Urraca de Portugal, Rainha de Leão

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Urraca
Rainha de Leão
Reinado 11651175
 
Cônjuge Fernando II de Leão
Descendência Afonso IX de Leão
Casa Casa de Borgonha
Anscáridas
Nome completo
Urraca Afonso
Nascimento 1151
  Coimbra, Portugal
Morte 1211 (60 anos)
  Valladolid, Castela e Leão, Espanha
Enterro Igreja de Santa María de Wamba, Valladolid, Espanha
Pai Afonso I de Portugal
Mãe Mafalda de Saboia

Urraca de Portugal (Coimbra, 1151[1]Valladolid, 1211[2][3] foi uma infanta portuguesa e Rainha de Leão. Era filha do Rei Afonso I de Portugal e de sua esposa Mafalda de Saboia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Urraca terá nascido em Coimbra, por volta de 1150. Antes do nascimento de Urraca, os reis tinham tido um filho varão, Henrique, que morreu muito novo, com 10 anos de idade.

Estátua de D. Urraca no Portal da Catedral de Tui, na Galiza.

Na altura em que Urraca nasceu, a atribuição dos nomes aos infantes era feita de forma criteriosa. O usual era que se o primogénito fosse um rapaz recebesse o nome do avô paterno, enquanto que se fosse rapariga, receberia o da avó. Com os segundos filhos o critério era o mesmo, apenas com a diferença de serem os nomes dos avós maternos.

Apesar disso, a primeira filha de Mafalda e Afonso, recebeu o nome da irmã deste último, a Urraca Henriques, infanta de Portugal, casada com o nobre galego, Bermudo Peres de Trava.

Urraca casou-se em maio ou junho de 1165, completados 15 anos de vida, com Fernando II de Leão, de 28 anos, filho de Afonso VII de Leão e Berengária de Barcelona, e seu primo em segundo grau, já que os seus pais, Afonso I Henriques e Afonso VII, respetivamente, eram primos direitos e as suas avós paternas, Teresa de Leão e Urraca de Leão, meias-irmãs.

Este casamento inaugurava os vários laços matrimoniais que o reino de Portugal estabeleceria com os restantes reinos ibéricos seus vizinhos. O casamento produziu um único filho, o infante Afonso, futuro Afonso IX de Leão, nascido em Zamora a 15 de agosto de 1171,[4] cuja legitimidade foi posta em causa quando o casamento dos pais foi dissolvido pelo Papa Alexandre III em 1175, e os nubentes foram forçados a separar-se Esta anulação deveu-se à proximidade de parentesco entre o casal (terceiro grau). Afinal de contas, Fernando e Urraca eram primos em segundo grau, e a atual restrição matrimonial situava-se no sétimo grau.

Após ter o casamento anulado, Urraca tornou-se freira, na Ordem de São João de Jerusalém, e passou a viver na região de Zamora, dada pelo esposo aquando do casamento de ambos. Retirar-se-ia mais tarde para o Mosteiro de Santa Maria, em Wamba, Valladolid, e que pertencia a essa ordem religiosa.[5]

A 25 de maio de 1176, Urraca doou várias terras e vilas à já referida Ordem de S. João onde ingressara, e pensa-se que as terá cedido precisamente na altura em que ingressou. Incluíam-se Castroverde de Campos, Mansilla em Leão, Salas e San Andrés nas Astúrias.[6]

A 22 de janeiro de 1188, o seu ex-marido, Fernando, falece, e é sucedido pelo filho de Urraca, Afonso. Geralmente filhos concebidos de uniões dissolvidas tornavam-se ilegítimos e portanto incapazes de suceder no trono, mas o Papa terá sido condescendente quanto à legitimidade deste filho.

Urraca assistiu à coroação do seu filho Afonso como Afonso IX de Leão, e a 4 de maio já confirmavam juntos os privilégios concedidos pelo defunto rei à Ordem de Santiago.[5] Isto poderia provar o seu regresso à corte, após anos afastada pela dissolução do seu matrimónio.[7] Urraca aparece pela última vez num documento de 1211, quando doa a vila de Castrotorafe à Catedral de Zamora, também parte das arras que o marido lhe dera quando casaram em 1165.[2][3]

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Urraca casou em 1165 com Fernando II, rei de Leão, e deste casamento resultou a seguinte descendênciaː

  • Afonso IX de Leão (Zamora, 15 de Agosto de 1171 - Sarria, 24 de Setembro de 1230,[8]) coroado rei após a morte do pai, em 1188. Foi o último rei de Leão antes da unificação com Castela, que se daria pouco após a sua morte.

Após a separação forçada de 1175, Fernando casaria mais duas vezesː em 1178 com Teresa Fernandes de Trava, filha do conde Fernão Peres de Trava e de Teresa de Leão (mãe de Afonso Henriques e avó de Urraca), e em 1185, com Urraca Lopes de Haro, filha de Lope Díaz I de Haro, senhor da Biscaia, Nájera e Haro. Sabe-se que Urraca Lopes terá tentado dissuadir Fernando a excluir o filho de Urraca na sucessão ao trono em favor dos seus próprios filhos com o rei, esforço que não lograria.[7]

Referências

  1. Mattoso 2014, p. 226.
  2. a b Gross 1998, pp. 1226-227.
  3. a b Rodrigues Oliveira 2010, p. 79.
  4. Arco y Garay 1954, p. 167, capítulo XII.
  5. a b Arco y Garay 1954, p. 168, capítulo XII.
  6. García Tato & 2004 pp 133-134, doc. 31.
  7. a b Cassotti 2009, pp. 37.
  8. Caetano de Sousa 2014, p. 65, livro I.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


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