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Urbanismo

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Bandeira associada ao Dia Mundial do Urbanismo

O urbanismo é o campo de conhecimento, técnica e prática profissional voltado ao estudo, projeto, regulação e transformação dos espaços urbanos. Abrange temas como desenho urbano, uso do solo, infraestrutura urbana, habitação, mobilidade urbana, espaço público, saneamento, meio ambiente urbano e normas de ordenamento territorial.[1]

Embora os termos urbanismo, planejamento urbano e desenho urbano sejam por vezes utilizados de forma aproximada, eles não são sinônimos estritos. Em sentido amplo, o urbanismo envolve tanto a dimensão projetual e morfológica da cidade quanto sua relação com políticas públicas, legislação, economia, sociedade e ambiente. No Brasil, a distinção entre urbanismo e planejamento urbano é frequentemente ambígua, especialmente em contextos acadêmicos e profissionais.[2]

O campo é multidisciplinar e dialoga com a arquitetura, a engenharia civil, a geografia, a sociologia urbana, a economia urbana, o direito urbanístico, a ecologia urbana e a administração pública. Suas práticas incluem desde projetos de intervenção física em bairros, ruas e espaços públicos até a formulação de planos, normas e instrumentos de gestão territorial.

Conceito e campo de atuação

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O urbanismo trata a cidade e os assentamentos humanos como objetos de análise e intervenção. Seu campo de atuação envolve a organização física do espaço urbano, a distribuição de atividades, a relação entre áreas edificadas e espaços livres, a articulação entre sistemas de transporte e infraestrutura e a compatibilização entre interesses públicos e privados.

Na prática, o urbanismo pode atuar em diferentes escalas: a rua, a quadra, o bairro, a cidade, a região metropolitana e o território. Em escala local, aproxima-se do desenho urbano e do projeto dos espaços públicos. Em escala municipal e regional, aproxima-se do planejamento urbano e territorial, especialmente quando envolve planos diretores, zoneamento, políticas de habitação, mobilidade e preservação ambiental.[1]

A bibliografia especializada também registra que a relação entre urbanismo e planejamento urbano varia conforme a tradição nacional. Em alguns contextos, o urbanismo é entendido sobretudo como disciplina projetual ligada à arquitetura; em outros, é usado em sentido mais amplo, abrangendo políticas urbanas, ordenamento territorial e gestão pública.[2]

História

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Práticas de organização deliberada dos assentamentos humanos existem desde a Antiguidade, como mostram cidades planejadas, sistemas viários, muralhas, praças, redes de água e esgoto e normas de ocupação. No entanto, o urbanismo moderno consolidou-se sobretudo a partir dos problemas produzidos pela industrialização, pelo crescimento demográfico, pela expansão das cidades e pelas reformas sanitárias e viárias dos séculos XIX e XX.[3]

Um marco importante para a formulação moderna do campo foi a obra do engenheiro catalão Ildefons Cerdà, responsável pelo plano de expansão de Barcelona. Em 1867, Cerdà publicou a Teoría general de la urbanización, obra na qual tratou a urbanização como objeto de estudo técnico, social e territorial.[4]

No fim do século XIX e no início do século XX, o urbanismo passou a incorporar debates sobre higiene urbana, circulação, habitação operária, parques, cidades-jardins e controle da expansão urbana. No século XX, correntes modernistas, como as associadas aos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, defenderam modelos de cidade funcional, com separação de usos e ênfase na circulação, na habitação padronizada e na racionalização do espaço urbano. Essas propostas influenciaram planos e projetos em vários países, mas também foram posteriormente criticadas por seus efeitos de segregação funcional, baixa diversidade de usos e enfraquecimento da vida urbana cotidiana.

A partir da segunda metade do século XX, os debates urbanísticos passaram a incorporar com maior intensidade temas como participação social, preservação do patrimônio, reabilitação de áreas centrais, desigualdade socioespacial, mobilidade sustentável, informalidade urbana, justiça ambiental e adaptação às mudanças climáticas. O relatório World Cities Report 2024, do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, destaca a integração entre ação climática, planejamento e desenho urbano como um desafio central para as cidades contemporâneas.[5]

Relação com planejamento urbano e desenho urbano

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O planejamento urbano é a atividade voltada à formulação de diretrizes, planos, normas e políticas para orientar o desenvolvimento das cidades e regiões. Ele envolve instrumentos como planos diretores, zoneamento, planos de mobilidade, políticas habitacionais, planos de saneamento e estratégias de desenvolvimento urbano.

O desenho urbano, por sua vez, concentra-se mais diretamente na forma física dos espaços urbanos. Seu foco inclui ruas, praças, parques, quarteirões, fachadas, percursos, acessibilidade, paisagem, mobiliário urbano e relação entre espaços públicos e privados.

O urbanismo situa-se na interseção desses campos. Pode envolver tanto a concepção espacial e formal da cidade quanto a leitura de processos sociais, econômicos, jurídicos e ambientais que condicionam sua produção. Por isso, intervenções urbanísticas não se limitam à estética urbana: elas afetam mobilidade, acesso a serviços, valorização imobiliária, usos do solo, preservação ambiental e distribuição de oportunidades.

Urbanismo no Brasil

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No Brasil, a história do urbanismo está ligada à construção de novas capitais, às reformas urbanas, à expansão metropolitana e à institucionalização de instrumentos de política urbana. Entre os exemplos de cidades planejadas, Belo Horizonte ocupa lugar importante. O projeto original da cidade, apresentado por Aarão Reis em 1895, orientou a implantação da nova capital mineira, organizada em zonas urbana, suburbana e rural.[6]

Outro caso relevante é Goiânia, planejada na década de 1930 para substituir a antiga cidade de Goiás como capital estadual. Segundo a Prefeitura de Goiânia, a pedra fundamental da nova capital foi lançada em 24 de outubro de 1933 em local definido por Attilio Corrêa Lima, responsável pelo projeto urbanístico inicial.[7]

Brasília é um dos exemplos brasileiros mais conhecidos de urbanismo moderno. O concurso nacional para o Plano Piloto da nova capital foi lançado em 1956, e a proposta vencedora foi a de Lúcio Costa, posteriormente associada ao conjunto urbanístico reconhecido como patrimônio cultural.[8]

A Constituição de 1988 atribuiu ao município papel central na política urbana brasileira, e a Lei n.º 10.257, de 10 de julho de 2001, conhecida como Estatuto da Cidade, regulamentou os artigos 182 e 183 da Constituição Federal. A lei estabeleceu diretrizes gerais da política urbana, incluindo a função social da cidade e da propriedade urbana, e consolidou instrumentos como o plano diretor.[9] Em 2015, a Lei n.º 13.089 instituiu o Estatuto da Metrópole, voltado à governança interfederativa e às funções públicas de interesse comum em regiões metropolitanas e aglomerações urbanas.[10]

No campo profissional, a Lei n.º 12.378, de 31 de dezembro de 2010, regulamentou o exercício da Arquitetura e Urbanismo e criou o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil e os conselhos estaduais e do Distrito Federal.[11] As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo foram atualizadas pela Resolução CNE/CES n.º 1, de 11 de julho de 2025.[12]

Além da formação em Arquitetura e Urbanismo, existem cursos voltados especificamente ao campo urbano e territorial. A Universidade do Estado da Bahia oferece bacharelado em Urbanismo, com concepção multidisciplinar.[13] A Universidade Federal do ABC oferece o Bacharelado em Planejamento Territorial, vinculado ao Bacharelado em Ciências e Humanidades, com formação voltada ao planejamento e ao desenvolvimento territorial.[14]

Urbanismo em Portugal

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Em Portugal, o urbanismo articula-se historicamente ao ordenamento do território, ao planeamento urbano e aos instrumentos de gestão territorial. A política pública de solos, ordenamento do território e urbanismo tem como base a Lei n.º 31/2014, de 30 de maio, que estabeleceu o quadro geral da matéria.[15]

O Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial foi revisto pelo Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio. O sistema de gestão territorial português organiza-se em âmbitos nacional, regional, intermunicipal e municipal, com diferenciação entre programas e planos territoriais.[16][17]

No ensino superior, a Universidade de Aveiro teve papel pioneiro na formação específica em planeamento regional e urbano. A Portaria n.º 900/83, de 28 de setembro, autorizou a universidade a conferir o grau de licenciado em Planeamento.[18] A Associação Portuguesa de Urbanistas registra a relação entre esse percurso formativo e o desenvolvimento do campo profissional do urbanismo e do planeamento em Portugal.[19]

Dimensões contemporâneas

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O urbanismo contemporâneo lida com problemas produzidos por crescimento urbano acelerado, desigualdade socioespacial, expansão periférica, informalidade habitacional, mobilidade dependente do automóvel, pressão sobre infraestruturas, mudanças climáticas e conflitos pelo uso do solo. Esses temas aproximam o urbanismo de agendas como desenvolvimento sustentável, resiliência urbana, justiça ambiental, direito à cidade e adaptação climática.

Em políticas públicas, o urbanismo também se relaciona à produção e revisão de planos diretores, ao controle do parcelamento e ocupação do solo, à regulação de densidades, à provisão de espaços públicos e equipamentos urbanos, à preservação de áreas de interesse histórico e ambiental e à coordenação entre habitação, transporte, saneamento e desenvolvimento econômico.

Dia Mundial do Urbanismo

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O Dia Mundial do Urbanismo, também conhecido como World Town Planning Day, é celebrado em 8 de novembro. A iniciativa foi lançada em 1949 por Carlos María della Paolera, professor da Universidade de Buenos Aires, com o objetivo de ampliar o interesse público e profissional pelo planejamento das cidades.[20]

Ver também

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Bibliografia

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  • ASCHER, François. Os novos princípios do urbanismo. São Paulo: Romano Guerra, 2010.
  • CERDÀ, Ildefonso. Teoría general de la urbanización: y aplicación de sus principios y doctrinas a la reforma y ensanche de Barcelona. Madrid: Imprenta Española, 1867.
  • CHOAY, Françoise. O urbanismo: utopias e realidades. São Paulo: Perspectiva, 2003. ISBN 9788527301633.
  • HALL, Peter. Cidades do amanhã: uma história intelectual do planejamento e do projeto urbanos no século XX. São Paulo: Perspectiva, 2004. ISBN 9788527302760.
  • JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
  • LE CORBUSIER. Planejamento urbano. São Paulo: Perspectiva, 2004. ISBN 9788527302128.
  • MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
  • RYKWERT, Joseph. A sedução do lugar: a história e o futuro da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

Referências

  1. 1 2 Fainstein, Susan S. (4 de abril de 2026). «Urban planning» (em inglês). Encyclopaedia Britannica. Consultado em 23 de maio de 2026
  2. 1 2 Rovati, João Farias (2013). «Urbanismo versus Planejamento Urbano?». Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. 15 (1): 33–58. doi:10.22296/2317-1529.2013v15n1p33. Consultado em 23 de maio de 2026
  3. «Urban planning: The era of industrialization» (em inglês). Encyclopaedia Britannica. Consultado em 23 de maio de 2026
  4. Cerdà, Ildefonso (1867). Teoría general de la urbanización: y aplicación de sus principios y doctrinas a la reforma y ensanche de Barcelona (em espanhol). Madrid: Imprenta Española. Consultado em 23 de maio de 2026
  5. «World Cities Report 2024: Cities and Climate Action» (em inglês). UN-Habitat. 2024. Consultado em 23 de maio de 2026
  6. «Belo Horizonte». Prefeitura de Belo Horizonte. 29 de janeiro de 2018. Consultado em 23 de maio de 2026
  7. «História de Goiânia». Prefeitura de Goiânia. Consultado em 23 de maio de 2026
  8. «Patrimônio Mundial - DF». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 23 de maio de 2026
  9. «Lei n.º 10.257, de 10 de julho de 2001». Presidência da República. 10 de julho de 2001. Consultado em 23 de maio de 2026
  10. «Lei n.º 13.089, de 12 de janeiro de 2015». Presidência da República. 12 de janeiro de 2015. Consultado em 23 de maio de 2026
  11. «Lei n.º 12.378, de 31 de dezembro de 2010». Presidência da República. 31 de dezembro de 2010. Consultado em 23 de maio de 2026
  12. «Resolução CNE/CES n.º 1, de 11 de julho de 2025». Diário Oficial da União. 14 de julho de 2025. Consultado em 23 de maio de 2026
  13. «Urbanismo». Universidade do Estado da Bahia. Consultado em 23 de maio de 2026
  14. «Bacharelado em Planejamento Territorial». Universidade Federal do ABC. Consultado em 23 de maio de 2026
  15. «Lei n.º 31/2014, de 30 de maio». Diário da República. 30 de maio de 2014. Consultado em 23 de maio de 2026
  16. «Decreto-Lei n.º 80/2015, de 14 de maio». Diário da República. 14 de maio de 2015. Consultado em 23 de maio de 2026
  17. «Sistema de Gestão Territorial». Direção-Geral do Território. Consultado em 23 de maio de 2026
  18. «Portaria n.º 900/83, de 28 de setembro». Diário da República. 28 de setembro de 1983. Consultado em 23 de maio de 2026
  19. «A APU». Associação Portuguesa de Urbanistas. Consultado em 23 de maio de 2026
  20. «World Town Planning Day» (em inglês). International Society of City and Regional Planners. Consultado em 23 de maio de 2026

Ligações externas

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