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Universidade Amílcar Cabral

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Universidade Amílcar Cabral
SiglaUAC
LemaEducar, Desenvolver e Promover
Fundação6 de dezembro de 1999 (26 anos)
TipoPública
Mantenedora Ministério da Educação
AfiliaçõesAssociação das Universidades de Língua Portuguesa
Reitor(a)Herculado Arlindo Mendes[1]
LocalizaçãoBissau, Guiné-Bissau
CampusComplexo Escolar 14 de Novembro
Página oficialuac.gw
Mapa

A Universidade Amílcar Cabral (UAC) é uma instituição de ensino superior pública da Guiné-Bissau. É a única universidade pública do país.

Fundada em 1999 com a missão de federar as diversas instituições superiores da nação, foi fechada abruptamente em 2008; a partir de 2010 passou por uma profunda reestruturação, que culminou com a sua retomada de atividades em 2013, com a nomeação do seu novo corpo administrativo.

Em 2018 foi anunciado que o sistema federativo da UAC seria composto pelas faculdades de direito, engenharia, ciências sociais e medicina, e pelas escolas superiores de administração e saúde. Tal formato entrou em operações parcialmente em 2019 e somente foi concluído em 2025.

Com reitoria instalada na cidade de Bissau, a universidade foi nomeada em homenagem a Amílcar Cabral, considerado o "pai" da independência do país.

Histórico

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A tradição universitária do sistema federativo da Universidade Amílcar Cabral surgiu com a abertura da Escola de Direito (atual Faculdade de Direito de Bissau), no ano de 1979. O Centro de Formação Administrativa (atual Escola Nacional de Administração) foi inaugurado em 1982, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa em 1984 e a Faculdade de Medicina só surgiria em 1986.[2][3][4]

Criação da UAC

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A maioria das instituições componentes do sistema federativo UAC já estavam formadas quando uma relevante discussão da importância de uma universidade pública iniciou-se em 1984, porém não achava-se vontade política e recurso orçamentário para dar conta do projeto. Pensou-se inclusive na cooperação soviética e cubana para levar adiante uma universidade que reunisse os cursos isolados. A discussão porém foi interrompida na iminência do colapso do sistema socialista e da abertura política nacional, empurrando-a para a década de 1990.[5]

A UAC foi criada pelo decreto n.° 6/99 de 6 de dezembro de 1999, por iniciativa do então presidente Malam Bacai Sanhá, como uma universidade pública com gestão privada/autónoma, gerida por uma fundação privada, a Fundação para Promoção do Ensino e da Cultura (FUNPEC). A FUNPEC era composta pela parceria do governo da Guiné-Bissau com uma universidade privada portuguesa, a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.[5]

O início das suas operações deu-se a 13 de novembro de 2003, por decreto do então presidente interino guineense, Henrique Rosa.[6] Para seu início foram criadas as faculdades de Ciências, Economia, Letras e Ciências da Comunicação, Tecnologias, Ciências Agrárias e Veterinárias bem como uma Escola Superior de Educação Física e Desportiva.[7] Ademais, a universidade deveria, gradualmente, federar as outras instituições de ensino superior públicas do país, iniciando pela Faculdade de Direito.

A partir de 2006, a Escola Nacional de Saúde (ENS), juntamente com a sua principal instituição, a Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles, passaram a congregar também a UAC.[8]

Em 3 novembro de 2008, o governo alegou falta de condições para financiar a instituição, declarando em seguida cedência da Universidade ao seu parceiro – Universidade Lusófona de Portugal.[9] O então reitor da UAC, Alberto Sanhá, considerou, numa entrevista ao canal Portuguese News Network, o acordo como "um negócio sujo". No mesmo dia a Associação dos Professores da UAC questionou a legitimidade do executivo para alterar o estatuto jurídico do estabelecimento, afirmando estar surpreendido pela forma como o assunto foi tratado, apelando também à intervenção do Ministério Público para que viesse proceder a auditoria da gestão financeira da universidade[10].

Com a passagem total da instituição ao capital privado, algumas faculdades, tal como a de medicina e a de direito (até então integradas na UAC), se desfiliaram e passaram a autonomia novamente.[11]

Reestruturação

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A partir de 2010 o governo Sanhá-Gomes Júnior iniciou o processo de reativação e reestruturação da instituição, com a criação de um convénio de cooperação com o governo brasileiro através da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), para estruturação administrativa e formação de docentes.[12] Paralelamente, eventos acadêmicos estavam sendo realizados já utilizando o nome da instituição, de forma que já funcionava informalmente, naquele momento sob a alçada direta do Ministro da Educação Artur Silva.[13]

Em janeiro de 2013 a UAC retomou oficialmente e definitivamente as suas atividades com a nomeação de uma novo corpo administrativo, liderado pela reitora Odete Semedo e pelo vice-reitor Felipe Benício Namada.[14] Em setembro de 2014 a universidade ganhou uma nova reitora, a então ministra Zaida Maria Lopes Pereira Correia (cessante em 2018).[15]

Em 2014 iniciou-se a negociação para integração da estrutura da Faculdade de Direito de Bissau (FDB), como unidade orgânica da UAC.[16][17] Tal integração iniciou-se parcialmente em 2019 pela Faculdade de Direito.[18] Além disso, entre 2014 e 2019 foi anunciado repetidas vezes que a UAC funcionaria como um sistema federativo,[19][20] que seria composto, além da FDB, pela,[21] pela Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles (FMRDA),[22][23][24] pela Faculdade de Humanidades (FH),[25][26] pela Escola Nacional de Administração (ENA-Bissau) e pela Escola Superior de Educação da Guiné-Bissau[27] (que congregaria a Escola Normal Superior Tchico Té (ENSTT), Escola Nacional de Educação Física e Desporto (ENEFD), a Escola Nacional 17 de Fevereiro (EN-17F) e a Escola Nacional Amílcar Cabral (ENAC)).[28][29]

Em 2015 a UAC fez vários eventos de caráter académico enquanto não reabria oficialmente as suas atividades para o ano letivo de 2015/2016. Sua reabertura foi possível através de um outro convénio, desta vez com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para aquisição dos materiais para os cursos de licenciatura em tecnologias.[30]

A 23 de junho de 2016 conseguiu os materiais para a primeira biblioteca universitária do país, a "Biblioteca Central da UAC", com a doação dos livros da biblioteca particular do professor americano Russell Hamilton, um dos entusiastas da UAC, morto em fevereiro de 2016. A biblioteca funcionou em estruturas provisórias até 2019, quando ganhou local apropriado.[31]

Em maio de 2025, a Faculdade de Direito concluiu sua integração à UAC.[18] Em julho de 2025 a Escola Nacional de Saúde, a Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles, a Escola Nacional de Administração e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) concluíram seu processo de integração à UAC.[32]

Ensino e investigação

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Em 2024 a UAC criou duas novas faculdades, reorganizando assm sua oferta formativa da seguinte forma:[33]

  • Faculdade de Engenharia e Ciências Agrárias
    • Licenciatura em tecnologia de informação e comunicação;
    • Licenciatura em ciências agronômicas;
  • Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
    • Licenciatura em comunicação e marketing;
    • Licenciatura em letras (línguas e literaturas);
    • Licenciatura em ciências humanas e sociológicas;
    • Licenciatura em serviço social;
    • Licenciatura em economia;
    • Licenciatura em educação e pedagogia.[34]

A partir da integração parcial de dezembro de 2019 até a completa em maio de 2025 da Faculdade de Direito,[18] e da completa em julho de 2025 da Escola Nacional de Saúde, da Faculdade de Medicina Raúl Diaz Arguelles, da Escola Nacional de Administração e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), a oferta formativa da UAC aumentou consideravelmente.[32]

A universidade mantém um periódico de divulgação científica, a Revista Tapada, sob curadoria de um núcleo de estudos.[35]

Nome Mandato Afiliação Forma de eleição
Tcherno Djaló[36] 13 de novembro de 2003 - 9 de dezembro de 2005 Faculdade de Economia Indicação presidencial
Augusto Idrissa Embaló[37] 9 de dezembro de 2005 - Novembro de 2007 Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias Indicação parlamentar
Alberto Sanhá[10] Novembro de 2007 - 3 de novembro de 2008 Faculdade de Direito de Bissau Indicação parlamentar
Interregno – – –
Maria Odete da Costa Soares Semedo[38] 8 de janeiro de 2013 - 20 de setembro de 2014 Escola Superior de Educação da Guiné-Bissau Indicação ministerial
Zaida Maria Lopes Pereira Correia[15] 20 de setembro de 2014 - 10 de janeiro de 2018 Escola Superior de Educação da Guiné-Bissau Indicação ministerial
Joel Aló Fernandes[39] 10 de janeiro de 2018 - 14 de setembro de 2018 Faculdade de Direito de Bissau Indicação ministerial
Fodé Abulai Mané[40] 14 de setembro de 2018 - Abril de 2020 Faculdade de Direito de Bissau Indicação ministerial
Timóteo Saba M'bunde[41] Abril de 2020 - Abril de 2022[42] Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Indicação ministerial
Incanhe Natanda[43] Abril de 2022 - 1 de janeiro de 2024 ? Indicação ministerial
Herculado Arlindo Mendes[1] 2 de janeiro de 2024 - presente Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Indicação ministerial

Pessoas notáveis

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Referências

  1. 1 2 Herry Mané (2 de janeiro de 2024). «Despacho 001/GM/MENESIC/2024». MENESIC
  2. ↑ Indalá, Samuel. Sistema Educativo e Formação de Professores na Guiné-Bissau. In: IV Congresso Nacional de Formação de Professores e XIV Congresso Estadual Paulista sobre a Formação de Educadores, 2018, Águas de Lindóia, Anais...São Paulo: Água de Lindóia, 2018, p. 101.. 2018.
  3. ↑ Augel, Moema Parente. Desafios do ensino superior na África e no Brasil: a situação do ensino universitário na Guiné-Bissau e a construção da guineidade. Estudos de Sociologia. Rev, do Progr. de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE. v. 15. n. 2, p. 137-159.
  4. ↑ Furtado, Alexandre Brito Ribeiro. Administração e Gestão da Educação na GuinéBissau: Incoerências e Descontinuidades. Aveiro: Universidade de Aveiro/Departamento de Ciências da Educação, 2005.
  5. 1 2 Sanhá, Alberto (2010). «Educação Superior em Guiné-Bissau» (PDF). Porto Alegre: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
  6. ↑ «Aberta oficialmente Universidade Amílcar cabral». Agência Pan-Africana de Notícias. 15 de novembro de 2003
  7. ↑ AFP (Janeiro de 2004). «Guiné-Bissau - Inaugurada a primeira universidade pública» (PDF). A Página da Educação (130)
  8. ↑ «Guiné-bissau: Faculdade de Medicina reabre em Bissau». ANGOP. 28 de janeiro de 2006
  9. ↑ Correia, Heldomiro Henrique (2013). «O Projeto Africanidade e o Contexto Educacional da Guiné-Bissau» (PDF). João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba
  10. 1 2 Sami, Onis (3 de novembro de 2008). «Extinção da Universidade Amílcar Cabral: Grupo Lusófono cria universidade na Guiné-Bissau». Jornal Digital. Portuguese News Network
  11. ↑ «Mais 16 médicos formados na Faculdade Raúl Diaz Arguelles». Portal GBissau. 29 de outubro de 2014
  12. ↑ «Projetos na área educacional». Embaixada do Brasil em Bissau. Ministério das Relações Exteriores. Consultado em 26 de janeiro de 2017
  13. ↑ «Ministro da educação nacional promete que Universidade Amílcar Cabral vai em breve ser realidade». Portal GBissau. 1 de agosto de 2012
  14. ↑ «Vice-reitor de UAC toma posse». Intelectuais Tchogue. 7 de janeiro de 2013
  15. 1 2 «Conselho de Ministros nomeia novos Directores-gerais». Portal GBissau. 22 de setembro de 2014. Consultado em 26 de janeiro de 2017
  16. ↑ Seide, Tiago (23 de outubro de 2014). «Guiné-Bissau: Responsáveis pelo Ensino Superior particular acusados de «mercantilismo»». Jornal Digital. Portuguese News Network
  17. ↑ «Responsáveis pelo Ensino Superior particular acusados de "mercantilismo"». Portal GBissau. 24 de outubro de 2014
  18. 1 2 3 «Alocução pelo Conselheiro da Embaixada de Portugal em Bissau: Cerimónia de Entrega dos Diplomas aos Finalistas da Faculdade de Direito de Bissau» (PDF). Embaixada de Portugal em Bissau. 9 de maio de 2025
  19. ↑ «Research4Life Academic Institutions» (PDF). Research4Life. 7 de junho de 2018
  20. ↑ Araújo, Sofia Melvill de (21 de janeiro de 2017). «Visita à Universidade Amílcar Cabral – Guiné-Bissau». Plataforma Sharing Knowledge Agrifood Networks
  21. ↑ «Guiné-Bissau». Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Universidade de Lisboa. Consultado em 26 de janeiro de 2017. Arquivado do original em 2 de fevereiro de 2017
  22. ↑ Guerreiro C. S.; et al. (31 de dezembro de 2018). «Formação de Recursos Humanos em Saúde na República da Guiné-Bissau: Evolução das Estruturas e Processos num Estado Frágil» 12 ed. Revista Científica da Ordem dos Médicos: 749
  23. ↑ «Guiné-Bissau: Crise política crónica hipoteca futuro dos jovens». Deutsche Welle. 11 de março de 2020
  24. ↑ «Grande Reportagem: Universidades privadas e estudantes apreensivos com o futuro dos seus cursos». O Democrata. 10 de maio de 2015. Consultado em 15 de maio de 2015. Arquivado do original em 18 de outubro de 2016
  25. ↑ «Reitor da UAC: "Cabral para nós é mais que um agrônomo! É um cientista social, estadista e estratega militar"». O Democrata. 17 de janeiro de 2019
  26. ↑ Fundo de Pequenos Projetos da Guiné-Bissau financia Curso de TIC aplicado à Agricultura. Instituto Camões. 30 outubro 2019.
  27. ↑ Candé, Amatinjane (19 de maio de 2015). «Equipamento novo e desafios adicionais para Universidade Amílcar Cabral». Rádio das Nações Unidas
  28. ↑ Alves, Sofia; Rebelo, Margarida. (17 de maio de 2012). «2. O setor da educação: principais problemas e boas práticas» (PDF). Bissau: IPAD. Revista Guineense de Educação e Cultura
  29. ↑ «Instituições do ensino guineense divergem em relação a instalação do centro virtual». Conosaba. 8 de março de 2018
  30. ↑ «Unesco disponibiliza 500 mil dólares à Universidade Amílcar Cabral, na Guiné-Bissau». Voz da América. 12 de maio de 2015
  31. ↑ Santos, Elisangila Raisa Silva dos (23 de junho de 2016). «Universidade Amílcar Cabral já dispõe de biblioteca geral». Rádio Sol Mansi
  32. 1 2 «Reitor da Universidade Amílcar Cabral realiza visita estratégica às instituições integradas à UAC em julho». Radio Voz Do Povo. 25 de setembro de 2025
  33. ↑ «UFPB assina acordo com a Universidade Amílcar Cabral». Universidade Federal da Paraíba (UFPB). 11 de junho de 2024
  34. ↑ «Cursos». Portal UAC. 2021
  35. ↑ «Revista Tapada». NEPAC. 2021
  36. ↑ «Tcherno Djaló». Projeto Guiné-Bissau. Consultado em 26 de janeiro de 2017
  37. ↑ Fiúza, Montenegro (11 de dezembro de 2005). «Novo Reitor da Universidade Amílcar Cabral». Fórum de Debate Político
  38. ↑ Lopes, Avito Ferreira (8 de janeiro de 2013). «O governo de transição nomeou Odete Semedo como a reitora da Universidade Amilcar Cabral UAC». Guiné Visão Futuro
  39. ↑ «Joel Aló Fernandes, nomeado novo reitor da UAC». Rádio Jovem Bissau. 12 de janeiro de 2018
  40. ↑ «Fodé Mané nomeado novo reitor da UAC». Rádio Jovem Bissau. 14 de setembro de 2018
  41. ↑ Saqui, Rozimélia (22 de setembro de 2020). «Reitor da Universidade Amílcar Cabral apresentado em Bissau». Capital News Bissau
  42. ↑ «Universidade Amílcar Cabral: Estudantes Exigem Inspeção de Docentes e Início do Novo Ano Letivo». Jornal O Democrata. 11 de abril de 2022
  43. ↑ Rádio Jovem (26 de maio de 2022). «Estudantes Exigem a Despolitização da Universidade Amílcar Cabral». Rádio Jovem
  44. ↑ «A Minha Vontade Esmorece». Catarse. 9 de agosto de 2009
  45. ↑ «Reitoria». Universidade Católica da Guiné-Bissau. 2018
  46. ↑ «Kumba Ialá, o homem do "barrete vermelho", tenta regressar à presidência». Diário de Notícias. 2009. Consultado em 3 de fevereiro de 2017
  47. ↑ «Embaixador João Ribeiro Butiam Có (Ph.D.)». Atlantic Bookshop. Consultado em 29 de novembro de 2025