Universidade

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Uma universidade é uma instituição pluridisciplinar de formação dos quadros de profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano.[1] Uma universidade provê educação tanto terciária (graduação) quanto quaternária (pós-graduação). Segundo Mazzari Júnior "as universidades gozam de autonomia para executar suas finalidades, em estrita observância ao texto constitucional, porém este direito não proíbe o Estado de verificar o uso desta prerrogativa nas atividades que lhes são próprias."[2]

História[editar | editar código-fonte]

Em uma definição mais abrangente, a escola de escribas sumérios Eduba, criada por volta 3500 a.C., é citada por muitos autores como a primeira universidade. Entretanto ensinava apenas a escrita cuneiforme suméria e matemática, mas foi um local de extrema importância para o desenvolvimento da escrita.[3] [4] [5] [6] Porém em uma visão mais próxima do conceito moderno, a Academia, fundada em 387 a.C. pelo filósofo grego Platão no bosque de Academos próximo a Atenas, é defendida por muitos como a primeira universidade. Nela os estudantes aprendiam filosofia, matemática e ginástica. Embora próxima do conceito moderno, não constituía realmente uma universidade, pois cada pensador fundava uma escola de pensamento para difundir seus conhecimentos, não para debatê-los.

Ruínas da universidade de Nalanda, fundada no século V. É considerada pela maioria dos historiadores como a universidade mais antiga do mundo.[7] [8] [9] [10]

Em uma visão global, a primeira universidade a seguir o conceito moderno surgiu na Ásia, durante o século V, e foi conhecida como a universidade de Nalanda, em Bihar, Índia.[11] [12] [13] [14] Nela viveu o filósofo budista Nagarjuna. Durante sua existência chegou a contar com mais de 10.000 estudantes e 1.500 professores. O currículo dessa universidade era extenso e envolvia áreas como teologia, filosofia, matemáticaastronomiaalquimia e anatomia. Seus filósofos budistas promoviam debates filosóficos envolvendo diversos temas. Em 1193, a universidade de Nalanda foi saqueada por invasores muçulmanos. Quando o tradutor tibetano Chag Lotsawa visitou-a em 1235 encontrou-a em parte destruída mas ainda funcionando com um pequeno número de monges. A destruição de Nalanda assim como de templos e monastérios no norte da Índia, onde havia centros de estudos, é considerado por vários historiadores como a causa do súbito desaparecimento do antigo pensamento científico indiano.

Em 670 d.C. foi fundada na Tunísia a mesquita de Cairuão e nela iniciou-se o desenvolvimento da primeira universidade árabe onde se ensinava o idioma árabe, teologia, história islâmica, jurisprudência maliquita, matemática, astronomia, medicinabotânica.[15] Porém poucas décadas mais tarde a mesquita de Cairuão foi destruída e o seu centro universitário foi reconstruído na cidade de Montfleury em 737 d.C. onde foi então fundada a universidade Ez-Zitouna que funciona até hoje e é considera por muitos árabes como a primeira universidade.[16]

Universidade de Quaraouiyine no interior do mosteiro.

Oficialmente a UNESCO declarou a universidade de Karueein (ou Al Quarawiyyia) fundada em Fez, em Marrocos, no ano de 859 d.C. como a primeira universidade do mundo seguindo a definição moderna.[17] [18] [19] [20] [21] [22] [23] [24] [25]

Sala de estudos da universidade Al-Azhar.

Em 970 d.C. foi fundada no Cairo, no Egito, a universidade de Al-Azhar que é então oficialmente considerada a segunda universidade mais antiga do mundo na definição moderna. O currículo de Al-Azhar envolvia matérias como teologia, história islâmica, jurisprudência maliquita, gramática árabe, matemática, lógica, retórica e astronomia.[26] [27] [28] Apenas em 1961 foram incluídos cursos envolvendo administração, economia, farmácia, medicina, engenharia e agricultura. Em 1065 em Bagdá, capital do Iraque, é a universidade Al-Nizamiyya que possuía em seu currículo matérias como teologia, jurisprudência maliquita, gramática e literatura árabe e aritmética.

Em 1088, na cidade de Bolonha, na Itália, é fundada a Universidade de Bolonha que viria a ser conhecida como a primeira universidade da Europa onde se estudava direito, medicina e teologia.

A Universidade de Bolonha, fundada em 1088.

Na África além das universidades islâmicas criadas antes do ano 1.000 a.C., outras foram criadas no período equivalente a idade média europeia, como a famosa Universidade de Tombuctu organizada em torno de três mesquitas no século 12 em Sankore, no atual Mali.

Na Europa rapazes encaminhavam-se à universidade após completar o estudo do trivium: as artes preparatórias da gramática, retórica e lógica ou dialética; e do quadrivium: aritmética, geometria, música e astronomia.[29] [30] [31] [32]

Atualmente as universidades são normalmente instituídas por um estatuto ou carta. No Reino Unido, uma universidade é definida por uma carta real e apenas instituições com tal documento podem oferecer diplomas de quaisquer tipos.

Nas últimas décadas do século XX, um certo número de universidades com mais de 100 000 estudantes foi criado, ensinando através de técnicas de aprendizado a distância.

Organização[editar | editar código-fonte]

Apesar do modelo de organização variar de instituição para instituição, quase todas as universidades dispõem de alguns órgãos centrais comuns, como um reitor, chanceler ou presidente, um conselho de curadores, um senado universitário e decanos das várias unidades orgânicas. O provimento destes órgãos varia conforme o estatuto da instituição, indo desde a nomeação por uma autoridade superior à eleição pelos próprios membros da universidade.

Paço das Escolas, sede da Universidade de Coimbra criada em 1288, sendo a mais antiga de Portugal.

As universidades públicas são tuteladas pelos governos nacionais ou locais, cuja interferência na administração interna de cada universidade pode ser maior ou menor, conforme o país, a região ou o próprio estatuto da instituição. Nalguns casos, as universidades são tuteladas diretamente pelo departamento governamental de educação ou ensino superior, mas noutros estados essa tutela pode ser delegada numa entidade independente, normalmente de natureza colegial. Os órgãos de tutela governamental são normalmente sempre responsáveis pela alocação de fundos públicos às universidades, pela acreditação das instituições e dos seus cursos superiores e pelo regime de graus conferidos. Para além da componente financeira, dependendo do grau de autonomia atribuído às universidades, os órgãos de tutela poderão ter interferência no sistema de acesso, na criação, alteração ou extinção de cursos superiores, na organização interna das instituições, nos seus planos estratégicos universitários e no regime do pessoal docente. Contudo, uma grande parte das universidades públicas dispõe de uma alargada autonomia financeira, pedagógica e científica.

As universidades privadas são financiadas principalmente por fundos privados, o que lhes dá maior independência em relação às políticas pública de ensino superior. As fontes de financiamento principal são normalmente as propinas pagas pelos seus alunos, mas também podem receber financiamento através de dádivas por filantropia, de pagamento de serviços prestados a entidades externas e mesmo de contribuições públicas.

As universidades têm uma organização interna baseada em unidades orgânicas de ensino e de investigação, onde se incluem faculdades, escolas, institutos, colégios e departamentos. Essas unidades dispõem de maior ou menor autonomia dentro da universidade, conforme a organização da mesma. No caso em que as suas unidades dispõem de uma grande autonomia, uma universidade pode constituir uma mera federação de escolas ou faculdades, agrupadas para efeitos meramente administrativos, eventualmente partilhando alguns recursos comuns. Muitas universidades deste tipo tiveram origem no agrupamento administrativo de escolas mais antigas, as quais, mesmo integradas numa instituição maior, mantiveram a sua identidade e parte da sua autonomia.

Sistemas universitários[editar | editar código-fonte]

Harvard, fundada em 1636, diversas vezes apontada como a melhor universidade do mundo.

Sobretudo nos EUA, mas também em alguns outros países, existe o conceito de sistema universitário o qual constitui uma organização de cúpula ou federação que agrupa com conjunto de universidade e outras insituições de ensino superior, normalmente distribuídas geograficamente por vários locais. Normalmente, existe um órgão central de administração coletiva do sistema, mas cada universidade constituinte do mesmo mantém a sua própria administração particular, com maior ou menor autonomia em relação ao orgão central. Os sistemas universitários tornaram-se bastante comuns nos EUA do pós-Segunda Guerra Mundial, de modo que quase todos os seus estados disõem de um ou mais destes sistemas, sob os quais se agrupam as suas universidades públicas, partilhando um nome, uma administração e alguns recursos comuns. Grande parte dos sistemas universitários são referidos como "universidade", sendo cada uma das universidades constituintes referida pelo nome do sistema, acrescido de uma designação particular (ex.: a Universidade da Califórnia é o sistema universitário público do Estado da Califórnia, que agrupa a Universidade da Califórnia, Los Angeles e a Universidade da Califórnia, Berkeley, entre outras.).

Um sistema universitário não deve ser confundido com uma universidade de múltiplos campi. Um sistema universitário contém várias universidades, enquanto que uma universidade de múltiplos campi é uma única universidade cujas instalações se encontram espalhadas por dois ou mais campi. Conforme a política de imagem do sistemas universitários e das respectivas universidades constituintes, a associação de uma universidade ao sistema pode ser mais ou menos enfatizada.

Sistemas universitários segundo o modelo existente nos EUA existem em alguns outros países, mas são muito menos comuns. A designação "sistema universitário" é usada em outros países com diferentes sentidos, normalmente referindo-se ao conjunto de universidades existentes numa dada região ou na totalidade do país, mas que não dispõem de órgãos de administração comuns.

Universidades em vários países[editar | editar código-fonte]

Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a mais antiga instituição com o status de universidade foi a Universidade de Manaus, criada em 1909 e hoje chamada "Universidade Federal do Amazonas". Há outras instituições de ensino superior brasileiras mais antigas, porém não gozavam do status de universidade antes de 1909.

Vista da Cidade Universitária da Universidade de São Paulo.

O ensino superior no Brasil começou muito antes, ainda no período colonial, com a criação de escolas superiores especializadas, modeladas em escolas semelhantes existentes na Metrópole Portuguesa. Uma das primeiras foi a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, criada em 1792, no Rio de Janeiro, pela Rainha D. Maria I de Portugal, com o fim principal de formar oficiais técnicos e engenheiros militares. Considera-se esta Academia como sendo a primeira escola superior de engenharia das Américas e uma das primeiras do mundo, estando na origem remota dos atuais Instituto Militar de Engenharia e Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo o modelo português, a nenhuma destas escolas foi atribuído o status de universidade, o qual era reservado em todo o Império Português à Universidade de Coimbra (mesmo em Portugal, com excepção da Universidade de Évora, com existência breve, as diversas instituições de ensino superiores existentes fora de Coimbra só alcançaram o status de universidades em 1911). [33]

A falhada Inconfidência Mineira, entre as suas reclamações, pretendia também a implementação de uma universidade no Brasil.[34]

Com a vinda da Casa Real Portuguesa para o Brasil, em 1808, o ensino superior no Brasil foi desenvolvido, com a criação de escolas e cursos adicionais no Rio de Janeiro e Salvador para formar profissionais destinados a atender, sobretudo, aos membros do Estado nacional. No entanto não havia ainda uma estrutura que se poderia chamar de universidade. [35]

Durante o Império, houve planos para criar uma universidade, a ser designada "Universidade Pedro II", mas não foram avante.

Em 2013, foi criada uma terceira categoria de universidade pelo financiamento: as comunitárias [36] . Assim sendo, desde então, existem instituições públicas, particulares e comunitárias.

As universidades no Brasil detêm autonomia para criar cursos, sem autorização do MEC.

No Brasil, para frequentar uma universidade, é obrigatório, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, concluir todos os níveis de ensino adequados às necessidades de todos os estudantes dos ensinos infantil, fundamental e médio,[37] .[38]

Portugal[editar | editar código-fonte]

A universidade portuguesa mais antiga é a Universidade de Coimbra, fundada inicialmente em Lisboa em 1290, sendo uma das 10 mais antigas da Europa em funcionamento contínuo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Lista de universidades[editar | editar código-fonte]

Outros tipos de instituições de ensino superior[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Segundo o Artigo 52 da LDB
  2. in TRINDADE, André. (coord.) Direito Universitário e educação contemporânea. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2009.
  3. Kramer, Samuel Noah. The Sumerians: Their History, Culture, and Character. [S.l.: s.n.], 1971. ISBN 9780226452388
  4. Oppenheim, Adolph Leo. Ancient Mesopotamia: Portrait of a Dead Civilization. [S.l.: s.n.], 1977. ISBN 9780226631875
  5. Pritchard, James B.. The Ancient Near East: An Anthology of Texts and Pictures. [S.l.: s.n.], 2010. ISBN 9780691147260
  6. Delnero, Paul. The Textual Criticism of Sumerian Literature. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 9780897570886
  7. Scharfe, Hartmut. Handbook of Oriental Studies. [S.l.: s.n.], 2002. ISBN 9789004125568
  8. Monroe, Paul. Paul Monroe's encyclopaedia of history of education. [S.l.: s.n.], 2000. vol. 1. ISBN 8177550918
  9. Wayman, Alex. Buddhist Insight: Essays. [S.l.: s.n.], 1984. ISBN 9788120806757
  10. Kulke, Hermann. A History of India. [S.l.: s.n.], 2010. ISBN 9780415485432
  11. Scharfe, Hartmut. Handbook of Oriental Studies. [S.l.: s.n.], 2002. ISBN 9789004125568
  12. Monroe, Paul. Paul Monroe's encyclopaedia of history of education. [S.l.: s.n.], 2000. vol. 1. ISBN 8177550918
  13. Wayman, Alex. Buddhist Insight: Essays. [S.l.: s.n.], 1984. ISBN 9788120806757
  14. Kulke, Hermann. A History of India. [S.l.: s.n.], 2010. ISBN 9780415485432
  15. Hattstein, Markus. Islam Art & Architecture. [S.l.: s.n.], 2011. ISBN 9783833161070
  16. Alif, Tunis. Mohamed Fadhel Ben Achour, Le mouvement littéraire et intellectuel en Tunisie au xive siècle de l'hégire (XIXe-XXe siècles). [S.l.: s.n.], 1998.
  17. UNESCO. Home to the oldest university in the world. Visitado em 27 de Fevereiro de 2015.
  18. Guinness World Records (14 de Dezembro de 2014). Oldest university - Guinnes. Visitado em 27 de Fevereiro de 2015.
  19. Symoens, Hilde de Ridder. A History of the University in Europe: Universities in the Middle Ages. [S.l.: s.n.], 2003. vol. 1. ISBN 9780521541138
  20. Petersen, Andrew. Dictionary of Islamic Architecture. [S.l.: s.n.], 1995. ISBN 9780415060844
  21. Meri, Josef W.. Medieval Islamic Civilization: An Encyclopedia. [S.l.: s.n.], 2006. vol. 1. ISBN 9780415966917
  22. Lulat, Y. G. M.. A History of African Higher Education from Antiquity to the Present: A Critical Synthesis. [S.l.: s.n.], 2005. ISBN 9780313320613
  23. Esposito, John L.. The Oxford Dictionary of Islam. [S.l.: s.n.], 2004. ISBN 9780195125597
  24. Najmabadi, Joseph S. Encyclopaedia of Women and Islamic Cultures. [S.l.: s.n.], 2007. ISBN 9789004128217
  25. Swartley, Keith E.. Encountering the World of Islam. [S.l.: s.n.], 2005. ISBN 9780830856442
  26. Goddard, Hugh. A History of Christian-Muslim Relations (The New Edinburgh Islamic Surveys). [S.l.: s.n.], 2000. ISBN 9780748610099
  27. From Jāmi' ah to University Multiculturalism and Christian–Muslim Dialogue.
  28. Enciclopédia Britânica. Visitado em 28 de Fevereiro de 2015.
  29. Abelson, P. (1965). The seven liberal arts; a study in mediæval culture. New York: Russell & Russell. Page 82.
  30. Hyman, A., & Walsh, J. J. (1983). Philosophy in the Middle Ages: the Christian, Islamic, and Jewish traditions. Indianapolis: Hackett Pub. Co. Page 164.
  31. Adler, Mortimer Jerome (2000). "Dialectic". Routledge. Page 4. ISBN 0-415-22550-7
  32. Herbermann, C. G. (1913). The Catholic encyclopedia: an international work of reference on the constitution, doctrine, and history of the Catholic church. New York: The Encyclopedia press, inc. Page 760 - 764.
  33. Universia - http://universidades.universia.com.br/universidades-brasil/historia-ensino-superior/.
  34. Universia - http://universidades.universia.com.br/universidades-brasil/historia-ensino-superior/.
  35. Universia - http://universidades.universia.com.br/universidades-brasil/historia-ensino-superior/.
  36. Brasil. Lei 12.881, de 12 de novembro de 2013. Visitado em 20 de dezembro de 2013.
  37. Sistema Educacional Brasileiro Dicionário Interativo da Educação Brasileira. Visitado em 13 de dezembro de 2009.
  38. Discutindo Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro. Visitado em 13 de dezembro de 2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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