Unidade 731

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Shiro Ishii (1892 - 1959), médico e comandante da unidade 731.

Unidade 731 - foi uma unidade secreta de pesquisa e desenvolvimento da guerra biológica do exército imperial japonês que utilizou seres humanos em experiências secretas durante a Segunda Guerra Mundial e Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945).

História[editar | editar código-fonte]

A Unidade 731 foi denominada oficialmente Departamento de prevenção de epidemias e purificação de água (関東軍防疫給水部本部 Kantōgun Bōeki Kyūsuibu Honbu) do exército de Guangdong, originalmente sob comando da Kempeitai (polícia militar). Foi ajustada às políticas, ideologias e seções da kenpeitai da pré-guerra japonesa no Pacífico. Significou se opôr a ideologia e influência política dos inimigos, e reforçar a ideologia de unidades militares.

A Unidade ficava localizada no distrito de Pingfang, na cidade de Harbin, no estado fantoche de Manchukuo (nordeste da China). Foi responsável por alguns dos crimes de guerra na China e outros países da Ásia, numas das maiores atrocidades realizadas pelo exército imperial japonês[1] , agindo de forma muito similar aos famosos experimentos humanos nazistas.

Entre outros experimentos praticados pelos médicos e militares japoneses em prisioneiros e civis chineses, soviéticos, filipinos e de nacionalidades pertencentes a países Aliados[1] , ocorreram vivissecções, isto é, dissecações de pessoas vivas, em alguns casos, sem anestesia, retirando órgão por órgão até ao óbito[1] ; expostos a mudanças extremas de temperatura[1] , ou a temperaturas excessivamente baixas[1] ; gaseamento dos prisioneiros levando-os à morte por Sufocamento; ou mesmo enclausurados em câmaras de descompressão, enquanto pesquisadores cronometravam dados como o tempo para que os olhos explodissem[2] . Foram disseminadas doenças e pestes como tifo, cólera, peste bubônica, disenteria e antraz em várias cidades chinesas, levando aproximadamente duzentas mil pessoas à morte[1] .

Além do governo japonês, no pós-Guerra, o governo norte-americano ficou a conhecer a unidade e as atividades realizadas durante o período de Guerra[1] . No entanto, o Governo Americano concedeu imunidade aos perpetradores e ajudou a encobrir acontecimentos e provas em troca de dados[1] . Assim, os crimes de guerra cometidos foram mantidos em segredo para o resto do mundo até virem à tona a verdade em 1989 com a descoberta de cadáveres no subsolo da cidade de Tóquio por operários de construção.

Sendo impossível ocultar por mais tempo a verdade, muitos fatos foram levados ao público e vítimas deixam o estado de silêncio e deram seus depoimentos sobre a unidade 731, muitas das quais são soldados norte-americanos que foram cobaias em experiências sob o comando do general Shiro Ishii, oficial do exército de Guangdong.

O filme de 1988, produção conjunta de Hong Kong/República Popular da China, Hei tai yang 731 (em inglês: Men Behind the Sun, em português: Campo 731: Bactérias, a maldade Humana) retrata as experiências da Unidade 731.[3]

Essas atrocidades causadas pelo exército japonês na época da Segunda Grande Guerra inspiraram a banda de Thrash metal Slayer a compor a música Unit 731.

Complexo da Unidade 731
Experiência de hipotermia, usando como cobaias prisioneiros chineses sob vigilância de soldados japoneses.
Um dos prédios da Unidade 731, em Harbin, aberto à visitação.
Placa em memória das vítimas num dos prédios do complexo.

Artigos relacionados[editar | editar código-fonte]

Referências

Fontes[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • (em inglês) Unit-731 - Japanese Experimentation Camp (1937-1945). Página acessada em 3 de abril de 2012.
  • (em inglês) Theage - The Asian Auschwitz of Unit 731. Página acessada em 3 de abril de 2012.