Unidade transcendente das religiões

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A unidade transcendente das religiões é um conceito-chave da filosofia perene.

Formulado por Frithjof Schuon[1][2] na obra de mesmo nome (1948), no qual o autor sustenta, em síntese, que a unidade das grandes religiões mundiais (Cristianismo, Islã, Budismo, Hinduísmo, Taoísmo) deve ser buscada no plano metafísico, espiritual e transcendente. Dado que no plano dos dogmas, ritos e moralidades as religiões inevitavelmente se opõem, pois as formas são diversas, mas a essência transcendente é convergente.

A edição em português mais recente de A Unidade Transcendente das Religiões, traduzida a partir da última edição francesa, de 1979, foi lançada em São Paulo, em 2011, pela editora do IRGET (Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais). A primeira edição em português foi publicada pela editora Martins, em São Paulo, em 1952. O original francês foi publicado em Paris, em 1948.

O conceito de unidade transcendente aponta para o fato de que, no coração de cada religião, há um cerne de verdade — sobre Deus, o homem, a oração e a moralidade — que é idêntico.

As diversas religiões mundiais são de fato diferentes –- e esta é precisamente a razão de ser. É o cerne essencial que é idêntico, não a forma exterior. De acordo com Frithjof Schuon, todas as grandes religiões são reveladas por Deus, e é por causa disso que cada qual fala em termos absolutos. Se não o fizesse, não seria uma religião, nem poderia oferecer os meios de salvação.[3]

O conceito subjacente e por assim dizer implícito da "unidade transcendente" pode ser encontrado na antiga Grécia, particularmente em Platão e, mais tarde, nos neoplatónicos. No Cristianismo, Mestre Eckhart (no Catolicismo) e São Gregório Palamas (no Cristianismo oriental) apontaram para a mesma ideia, a qual é também encontrada no Islã, sobretudo na vertente mística, o Sufismo. Segundo este teoria todas as religiões possuiriam, além de uma dimensão exterior ou exotérica, legal ou convencional, uma dimensão esotérica ou interior, que é simultaneamente universal e que se abre para as outras formulações desta mesma verdade. E é justamente tal universalidade que o conceito de Schuon almeja abarcar.[4]

Referências

  1. «Biografia». Frithjof Schuon. 23 de dezembro de 2013 
  2. [1]
  3. «Entrevista: A Base da Religião e da Metafísica (Entrevista concedida por Frithjof Schuon a Deborah Casey)». Frithjof Schuon. 23 de dezembro de 2013 
  4. Schuon, Frithjof. «De l'Unité transcendante des Religions». www.frithjof-schuon.com (em inglês). Consultado em 1 de junho de 2017 [2]

Ver também[editar | editar código-fonte]