798–1883) foi ancestral de escoceses.[5] Ambos eram nativos da Pensilvânia. No outono de 1823, a família mudou-se para a vila de Georgetown no Condado de Brown, Ohio. Criado em uma família Metodista desprovida de pretensão religiosa, Grant rezava em particular e não era um membro oficial da igreja.[6] Ao contrário de seus irmãos mais novos, Grant nem foi disciplinado, batizado, nem forçado a ir à igreja por seus pais.[7]

Antes da Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Casado com Julia Dent Grant, formou-se em Direito no West Point, e participou da Guerra Mexicano-Americana, sob o comando dos Generais Zachary Taylor e Winfield Scott[1] .

Grant questionava as bases morais da invasão. Nas suas memórias qualificaria a guerra como "uma das mais injustas jamais movidas por uma nação mais forte contra uma mais fraca.". Entretanto, serviu com distinção sendo brevetado duas vezes pela coragem.

Após a guerra, foi transferido para Califórnia, sem condições financeiras de levar a família consigo. Pediu baixa em 1854, segundo rumores da época, para evitar que fosse para corte marcial por estar alcoolizado em serviço. Histórias sobre alcoolismo acompanharam Grant pelo resto da vida. Na vida civil, tentou diversos empreendimentos. Todos fracassaram. Às vésperas da Guerra da Secessão Grant trabalhava na loja de couro do seu pai no Illinois.

General da União[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra da Secessão

Com o início da Guerra da Secessão, Grant aceitou convite para treinar voluntários do estado, mas depois conseguiu o comando de um regimento, com a patente de coronel. Graças ao lobby do congressista Elihu B. Washburne, foi promovido a general de brigada[1] , assumindo o comando do crítico distrito militar sul-este de Missouri.

Seu primeiro engajamento foi uma batalha inconclusiva na cidade de Paducah, no rio Ohio, em Novembro de 1861.

Em fevereiro de 1862, apoiado pela flotilha do almirante Foote, tomou os estratégicos fortes Henry e Donelson.

Em Abril de 1862, na Batalha de Shiloh ocorreu uma das atuações mais polêmicas do General Grant, que deixou o seu Exército do Tenesse ser pego de surpresa, sem defesas preparadas.[1] O Exército do Mississippi, sob o general confederado Albert Sidney Johnston, levou as tropas federais a beira da aniquilação. A oportuna chegada do Exército Federal de Ohio, sob o comando do Gal. Buell, aliada ao sangue frio de Grant, inverteu a situação, e a União acabou vencedora. Não obstante, em função do desastroso primeiro dia da batalha, a opinião pública pressionava pela sua remoção. Mas Lincoln, farto de comandantes hesitantes, resolveu manter o agressivo Grant no cargo. Por alguns meses, o Gal. Halleck, desconfiado do suposto alcoolismo de Grant, tomou o comando pessoal das operações no oeste[8] .

De maio a julho de 1863, Grant sitiou Vicksburg, o último bastião confederado no Mississippi. A queda da cidade significou rendição de mais de 30 000 soldados rebeldes e definitivamente dividiu a confederação em dois. Em Novembro, impôs outra derrota em Chattanooga aos confederados.

Lincoln promove-o a Comandante-em-chefe de todas as forças federais em março de 1864. Grant assumiu o controle direto das forças no teatro leste. A partir dessa momento, o comandante confederado Lee teria os federais no seu encalço ininterruptamente. A famosa Campanha Overland de Grant transformou os combates no Leste em uma sangrenta guerra de atrito, com enormes perdas para os dois lados. Ao mesmo tempo, William T. Sherman, que sucedeu Grant como comandante dos exércitos no oeste, tomou a cidade de Atlanta e empreendeu a sua famosa marcha até o Mar, destruindo as plantações e a indústria da Georgia.

Ao contrário da União, com seus abundantes recursos, a Confederação não tinha como repor as enormes perdas em recursos humanos e materiais. Lee foi forçado a uma posição insustentável em Petersburg, cuja queda implicou a evacuação da capital confederada Richmond. Finalmente veio a rendição, em 9 de abril de 1865, no tribunal em Appomattox, Lee rendeu-se aceitando todos os termos da rendição, por parte de Grant. Que resultaram em ser generosos e o tratamento oferecido às forças derrotadas digno. Após se sentar no seu cavalo, o general Robert Lee foi presenteado de forma inesperada por uma atitude de respeito e admiração ao mais alto nível: Grant e todo o seu estado maior, retiraram os chapéus militares das suas cabeças, a que Lee comovido respondeu da mesma forma. Até o fim da sua vida, Lee não permitiu que se falasse mal de Grant em sua presença.

No seu tempo, e ainda hoje, Grant tem sofrido críticas pelas enormes baixas sofridas por suas tropas em batalhas. Uma notável detratora era a primeira dama dos EUA Mary Lincoln, que referiu-se ao general como "açougueiro". Em defesa de Grant poderia dizer-se que, comparado aos seus antecessores excessivamente prudentes, ele conseguiu resultados muito superiores em proporção às baixas sofridas. Grant e Lincoln entendiam muito bem que a guerra mais custosa em vidas era a guerra longa. Em uma época de péssimas condições sanitárias e medicina incipiente, manter grandes exércitos mobilizados significava aceitar um enorme número de mortes em função de moléstias.[1] Dos 360 000 "yankees" mortos no conflito, menos de um terço morreu de ferimentos em batalha. Os demais caíram pela varicela, caxumba, sarampo e outras doenças. Forçando Lee a aceitar combate mesmo antes de conseguir condições táticas perfeitas, Grant teria posto fim a procrastinação que custou milhares de vidas. O reconhecimento disso veio do próprio Lee, que antes da Batalha de Spotsylvania contrariou as críticas dos seus subordinados ao comandante oponente dizendo "Penso que Gal. Grant tem conduzindo seus negócios notavelmente bem até esse momento".

Presidente dos EUA e posteriormente[editar | editar código-fonte]

Mandato[editar | editar código-fonte]

Presidente Ulysses S. Grant e o imperador Dom Pedro II abrem a exposição da Filadélfia, Estados Unidos, em 1876.

Grant foi eleito presidente dos EUA em 1869, e permaneceu na posição até 1877. Como chefe da nação, coordenou a última fase da reconstrução do sul. Promoveu ativamente os direitos dos ex-escravos, utilizando forças federais para assegurar o direito de voto e combater as ações do Ku Klux Klan. Entretanto, buscou a discrição necessária para não ofender sentimentos do povo do sul. Combateu a crise econômica, conhecida como Pânico de 1873, com uma política de austeridade governamental. Reduziu a dívida pública, os gastos governamentais, os juros e a inflação.[1] Entretanto, a sua gestão foi extremamente conturbada politicamente. Surgiram inúmeros escândalos envolvendo subordinados de Grant, mas nenhum o presidente pessoalmente.

Após retirar-se da presidência, Grant transformou-se em sócio de uma financeira, que acabou falindo após ser fraudada pelo outro sócio. Garantiu o sustento da sua família em grande parte com os direitos da publicação do seu livro de memórias.

Faleceu em Nova York, em 23 de julho de 1885, vítima de um câncer na garganta.

Referências

  1. a b c d e f Ulysses S. Grant - Biogafia (em português) The White House Historical Association UOL Educação. Visitado em 23 de fevereiro de 2012.
  2. Bonekemper 2004, pp. 271–282.
  3. James Michael Martinez. Carpetbaggers, Cavalry, and the Ku Klux Klan: Exposing the Invisible Empire During Reconstruction (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield, 2007. ISBN 978-0742550780 Página visitada em 31 de agosto de 2012.
  4. Brands 2012b, p. 44.
  5. Jean Edward Smith. Grant (em inglês). Nova Iorque, NI: Simon & Schuster, 2001. ISBN 0-684-84927-5
  6. William Farina. Ulysses S. Grant, 1861–1864: His Rise from Obscurity to Military Greatness (em inglês). Jefferson, Carolina do Norte: McFarland & Co, 2007. ISBN 978-0-7864-2977-6 Página visitada em 31 de agosto de 2012.
  7. Edward G. Longacre. General Ulysses S. Grant The Soldier And The Man (em inglês). Cambridge, Massachusetts: First De Capo Press, 2006. ISBN 0-306-81269-X
  8. Ulysses S Grant Quotes on the Military Academy and the Mexican War; McFeely, pp. 31, 37.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Biográfica e política

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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