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Universidade Centro-Europeia

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Central European University
Universidade Centro-Europeia
Sigla CEU
Fundação 1991
Tipo de instituição Universidade Particular de Pesquisa
Localização Viena
Áustria
48° 10' 26.3" N 16° 23' 18.6" E
Mapa
Funcionários 392
Reitor(a) Michael Ignatieff, John Shattuck, Yehuda Elkana, Josef Jařab, Alfred Stepan, William Newton-Smith, Shalini Randeria
Total de estudantes 1 500
Página oficial [ www.ceu.edu%20ceu.edu]]

A Universidade Centro-Europeia (Central European University ou CEU) é uma universidade de pesquisa com campus em Viena, na Áustria, e Budapeste, na Hungria, que oferece cursos de em língua inglesa. A universidade é conhecida peela especialização em ciências sociais e humanas, pela baixa proporção aluno-professor, e pelo corpo discente internacional.[1][2][3] O princípio fundador da universidade é a promoção de Sociedade Aberta, conforme pensadas por Henri Bergson e Karl Popper, e por isso ela é associada com a Open Society Foundations.

A universidade foi fundada pelo húngaro-americano George Soros, em 1991, com um orçamento de 880 milhões de dólares. Seu objetivo era contribuir para o desenvolvimento da democracia, fomentar a cooperação entre países no antigo Bloco Socialista e educar uma nova geração de líderes para a região.

A universidade foi relocada de Budapeste para Viena, em decorrência de uma recusa do governo de Victor Orban de renovar a permissão para que a universidade continuasse em funcionamento. Na época, ela era a Universidade mais bem avaliada da Hungria.[4] A polêmica estava ligada ao departamento de Estudos de Gênero, depois que esses estudos foram proibidos no país.[5] A controvérsia gerou debates a respeito de liberdade acadêmica, com protestos em todo o mundo a favor da CEU.[6][7][8] Em Outubro de 2020, a Tribunal Europeu de Justiça decidiu que a lei húngara que afetou a CEU é incompativel com o Direito da União Européia.[4]

A Universidade é estruturada em 13 departamentos e 17 centros de pesquisa. Hoje, está entre as 30 melhores universidades do mundo no campo de política e relações internacionais, segundo o QS World University Ranking de 2022, e entre as cem melhores do mundo nos campos de Filosofia, Sociologia, História e Ciências Políticas.[9]

A universidade possui programas de graduação, de mestrado e doutorado. Oferece cursos nas áreas de ciências sociais e humanas, direito, políticas públicas e negócios. Abriga departamentos que estudam temas mais específicos, como questões de gênero, história medieval e nacionalismo. Possui 1,5 mil estudantes de cerca de 100 países e 300 professores de cerca de 30 países.

História

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A Universidade se originou de uma série de conferências organizadas na IUC Dubrovnik, na então Iugoslávia, atual Croácia. De 1989 a 1990, houve tentativas de fundar uma universidade livre em Bratislava, capital da Eslováquia, que não funcionou por uma oposição de políticos nacionalistas.[10] Com a queda do Bloco Socialista, a Universidade foi fundada em Praga, em 1991, seguindo os princípios de sociedade aberta e redemocratização. Logo em seguida a Universidade foi mudada para Budapeste. A Universidade foi fundada com patrocínio de George Soros, com orçamento de 880 milhões de dólares. Soros participou do Conselho da Universidade até 2007. A atual reitora da Universidade é a antropóloga indiana Shalini Randeria.

A Universidade tem um compromisso com promover os Direitos Humanos na região, e com promover cursos interdisciplinares e de estudos comparados. Eles ofereceram os primeiros programas de Estudos de Gênero e de Ciências Ambientais na região.

Em 2017, uma série de leis foi aprovada na Hungria para dificultar o funcionamento de Universidades Estrangeiras. Elas dificultavam a contratação de professores de fora da União Européia, e proibia que os centros da universidade nos Estados Unidos e na Hungria tivessem o mesmo nome. De acordo com Marc Santora no The New York Times, a medida era relacionada com o preconceito contra Soros, milionário de origem judaica-húngara, acusado por Victor Orban de favorecer a imigração ilegal para a União Européia.[11] Muitos jornais também apontaram como as medidas pareciam feitas com o objetivo específico de forçar a CEU a sair da Hungria.[12][13] Em Setembro de 2019, em meio a uma batalha legal, a Universidade anunciou a mudança de seu campus principal para Viena, na Áustria.[14]

Com base nos princípios de sociedade aberta, a maior parte dos alunos recebe bolsas da universidade.

Estrutura da Universidade

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Departamentos

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A Universidade Centro-Européia se organiza em 13 departamentos e 17 Centros de Pesquisa.

Em 2020, a Universidade Central Européia lançou três cursos interdisciplinares de gruaduação, com diploma reconhecido na Áustria e nos Estados Unidos. Os cursos duram quatro anos e são divididos em majors e minors, especializações principais e secundárias. O aluno pode fazer um major e um minor, ou dois majors. Eles são:

Acreditação e Reconhecimentos

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QS World University Rankings by Subject (2021)[15]

Ciências Políticas 24
Filosofia 33
Sociologia 66
História 51–100
Ciências políticas e administração 51–100
Direito 101–150
Artes e Humanidades 118
Economia e Econométrica 151–200
Ciências Sociais e Administração 180

Os cursos da CEU tem acreditação dupla, sendo reconhecidos nos Estados Unidos e na Áustria.

A Universidade é reconhecida como uma das melhores do mundo, com o Departamento de Políticas e Estudos Internacionais (Politics and International Studies) reconhecido como 24 lugar nos rankings QS de melhores cursos no mundo, enquanto o Departamento de Filosofia ficou na 33 posição, e os departamentos de História, Sociologia e Administraão Pública nas posições também no top 100, Antropologia e Direito no top 150, e Economia no Top 200.[16]

No ano acadêmico de 2020-2021, a Universidade Central Européia teve 1,484 estudantes de 110 países. Eles são 115 estudantes de bacharelado, 870 de mestrado, 442 de doutorado, além de 57 estudantes de cursos que não oferecem diploma. 93% dos estudantes recebem algum tipo de bolsa ou auxílio financeiro da universidade.[17]

Controvérsias

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Menções nos Arquivos Epstein

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Em 2026, com as revelações dos arquivos Epstein, a mudança da CEU para Viena foi exposta como um interesse do notório agressor sexual. O diplomata Terje Rød-Larsen escreveu a Epstein sobre a transferência da universidade para Viena, dizendo: "Como você viu, meu bom amigo Sebastian Kurz (31 anos!) foi eleito Chanceler da Áustria e em breve formará seu governo. Enviei-lhe uma mensagem na semana passada e acredito que agora estamos em uma posição excelente para ajudar a CEU a se mudar de Budapeste para Viena. Tenho ótimas notícias sobre a situação, vindas dos mais altos escalões na Hungria. Vou almoçar com Michael Ignatieff, o reitor da universidade, em Londres no próximo fim de semana."[18][19] Outras mensagens relatam almoços entre Michael Ignatieff — então reitor da CEU —, Rød-Larsen e Leon Botstein, presidente do Bard College.[20]

PJotização de doutorandos

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Em maio de 2026, a revista austríaca *Profil* noticiou que pesquisadores de doutorado da Universidade da Europa Central (CEU) alegam que a instituição os colocou em uma situação de falso trabalho autônomo (PJotização ou "Scheinselbstständige", em alemão). Isso é definido pela lei austríaca como a orientação dada a pessoas que atuam como empregados para que se registrem para fins de seguro e paguem impostos como trabalhadores autônomos, com o objetivo de lhes negar benefícios trabalhistas. A *Profil* exibiu documentos internos — vazados para a revista — que demonstram como os candidatos ao doutorado são instruídos a preencher formulários de seguridade social como trabalhadores autônomos, fazendo declarações sobre seu trabalho que contradizem diretamente o próprio Regulamento de Doutorado da CEU.[21] O site da universidade confirma que os candidatos ao doutorado devem se registrar como trabalhadores autônomos na Áustria.[22] De acordo com a reportagem, a CEU classifica os candidatos ao doutorado como autônomos, ao mesmo tempo em que lhes proíbe formalmente de buscar trabalho fora da universidade sem autorização por escrito; dessa forma, a universidade "terceiriza a responsabilidade fiscal para os estudantes de doutorado e contorna os padrões mínimos".[23]

Segundo a presidente do Diretório Central dos Estudantes da CEU: "Estamos integrados às estruturas hierárquicas de nossos departamentos. Não podemos exercer qualquer outra atividade profissional fora da CEU sem obter permissão por escrito. Também precisamos de permissão para tirar férias ou deixar Viena por qualquer motivo". Em outro momento da entrevista, ela concluiu: "Isso claramente não constitui trabalho autônomo. Pelo contrário, o sistema atual equivale a negar direitos trabalhistas a profissionais altamente qualificados que contribuem significativamente para os padrões acadêmicos da CEU".[23]

CEU Press é a maior editora em língua inglesa na Europa Central.

Professores e Alumni

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Alumni famosos:

  • Thiago Amparo, advogado e comentarista brasileiro
  • Giorgi Margvelashvili, presidente da Geórgia
  • Lívia Járóka, deputada do parlamento Europeu
  • Monica Macovei, deputada do parlamento Europeu
  • Andrei Oişteanu, historiador e etnólogo
  • Dylan Mohan Gray, cineasta indiano-canadense
  • Rashadat Akhundov, ativista do Azerbaijão.
Giorgi Margvelashvili, presidente da Geórgia
Rashadat Akhundov, ativista azeri
Lívia Járóka, deputada do Parlamento Europeu

Professores e ex-professores famosos:

  • Shlomo Avineri, cientista político israelense
  • Aziz al-Azmeh, acadêmico sírio
  • Péter Balázs, atual ministro das Relações Exteriores na Hungria
  • Jean-Louis Fabiani, sociólogo francês
  • Allen Feldman, antropologista estadunidense
  • Ernest Gellner, filósofo anglo-tcheco
  • Francisca de Haan, historiadora de gênero holandesa
  • Elemér Hankiss, socióloga húngara
  • Donald L. Horowitz, advogado estadunidense
  • Yaroslav Hrytsak, historiador ucraniano
  • Michael Ignatieff, historiador e político canadense
  • Don Kalb, antropologista holandês
  • Gábor Klaniczay, medievalista húngaro
  • Will Kymlicka, filósofo político canadense
  • Gheorghe Moroșanu, matemático canadense
  • Gina Neff, professora de tecnologia e sociedade
  • Ugo Pagano, economista italiano
  • Irina Papkova, antropóloga da religião
  • Andrea Pető, historiadora húngara
  • Steven Plaut, economista israelense
  • Shalini Randeria, antropologista indiana e atual reitora
  • István Rév, historiador e cientista político húngaro
  • Marianne Sághy, especialista em religião húngara
  • Gáspár Miklós Tamás, filósofo marxista húngaro
Historiador Michael Ignatieff na inauguração do campus de Viena

Galeria de imagens

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Biblioteca da CEU, campus de Budapeste
Inauguração do campus de Viena
George Soros fazendo um discurso na inauguração do campus de Viena

Referências

  1. «Sex Work, HIV/AIDS, and Human Rights Central and Eastern European Harm Reduction Network in Central and Eastern Europe and Central Asia». Human Rights Documents online. Consultado em 28 de abril de 2022
  2. «CIA, The President's Intelligence Review ::19-25 February 1964, February 25, 1964, Top Secret, CIA.». U.S. Intelligence on Asia, 1945-1991. Consultado em 28 de abril de 2022
  3. Abbott, Alison. «"Elite Hungarian university may be saved"». Nature News. doi:10.1038/nature.2017.22761. Cópia arquivada em 28 de dezembro de 2024
  4. 1 2 «Legal Victory for Central European University Is Too Little, Too Late». Balkan Insight (em inglês). 6 de outubro de 2020. Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 6 de agosto de 2024
  5. «Hungarian Prime Minister Viktor Orban bans gender studies programmes». The Independent (em inglês). 25 de outubro de 2018. Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 8 de março de 2026
  6. «'Dark day for freedom': Soros-affiliated university quits Hungary». the Guardian (em inglês). 3 de dezembro de 2018. Consultado em 28 de abril de 2022
  7. Frum, David (10 de abril de 2017). «Freedom Fights for Survival in Hungary». The Atlantic (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 18 de fevereiro de 2026
  8. Foer, Franklin (9 de maio de 2019). «Viktor Orbán's War on Intellect». The Atlantic (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 25 de março de 2026
  9. «QS World University Rankings by Subject 2022». Top Universities (em inglês). Consultado em 29 de abril de 2022. Cópia arquivada em 14 de abril de 2026
  10. Struhárik, Filip (25 de setembro de 2016). «Bratislava mohla mať prestížnu univerzitu. Politici a nacionalisti tento plán zničili». Denník N (em eslovaco). Consultado em 28 de abril de 2022
  11. Santora, Marc (3 de dezembro de 2018). «George Soros-Founded University Is Forced Out of Hungary». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 28 de abril de 2022
  12. «Amid illiberal revolution in Hungary, a university with U.S. roots fights to stay». Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 28 de abril de 2022
  13. Beauchamp, Zack (4 de dezembro de 2018). «An assault on a Hungarian university shows authoritarianism in action». Vox (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2026
  14. «CEU Forced Out of Budapest: To Launch U.S. Degree Programs in Vienna in September 2019 | Central European University». www.ceu.edu. Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 28 de janeiro de 2026
  15. «Central European University – QS Top University Rankings». QS World University Rankings. Consultado em 2 de abril de 2021. Cópia arquivada em 18 de fevereiro de 2026
  16. «QS World University Rankings by Subject 2022». Top Universities (em inglês). Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 14 de abril de 2026
  17. «Students and Alumni | Central European University». www.ceu.edu. Consultado em 28 de abril de 2022. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2024
  18. «Kurz bis Strache: Welche Rolle Österreich in den Epstein-Akten spielt». kurier.at (em alemão). 3 de fevereiro de 2026. Consultado em 21 de maio de 2026. Cópia arquivada em 16 de fevereiro de 2026
  19. «In the Epstein files, we found references to Budapest visits and a dispute over an apartment». telex (em húngaro). 2 de fevereiro de 2026. Consultado em 21 de maio de 2026. Cópia arquivada em 4 de março de 2026
  20. Patel, Vimal (1 de maio de 2026). «Bard College's President Will Retire After Epstein Revelations». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331
  21. «CEU Doctoral Regulations | Official Documents». documents.ceu.edu. Consultado em 21 de maio de 2026. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2025
  22. «Tuition and Financial Aid | Department of Environmental Sciences and Policy». envsci.ceu.edu. Consultado em 21 de maio de 2026. Cópia arquivada em 11 de março de 2026
  23. 1 2 kevin.yang (21 de maio de 2026). «Doktoranden als Scheinselbstständige? Vorwürfe gegen Central European University». www.profil.at (em alemão). Consultado em 21 de maio de 2026

Ligações externas

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