The Shawshank Redemption

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The Shawshank Redemption
Os Condenados de Shawshank (PT)
Um Sonho de Liberdade (BR)
 Estados Unidos
1994 •  cor •  142 min 
Direção Frank Darabont
Produção Niki Marvin
Roteiro Frank Darabont
Baseado em Rita Hayworth and Shawshank Redemption, de Stephen King
Elenco Tim Robbins
Morgan Freeman
Bob Gunton
William Sadler
Clancy Brown
Gil Bellows
James Whitmore
Gênero Drama
Música Thomas Newman
Direção de arte Terence Marsh
Direção de fotografia Roger Deakins
Figurino Elizabeth McBride
Edição Richard Francis-Bruce
Companhia(s) produtora(s) Castle Rock Entertainment
Distribuição Columbia Pictures
Lançamento 23 de setembro de 1994
Idioma Inglês
Orçamento US$ 25 milhões[1]
Receita US$ 58,3 milhões[2]
Página no IMDb (em inglês)

The Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade (título no Brasil) ou Os Condenados de Shawshank (título em Portugal)) é um filme norte-americano de drama lançado em 1994, escrito e dirigido por Frank Darabont baseado na novela Rita Hayworth and Shawshank Redemption, de Stephen King. O longa é estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman, com Bob Gunton, William Sadler, Clancy Brown, Gil Bellows e James Whitmore em papéis coadjuvantes. Ele conta a história do banqueiro Andy Dufresne, que é sentenciado a prisão perpétua na Penitenciária Estadual de Shawshank pelo assassinato de sua esposa e do amante dela, mesmo protestando inocência. Pelas duas décadas seguintes, Dufresne faz amizade com o colega detento e contrabandista Ellis Boyd "Red" Redding e torna-se uma peça importante no esquema de lavagem de dinheiro realizado pelo diretor Samuel Norton.

Darabont comprou em 1987 os direitos cinematográficos da história de King, porém o desenvolvimento só foi começar cinco anos depois quando ele escreveu o roteiro durante um período de oito semanas. Ele conseguiu um orçamento de 25 milhões de dólares apenas duas semanas depois de ter submetido o roteiro para a Castle Rock Entertainment, com a produção de The Shawshank Redemption começando em janeiro de 1993. Apesar do filme se passar no Maine, as filmagens ocorreram quase que totalmente em Mansfield, Ohio, com o Reformatório Estadual de Ohio servindo de locação. A trilha sonora foi composta por Thomas Newman, que procurou criar músicas que não distraíssem muito o espectador das ações mostradas em cena.

The Shawshank Redemption foi bem recebido pela crítica, com elogios para a história e às interpretações de Robbins e Freeman. Entretanto, foi um fracasso de bilheteria, arrecadando dezesseis milhões de dólares em sua exibição original. Vários motivos já foram citados para explicar seu fracasso, incluindo competição de outros longas como Pulp Fiction e Forrest Gump, falta de popularidade de longas sobre prisões, falta de personagens femininas e até mesmo seu título, que foi considerado confuso e pouco memorável. Mesmo assim, The Shawshank Redemption foi indicado a diversos prêmios, incluindo sete Oscars, e recebeu um relançamento nos cinemas que, junto com arrecadações internacionais, elevaram a bilheteria total para 58,3 milhões de dólares.

Mais de 320 mil cópias em VHS foram enviadas para as locadoras dos Estados Unidos, com o filme tornando-se um dos mais alugados de 1995. Os direitos de transmissão na televisão foram adquiridos pela Turner Broadcasting System e ele foi exibido quase diariamente pela TNT em 1997, aumentando ainda mais sua popularidade. The Shawshank Redemption é hoje considerado como um dos melhores filmes da década de 1990. Ele ainda é transmitido na televisão regularmente e é popular em vários países, com o público e celebridades citando-o como inspiração e nomeando-o como favorito em diversas pesquisas. Além disso, foi selecionado em 2015 pela Biblioteca do Congresso para preservação no Registro Nacional de Filmes.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Em Portland, Maine, no ano de 1947, o banqueiro Andy Dufresne é condenado pelo assassinato de sua esposa e do amante dela, sendo sentenciado a duas prisões perpétuas a serem cumpridas na Penitenciária Estadual de Shawshank. Lá, ele fica amigo do contrabandista Ellis Boyd "Red" Redding, outro detento que também está servindo em prisão perpétua. Red adquire um pequeno martelo de geólogo e depois um pôster de Rita Hayworth à pedido de Andy. Este acaba sendo regularmente assediado e estuprado enquanto trabalha na lavanderia da prisão por uma gangue de detentos chamada de "As Irmãs" e seu líder Bogs.[3]

Dois anos depois, Andy ouve Byron Hadley, o capitão dos guardas, reclamar sobre ser taxado por uma herança e se oferece para ajudá-lo a proteger o dinheiro legalmente. Hadley espanca Bogs depois de um ataque d'As Irmãs ter quase matado Andy. Bogs fica aleijado e é transferido para outro prisão, enquanto Andy nunca mais é importunado. Samuel Norton, o diretor da prisão, encontra-se com Andy e o transfere para a biblioteca a fim de auxiliar o idoso detento Brooks Hatlen. Seu novo trabalho é um pretexto para que comece a cuidar dos assuntos financeiros dos funcionários da penitenciária. O diretor passa com o decorrer do tempo a empregá-lo em tarefas pessoais para si e outras pessoas, incluindo guardas de outras prisões. Ao mesmo tempo, Andy passa escrever cartas semanais para a assembleia estadual pedindo por dinheiro para reformar sua biblioteca.[3]

Brooks é libertado em 1954 depois de servir por cinquenta anos, porém não consegue se ajustar à vida fora da prisão e comete suicídio. Andy recebe uma doação para a biblioteca que inclui uma gravação de Le nozze di Figaro. Ele toca um pedaço da ópera no sistema de auto-falante da prisão, sendo punido e mandando para a solitária. Andy explica depois de ser liberado da solitária que é esperança que o faz continuar toda vez, um conceito que Red rejeita. Norton começa em 1963 a explorar os prisioneiros para trabalhos públicos, ganhando lucros ao subcotar trabalho especializado e cobrar subornos. Andy passa a lavar o dinheiro do diretor usando a identidade falsa de "Randall Stephens".[3]

Tommy Williams é preso por roubo em 1965. Andy e Red ficam amigos dele, com o primeiro ajudando-o a passar no ensino médio. Tommy revela um ano depois que um detento de outra prisão reivindicou responsabilidade pelos assassinatos que Andy foi condenado. Andy fala com Norton sobre essa informação, porém o diretor se recusar a ouvir e o manda de volta para a solitária depois da lavagem de dinheiro ter sido mencionada. Norton faz com que Hadley assassine Tommy sob o disfarce de uma tentativa de fuga. Andy se recusa a continuar a trabalhar para Norton, porém volta atrás depois deste ameaçar destruir a biblioteca, tirar a proteção que Andy tem com os guardas e transferi-lo para condições piores. Ele é liberado da solitária dois meses depois e conta para Red seu sonho de viver em Zihuatanejo, uma cidade na costa do México. Red acha que Andy não está sendo realista, porém promete que caso algum dia seja libertado, irá visitar um campo de trigo em Buxton para pegar um pacote que Andy deixou lá. Red passa a se preocupar pelo bem-estar do amigo, especialmente depois de descobrir que Andy pediu uma corda de quase dois metros para outro detento.[3]

Durante a contagem dos prisioneiros no dia seguinte, os guardas descobrem que a cela de Andy está vazia. Norton fica irado e joga uma pedra através do pôster de Raquel Welch pendurado na parede, revelando um túnel que Andy cavou na parede com o martelo de geólogo pelos últimos dezenove anos. Ele havia escapado na noite anterior pelo túnel e por um cano de esgoto, usando a corda para levar consigo os sapatos e terno de Norton, além do livro de contas contendo as evidências da lavagem de dinheiro. Enquanto os guardas realizam sua busca, Andy se faz passar por Randall Stephens e visita vários bancos para retirar o dinheiro lavado, em seguida envia o livro de contas para um jornal local como prova da corrupção em Shawshank. A polícia chega na penitenciária e prende Hadley, enquanto Norton comete suicídio.[3]

Red é libertado depois de quarenta anos. Ele luta para se adaptar a vida de homem livre e teme que nunca conseguirá totalmente. Ele lembra de sua promessa feita a Andy e visita Buxton, encontrando uma pequena caixa com dinheiro e uma carta pedindo para que vá até Zihuatanejo. Red viola sua condicional e viaja até Fort Hancock, Texas, para cruzar a fronteira com o México, admitindo que finalmente sente esperança. Nas praias de Zihuatanejo, Andy e Red se reencontram.[3]

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Tim Robbins e Morgan Freeman como Andy Dufresne e Ellis "Red" Redding em The Shawshank Redemption.
Um banqueiro sentenciado a prisão perpétua pelo assassinato de sua esposa e do amante dela.[4]
Um detento contrabandista que fica amigo de Andy.[5][6]
O religioso e severo diretor da penitenciária de Shawshank.[4]
Um membro da gangue de detentos amigos de Red.[5][7]
O brutal capitão dos guardas da prisão.[8][9]
Um jovem detento condenado em 1965 por roubo.[1][5]
Um detento e bibliotecário idoso que está preso desde os anos 1900.[10]

O elenco também inclui Mark Rolston como Bogs Diamond, líder da gangue de estupradores "As Irmãs";[11] Jeffrey DeMunn como o promotor da acusação no julgamento de Andy; Alfonso Freeman como um detento de Shawshank; Ned Bellamy e Don McManus como os guardas Youngblood e Wiley; e Dion Anderson como Haig.[5] Além disso, Renee Blaine interpreta a esposa de Andy, enquanto Scott Mann faz o amante dela.[12] Frank Medrano faz um dos novos detentos que é espancado até a morte por Hadley[5] e Bill Bolender interpreta Elmo Blatch, um prisioneiro que pode ser o responsável pelos crimes que Andy foi acusado.[13] James Kisicki interpreta um gerente de banco.[14]

Análise[editar | editar código-fonte]

The Shawshank Redemption já foi interpretado como sendo baseado no cristianismo místico.[15] Andy é apresentado como uma figura messiânica, semelhante a Cristo, com Red descrevendo-o no começo da história como possuindo uma aura que o engloba e o protege de Shawshank.[16] A cena em que Andy e vários colegas detentos trabalham no teto da prisão foi vista como uma recriação da Última Ceia, com Andy obtendo cerveja/vinho para os doze detentos/discípulos enquanto Red os descreve como "senhores de toda criação", invocando a benção de Jesus.[17] O diretor e roteirista Frank Darabont respondeu que isso não foi uma intenção deliberada,[18] porém desejava que as pessoas encontrassem seus próprios significados no filme.[19] A descoberta da gravação de Le nozze di Figaro em determinado momento da narrativa é descrita no roteiro como semelhante à descoberta do Santo Graal, fazendo os prisioneiros congelarem e levando os doentes a se levantarem de suas camas.[20]

Norton cita Jesus no começo do filme para se descrever, dizendo que "Eu sou a luz do mundo", assim se declarando como o salvador de Andy. Porém essa descrição também pode se referir a Lúcifer, o portador da luz.[21] O diretor não impõe completamente o uso da lei, mas sim escolhe impor suas próprias leis e punições como bem acha, tornando-se ele mesmo a personificação da lei, assim como o comportamento do Diabo.[4] O diretor também já foi comprado com Richard Nixon, ex-presidente dos Estados Unidos. Sua aparência e discursos públicos podem ser vistos como um espelho de Nixon. Similarmente, Norton projeta uma imagem de homem piedoso e justo, falando humildemente para as massas servis ao mesmo tempo que realiza esquemas de corrupção, assim como aqueles que trouxeram infâmia para Nixon.[22]

O reencontro de Andy e Red foi filmado no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Sandy Point em Saint Croix, Ilhas Virgens Americanas. A locação foi interpretada como uma forma de escape ou paraíso.

Zihuatanejo foi interpretada como uma analogia para o céu ou paraíso. Andy a descreve como um local sem memória, oferecendo absolvição de seus pecados ao se esquecer deles e permitir que eles sejam varridos pelo Oceano Pacífico, cujo nome significa "paz". A possibilidade de se escapar para Zihuatanejo só é levantada depois de Andy finalmente admitir culpa pelo assassinato da esposa.[23] De forma semelhante, a liberdade de Red só é conquistada depois dele aceitar que não pode se salvar ou reconciliar seus pecados. Freeman descreveu a história de Red como uma de salvação já que o personagem não é inocente de seus crimes, diferentemente de Andy que encontra redenção.[24] Alguns espectadores cristãos interpretam Zihuatanejo como o paraíso, enquanto o local também pode ser visto como a forma nietzschiana de falta de culpa alcançada fora das noções tradicionais de bem e mal, onde a amnésia oferecida é a destruição em vez do perdão do pecado, significando que o objetivo de Andy é tanto secular quanto ateísta. Assim como Andy pode ser interpretado como uma figura semelhante a Cristo, ele também pode ser considerado um profeta como Zaratustra oferecendo fuga por meio da educação e experiência de liberdade.[23] O crítico Roger Ebert argumentou que The Shawshank Redemption é uma alegoria sobre manter um sentimento de auto-estima quando colocado em uma posição desesperançosa. A integridade de Andy é um tema importante na narrativa, especialmente na prisão, local onde falta integridade.[25]

Referências

  1. a b «'The Shawshank Redemption': 2 Pros and Countless Cons». Entertainment Weekly. 30 de setembro de 1994. Consultado em 23 de abril de 2018 
  2. Adams, Russell (22 de maio de 2014). «The Shawshank Residuals». The Wall Street Journal. Consultado em 23 de abril de 2018 
  3. a b c d e f The Shawshank Redemption (Filme). Estados Unidos: Columbia Pictures. 1994 
  4. a b c Hooke, Alexander (maio–junho de 2014). «The Shawshank Redemption». Philosophy Now. Consultado em 24 de abril de 2018 
  5. a b c d e «The Shawshank Redemption». TV Guide. Consultado em 24 de abril de 2018 
  6. Gleiberman, Owen (23 de setembro de 1994). «The Shawshank Redemption». Entertainment Weekly. Consultado em 24 de abril de 2018 
  7. Nicol, John (2 de novembro de 2015). «Interview: Actor William Sadler Talks Tales From the Crypt Shawshank, The Mist and More». ComingSoon.net. Consultado em 24 de abril de 2018 
  8. Pritchard, Tom (29 de outubro de 2017). «All The Easter Eggs and References Hiding in Thor: Ragnarok». Gizmodo. Consultado em 24 de abril de 2018 
  9. Heiderny, Margaret (22 de setembro de 2014). «The Little-Known Story of How The Shawshank Redemption Became One of the Most Beloved Films of All Time». Vanity Fair. Consultado em 24 de abril de 2018 
  10. Devine, J.P. (14 de julho de 2017). «J.P. Devine MIFF Movie Review: 'The Shawshank Redemption'». Kennebec Journal. Consultado em 24 de abril de 2018 
  11. «Marl Rolston». Hollywood.com. Consultado em 24 de abril de 2018. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2017 
  12. McNaull, Courtney (1 de junho de 2017). «Shawshank Hustle back for third year». Mansfield News Journal. Consultado em 24 de abril de 2018 
  13. Wilson, Sean (22 de agosto de 2017). «The scariest Stephen King characters to stalk the screen». Cineworld. Consultado em 24 de abril de 2018. Cópia arquivada em 4 de novembro de 2017 
  14. Glaser, Susan (29 de agosto de 2014). «'The Shawshank Redemption' 20 years later: Mansfield celebrates its role in the classic film». The Plain Dealer. Consultado em 24 de abril de 2018 
  15. Kermode 2003, p. 14
  16. Kermode 2003, p. 30
  17. Kermode 2003, pp. 31, 39
  18. Kermode 2003, p. 31
  19. Kermode, Mark (22 de agosto de 2004). «Hope springs eternal». The Guardian. Consultado em 24 de abril de 2018 
  20. Kermode 2003, p. 39
  21. Kermode 2003, p. 48
  22. Kermode 2003, p. 45
  23. a b Kermode 2003, p. 68
  24. Kermode 2003, p. 80
  25. Ebert, Roger (23 de setembro de 1994). «The Shawshank Redemption Movie Review (1994)». Chicago Sun-Times. Consultado em 24 de abril de 2018 

Bibiografia[editar | editar código-fonte]

  • Kermode, Mark (2003). The Shawshank Redemption. Col: BFI Modern Classics. Londres: British Film Institute. ISBN 0-85170-968-0 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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