Umbanda

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A Umbanda é uma religião que sintetiza vários elementos das religiões africanas, porém, sem ser definida por eles;[1] foi formada no século XX no sudeste do Brasil, a partir da síntese de outros movimentos religiosos como o Candomblé, o Catolicismo e o Espiritismo; é considerada uma "religião brasileira por excelência" com um sincretismo que combina o Catolicismo, a tradição dos orixás africanos e os espíritos de origem indígena.[2] [3]

No Brasil, o Rio Grande do Sul tem a maior proporção nacional de adeptos da umbanda e do candomblé: 1,47%, quase cinco vezes o percentual do estado da Bahia.[4] [5]

O dia 15 de novembro já considerado como a data do surgimento da Umbanda pelos seus adeptos[6] [7] foi oficializado no Brasil em 18 de maio de 2012 através da Lei 12.644.[8]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Umbanda" ou "embanda" são oriundos da língua quimbunda de Angola, significando "magia",[9] "arte de curar".[10] Há também a suposição de uma origem em um mantra na Língua adâmica cujo significado seria "conjunto das leis divinas"[11] ou "deus ao nosso lado".[12]

Também era conhecida a palavra 'mbanda significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que 'mbanda quer dizer “o Além – onde moram os espíritos”.[13]

Após o Congresso de 1941,[14] declarou-se que "umbanda" vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como "o limite no ilimitado", "Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante".[15]

História[editar | editar código-fonte]

Enquanto as fontes divergem em relação à datas, por volta de 1907[16] /1908 (15 de novembro de 1908)[17] ou 1920 um jovem chamado Zélio Fernandino de Morais prestes a ingressar na Marinha, passou a apresentar comportamento estranho a que a família chamou de "ataques" onde o jovem tinha a postura de um velho dizendo coisas incompreensíveis, em outro momento se comportava como um felino.[18] Após ter sido examinado por um médico que aconselhou a família a levá-lo a um padre, Zélio foi levado à um centro espírita. Assim, no dia 15 de novembro, Zélio foi convidado a se sentar à mesa da sessão na Federação Espírita de Niterói,[19] [20] presidida na época por José de Souza[21] quando foi incorporado por um espírito que se levantou durante a sessão e foi até o jardim para buscar uma flor e colocá-la no centro da mesa, contrariando a regra de não poder abandonar a mesa uma vez iniciada a sessão. Em seguida, Zélio incorporou espíritos que se apresentavam como negros escravos e índios. O diretor dos trabalhos alertou os espíritos sobre seu atraso espiritual, convidando-os a sair da sessão quando uma força tomou Zélio e disse:[22]

Cquote1.svg Por que repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Será por causa de suas origens sociais e da cor? Cquote2.svg
Caboclo das Sete Encruzilhadas

Ao ser indagado por um medium ele respondeu:[23]

Cquote1.svg Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida.[24] Acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como Caboclo brasileiro. Cquote2.svg
Caboclo das Sete Encruzilhadas

A respeito de sua missão, assim anunciou:[25] [26]

Cquote1.svg Se julgam atrasados esses espíritos dos negros e dos índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho para dar início a um culto em que esses negros e esses índios poderão dar a sua mensagem e assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminho fechado para mim. Cquote2.svg
Caboclo das Sete Encruzilhadas

No dia seguinte, na residência da família de Zélio, na rua Floriano Peixoto, no. 30, em Neves, reuniu-se os membros da Federação Espírita, visando comprovar a veracidade do que havia sido declarado[27] o jovem novamente incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que declarou que os velhos espíritos de negros escravos e índios de nossa terra poderiam trabalhar em auxílio do seus irmãos encarnados, não importando a cor, raça ou posição social.[28] sendo assim, neste dia fundou o primeiro terreiro de umbanda chamado de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.[29]

O espírito estabeleceu normas como a prática de caridade, sua base se fundamentaria no Evangelho de Cristo e seu nome "Allabanda",[30] substituído por "Aumbanda" e posteriormente se popularizando como "Umbanda".[27]

No ano de 1918, fundaram-se sete tendas para a propagação da Umbanda: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, Tenda Espírita Santa Bárbara, Tenda Espírita São Pedro, Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge e Tenda Espírita São Gerônimo. Até a morte de Zélio em 1975, mais de 10.000 templos foram fundados além destes iniciais.[31]

Em 1939 com o objetivo de acabar com polêmicas e na tentativa de uma unificação foi criada a União Espírita de Umbanda do Brasil,[32] a partir desse momento, somente as práticas que seguiam os fundamentos propostos pelo Caboclo Sete Encruzilhadas passaram a ser consideradas como umbandistas.[33]

Em 1940, o escritor Woodrow Wilson da Matta e Silva apresentou a Umbanda como ciência e filosofia, criando então a Escola Iniciática da Corrente Astral do Aumbhandan, a "Umbanda Esotérica" na Tenda Umbandista Oriental, em Itacuruçá, no Rio de Janeiro.[34]

Mesmo após as tentativas de unificação, nas décadas de 40, 50 e 60 ainda existiam inúmeros terreiros no Rio de Janeiro não vinculados à União Espírita de Umbanda do Brasil principalmente por discordarem das normativas propostas pela federação e por serem consideradas "atividades isoladas". Esses terreiros realizavam práticas ritualistas sob a denominação de Umbanda, por exemplo a Tenda Espírita Fé, Esperança e Caridade e Pai Luiz D'Ângelo, praticante do segmento Umbanda de Almas e Angola.[35]

Em 1941 a UEUB organizou sua primeira conferência, o I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda[36] como forma de tentar definir e codificar a Umbanda como como uma religião por seu direito e como uma religião que une todas as religiões, raças e nacionalidades. A conferência também promoveu uma dissociação das tradições afro-brasileira.[37] Os participantes concordaram em fazer uso das obras de Allan Kardec como fundação doutrinária da Umbanda, enquanto se dissociando das outras tradições religiosas afro-brasileiras.[38] Ainda assim, os espíritos fundadores da Umbanda, os Caboclos e os Preto Velhos ainda foram mantidos como como espíritos altamente evoluídos.

Em termos gerais, os participantes do Congresso se esforçaram em legitimar a Umbanda como uma religião altamente evoluída, por exemplo, afirmando que a Umbanda já existia como uma religião organizada há bilhões de anos estando então a frente de todas as outras religiões. Como parte desses esforços em definir a Umbanda como uma religião original e altamente evoluída, os participantes procuraram remover suas raízes africanas e afro-brasileiras, a origem da Umbanda foi rastreada até o Oriente, de onde disse ter se espalhado para Lemuria[39] e subsequentemente para a África. No continente africano, a Umbanda se degenerou em fetichismo[38] e nessa forma foi trazida ao Brasil pelos escravos.[40] A influência africana na Umbanda não foi de todo rejeitada mas causada por uma corrupção da tradição religiosa original, como uma fase de retrocesso em sua evolução; a Umbanda foi exposta ao barbarismo na forma de costumes vulgares e praticada por pessoas com "costumes rudes e defeitos psicológicos e étnicos"[41] Outra forma de lidar com o caráter africano da Umbanda foi exposto na compreensão que se originou na Áfricam porém na África Oriental (Egito), sendo então da parte mais "civilizada" do continente.[42]

Um dos objetivos da conferência foi então rastrear as raízes "genuínas" da Umbanda até o Oriente; a invenção das raízes orientais juntamente com a rejeição das africanas,foi refletida na definição do termo "umbanda", que é de outro modo geralmente acreditado ser derivada do idioma Banto. Declarou-se que "umbanda" vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como "o limite no ilimitado", "Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante".[43] [44] A partir da década de 1950, os setores mais humildes da população umbandista composta por negros e mulatos começaram a contestar o distanciamento da Umbanda das práticas africandas, a "umbanda branca" se opunha à tendência de recuperar os valores africanos presentes na religiosidade popular.

A partir da década de 1950, os setores mais humildes da população umbandista composta por negros e mulatos começaram a contestar o distanciamento da Umbanda das práticas africanas, a "umbanda branca" se opunha à tendência de recuperar os valores africanos presentes na religiosidade popular.[45]

O segundo congresso ocorreu em 1961 evidenciando o crescimento da religião que teve sua imagem reconstruída pela imprensa, milhares de devotos compareceram ao Maracanãzinho com representantes de vários estados e a presença de políticos municipais e estaduais.[46] O jornal O Estado de S. Paulo noticiou a realização do congresso no Rio de Janeiro afirmando que a "preocupação central do Congresso parece ser a elaboração de um código que orientará a feitura de uma Carta Sinódica da Umbanda". No mesmo ano, o jornal Diário de S. Paulo publicou uma grande reportagem com o título "Saravá meu Pai Xangô, Saravá Mamãe Oxum", onde o jornalista descreve uma "sessão assistida pelos repórteres a convite do deputado gaúcho Moab Caldas".[47]

No terceiro congresso realizado em 1973[48] a Umbanda afirmou-se em definitivo como uma religião expressiva no campor das atividades assistenciais, além dos centros onde ocorriam as atividades espirituais, a religião contava com escolas, creches, ambulatórios etc articuladas em torno da missão de promover a caridade e a ajuda.[49]

Na década de 80, a Umbanda teve seu auge ao ser declarada como religião de muitas personalidades como os cantores Clara Nunes, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Baden Powell, Bezerra da Silva, Raul Seixas, Martinho da Vila entre outros.[50]

Na década de 90 a Umbanda e outras religiões de matizes africanas foram alvo do crescente neopentecostalismo brasileiro. Nessa época também fundou-se a Faculdade de Teologia Umbandista, mantida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino[51] fundada por Rigas Neto na Água Funda, São Paulo.[52]

Crenças e práticas[editar | editar código-fonte]

Existem várias vertentes de Umbanda de modo que as práticas e rituais tendem a variar, há por exemplo a Umbanda Tradicional, Primado de Umbanda, Umbanda de Nação ou Umbanda Mista, U,bandomblé, Umbanda Esotérica, Umbanda Astrológica, Umbanda Sagrada, Umbanda da Magia Divina, Umbanda Omolocô etc.[53]

A influência africana na Umbanda foi interpretada como um "mal necessário" que apenas serviu para explicar sua chegada e desenvolvimento no Brasil. O "branqueamento" das origens da Umbanda foi expresso em termos como como "umbanda pura", "umbanda limpa", "umbanda branca" e "umbanda de linha branca" no sentido de "magia branca".[54] Estes termos contrastavam com "magia negra" e "linha negra" associados com o mal. Além disso, uma divisão de espíritos foi estabelecida entre os "da direita" (o bem) e os "da esquerda", o mal. A única instância de identificação positiva com a influência africana na Umbanda relacionava-se a com os Pretos Velhos e como o continente africano ser reconhecido como uma continente heroico e sofredor.[55]

A Umbanda pode ter várias vertentes com práticas diversas, nomeadas de diferentes formas[56] como Umbanda Tradicional, Primado de Umbanda, Umbanda de Nação ou Umbanda Mista, Umbandomblé, Umbanda Esotérica, Umbanda Astrológica, Umbanda Sagrada, Umbanda da Magia Divina, Umbanda Omolocô etc.[57] Essas diferentes vertentes partilham o culto à entidades ancestrais e a espíritos associados a divindades diversas, que podem pertencer ao Catolocismo, a cultos africanos, hindus, árabes entre outros.[58] Apesar de diferentes vertentes existem alguns conceitos encontrados que são comum a todas, são eles: [59] [60] [61]

Também se fundamentam na obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como a fraternidade, a caridade e o respeito ao próximo.[63] Além desses preceitos também estão a necessidade da prática mediúnica como por exemplo servindo de "cavalo" (o medium) para para viabilizar a comunicação entre espíritos e orixás com os seres humanos.[64]

Ritos[editar | editar código-fonte]

Os rituais da Umbanda visam evocar o orixá ancestral e toda sua hierarquia composta por Orixás menores, Guias e Protetores.[65] Os rituais não têm forma ou modo definido de modo que variam de casa para casa e estão subordinados às decisões de cada Pai-de-santo e cada entidade protetora do terreiro.[66]

O local onde se dá as celebrações e o atendimento do público é geralmente uma casa denominada por tenda que contém um terreiro e um salão apropriado para sessões.[67]

Alguns termos e rituais comumente mencionados:

  • Giras, é como são chamadas as sessões onde se reúnem os espíritos de várias categorias, as giras podem ser festivas, de trabalho ou de treinamento.[68]
  • Bater cabeça, é como é chamado o ato de prostração, a reverência dada ao chefe do terreiro, por exemplo.[69] O contexto desse gesto varia de terreiro para terreiro sendo unânime que seja feito antes da defumação.[70]
  • Defumação, é usada para purificar o ambiente, através do seu aroma desfaz no ambiente todo o negativo expulsando os espíritos trevosos.[71]
  • Passe, é o gesto de imposição de mãos presente também no kardecismo[72]
  • Pontos riscados são diagramas desenhados no chão como ângulos, retas, símbolos representativos, desenhos geométricos, pontos cardeais etc representando a assinatura do Guia[73]
  • Pontos cantados são as músicas e cantos entoados como forma de louvor ou invocação.[74]
  • Oferendas são a prática de dispor comida ritual e objetos específicos[75] nos templos ou locais ao ar livre, em dias e para fins especiais. As oferendas são agradecimentos aos Guias e Orixás.[76] As vertentes com mais influência dos cultos africanos como a Umbanda de Nação se utiliza de ebós que são para finalidades próprias como reequilibrar aspectos da vida da pessoa,[77] porém, diferente de alguns cultos africanos, a Umbanda não se utiliza do sacrifício de animais.[78] [79] [80]
  • Descarrego é o nome dado a rituais para limpeza espiritual ou livrar-se de cargas negativas, podem ser banhos com ervas especiais[81] como a Guiné[82] , Espada-de-ogun[83] etc ou rituais como a Roda de fogo" que usa pólvora.[84]
  • Batismo com ocorre em muitas outras religiões só pode ser realizado por líderes religiosos, no caso o Bablorixá ou a Yalorixá.[85]

Espaço físico[editar | editar código-fonte]

A parte física de um terreiro de umbanda contém quatro elementos fundamentais: [86]

  • Assentamento
  • Pegi ou Peji
  • Congá
  • Porteira ou Tronqueira
  • Roncó, fica fora do terreiro propriamente dito mas anexo a ele.
  • Cruzeiro das Almas ou Casa das Almas[87]

Organização[editar | editar código-fonte]

A hierarquia na Umbanda pode variar dependendo da quantidade de membros de modo que pode se dividir em um grupo administrativo e grupo espiritual[88] [89] [90] além de variar de acordo com o tipo de Umbanda (de nação, Esotérica etc).

Babalorixá (Pai-de-santo) e Yalorixá (Mãe-de-santo)
Responsáveis por toda a atividade espiritual que ocorre no terreiro, como iniciar, conduzir e encerrar as giras e estabelecer as ordens e doutrinas passadas pelo astral.
Babakekere (Pai-menor) e Yakekere (Mãe-menor)
São os responsáveis na ausência dos pai ou mãe, têm os mesmos ensinamentos e participam de todos os rituais.
Ogã, curimbeiro ou atabaqueiro
Responsável por tocar e cantar os Pontos cantados nas giras além do ensino a novos ogãs.
Ogã calofé[91]
É responsável pela corimba e instrutor dos toques de atabaques.
Cambono
É o medium designado a auxiliar a entidade trabalhando como um intérprete entre a entidade e o consulente.
Médium de trabalho, médium feito ou médium coroado
São médiums que prestam consultas nas giras de atendimento e já passaram por todos os preceitos e obrigações (batismo, amaci e coroação).
Médium em desenvolvimento
São os médiums em processo de desenvolvimento.
Samba
Médium feminina em desenvolvimento.[92]
Iaô
Médium feminina com feitura de santo.[93]
Médium iniciante
São os médiums que ainda não incorporam, sendo às vezes colocados como cambonos até adquirirem experiência.
Transa ou porteira
É o responsável por orientar e distribuir fichas ou senhas aos frequentadores.
Iabá[94]
É responsável pela cozinha do terreiro, pela confecção dos ageuns, amalas e comidas necessárias nos trabalhos.
Cota[95]
Subordinada ou substituta da Iabá (Umbanda de Nação).
Mão de faca[96]
Médium responsável pelas matanças animais (Umbanda de Nação).

Entidades[editar | editar código-fonte]

Os espíritos que trabalham na Umbanda são organizados em linhas e falanges (legiões) de uma forma quase militar. Cada linha está sob a direção de uma deidade africana ou Orixá ou Orisha, enquanto os nomes e configurações exatas variam dentro da Umbanda, eles são em sua maioria compostos a partir de divisões étnicas, por exemplo, "Povo de Moçambique", "Legião de Tupi-Guarani". Em geral, os espíritos nos rituais da Umbanda se enquadram nas seguintes categorias:[97]

  1. Caboclos, espíritos indígenas, como o Sete Encruzilhadas
  2. Pretos Velhos, os espíritos de velhos escravos brasileiros
  3. Exus, espíritos menos evoluídos que na vida foram criminosos ou pecadores notórios
  4. Pomba Giras, o equivalente feminino dos Exus, tipicamente retratadas como dançarinas, damas da noite etc.
  5. Crianças, os espírito de crianças

Todas os acima são chamados de "espíritos de luz" porque trabalham para o bem, há também os espíritos banidos da Umbanda que são ditos trabalharem para o ladro negro, dentro da Quiumbanda, um tipo de oposto negativo da Umbanda.[98]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Assim como outras religiões afro-brasileiras, a Umbanda sofreu repressão política durante a Vargas até o início de 1950. Uma lei de 1934 colocava estas religiões sobre a jurisdição do Departamento de Tóxicos e Mistificações da polícia de modo que era preciso um registro especial para funcionarem. Durante esses anos vários grupos se mantinham na clandestinidade ou quando se registravam, procuravam omitir suas ligações ou inspirações africanas se registrando como sendo apenas "espiritistas".[99] Essa omissão ou "desafricanaização"[100] que rejeitava as influências das religiões africanas foi estabelecida mais claramento no I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda realizado em 1941, que definiu entre outros aspectos, que a a raiz da Umbanda provinha de antigas religiões e filosofias da Índia.[101] [102] Roger Bastide argumentou que o Espiritismo "branquea" ou "europeniza" a Umbanda, distorcendo suas raízes africanas.[103]

No Brasil, a Umbanda e demais religiões de matrizes africanas sofrem com a intolerância religiosa,[104] sendo as religiões neopentecostais ditas Renovadas de maior intolerância em relação à Umbanda, ao Candomblé e ao Kardecismo.[105]

Os praticantes do Candomblé criticam a Umbanda por considerá-la superficial e desconhecer os ritos mais profundos dos cultos aos Orixás, além de criticarem a Umbanda por não separar o culto dos espíritos do culto às entidades já que o Candomblé considera os Orixás e deuses como sendo mais puros e de energia mais primordial e que então não podem ser maculados pela energia dos espíritos que viveram na Terra.[106]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Publicações[editar | editar código-fonte]

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  • NEGRÃO, Lísias Nogueira. Umbanda e Questão Moral: Formação e Atualidade no Campo Umbandista em São Paulo. Dissertação de doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1993.
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  • OMOLUBÁ - Fundamentos de Umbanda – Revelação Religiosa. São Paulo: Cristális Editora e Livraria, 2004.
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  • TRINDADE, Diamantino Fernandes. Umbanda e sua História. São Paulo: Editora Ícone, 1991.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]