Ursula K. Le Guin

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Ursula K. Le Guin
Ursula K. Le Guin em uma sessão de autógrafos nos Estados Unidos em janeiro de 2013
Nome completo Ursula Kroeber Le Guin
Nascimento 21 de outubro de 1929
Berkeley, Califórnia, EUA
Morte 22 de janeiro de 2018 (88 anos)
Portland, Oregon, EUA
Residência Portland, Oregon, EUA
Nacionalidade estadunidense
Parentesco Alfred L. Kroeber (pai)
Theodora Kroeber (mãe)
Cônjuge Charles Le Guin (1953-2018)
Filho(s) Elizabeth (n. 1957)
Caroline (n. 1959)
Theodore (n. 1964)
Alma mater Radcliffe College
Universidade Columbia
Ocupação escritora, ficcionista, romancista, contista, poetisa, ensaísta, tradutora, editora literária
Gênero literário ficção científica, ficção científica new wave, fantasia, ficção, não-ficção
Magnum opus A Mão Esquerda da Escuridão (1969)
Página oficial
www.ursulakleguin.com
Assinatura
Ursula K. Le Guin signature.svg

Ursula Kroeber Le Guin, nascida Ursula Krober (Berkeley, Califórnia, Estados Unidos, 21 de Outubro de 1929Portland, Oregon, 22 de Janeiro de 2018), mais conhecida como Ursula K. Le Guin ou Ursula Le Guin, foi uma escritora, ficcionista, tradutora, poetisa, ensaísta e editora literária estadunidense. Em seus mais de cinquenta anos de carreira profissional, Le Guin publicou mais de cem obras, entre mais de cinquenta romances[1] e dezenas de contos,[1] ensaios e poemas.[2] Seus trabalhos constantemente orbitam o gênero da ficção em seus mais diversos contextos e nuances, incluindo obras renomadas[3][4] de ficção científica e de fantasia. A maioria de suas textos são ambientados em mundos alternativos e/ou secundários, e abordam questões complexas ligadas à política, filosofia, psicologia, etnografia, biologia, religião, antropologia e sexualidade e gênero. Em última análise, sua obra está repleta de referências às convicções feministas, anarquistas e taoístas da autora.[5][6][7][8]

Aclamada pela crítica especializada, a carreira de Le Guin está entre as mais premiadas da história da literatura norte-americana,[9][10] tendo a autora, em vida, ganho múltiplos prêmios, dentro e fora dos Estados Unidos por obras específicas, e em décadas recentes, pelo conjunto de sua obra e o impacto contínuo desta.[11][12] Em 2016, Le Guin foi descrita pelo The New York Times como "a maior escritora viva de ficção científica dos Estados Unidos",[12] e não obstante, a autora foi por vezes aclamada como uma "lenda viva" nos últimos anos de sua vida e carreira.[13][14]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascimento e família[editar | editar código-fonte]

Vista de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, em 2012, cidade natal de Le Guin.

Registrada como Ursula Kroeber, a escritora nasceu em Berkeley, a 17 km de São Francisco na Califórnia, em 21 de outubro de 1929. Era a caçula de quatro irmãos, e a única filha do casal de proeminentes antropólogos Alfred L. Kroeber (1876-1960) e Theodora Kracow-Kroeber (1897-1979), ambos professores universitários e ativistas sociais, sendo que sua mãe ainda era escritora e poetisa. Ursula possuía dois meio-irmãos mais velhos, Theodore (1921-2015) e Clifton (1923-2005), frutos do primeiro casamento de sua mãe (e posteriormente adotados por seu pai), e um irmão mais velho, Karl Kroeber (1926-2009). A autora possuía ascendência alemã por parte de pai e polonesa e inglesa por parte de mãe. Boa parte de sua família materna era do Colorado, enquanto sua família paterna, desde que seu avô havia imigrado da Prússia para os Estados Unidos nos anos 1840, havia se estabelecido entre Nova Iorque e Nova Jersey. Quando nasceu, em 1929, haviam se completado doze anos que seu pai, Alfred Kroeber, publicou sua mais importante obra, The Superorganic, que lançou as bases para a antropologia moderna.[15]

Infância e educação[editar | editar código-fonte]

Oriunda de uma família de classe média, Ursula foi criada em diversos ambientes estimulantes e dinâmicos. Seus pais a acostumaram desde cedo a observar e a aprender com os diversos grupos acadêmicos e círculos literários dos quais participavam. Nos anos 1930, durante a infância da autora, Alfred e Theodora tinham grande influência nas diversas sociedades de pesquisa e discussão que orbitavam o corpo docente da Universidade da Califórnia em Berkeley, do qual os dois eram membros atuantes. Na época, o universo de amigos e contatos do casal era amplo, e incluía desde outros nomes do meio acadêmico, como Robert Oppenheimer — que inclusive, serviria mais tarde como inspiração para a autora ao criar Shevek, protagonista de The Dispossessed[16] —, até líderes de comunidades indígenas do país, cuja causa era uma das principais bandeiras do trabalho universitário dos dois. Mesmo durante a Grande Depressão americana, o padrão de vida da família de Ursula não sofreu grandes abalos. Sobre sua criação, Ursula escreveu em seu site: "Fui criada para pensar, questionar e aproveitar [a vida]",[17] e sobre o fato de ter sido a única menina entre quatro filhos, ela afirmou: "Todos em minha família ficaram felizes por eu ser uma menina, o que fez com que eu me tornasse uma mulher feliz, eventualmente".[17] A autora cresceu apegada não somente à seus pais, mas à muitos de seus amigos que frequentavam regularmente a casa da família. Ela também desenvolveu uma relação bastante próxima com seus irmãos mais velhos, e, em especial, com uma de suas tias-avós, Elizabeth Johnson-Buck (1877-1946), irmã de sua avó materna Phebe "Phebe Ann" Kraków (1864-1949) que ajudou a cria-la e a quem a autora considerava sua "segunda mãe".[17]

O Vale de Napa, situado no condado homônimo ao norte da Baía de São Francisco, na Califórnia, onde Ursula e sua família sempre passavam as férias de verão e que inspirou algumas das primeiras histórias da autora.

Ao longo de sua infância, a família de Ursula vivia na cidade de Berkeley durante o período do ano letivo, quando seus pais lecionavam na Universidade da Califórnia em Berkeley, e passava os verões em um rancho na região do Vale de Napa, no condado homônimo, ao norte da baía de São Francisco. Esta última servia como um "ponto de encontro" em especial para o amplo círculo de amigos e colegas de seus pais.[18]

Leitora ávida desde cedo, outro dos hábitos incutidos por seus pais, eles próprios leitores inveterados, Ursula e seus irmãos cresceram entre livros. Tanto a casa de sua família em Berkeley quanto a do Vale de Napa eram repletas de livros. Foi nessa época que Ursula teve o primeiro contato com obras clássicas, tendo a autora crescido lendo livros como O Livro da Selva, de Rudyard Kipling, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll e O Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame. Segundo a autora, durante a infância, diferentemente de muitas crianças de sua geração, seus pais nunca a proibiram de ler qualquer coisa, e ao invés disso, ela tinha amplo acesso à vasta biblioteca da família, e era autorizada a ler “qualquer coisa que conseguisse entender, e lidar com o que não conseguia”. Sobre seus livros de sua infância, Ursula afirmou: “Quando criança eu fui uma daquelas crianças que vivem com o nariz enfiado nos livros, nos cantos. Livros sempre foram muito importantes para mim. Há alguns livros que eu lia quando criança e eu continuo a reler. Um deles é ‘’Alice no País das Maravilhas’’. Como muitas das grandes fantasias, não importa quantos anos você tenha quando leu; simplesmente não importa. Você se encanta tem nove anos ou noventa”. Mais tarde, à partir de sua adolescência, ela foi apresentada por seus pais e membros de seu círculo de amigos às obras mais adultas, de grandes nomes da literatura vitoriana e aos romances clássicos da Literatura francesa e americana do século XIX. Ademais, a autora teve a oportunidade de conhecer obras populares na época de ficção fantástica, como The Worm Ouroboros, de E. R. Eddison e O Hobbit, de J. R. R. Tolkien na época em sua primeira edição americana, publicado nos Estados Unidos pela primeira vez em 1938 pela editora Houghton Mifflin de Boston. Também nessa mesma época, entre o fim dos anos 1930 e início dos anos 1940, Ursula descobriu alguns dos primeiros romances de ficção científica propriamente dita que leu, tendo contato com revistas pulp, bastante populares no período, durante a pré-era de ouro da literatura de ficção científica. Entre elas, a Astounding Science Fiction, para a qual ela enviou pela primeira vez uma história de ficção de sua autoria, aos onze anos de idade em 1941.

Assim como seu irmão Karl, Ursula foi alfabetizada em casa por sua mãe e sua tia-avó Elizabeth, e apenas depois ela foi enviada para escolas primárias padrão. Segundo a autora, foram à partir dessas primeiras noções de escrita em casa por volta dos cinco anos que foi incutido nela o desejo de ser escritora.[19] Ursula foi enviada por seus pais para escolas primárias padrão apenas durante sua segunda infância, tendo ela frequentado escolas públicas do condado de Alameda por quase toda a infância e adolescência. E, embora a criação de seus pais tenha sido encorajadora e estimulante, e eles tenham proporcionado uma boa educação formal tanto para ela quanto para seus irmãos, Ursula foi uma tanto uma criança quanto uma adolescente tímida. De fato, quando criança e adolescente, a autora possuía um círculo de amizades muito restrito, com poucos amigos de sua idade, encontrando mais facilidade em se aproximar de pessoas mais velhas, especialmente dos amigos e colegas acadêmicos de seus pais. Embora fosse uma aluna aplicada, com interesse maior em matérias como História, Literatura e Biologia, Ursula apresentava grande dificuldade em outras como Matemática e Física.[20] De fato, a autora diria mais tarde que "apenas começaria a gostar [do ambiente de sala de aula enquanto aluna] quando ingressei na faculdade", aos dezoito anos.

Fachada da Berkeley High School, em Berkeley.

Ursula frequentou a Berkeley High School durante o ensino médio, entre 1944 e 1946. Por um breve período, Philip K. Dick (1928-1982) foi seu colega de classe,[21] quando ambos ainda eram desconhecidos e eles não tenham estabelecido qualquer tipo de relação de proximidade. Segundo a autora, frequentar o ensino médio foi especialmente difícil para ela psicologicamente, definindo-a como "três anos de tortura social",[17] ou "um exílio na Sibéria dos costumes adolescentes".[13] Na época, Ursula costumava "refugiar-se" do ambiente de constante pressão social daquele meio visitando a principal biblioteca pública de Berkeley, situada a poucos quadras de sua escola, aonde passava os intervalos e o horário do almoço lendo clássicos como as obras de Liev Tolstói, Thomas Hardy e Ivan Turgenev.[13]

De 1942 a 1945, todos os seus três irmãos serviram na Europa durante a Segunda Guerra Mundial,[17] e de acordo com Ursula em seu site, o período durante as férias de verão em que apenas ela e seus pais passavam no rancho da família no Vale de Napa foram bastante solitários: "aqueles verões foram de silêncio e solidão, uma adolescente vagando pelos morros sem companhia, 'sem nada para fazer', o que me marcou profundamente. Creio que comecei a estabelecer meu ser ali".[17] Ursula ingressou na universidade logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, a partir de 1947, aos dezoito anos. Ela foi admitida na Radcliffe College,[22] aonde cursou Literatura Italiana e Francesa Renascentista. Na época, ela se mudou da Califórnia para Cambridge, Massachusetts para frequentar a Radcliffe. Anne McCaffrey (1926-2011), que também se tornaria uma escritora de fantasia e ficção científica de sucesso nas décadas seguintes, também frequentou a Faculdade de Estudos Literários da Radcliffe College por volta da mesma época.

Ursula se graduou com honras em 1951, aos vinte e dois anos, fazendo a extensão de sua formação no ano letivo de 1951/1952 na Universidade Columbia, em Nova York, especializando-se em Literatura Francesa e Italiana e iniciando seu doutorado sobre a obra do poeta renascentista francês Jean Lemaire de Belges[20] logo depois. Em 1953, conseguiu admissão no Fulbright–Hays Program, um programa do governo estadunidense que oferecia bolsas de especialização acadêmica no exterior, e que a permitiu continuar as pesquisas para seu doutorado, por um período de quinze meses na França, entre 1953 e 1954.[22][16]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Durante sua viagem para a Europa a bordo do transatlântico RMS Queen Mary na primavera de 1953, Ursula conheceu seu futuro marido, o professor de inglês e historiador franco-estunidense Charles Le Guin (1920-),[23] que estava à caminho da França para finalizar seu próprio doutorado sobre a Revolução Francesa. Eles se tornaram noivos apenas duas semanas depois de se conhecerem, logo que aportaram na Europa, e se casaram em Paris poucos meses depois, em dezembro do mesmo ano,[24] retornando aos Estados Unidos em maio de 1954. Na época, a autora decidiu interromper as pesquisas de seu doutorado,[20] preferindo acompanhar o marido na volta da Europa para os Estados Unidos. O casal inicialmente se estabeleceu em Boston, Massachusetts, depois se mudando, ainda 1954, para Atlanta, na Georgia. Embora planejasse na época retomar seus estudos futuramente, Ursula nunca completou seu doutorado. Mais tarde, contudo, ela licenciou-se como professora de francês em 1957 pela Mercer College da Universidade de Idaho.[22]

Por volta da mesma época, com a interrupção de seu doutorado, Ursula começou a considerar seriamente uma carreira literária, seu sonho desde a infância. Ela começou a enviar com regularidade para editoras e submeter à seus editores alguns de seus primeiros manuscritos, embora sem sucesso em um primeiro momento. Inicialmente, ela conseguiu publicar somente poesias,[20] e apenas de modo ocasional entre o fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, por editoras pequenas e tiragens curtas, sem impacto entre o público e a crítica. Nos finais de 1955, por indicação de um dos amigos ingleses de seu pai, Ursula descobriu O Senhor dos Anéis, de Tolkien, então recém-lançado, que leu e que impactaria enormemente sua obra posterior. No início de 1956, seu marido, Charles Le Guin conseguiu seu doutorado em História pela Universidade Emory de Atlanta.[25] Ainda naquele ano, o casal mudou-se para a cidade de Moscow, no estado de Idaho, no noroeste dos Estados Unidos, perto da fronteira com o Canadá, uma vez que Charles havia aceitado uma vaga para lecionar na Universidade de Idaho, situada na cidade. Na época, Ursula passou a trabalhar como secretária bilíngue para a instituição, a fim de incrementar a renda da família já que as poesias que lançava ocasionalmente não garantiam praticamente nenhum retorno financeiro concreto. Na mesma época, entre o último semestre de 1956 e o início de 1957, licenciou-se como professora de francês pela Mercer College da Universidade de Idaho, formando-se em fevereiro de 1957 e logo depois começou a dar aulas particulares para estudantes universitários.

Por volta da mesma época, Ursula engravidou pela primeira vez, e a primeira filha dela e de Charles, Elizabeth (1957-), nasceu em Moscow, Idaho, no último semestre daquele ano, pouco antes da autora completar vinte e oito anos, batizada em homenagem a tia-avó que havia ajudado a cria-la. Na primavera de 1958, Charles aceitou um convite para lecionar história europeia na Universidade do Estado do Oregon, e Ursula e sua família se mudaram para Portland[26] no novembro daquele ano. A autora viveria na cidade, com exceção de alguns períodos residindo na região da Baía de San Francisco, até o fim de sua vida, por quase sessenta anos entre 1958 e 2018.[27]

Ursula continuou a trabalhar como professora particular de francês, a escrever em meio período e a, ocasionalmente, enviar seus trabalhos para editoras. Em 1959, ano em que a autora completou trinta anos, a segunda filha do casal, Caroline (1959-), nasceu em Portland[27] Em 1960 seu pai, o renomado antropólogo Alfred Kroeber, faleceu em Paris, aos oitenta e quatro anos.

Início da carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1961, pela primeira vez um conto de sua autoria, intitulado "An die Musik", foi aceito para publicação, lançando na revista The Western Humanities Review na edição de junho daquele ano. A história, a primeira escrita dentro do país ficcional de Orsinia, depois seria reunida com outros contos do mesmo universo na coletânea Orsinian Tales, de 1976. De fato, foi a partir do início dos anos 1960 que sua carreira literária deslanchou, se estabelecendo com seus contos em revistas especializadas variadas e com a publicação de alguns de seus primeiros romances. Por volta da mesma época, a carreira de sua mãe, Theodora Kroeber, como escritora consolidou-se. Recém-viúva de seu pai e professora emérita de antropologia da Universidade de Berkeley, ela lançou, em 1961, Ishi in Two Worlds: a biography of the last wild Indian in North America, a biografia do último nativo-estadunidense conhecido da etnia yahi Ishi (?-1916), que na década de 1910 teve seus depoimentos e história de vida registrados pelo futuro marido de Theodora e pai de Ursula, Alfred Kroeber. A história de Ishi, mesmo após sua morte, continuou a despertar o interesse dentro e fora do meio acadêmico dos Estados Unidos, e, quando lançado, a biografia de Theodora foi aclamada pela crítica.

Nessa época, segunda metade dos anos 1960, a autora descobriu o taoísmo e seu interesse por essa tradição filosófica e religiosa acabou por influenciar quase todo seu trabalho e sua vida posterior. Por volta dos anos 1970, ela adotaria o taoísmo como sua filosofia pessoal. Não obstante, o período entre a segunda metade dos anos 1960 e a primeira dos anos 1970 foi o mais criativo e produtivo de sua carreira. Finalmente em 1966, Ursula finalmente conseguiu lançar seu primeiro romance, Rocannon's World uma obra de ficção científica pela editora Ace Books de Nova York. Rocannon's World foi tanto a estreia da autora no mercado de romances quanto o primeiro romance publicado de sua extensa série de ficção científica Ciclo Hainish, da qual alguns de seus trabalhos posteriores mais famosos, já como uma escritora de renome, como A Mão Esquerda da Escuridão (1969) e Os Despossuídos (1974) também fariam parte. Ursula escreveu Rocannon's World em diferentes períodos entre 1964 e 1965, enquanto estava grávida de seu terceiro e único filho, Theodore (1964-).[16]

Já em 1968, Ursula lançou pela Parnassus Books de Berkeley, uma editora de pequeno porte que então publicava os livros de sua mãe, o romance A Wizard of Earthsea (em Portugal, publicado com o título de "O Feiticeiro e a Sombra", e no Brasil, como "O Mago de Terramar" ou "O Feiticeiro de Terramar"), sua primeira obra de fantasia publicada e também seu primeiro trabalho direcionado para o público infanto-juvenil. O lançamento foi um marco em sua carreira e se tornou igualmente um marco para a própria literatura de fantasia ao inovar em diversos conceitos e temas que em décadas posteriores seriam utilizados à exaustão dentro do gênero, incluindo na série bestseller mundial Harry Potter (1997-2007), de J. K. Rowling (1965-).

Sucesso literário[editar | editar código-fonte]

Contudo, apenas no ano seguinte, com o romance The Left Hand of Darkness (publicado tanto no Brasil como em Portugal sob o título literal "A Mão Esquerda da Escuridão") que Ursula conseguiu atenção maciça do público, e em especial, a aclamação da crítica especializada,[28] algo que seria recorrente em sua carreira posterior. Foi a primeira obra de ficção científica da autora a entrar para a lista de best-sellers do mercado literário norte-americano, ainda em 1969, mesmo ano em que a autora completou quarenta anos. O sucesso da obra também permitiu que Ursula deixasse o emprego de professora de francês e se tornasse escritora em tempo integral. Na época, The Left Hand of Darkness ajudou a consolidou a carreira literária de Le Guin,[16] ao mesmo tempo em que sedimentou e popularizou o movimento new wave de ficção científica — no qual a autora se estabeleceu desde seus primeiros trabalhos no gênero —, ao lado de obras do mesmo período como Duna (1965), de Frank Herbert (1920-1986), e Um Estranho Numa Terra Estranha (1961), de Robert A. Heinlein (1907-1988). Não obstante, a obra de Ursula inovou dentro do movimento e do próprio gênero de ficção científica, ao adicionar temas como feminismo e identidade de gênero em sua ficção.[29][30] No período, The Left Hand of Darkness foi rapidamente adotado pela contracultura, se tornando bastante popular entre os jovens do movimento hippie, algo que se repetiria em todos suas publicações posteriores durante os anos 1970. Ainda no ano de 1970, a atenção que a obra recebeu refletiu em suas várias indicações para prêmios literários especializados, dentro e fora dos Estados Unidos. De fato, na época, ganhou os dois principais dentro da literatura de ficção científica norte-americana, o Nebula, da Science Fiction Writers of America, e o Hugo.[31][20][32] O sucesso da obra, inclusive, permitiu a Le Guin largar o emprego como professora de francês para se tornar escritora em tempo integral. Ainda em 1970, a mãe de Ursula, Theodora, viúva de seu pai desde 1960, casou-se com John Quinn.

No entanto, apesar do sucesso crescente e da correspondente consolidação de sua carreira literária, Ursula enfrentou longos períodos de depressão entre o fim dos anos 60 e início dos anos 70,[13] acerca da qual, contudo, nunca revelou maiores detalhes. Em uma entrevista para a revista The New Yorker em 2016, a autora falou sobre esse período brevemente, descrevendo-o como "momentos de escuridão que eu tive de aprender a enfrentar".[13]

Capa da revista Amazing Stories, aonde Le Guin publicou The Lathe of Heaven pela primeira vez em partes seriadas no início dos anos 1970.

Ela, todavia, continuou a escrever, e entre 1970 e 1971, a autora lançou na revista de ficção científica Amazing Stories, em diferentes partes seriadas, a ficção científica distópica The Lathe of Heaven (publicada no Brasil e em Portugal como "O Tormento dos Céus"), depois reunidas no romance homônimo publicado em 1971 pela editora Avon Books. Sem relação com o Ciclo Hainish, a obra igualmente bem recebida pela crítica e pelo público, ganhando o Locus Award[33] de Melhor Romance de 1972 e tendo sido indicada (e estado entre os finalistas) tanto para o Nebula de Melhor Romance de 1971,[34] quanto para o Hugo de Melhor Romance, de 1972.[35]

Ursula voltaria a ganhar ambos os prêmios Hugo e Nebula[36] com o romance The Dispossessed (publicado em Portugal como "Os Despojados" e no Brasil como "Os Despossuídos"), publicado em 1974. Situado no universo do Ciclo Hainish e The Left Hand of Darkness, a obra dava vazão aos ideais anarquistas de Le Guin como nenhum outro trabalho seu publicado até então, e aproxima-se do subgênero da ficção científica utópica, em oposição a The Lathe of Heaven, uma ficção científica distópica. Na época, foi tão bem acolhido pelo público e pela crítica quanto The Left Hand of Darkness, entrando para as principais listas de best-sellers dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha ainda em 1974. Não obstante, além do Nebula, de 1974 e o Hugo, de 1975 — fazendo então Ursula o primeiro nome da literatura de ficção científica a ser indicado e premiado com os dois principais prêmios do meio[37] — ganhou também o Locus Award[38] e o John W. Campbell Memorial Award,[38] ambos de 1975. Por volta da mesma época, a autora buscou aprofundar a visão feminista em sua obra,[13] ao mesmo tempo em que manteve esforços para consolidar suas próprias crenças taoístas.

Em 1979, a mãe da autora, Theodora Krakow-Quinn, faleceu aos oitenta e dois anos de idade.

O telefilme The Lathe of Heaven, com o ator Bruce Davison no papel principal de George Orr, foi ao ar no canal PBS pela primeira vez em 9 de janeiro de 1980.[39] A autora, seu marido, Charles e o filho deles, Theodore, então com quinze anos, aparecem em uma cena em que o protagonista, George, e a oficial Heather almoçam em um refeitório. Uma década depois, Ursula relataria sua experiência com o projeto no ensaio Working on 'The Lathe', publicado na antologia de não-ficção Dancing at the Edge of the World: Thoughts on Words, Women, Places de 1989.[40]

Ursula ao lado do escritor Harlan Ellison na convenção de ficção científica e fantasia Westcon, em Portland, Oregon, EUA, em 1984.

Ao longo da primeira metade da década de 1980, Le Guin continuaria a trabalhar ocasionalmente com roteiros de cinema e televisão. Foi também a partir desse período que as obras de Ursula começaram de fato a transitarem entre a ficção popular e a ficção realista, quando ela começou a flertar com subgêneros ficcionais como o realismo mágico e o pós-mordenismo.[13] Na primavera de 1983, a autora foi convidada para discursar na festa de formatura da Mills College, de Oakland, na Califórnia, Estados Unidos, em uma fala que depois se tornaria célebre sob o título de A Left-Handed Commencement Address, e que seria transcrita e publicada em Dancing at the Edge of the World (1989). Em 1984, Le Guin juntou-se a Ken Kesey, William Stafford e Brian Booth, entre outros nomes, na fundação Oregon Institute of Literary Arts, depois renomeada para Literary Arts in Portland.[41] No ano seguinte, a autora colaboraria com o músico inglês David Bedford no libretto da ópera Rigel 9, inspirada em space operas e na literatura de ficção científica,[42] que seria apresentada nos circuitos de Londres a partir da primavera de 1986. Em 1990, Ursula retornaria ao universo de Terramar publicando o volume Tehanu, dezoito anos depois do lançamento de The Farthest Shore, em 1972[43]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Le Guin lançou o último volume publicado do Ciclo Hainish, The Telling.

Ursula Le Guin em 2004.

Em 2003, Le Guin foi eleita Grã-Mestre de Ficção Científica da Science Fiction and Fantasy Writers of America (SFWA), um dos primeiros nomes a ser eleito para o hall de grã-mestres da entidade e a primeira mulher.[44] Em 2004, publicou Gifts, o primeiro volume da série de alta fantasia Annals of the Western Shore, sua última série literária inédita lançada em vida,[45][46] e em 2008, lançou Lavinia, seu último romance publicado.[47]

Ursula lendo excerto de Lavinia em livraria de Danville, Califórnia, em junho de 2008.

Em 2009, mesmo ano em que Le Guin completou oitenta anos, a autora se desassociou da Authors Guild, a principal organização de autores de livros dos Estados Unidos, em protesto ao apoio da entidade ao Google Books, programa de digitalização de obras literárias lançado naquele ano pela Google. Em sua carta de desassociação, ela escreveu: "Há princípios envolvidos, acima de tudo, o conceito de direitos autorais, e estes vocês acharam por bem abandonar em favor a uma corporação, nos termos dela, sem lutar"[48][49]

Ainda a partir de 2009, Le Guin juntou-se a cineasta e documentarista Arwen Curry para um documentário sobre a vida e a obra da autora, intitulado The Worlds of Ursula K. Le Guin ("Os Mundos de Ursula K. Le Guin"), foi lançado.[50] Entre 2009 e 2016, Curry sua equipe acompanharam a rotina de Ursula, gravando para o projeto dezenas de entrevistas e sequências com a própria Le Guin, seus familiares, amigos, fãs e vários outros escritores e artistas influenciados por sua obra.

Em 2014, a autora foi prestigiada com a Medalha da National Book Foundation por sua distinguível contribuição para as letras estadunidenses,[51] numa cerimônia apresentada pelo autor britânico Neil Gaiman.

Em 2015, a autora criticou a empresa de comércio eletrônico Amazon.com e sua crescente influência no mercado editorial dos Estados Unidos e entre o público leitor estadunidense, especialmente entre os jovens[52] Em um texto publicado no site Book View Cafe, Le Guin criticou principalmente o "ideal de livro da Amazon como uma commodity apresentável, um produto comercial".[53]

No final de 2015, o documentário sobre a vida e a obra da autora, então em fase de finalização, ganhou o National Endowment for the Humanities, um programa financeiro do governo estadunidense para o incentivo da cultura no país.[50][54] E, no início de 2016, uma campanha de financiamento coletivo pelo site Kickstarter para custer a finalização do documentário, foi lançado, atingindo sua meta online ainda naquele ano. A data de lançamento de The Worlds of Ursula K. Le Guin está prevista para junho de 2018, no Sheffield Documentary Festival, em Sheffield, no Reino Unido.

Entre 2015 e 2016, Ursula criticou publicamente as ações da milícia armada autointitulada Right-Winged Loonybirds que atuava invadindo reservas florestais no estado do Oregon, e a ineficácia do FBI em contê-la.[55][13]

Vista de praia em Cannon Beach, Oregon, aonde a autora costumava passar parte do ano com sua família.

Desde o início dos anos 2000, Ursula dividia sua rotina entre sua casa em Portland, e a casa de veraneio de sua família na cidade de Cannon Beach, no litoral norte do Oregon,[13] aonde sempre passava os verões e as primaveras com seu marido Charles, os filhos e netos.

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Mesmo com a idade avançada e problemas de saúde crescentes, em seus últimos anos de vida Ursula ainda participava frequentemente de encontros com fãs e entrega de prêmios, embora apenas aceitasse convites para eventos na região de sua cidade de residência, Portland ou em áreas próximas do estado do Oregon ou através de videoconferência, por não estar mais em condições de fazer longas viagens. Ela também dedicava-se com regularidade a gravação de um documentário sobre sua vida e carreira, o Worlds of Ursula K. Le Guin e com frequência regulava decisões acerca de sua obra nos Estados Unidos e no exterior, e ocasionalmente ainda emprestava sua influência para causas sociais ou políticas. Faleceu em 22 de janeiro de 2018, em sua casa em Portland, Oregon, Estados Unidos, aos oitenta e oito anos.[56][57][58][59][60] A causa de seu falecimento não foi divulgado, mas seu filho, Theodore Le Guin, afirmou à imprensa que a autora esteve com a saúde debilitada ao longo de meses[56] antes de vir a falecer.

Carreira literária[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Ursula K. Le Guin escreveu suas primeiras histórias ainda durante a primeira infância. Segundo a própria autora, o desejo particular de ser escritora foi incutida nela assim que aprender a escrever, a partir dos cinco anos de idade.[19]

Ainda de acordo com Le Guin, seus pais a encorajaram desde o princípio, embora não de modo a fazer alarde de seu desejo ou de seus primeiros escritos, e ao invés disso "no sentido acreditarem que isso (talento e o desejo para escrever) é um dom tanto quanto uma obrigação: algo que é dado para você trabalhar por e trabalhar para. E esse é o trabalho mais gratificante de todos"[61]

A autora, a única menina entre quatro irmãos, cresceu em um ambiente absolutamente masculino e segundo a própria, essa supremacia "contaminou" alguns de seus primeiros trabalhos, ainda que de modo inconsciente.[61] Contudo, ainda de acordo com Ursula, seus pais, especialmente sua mãe (tendo a própria Theodora crescido em um ambiente masculinizado), sempre se esforçaram para que ela nunca se sentisse menosprezada e "nunca fizeram com que eu sentisse que esperavam menos de mim em relação à meus irmãos, ou que qualquer caminho, intelectual ou artístico, estava fechado para mim por eu ser uma menina".[61]

Capa da edição de março de 1933 da Astounding Science Fiction.

O primeiro contato da autora com o mercado editorial se deu precocemente, aos onze anos na primavera de 1941. Na época, com a ajuda de seu irmão Theodore, ela enviou uma história de ficção científica de sua autoria para a revista pulp Astounding Science Fiction,[62] bastante popular nos Estados Unidos entre o fim dos anos 1930 e início dos anos 1940. Leitora assídua da publicação, assim que completou a história, que envolvia uma máquina do tempo e a origem da vida,[62] a autora a considerou "melhor do que muito do material" lançado pela Astouding na época, e pediu ajuda de seu irmão para enviá-la pelo correio. Ela foi educadamente rejeitada, e devolvida algumas semanas depois com uma carta de incentivo do editor da revista.[62] Em retrospecto, Ursula sempre considerou o episódio como tendo sido essencial para que ela aprofundasse sua relação com a escrita, e encarasse, ao longo de sua adolescência, o ofício de escritora com mais seriedade. Sobre isso, ela disse em uma entrevista em 2008: "Se eu demorei mais uns dez anos para voltar a tentar publicar profissionalmente, não foi porquê falhei em minha primeira tentativa, mas sim porquê eu adquiri consciência do que eu tinha que aprender para escrever da maneira que eu queria escrever".[63]

Pouco após o fim da Segunda Guerra, aos dezesseis anos em junho de 1946, a autora deixou a Berkeley High School. Ela seguira escrevendo por toda sua adolescência, e na época, ao formar-se no ensino médio, seu desejo de se seguir uma carreira de escritora profissional, em tempo integral, permanecia intacto. No entanto, a pressão para frequentar uma faculdade, e obter uma formação universitária padrão, fez Ursula ingressar aos dezoito anos em 1947 na Radcliffe College, uma instituição exclusiva para mulheres em Cambridge, Massachusetts. Na Radcliffe, a autora cursou literatura renascentista francesa e italiana, e tenha seguido escrevendo, embora sem conseguir ser publicada.

Início[editar | editar código-fonte]

Década de 1950[editar | editar código-fonte]

Embora escrevesse desde a adolescência tanto em verso como em prosa, entre poesias, contos e romances, inicialmente apenas suas poesias conseguiram ser publicadas. De fato, Le Guin escreveu um total de cinco romances ao longo dos anos 1950[64] bem como dezenas de contos e centenas de poesias, e embora ela os enviasse constantemente para a avaliação de editoras de várias partes dos Estados Unidos, especializadas na publicação em diferentes gêneros, seus manuscritos eram seguidamente rejeitados. Na época, a principal justificativa dada por diferentes editoras para a rejeição de seu trabalho era a de que este era inacessível ao público,[64] e não se estabelecia propriamente em nenhum gênero de modo claro. Entre as editoras que recusaram os trabalhos da autora estavam a Alfred A. Knopf, cujo editor Alfred A. Knopf Sr. (1892-1984) era amigo de sua família (para o qual a autora enviou seus trabalhos anonimamente).[65] Sobre esses acontecimentos, Le Guin afirmou, em uma entrevista em 2011: "Eu não sei quantas vezes foi me dito que eu escrevia bem, mas "nós não temos certeza do que você está pretendendo" (ao escrever essas histórias)". E ela sempre atrelou essa insucesso inicial ao fato de ser uma mulher escrevendo ficção popular. Sobre isso, a autora afirmou, em 2014: "Quando eu comecei a escrever, a concepção comum na [literatura de] ficção era a de que homens estão no centro de tudo".

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Até 1965, Ursula continuaria publicando contos profissionais em revistas especializadas, embora apenas ocasionalmente, enquanto firmava seu nome no mercado editorial. Ainda pela Fantastic Stories of Imagination, ela publicou "The Masters" e "Darkness Box", nas edições de fevereiro e novemebro de 1963,[65] respectivamente. O ano seguinte de 1964 foi de grande importância para a carreira de Le Guin, quando ela publicou contos que, nos anos posteriores, serviriam de base para as histórias de alguns de seus mais famosos romances, que as expandem.

Rocannon's World, Planet of Exile e City of Illusions[editar | editar código-fonte]

Por Rocannon's World, a autora recebeu um adiantamento 5.500 dólares, um valor abaixo do padrão para autores iniciantes no mercado editorial americano de ficção da época. Ao longo dos anos 1950 e o início dos anos 1960, a Ace Books especializou-se na literatura de ficção científica, se tornando um dos pilares do gênero nos EUA na metade do século XX, publicando autores como Samuel R. Delany e Roger Zelazny e lançando, além de Le Guin, nomes como R. A. Lafferty e Joanna Russ. Rocannon's World foi publicado em maio de 1966 pela Ace Books,[66] inicialmente no formato tête-bêche de livro duplo, bastante popular na época, ao lado de The Kar-Chee Reign, de Avram Davidson. Sobre o processo de escrever a obra, Le Guin disse posteriormente: "Eu não sabia ainda que a ciência na minha ficção seria principalmente ciências sociais, psicologia, antropologia, história, etc., e que eu tinha que descobrir como usar tudo isso, e trabalhar duro nisso também, porque ninguém mais havia feito muito isso no gênero. Eu peguei o que veio à mão, o genérico salto na velocidade da luz e a Idade do Bronze, e usei-os sem pensar muito nisso, economizando a coragem da invenção real para meus trabalhos de fantasia propriamente dita".[65] Na época, embora a obra tenha sido bem acolhida pela crítica, não teve grande impacto entre o público, e não entrou na lista dos mais vendidos.

Planet of Exile foi publicado nos Estados Unidos em dezembro de 1966 pela Ace Books, sob o mesmo formato tête-bêche de livro duplo, tendo Mankind Under the Leash, de Thomas M. Disch, como lado B. De acordo com a autora em seu livro de ensaios The Language of the Night, de 1979, ela começou a escrever Planet of Exile em 1963, antes de completa-lo em 1964, antes mesmo que o manuscrito original de Rocannon's World fosse escrito.[65]City of Illusions foi lançado em agosto de 1967 pela Ace Books. Ela vendeu o romance para a editora logo no início de 1967, com Planet of Exile ainda recém-pubblicado. Desde os anos 1960, o livro é reconhecido como o primeiro romance de Le Guin a conter influências implícitas do taoísmo, como notado pela crítica especializada,[67] bem como as já "tradicionais" influências antropológicas em sua obra .[68] Assim como Rocannon's World e Planet of Exile, no entanto, City of Illusions não foi um sucesso imediato, e também não entrou na lista dos mais vendidos em seu ano de lançamento, mantendo o público de Le Guin bastante restrito e seu nome pouco conhecido entre os leitores de ficção especulativa, na época. De fato, o romance só ganharia renome após o sucesso de The Left Hand of Darkness e o estabelecimento de sua carreira, a partir dos anos 1970.

A Wizard of Earthsea[editar | editar código-fonte]

No início de 1968, enquanto preparava o que pretendia ser o quarto volume publicado do Ciclo de Hainish (e que mais tarde se tornaria The Left Hand of Darkness), Ursula recebeu um convite do editor-chefe da Parnassus Press, Herman Schein. Na ocasião, Schein pediu a ela que escrevesse um livro infanto-juvenil para a editora, que na época estava lançando uma linha de publicações infanto-juvenis, concedendo plena liberdade para que Le Guin escolhesse o tema ou o tom[69][70] da obra. Inicialmente a autora recusou, agradecendo ao convite, mas se justificando afirmando que não se considerava capaz de escrever para crianças, ou para qualquer público em específico e que todos seus trabalhos até então haviam sido pensados para qualquer. Em retrospecto, Ursula afirmou em entrevista em vídeo em 2012: "Eu disse 'ah, não, eu nunca escrevi para crianças, nunca escrevi para um público em específico', eu não podia fazer aquilo".[71] Contudo, pouco depois de receber a proposta e imediatamente recusá-la, a autora começou a reconsiderar. Ursula ponderou então sobre o que poderia caracterizar um livro destinado para o público infanto-juvenil e o que uma obra como essa deveria conter para encontrar eco entre leitores pré-adolescentes e adolescentes, conseguindo respostas para os anseios típicos dessa faixa etária. Para isso, Le Guin procurou lembrar quais obras a atraíam quando possuía a mesma idade, e o que a atraía nas histórias que lia com tanto afinco, quando pré-adolescente. Ela então chegou a conclusão de que, por essência, o que um livro infanto-juvenil necessitava era de um protagonista infanto-juvenil. Sobre isso, ela afirmou, em 2012: "Eu pensei então: 'todos nós sabemos que adolescentes são pessoas, e são grandes leitores, alguns entre os melhores públicos leitores. Então, ok, o que faz de um livro infanto-juvenil? Claro, ter um protagonista infanto-juvenil!' ".[71]

Na época, a autora acreditou que não havia universo melhor para ambientar a história que o de Terramar, que havia começado a desenvolver com os contos "The Rule of Names" e "The Word of Unbinding", publicados em 1964, repleto de magos, dragões e magia. Em um encontro com fãs em 2008 em um evento organizado pela Timberland Regional Library, em Olympia, Washington, Estados Unidos, Ursula disse: "O fato do livro ser destinado para o público infanto-juvenil possivelmente fez com que brotasse em minha mente a seguinte conclusão: todos os magos, de todos os livros que li até 1967 eram velhos. Homens velhos, homens brancos velhos, com barbas brancas e cabelos brancos e chapéus pontudos", como Merlin do Ciclo Arturiano, e Gandalf de O Senhor dos Anéis e O Hobbit. E questionou: "mas você não pode ser um homem velho sem ter sido jovem, e me ocorreu 'como esses magos começaram?' eles obviamente tiveram muito o que aprender, e aonde se aprende coisas?, bem se aprende em escolas, então (para você ser um mago) você tem que ir para uma escola de magos". E "a ideia de aprender uma arte realmente difícil e perigosa (como magia), um poder que um mago necessitaria, me deu o perfil do livro. Porque, muito bem, eu tenho um garoto (o personagem central de A Wizard of Earthsea , Duny) que não sabe nada e tem de aprender todas essas coisas, ele vai misturar sua própria vida com a magia, vai aprender tudo errando primeiro, como é o jeito que normalmente aprendemos algo corretamente. Ou seja, é a ideia de que, quando maior seu dom para algo, provavelmente maior é a necessidade de aprende-lo".

A Wizard of Earthsea foi lançado originalmente nos Estados Unidos em junho de 1968 pela Parnassus Press,[72] o primeiro romance de fantasia da autora e seu primeiro trabalho não publicado pela Ace. À exemplo de seus livros anteriores, o título foi elogiado pela crítica, mas não teve um impacto imediato entre o público. Apenas quando foi indicada e laureada com o prêmio Horn Book da The Horn Book Magazine e do Boston Globe, no início de 1969, a obra entrou para a lista das publicações infanto-juvenis mais vendidas dos Estados Unidos, aparecendo pela primeira vez a partir daquele ano no The New York Times Bestseller List. A Wizard of Earthsea foi o primeiro trabalho da autora a entrar para os mais vendidos do mundo editorial, e consequentemente o primeiro sucesso comercial de sua carreira, antes do sucesso de The Left Hand of Darkness. E, embora o livro nunca tenha alcançado as primeiras posições da lista e nem tenha ficado esgotado, este foi suscetivelmente reimpresso, inicialmente pela Parnassus Press, e depois pela Houghton Mifflin[73] que comprou a Parnassus em 1977.

O livro rapidamente se tornou um sucesso entre o público infanto-juvenil dentro e fora dos Estados Unidos, e o primeiro de uma série literária de alta fantasia, que a autora posteriormente nomeou como Earthsea Cycle (Ciclo de Terramar, na maioria das traduções para o português) e que se tornou um sucesso contínuo ao longo dos anos, conforme os demais volumes foram sendo lançados e entrando nas listas dos mais vendidos. Sobre esse impacto, Ursula afirmou em uma entrevista de 2012: "O que os meus leitores dizem dos livros de Terramar, sobre todos eles, todos os seis, especialmente os (leitores) mais jovens, ou os que eram jovens quando leram A Wizard of Earthsea ou a trilogia original pela primeira vez, eles me dizem que ajudou-os a reconhecerem seus próprios caminhos na vida". Na Grã-Bretanha, o livro foi lançado em 1971 pela Penguin Books,[74] apenas a segunda obra da autora a ser publicada no exterior, depois de The Left Hand of Darkness. Na época, A Wizard of Earthsea inovou ao inserir elementos clássicos do taoísmo e costurá-los a conceitos derivados do monomito ("A Jornada do Herói") de Joseph Campbell, para construir um romance fiel à premissa do Bildungsroman. A obra também inovou ao ter um protagonista de pele bronzeada (em detrimento dos protagonistas de pele clara, padrão na literatura de ficção fantástica), como foi precisamente representado pela ilustração da artista Ruth Robbins para a capa original da obra nos Estados Unidos.

The Left Hand of Darkness[editar | editar código-fonte]

Assim como 1964, 1969 foi um ano basilar na carreira da autora. Além do sucesso de A Wizard of Earthsea que começava a colher a partir daquele ano, o período também foi bastante rico para as histórias de ficção científica de Le Guin, com o ano sendo marcando pela publicação de The Left Hand of Darkness. Ao lado do sucesso crescente que A Wizard of Earthsea que registrava na época, o impacto de The Left Hand of Darkness serviu como um divisor de águas definitivo em sua carreira.

Ursula escreveu The Left Hand of Darkness entre o verão de 1968, quando A Wizard of Earthsea já havia sido terminado mas não publicado, e daquele o outono daquele ano, quando o livro já havia sido lançado pela Parnassus e começava a ganhar a atenção do público. Inicialmente, Le Guin escreveu, em fins de 1967, "Winter's King", um conto ambientado no mesmo planeta em que situaria The Left Hand of Darkness, parte do Ciclo Hainish e que apresentava seus habitantes andrógenos pela primeira vez (e que só seria lançado após a publicação do livro). Embora a autora originalmente planejasse escrever e publicar The Left Hand of Darkness em 1968, dando continuidade a sua série de obras de ficção científica do Ciclo Hainish, teve de postergar para o ano seguinte após aceitar a proposta, na primavera daquele ano para escrever e lançar A Wizard of Earthsea. Ursula assinou o contrato para a publicação de The Left Hand of Darkness com a Ace Books no final de 1968, apenas alguns meses depois de finalizar o manuscrito original do livro. Na época, a autora enviou a obra para Terry Carr, então recém admitido como editor da Ace, que a comprou.

Durante o primeiro trimestre de 1969, com o sucesso crescente de A Wizard of Earthsea e com The Left Hand of Darkness vendido, Ursula decidiu contratar uma agente literária pela primeira vez em sua carreira. Até então, ela própria enviava seus manuscritos e pessoalmente mantinha correspondência com o corpo editorial das editoras. Ter The Left Hand of Darkness aceito para a publicação, fez Le Guin entrar em contato com a agente Virginia Kidd (1921-2003), para que a representasse. Na época, Kidd se tornava uma das mais proeminentes agentes literárias do mercado ficcional norte-americano e exatamente por estar ascendendo em um meio predominantemente masculino, foi a primeira opção da autora. Além disso, Virginia, que havia tido contato com alguns dos trabalhos anteriores de Ursula, havia a elogiado em entrevistas à revistas especializadas do meio. Na época, Kidd já agenciava autores como R. A. Lafferty (1914-2002), Judith Merril (1923-1997), Anne McCaffrey (1926-2011) e David R. Bunch (1925-2000), e aceitou rapidamente representar Le Guin. E a primeira ação de Kidd como agente de Ursula foi conseguir que The Left Hand of Darkness fosse publicado pela Ace Books tanto na versão convencional (de capa "mole", mais barata e na qual todos as obras anteriores haviam sido exclusivamente publicadas) quanto na versão especial (de capa "dura", mais cara), tendo sido o primeiro trabalho de Le Guin a ser lançado nesse formato (considerado de alta linha no mercado editorial americano).

A autora, contudo, não acreditava no sucesso comercial ou de crítica de The Left Hand of Darkness, mas a confiança tanto de Virginia Kidd quanto de Terry Carr na obra a ajudaram a acreditar mais no livro. Sobre isso, ela disse, em 2017: "Eu realmente estava preocupada com o julgamento deles. Left Hand parecia para mim um fracasso natural. Seu estilo não é o jornalístico, então padrão na literatura de ficção científica, sua estrutura é complexa, se desenrola lentamente, e se todos são chamados de "ele", nem todos são homens. Essa é uma grande dose de dificuldades, heresia e ousadia para um romance de gênero de uma ninguém em 1968". O receio de Le Guin era que nem a crítica ou o público compreendessem sua proposta para a história, e sua abordagem da questão de gênero, então um movimento que iniciava-se, e apenas em ambientes acadêmicos. Na época, o próprio direcionamento político que a história tomava refletia as convicções pessoais da autora acerca do movimento feminista e sua oposição a Guerra do Vietnã e a proliferação de armas nucleares.

The Left Hand of Darkness foi lançado pela Ace Books nos Estados Unidos em março de 1969.[65] Logo em suas primeiras edições, a obra teve grande repercussão, atraindo críticas diversas e chamando a atenção do público de um modo de nenhuma obra anterior da autora havia conseguido. Na época, primeiro nos Estados Unidos, na esteira do movimento New Wave, especialmente entre o público jovem, The Left Hand of Darkness teve grande aceitação no seio da contracultura, então em grande evidência, e do movimento hippie. A obra, e sua abordagem do alienígena e de viagens interplanetárias, típicas no gênero da ficção científica, casava também com a época de sua publicação, com a Corrida Espacial EUA-União Soviética, e a chegada do homem a Lua naquele mesmo ano.

Entre a crítica, especializada ou não, The Left Hand of Darkness também destacou-se. A maioria dos críticos especializados elogiou o livro[28] por sua profundidade e pela inserção do tema do gênero de um modo tido como inovador para a época. Alguns, inclusive, compararam a obra a Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), de Mary Shelley (1797-1851).[32] Fora do campo da crítica literária, o livro também foi bastante bem recebido por acadêmicos e ativistas da questão de gênero. No entanto, parte da crítica especializada chamou a atenção para a escolha da autora em tratar todos os personagens andrógenos, independente do gênero que assumem, pelo pronome pessoal masculino "ele". Em resposta, na ocasião da publicação de "Winter's King", conto ambientado no universo de Left Hand of Darkness, lançado na revista Orbit em setembro de 1969, poucos meses após o livro propriamente dito, a autora escolheu utilizar o pronome pessoal feminino "ela" para se referir à seus personagens. Além disso, Le Guin ainda escreveria um ensaio, "Is Gender Necessary?", de 1976,[75] discutindo acerca do tema.

Refletindo o sucesso entre a crítica e setores estratégicos do público leitor, The Left Hand of Darkness entre para a lista dos mais vendidos do The New York Times, apenas o segundo trabalho da autora a figurar na lista, depois de A Wizard of Earthsea, e na mais alta posição que Ursula conseguiria até a publicação de The Dispossessed, em 1974. Só até o final de 1970, a obra venderia aproximadamente trinta mil cópias apenas nos Estados Unidos, encabeçando a lista dos títulos de ficção científica mais vendidos do país por vários meses e tornando Le Guin, à época, a escritora que mais tempo permaneceu na lista. A consagração de The Left Hand of Darkness, no entanto, viria, ao longo de 1970, com a indicação para os dois mais prestigiados prêmios da literatura de ficção científica, e a posterior premiação. O Hugo Award de Melhor Romance, desbancou na ocasião Slaughterhouse-Five, de Kurt Vonnegut (1922-2007) e Up the Line, de Robert Silverberg (1935-), e o Nebula Award da Science Fiction Writers of America.[31][76][32] O sucesso da obra gerou ainda uma explosão pela procura de títulos anteriores da autora, com a Ace Books tendo que reeditar Rocannon's World, Planet of Exile e City of Illusions para atender a demanda por mais histórias de ficção científica da autora. Na Grã-Bretanha, em que a obra foi publicada em 1970 pela editora Walker & Co. já na versão capa "dura", o primeiro livro da autora publicado no exterior, os três títulos originais só foram lançados depois, entre 1972 e 1973.

Com o sucesso de The Left Hand of Darkness, esperou-se que a autora desse seguimento ao Ciclo Hainish e lançasse mais uma romance em seu universo de ficção científica. Le Guin, no entanto, não queria seguir por esse caminho. Ela continuou a lançar contos ocasionais dentro do Ciclo Hainish, caso de "Vaster than Empires and More Slow", publicada em agosto de 1971 na coletânea New Dimensions 1, "The Ones Who Walk Away from Omelas", lançada em New Dimensions III em julho de 1973.

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

The Tombs of Atuan[editar | editar código-fonte]

Contudo, no período do início dos anos 1970, Le Guin dedicou-se mais seriamente a escrever uma continuação para A Wizard of Earthsea, The Tombs of Atuan, que não planejara em um primeiro momento, mas que acabou sentindo a necessidade de escrever. Na época, devido a problemas internos, a Parnassus Press não pode comprar os direitos para a publicação dessa sequência. A autora então os vendeu para a Atheneum Books de Nova York, que acabou comprando os direitos para o volume seguinte do Earthsea Cycle, The Farthest Shore e que ao lado dos volumes anteriores, formaria a trilogia original da série. Contudo, antes de sua publicação integral pela Atheneum Books, uma parte do manuscrito de The Tombs of Atuan foi lançado na edição de inverno da revista Worlds of Fantasy de 1970,[65] em dezembro daquele ano. Quando a obra foi publicada completa pela Atheneum Books em fevereiro de 1971,[77] teve um desempenho ainda melhor que A Wizard of Earthsea, atraindo ainda mais atenção do público e da crítica do que o volume anterior. O livro recebeu no ano de seu lançamento um volume muito maior de resenhas da crítica especializada e atingiu posições melhores na dos mais vendidos do mercado norte-americano que A Wizard of Earthsea. Com o sucesso nos Estados Unidos e Canadá, a Penguin Books comprou os direitos e publicou The Tombs of Atuan na Grã-Bretanha no final de 1971, apenas alguns meses depois de lançar no país A Wizard of Earthsea. O sucesso da obra também se refletiu ao receber o Newbery Honor Book de 1972, da Association for Library Service to Children, uma divisão da American Library Association.

The Lathe of Heaven[editar | editar código-fonte]

Ainda no início de 1971, Ursula voltou ao gênero da ficção científica, embora em uma obra sem ligação com o Ciclo Hainish, se aproximando mais do subgênero da ficção distópica seguindo a tradição de clássicos como Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley (1894-1963) e 1984 de George Orwell (1903-1950). À exemplo de The Tombs of Atuan, a obra foi lançada inicialmente em formato de fascículo nas edições de março e maio da revista Amazing Science Fiction, embora integralmente. A versão reunida em formato de romance de The Lathe of Heaven foi publicada pela Avon Books no verão de 1971. A obra foi um sucesso comercial mediano no ano de seu lançamento, mas continuou a ter bom desempenho nas vendas ao longo de todos os anos 1970. The Lathe of Heaven ganhou o Locus Award de Melhor Romance em 1972, o primeiro prêmio Locus da carreira da autora, e foi indicado tanto para o Nebula ainda em 1971 e para o Hugo de 1972. Embora a obra não tenha ganho nenhum deles, as indicações fizeram de Le Guin a primeira autora mulher a ser indicada duas vezes pelo mesmo trabalho para cada um dos prêmios, os dois mais prestigiados do meio e apenas o terceiro nome da literatura de ficção científica a conseguir tal distinção.

Em 1972 a autora retornaria tanto ao universo de Terramar quanto ao do Ciclo Hainish. Em março daquele ano ela publicaria a novela (conto estendido) The Word for World Is Forest, presente na antologia Again, Dangerous Visions ao lado de autores como Joanna Russ (1937-2011), Gene Wolfe, Ray Bradbury e Kurt Vonnegut, editada por Harlan Ellison e lançada em edição limitada pela Doubleday. Então, a novela foi a mais extensa narrativa dentro do universo do Ciclo Hainish lançada desde The Left Hand of Darkness. O trabalho seria indicado e ganharia o Hugo Award de Melhor Novela em 1973. E em outubro, ela lançaria, também pela Atheneum Books, o terceiro volume da série, The Farthest Shore que na época havia sido divulgado como o último da saga, uma trilogia. Diferentemente de The Tombs of Atuan que só foi planejado e escrito após a publicação de A Wizard of Earthsea, Ursula já havia definido os principais pontos que pretendia abordar em The Farthest Shore quando ela ainda estava finalizando o manuscrito de The Tombs of Atuan. O livro se tornaria um sucesso menor que o seu volume anterior mas entraria para a lista dos mais vendidos já em seu ano de lançamento e em 1973 ganharia o National Book Award de Melhor Livro Infanto-Juvenil da National Book Foundation dos Estados Unidos.

The Dispossessed[editar | editar código-fonte]

Em 1974, Le Guin publicou o romance seguinte do Ciclo Hainish, continuação não diretamente relacionada a The Left Hand of Darkness. The Dispossessed, originalmente lançado como The Dispossessed: An Ambiguous Utopia (em referência ao título traduzido para o inglês The Possessed, da obra Demons de Dostoevsky), rapidamente firmou-se como o mais êxito da carreira da autora, ao lado de The Left Hand, tanto em termos de público e crítica. E, assim como The Left Hand havia ecoado muito dos temas em voga da sociedade norte-americana quando lançado, The Dispossessed conversava profundamente com os Estados Unidos dos anos 1970 e o contexto da Guerra do Vietnã, do escândalo do Caso Watergate e da maciça crise econômica gerada pelo Primeiro Choque do Petróleo. De acordo com o que revelou a autora para o prefácio da nova edição da Library of America da obra em 2017: "The Dispossessed começou como um conto horrível, que eu não terminava mas que também não conseguia ignorar. Tinha um livro ali (em vez de um conto), sabia disso, mas o livro teve que esperar para que eu aprendesse como o que eu estava escrevendo e como escrever sobre isso. Eu precisei entender minha apaixonada oposição a guerra que nós parecíamos, interminavelmente, travando no Vietnã e protestando eternamente em casa. Se eu soubesse que meu país (os EUA) continuaria a travar guerras sangrentas para o resto da minha vida, eu talvez tivesse para protestar naquela época. (...) Então, quando eu percebi que ninguém havia escrito ainda um livro sobre utopia anárquica, eu finalmente comecei a ver meu livro poderia ser. (...)" Ela já havia abordado o tema da utopia com a cidade utópica de Omelas no conto "The Ones Who Walk Away from Omelas", pelo qual foi indicada para o Locus Award por Melhor Conto em 1974[78] e ganhou o Hugo Award por Melhor Conto no mesmo ano.[79]

Publicada nos Estados Unidos pela primeira vez em julho de 1974 pela editora Harper & Row e abordando temas como anarquismo, utopia e feminismo, a obra atingiu o topo da lista dos livros de ficção mais vendidos do país no ano de seu lançamento, e a mais alta posição na lista dos best-sellers do The New York Times alcançada por um trabalho de Le Guin ao longo de sua carreira. The Dispossessed igualaria o número de exemplares vendidos de The Left Hand of Darkness dentro do mercado norte-americano, e até 1979 seria traduzido e publicado em países como França, Suécia, Itália e Países Baixos, fazendo da obra, na época, o maior sucesso internacional da autora.

Entre a crítica especializada, The Dispossessed obteve êxito ainda maior que The Left Hand of Darkness. A obra foi elogiada pelos mais diferentes críticos literários, tanto nos Estados Unidos quanto no exterior, conforme a obra foi sendo publicada, especialmente na Europa. Ainda em seu ano de lançamento, ganhou Nebula Award de 1974, e no ano seguinte, o Hugo e o Locus Award de Melhor Romance, além de ter sido finalista do John W. Campbell Memorial Award no mesmo período. Ainda em 1974, Ursula ganharia outro Nebula Award, de Melhor Conto, para "The Day Before the Revolution", definido pela própria autora como um prólogo para The Dispossessed, e lançada na revista Galaxy de agosto daquele ano. Na época, a autora foi o primeiro nome da literatura de ficção científica a ganhar dois Nebula Awards em duas categorias diferentes no mesmo ano.

Em oposição a primeira metade dos anos 1970, a segunda metade da década foi menos produtiva para a carreira da autora. Na época, Ursula dedicou-se a edição de coletâneas de suas poesias e de vários de seus contos publicados separadamente ao longo dos anos e a produção de obras relativamente curtas, contos em sua maioria, de ficção não fantástica e não ficção. Em 1975, publicou tanto Wild Angels, que reunia todas as suas poesias publicadas entre os anos 1950 e 1960, e The Wind's Twelve Quarters, que reunia vários de seus contos dos anos 1960 de ficção científica e fantasia, incluindo "The Word of Unbinding" e "The Rule of Names", que deram origem ao universo de Terramar, pela primeira vez publicados juntos. E, em 1976, lançou Orsinian Tales, que reunia contos de seu país fictício, Orsinia. Alguns de seus trabalhos de ficção de maior destaque do período incluem The Eye of the Heron (1978) e Malafrena (1979), esse último também se passando no universo de Orsinia. Ela também publicaria alguns de seus principais trabalhos de literatura infantil.

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Ao longo dos anos 1980, Le Guin publicaria pouco de sua ficção científica e fantástica, incluindo literatura infantil e infanto-juvenil. Seu primeiro romance de ficção fantástica desde The Farthest Shore, The Beginning Place, foi lançado em 1980 pela editora Harper & Row, e a série de livros infantis Catwings, cujos primeiros volumes saíram em 1988, pela Orchard/Atheneum Books. Contudo, seu romance de maior destaque na década foi a ficção não fantástica Always Coming Home, lançado em 1985 pela Harper & Row, em que a autora lança mão de muito de sua bagagem antropológica para descrever a vida e a sociedade da etnia indígena fictícia Kesh, ambientada por Ursula no norte da Califórnia (mesma região aonde seu pai trabalhou com o estudo de etnias nativo-americanas reais no início do século XX). A autora ainda publicaria contos situados nesse ambiente ficcional, "The Trouble with the Cotton People" e "The Visionary" e lançada em coletâneas especificas em 1984.

Década de 1990[editar | editar código-fonte]

Se nos anos 1980 a carreira de Le Guin havia se distanciado de seus universos tradicionais de ficção científica e fantasia, os anos 1990 foram marcados por seu retorno a suas duas séries mais famosas dentro do gênero. Em 1990, atendendo aos apelos que ouvia de fãs da série Terramar dentro e fora dos Estados Unidos desde os anos 1970, Ursula lançou, pela Atheneum Books, um quarto volume para a saga, Tehanu — o primeiro romance inédito da autora dentro do universo de Terramar em dezoito anos, desde The Farthest Shore em 1972. Cronologicamente, Tehanu se passa entre The Tombs of Atuan e The Farthest Shore, os volumes dois e três da trilogia original. A partir da publicação de Tehanu, a série literária até então denominada The Earthsea Trilogy ("Trilogia Terramar") passou a se chamar The Earthsea Cycle ("Ciclo Terramar"). A obra já estrou entre os mais vendidos do mercado norte-americano, e até 1993, havia sido traduzido para idiomas como holandês, sueco, alemão e francês. Tehanu também foi elogiado pela crítica especializada na época, e foi vencedor do Nebula Award de Melhor Romance em 1990[80][81] e do Locus Award de Melhor Romance de Fantasia em 1991.[82] Depois de Tehanu, Ursula revisitou também do universo de Ciclo Hainish publicando, ainda em 1990, a novela "The Shobies' Story", o primeiro trabalho da autora dentro da série lançado desde "The Day Before the Revolution", de 1974. O conto foi indicado ao Nebula Award de Melhor Novela em 1991[83]

Pelos anos restantes da década de 1990, Le Guin publicaria contos em diferentes gêneros, incluindo uma série de trabalhos dentro do Ciclo Hainish, além de livros e livretos infantis ocasionais. Entre esses contos de ficção científica, parte do Ciclo Hainish, estão "The Matter of Seggri", de 1994, publicado pela primeira vez na antologia Crank!, "Coming of Age in Karhide", lançado na antologia New Legends, de 1995, e "Old Music and the Slave Women", publicado na coletânea Far Horizons, de 1996. Além destes, Ursula também publicou cinco contos — "Betrayals", "Forgiveness Day", "A Man of the People", "A Woman's Liberation" e "Old Music and the Slave Women" — na coletânea do Ciclo Hainish Four Ways to Forgiveness, lançada pela editora HarperCollins em 1995.

Em 1998, quase uma década depois de Tehanu, Le Guin retornou ao universo de Terramar com a novela "Dragonfly", publicado na antologia Legends: Short Novels by the Masters of Modern Fantasy, publicado pela Tor Books, ao lado de novelas de Stephen King para A Torre Negra, Robert Jordan para A Roda do Tempo e George R. R. Martin para As Crônicas de Gelo e Fogo. Em 1999, ela prosseguiria com novos trabalhos dentro da série, com a publicação do conto "Darkrose and Diamond", pela revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction.

Década de 2000 e últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Le Guin lançou o primeiro romance dentro do Ciclo Hainish desde The Dispossessed, em 1974 e seu primeiro romance desde Tehanu, de 1990. The Telling foi publicado nos Estados Unidos pela editora Harcourt, e foi vencedor do Locus Award de Melhor Romance, em 2001.[84] Em 2001, também pela Harcourt, a autora lançou a coletânea Tales from Earthsea, incluindo três contos inéditos, "The Finder", "The Bones of the Earth" e "On the High Marsh", além de "Dragonfly" e "Darkrose and Diamond". A coletânea venceu o Locus Award de Melhor Coletânea em 2002.[85] No mesmo ano, Ursula ainda publicou, pela Harcourt, The Other Wind, romance que dá sequência tanto a Tehanu e a novela "Dragonfly". O romance entrou para a lista dos mais vendidos do The New York Times e recebeu uma série de indicações[86] e vencendo, entre outros, o World Fantasy Award de Melhor Romance.

Até 2004, a autora lançaria apenas alguns contos inéditos, incluindo, dentro do Ciclo Hainish, "Paradises Lost", na coletânea The Birthday of the World: and Other Stories, de 2002, que republicou também contos da série lançados originalmente nos anos 1990. Outra coletânea de contos publicados anteriormente dentro do Ciclo Hainish, Changing Planes, lançada em 2003. Em 2004, Ursula publicou seu primeiro romance desde The Other Wind, Gifts, primeiro volume da série Annals of the Western Shore, dando início a sua primeira série literária inédita de ficção especulativa desde os anos 1980. Os demais volumes incluiriam Voices, de 2006, e Powers, de 2007.

Finalmente em 2008, Ursula lançou seu último romance em vida, Lavinia, pela Harcourt Books. A obra, que venceu o Locus Award de Melhor Novela em 2009, foi baseado na vida da personagem homônima do poema épico Eneida, de Vigílio. Até seu falecimento, em 2018, a autora ainda trabalharia na edição de coletâneas de vários de seus poemas e publicaria, em formato digital, The Daughter of Odren, um conto da série Terramar. Seu último trabalho publicado foi a coletânea Orsinia, lançado em setembro de 2017.

Temas e influências[editar | editar código-fonte]

Temas[editar | editar código-fonte]

O taijitu, que representa a dualidade do yin-yang, e é o símbolo máximo do taoísmo, filosofia que influenciou grandemente a obra da autora

Por toda sua carreira, Ursula K. Le Guin destacou-se pela versatilidade e a profundidade com as quais abordou temas de cunho social, cultural, político, pscicológico e filosófico para encaixá-los em suas obras de ficção especulativa, especialmente ficção científica e fantasia. Um dos principais expoentes do movimento new wave dentro da ficção científica durante os anos 1960 e 1970, Le Guin soube unir elementos clássicos tanto da literatura de ficção científica — incluindo viagens pelo espaço sideral e raças alienígenas — quanto da literatura de fantasia — como magos e dragões — a aspectos da antropologia, da sociologia, da ciência política e da psicologia. Em muitos casos de modo pioneiro, adiantando tendências sócio-políticas ou ajudando a disseminar concepções que até então permaneciam restritas ao âmbito acadêmico. Aliado a isso, sua obra sempre foi marcada pela criatividade e originalidade, e pela subversão de clichês dos gêneros ficcionais e na fomentação de questionamentos que os levavam a novos patamares de profundidade e diversidade. Como a própria autora afirmou em uma convenção com fãs em Melbourne, na Austrália, em 1975: "Eu quero ver a ficção científica atravessar suas velhas muralhas e seguir direto para as próximas e derrubá-las, também".[87] Não obstante, por toda sua carreira profissional, especialmente após os lançamentos das obras The Left Hand of Darkness (1969) e The Dispossessed (1974), Ursula teve seu trabalho rotulado pela crítica como "ficção científica soft", em oposição a ficção científica hard, tradicional e que consagrou o gênero entre os anos 1940 e 1950.[88] A autora, em vida, contudo, continuadamente rejeitou a classificação, afirmando que esta restringia os limites da própria ficção científica e da literatura de ficção em geral.[62] Segundo a crítica literária Elizabeth McDowell, em artigo de 1992, "embora muitos dos trabalhos de Le Guin sejam exercícios da imaginação fantástica, eles são igualmente exercícios da imaginação política."[89]

Muito de sua obra, como a crítica especializada nota desde os anos 1960, é em muito marcada pela experimentação. E, diferentemente dos escritores de ficção científica tradicional, ou hard, que se baseiam primariamente em fatos científicos (da matemática, da física e da química), para comporem aspectos de seus trabalhos, Le Guin destacou-se por priorizar nuances da ciência social que, embora utilizados para retratarem culturas e sociedades alienígenas, refletiam características diversas da cultura e da sociedade humana. A maioria de seus personagens, ainda que alienígenas ou inseridos em contextos fantásticos, são negros ou notadamente pertencem a etnias que não a caucasiana, lugar praticamente obrigatório na literatura de ficção científica norte-americana tradicional. Além disso, muito das sociedades que criou para sua ficção são fies à suas próprias convicções pessoais, assumindo características do anarquismo ou da utopia, e em muitos casos, trazendo fundamentos da ecologia e preceitos da filosofia taoísta, a qual seguia.[90][91] Le Guin sempre declarou encarar o taoísmo e a anarquia como expressões muito próximas em essência, dizendo: "O taoísmo e o anarquismo se encaixam de maneiras muito interessantes e eu sou taoísta desde que aprendi o que (o Taoísmo) era".[92]

Ademais, muitas de suas histórias refletiam também suas visões feministas,[93][94] em muitos casos desafiando o papel do homem como centro da ficção,[95] e pacificista,[96][97][98] rotulando a guerra como "metáfora moral limitada, limitante e perigosa", condenando a banalização de conflitos armados na literatura fantástica e em mídias de entretenimento. E, para retratar a interação entre essas culturas ou quaisquer outras, Le Guin sempre utilizou-se igualmente de sua bagagem pessoal, por ser filha do casal de influentes antropólogos Alfred Kroeber e Theodora Kracaw e por ter crescido em um ambiente de farta confluência cultural. Não obstante, muito do trabalho de Ursula foi composto intrinsecamente calcado na representação fictícia do método etnográfico para retratar culturas e civilizações alienígenas ou inseridas em mundos fantásticos.

Influências[editar | editar código-fonte]

J. R. R. Tolkien (esquerda) e Rudyard Kipling (direita) dois dos autores que influenciaram a obra de Ursula K. Le Guin

A respeito de suas influências literárias, Le Guin sempre apontou carinhosamente os autores de alguns dos livros que lia na infância como fortes influências, incluindo Rudyard Kipling (1865-1936),[99][100] de O Livro da Selva e Lewis Carroll (1832-1898),[101] de Alice no País das Maravilhas. Segundo a autora, ao longo de sua adolescência e início de sua idade adulta, entre os anos 1940 e 1950, sua escrita foi continuadamente influenciada por romancistas clássicos do século XIX, que descobriu tanto espontaneamente quanto por incentivo de seus familiares e amigos, incluindo Liev Tolstói (1828-1910),[102] Charles Dickens (1812-1870),[103] Jane Austen (1775-1817),[104] Mary Shelley (1797-1851) e as irmãs Brontë.[105] Nesse mesmo período, ela e seu trabalho também foram influenciados por autores modernos da primeira metade do século XX, entre os quais Virginia Woolf (1882-1941),[106] Mervyn Peake (1911-1968),[102] Lorde Dunsany (1878-1957)[107] e J. R. R. Tolkien (1892-1973).[108][109][102] Ademais, autores da antiguidade clássica ocidental, incluindo Virgílio e clássicos da literatura oriental, incluindo Lao Zi, também influenciaram Le Guin ao longo de toda sua carreira. Lao Zi, e todo o expoente da tradição taoísta, foram especialmente importantes tanto para a carreira da autora quanto para sua vida pessoal, na medida em que adotou, a partir da metade dos anos 1960, o taoísmo como filosofia pessoal.

Como uma escritora iniciante não-publicada nos Estados Unidos entre os anos 1940 e 1960, Ursula também foi diretamente influenciada por grandes nomes da ficção científica clássica, em seu auge no período, da qual foi leitora árdua em sua juventude, incluindo Isaac Asimov (1920-1992), Philip K. Dick (1928-1982), Theodore Sturgeon (1918-1985) e Cordwainer Smith (1913-1966). Ela também foi influenciada por autores de literatura fantástica período além de Tolkien, entre os quais, Poul Anderson (1926-2001) e Eric Rücker Eddison (1882-1945).

Sobre suas influências literárias, ela afirmou: "Depois que aprendi a ler, li tudo. Eu li todas as fantasias famosas, Alice no País das Maravilhas, O Vento nos Salgueiros e Kipling. Eu adorava O Livro da Selva de Kipling. E então, quando fiquei mais velho, encontrei Lorde Dunsany. Ele abriu um novo mundo: o mundo da pura fantasia. E... Worm Ouroboros. Mais uma vez, pura fantasia. Muito, muito estimulante. E então meu irmão e eu descobrimos a ficção científica quando eu tinha 11 ou 12 anos. Primeiramente Asimov, coisas assim. Mas isso não teve muito efeito em mim. E não até que voltasse a ficção científica e descobrisse Sturgeon, mas particularmente Cordwainer Smith... Eu li a história "Alpha Ralpha Boulevard" (de Smith), e isso me fez pensar: "Uau! Essa história é tão linda, e tão estranha, e eu quero fazer algo assim." A partir dos anos 2000, a autora revelou continuadamente sua admiração pela obra do escritor português e Prémio Nobel de Literatura José Saramago (1922-2010),[110][111][112][111][113] e o impacto que esta teve em sua literatura e visão acerca do ofício de escrever. Le Guin, inclusive, resenhou muitos de seus livros, e citou Saramago em muitas entrevistas e convenções literárias.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

O primeiro trabalho de Ursula K. Le Guin adaptado para outra mídia foi a distopia The Lathe of Heaven (1971), no telefilme de 1980 produzido e exibido pelo canal de TV americano PBS. O longa foi dirigido por David Loxton e Fred Barzyk, que já haviam trabalhado na adaptação da obra de Kurt Vonnegut para o telefilme Between Time and Timbuktu de 1972 e tinha Bruce Davison no papel principal de George Orr, Kevin Conway como Dr. William Haber e Margaret Avery como Heather. The Lathe of Heaven contou, à epoca, com um orçamento de 250 mil dólares e foi exibido pela primeira vez em janeiro de 1980. A produção teve, inclusive, uma rápida aparição da própria Le Guin, que acompanhou as filmagens, como figurante em uma cena ao lado de seu marido, Charles e do filho, Theodore.

Em 1977, Ursula vendeu os direitos de adaptação televisiva de The Lathe of Heaven para a rede de televisão americana PBS. Para a adaptação, entre 1977 e 1979, a autora se envolveria pela primeira vez em sua carreira na produção de roteiros para a televisão. Na época, a principal exigência de Le Guin para a assinatura do contrato foi que o roteiro que adaptava sua obra fosse de sua própria autoria. Para o projeto, a PBS escalou os diretores David Loxton e Fred Barzyk, que haviam trabalhado no telefilme de 1972 Between Time and Timbuktu, baseado na obra de Kurt Vonnegut (1922-2007). Ursula viajou em 1979 para o Texas para acompanhar as gravações, que ocorreram durante o terceiro trimestre em estúdios nas cidades de Dallas e Fort Worth,[40] com um orçamento total de 250.000 dólares.

Em seguida, no início dos anos 1980, o diretor japonês Hayao Miyazaki tentou comprar os direitos junto da agente de Le Guin para a adaptação em formato de anime de A Wizard of Earthsea, lançado com grande sucesso no Japão nos anos 1970. A autora, no entanto, declinou a oferta, especialmente por não estar familiarizada com o formato e por não poder viajar para o Japão para acompanhar a produção do longa. Le Guin e Miyazaki, contudo, continuaram a manter contato e a autora acompanhou, dos EUA, a produção de Tonari no Totoro, e elogiou fortemente a animação, quando lançada em 1988.

Em 1987, seu romance bestseller The Dispossessed foi adaptado em uma série de seis episódios de trinta minutos cada pela primeira vez pela emissora de rádio norte-americana CBC para o especial Vanishing Point.[114] Em 1990, a emissora voltou a adaptar o trabalho de Le Guin, levando The Word for World Is Forest numa série de três episódios de trinta minutos cada.[115]

Em 1995, pela primeira vez a obra de Le Guin foi adaptada para o teatro em uma grande produção, quando o Lifeline Theatre, de Chicago, nos Estados Unidos, adaptou The Left Hand of Darkness. O crítico do Chicago Reader, Jack Helbig, afirmou, à época: "adaptação é inteligente e bem trabalhada, mas em última análise insatisfatória". De fato, a maioria das críticas realçaram a dificuldade de adaptar um livro de mais de trezentas páginas para uma peça de duas horas de duração.[116]

Em 2004, o canal Sci-Fi dos Estados Unidos conseguiu, junto da editora original de Le Guin (embora em oposição à opinião da mesma), os direitos para a adaptação dos dois primeiros volumes da série Terramar, A Wizard of Earthsea e The Tombs of Atuan. Legend of Earthsea, dirigido por Robert Lieberman e contando com Shawn Ashmore no papel de Ged e Kristin Kreuk como Tenar, foi lançado em dezembro daquele ano em dois episódios de oitanta e seis minutos cada. Na época, contudo, Le Guin não escondeu sua insatisfação com a adaptação. Em um texto intitulado A Whitewashed Earthsea: How the Sci Fi Channel wrecked my books ela a criticou abertamente, chamando-a de "muito longe da Earthsea (Terramar) que eu vislumbrei". Ela também criticou a escolha de atores brancos, especialmente Ashmore e Kreuk para os papéis centrais de personagens não-caucasianos, e também criticou o fato do canal Sci-Fi tê-la excluído da produção.[117]

Finalmente em 2006, a animação pelo Estúdio Ghibli baseado na série Terramar (Earthsea) foi lançado, embora originalmente apenas no Japão (nos EUA, o filme só foi lançado em 2010). Tales from Earthsea, como foi intitulado em inglês, ou Gedo Senki (ゲド戦記), no original em japonês, adaptou os livros da Ciclo Terramar, principalmente The Farthest Shore e Tehanu. O roteiro também incorporava elementos da história de The Journey of Shuna, um mangá de Hayao Miyazaki de 1983. Por motivos pessoais, Hayao Miyazaki não pode dirigir ou produzir o filme, e a direção ficou a cargo do filho de Miyazaki, Gorō Miyazaki. Teve um orçamento de vinte e dois milhões de dólares, e arrecadou aproximadamente de sessenta e oito milhões de dólares internacionalmente,[118] principalmente no Japão, aonde o longo fez muito sucesso e ficou no primeiro lugar entre os filmes mais vistos nos cinemas do país,[119] e uma adaptação em mangá também foi lançada. Na época, no entanto, à exemplo de Legend of Earthsea, Ursula criticou o filme, lamentando que a história de seus livros tenha sido "inteiramente alterada", como escreveu em seu site pouco depois do lançamento do filme, em um texto intitulado Gedo Senki: First Response.[120] Embora tenha gostado da estética do filme, e o tenha considerado um bom filme quando analisado isoladamente, ela afirmou, dirigindo-se ao diretor Gorō Miyazaki: "este não é o meu livro. É o seu filme. E é um bom filme".[120]

Em 2012, o compositor norte-americano Stephen Andrew Taylor e a libretista canadense Marcia Johnson adaptaram a novela de Le Guin, "Paradises Lost", publicada originalmente em 2002 na coletânea The Birthday of the World para uma ópera. Sua estreia ocorreu em abril daquele ano, na Krannert Center for the Performing Arts do campus da Universidade de Illinois, em Urbana, nos Estados Unidos.[121] Já no ano seguinte, a Portland Playhouse, de Portland, no Oregon, EUA, produziu uma adaptação de The Left Hand of Darkness, dirigida por Jonathan Walters e adaptada por Walters e John Schmor. A produção, que contou com a supervisão pessoal de Le Guin, estreou em maio daquele ano no Hand2Mouth Theatre.[122]

No início de 2017, Ursula envolveu-se novamente com a supervisão de uma adaptação de The Left Hand of Darkness, na ocasião para o desenvolvimento de uma minisérie de televisão pela produtora Critical Content.[123] Ainda em 2017, o compositor canadense John Plant compôs uma sonata inspirada na série Terramar.[124] Plant enviou uma cópia do trabalho para a apreciação de Le Guin, que algum tempo depois enviou, em resposta, uma mensagem de agradecimento, elogiando a composição. A mensagem foi enviada por correio em 17 de janeiro de 2018, menos de uma semana antes de seu falecimento.[125]

Premiações[editar | editar código-fonte]

A carreira de Ursula K. Le Guin está entre as mais premiadas da história da literatura popular de ficção, dentro e fora dos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira profissional de mais de cinquenta anos, a autora recebeu diversos dos mais renomados prêmios da literatura ficcional, nos Estados Unidos e internacionalmente, além de condecorações variadas por títulos específicos e prêmios pela totalidade sua obra e contribuição para a literatura.

Seu primeiro grande prêmio foi o Horn Book para Melhor Livro Infanto-juvenil do jornal norte-americano Boston Globe[126] por A Wizard of Earthsea, em 1968. Na época, a premiação ajudou a divulgar a obra, e contribuiu diretamente para seu sucesso dentro dos EUA. O primeiro best-seller de sua carreira, The Left Hand of Darkness, de 1969, também marcou a primeira vez em que Le Guin foi indicada e venceu alguns dos mais cobiçados prêmios da literatura ficcional. Pela obra, ela ganhou tanto o Nebula Award quanto o Hugo Award de Melhor Romance de 1969,[126] fazendo da autora o primeiro nome da literatura de ficção científica a ganhar os dois prêmios pelo mesmo trabalho no mesmo ano.

Por The Tombs of Atuan, sequência de A Wizard of Earthsea, Ursula foi indicada e venceu o Newbery Silver Medal Award de 1972,[126] e por The Farthest Shore, terceiro livro da trilogia original de Terramar, o National Book Award de Melhor Livro Infantil,[126] também em 1972. Em 1973, por The Lathe of Heaven, Ursula venceu o Locus Award de Melhor Romance.[126]

Pelos trabalhos no Ciclo Hainish durante os anos 1970, entre romances, contos e novelas, Le Guin recebeu diversos prêmios: o Hugo Award de Melhor Novela de 1973 por The Word for World is Forest,[126] o Hugo Award de Melhor Conto por "The Ones Who Walk Away from Omelas", e em 1975 tanto o Nebula Award quanto o Jupiter Award de Melhor Conto para "The Day Before the Revolution". The Dispossessed, seu maior best-seller desde The Left Hand of Darkness, a autora voltou a ganhar tanto o Hugo Award quanto o Nebula Award de Melhor Romance, em 1975.[126]

Em 1979, Le Guin ganhou seu primeiro prêmio por conjunto da obra, o Gandalf Award de Grand Master of Fantasy.[126] No mesmo ano, a autora recebeu o Lewis Carroll Shelf Award, um dos mais cobiçados prêmios da literatura infanto-juvenil na Inglaterra, em homenagem ao aniversário de uma década do lançamento de A Wizard of Earthesa. Em 1983, a autora ganharia também seu primeiro Locus Award por Melhor Coletânea por The Compass Rose (1982).

Em 1990, por Tehanu, obra que marcou o retorno da autora ao universo de Terramar desde The Farthest Shore, Ursula ganhou o Nebula Award de Melhor Romance.[126] Pelo conto "Forgiveness Day", presente na coletânea Four Ways to Forgiveness, parte do Ciclo Hainish, de 1995, ela ganhou o Asimov’s Readers Award, o Locus Readers Award e o Theodore Sturgeon Award, e por Four Ways to Forgiveness como um todo, o Locus Award de Melhor Coletânea de 1996. Por "Solitude", de 1994, outro dos contos do Ciclo Hainish publicado nos anos 1990, Le Guin recebeu o Nebula Award de Melhor Conto. Unlocking the Air and Other Stories, uma coletânea de contos de ficção, lançada nos EUA em 1996, foi indicado e ganhou Pulitzer Prize de 1997.

A partir do início dos anos 2000, Le Guin começou a receber uma variedade de prêmios pela totalidade de sua obra e contribuição para a literatura. Em 2000, foi homenageada tanto com o título "Living Legend" (Lenda Viva) na categoria "Writers and Artists" (Escritores e Artistas) conferida pela Biblioteca do Congresso do governo dos Estados Unidos,[127] quanto com o Robert Kirsch Lifetime Achievement Award, dado pelo jornal The Los Angeles Times, de Los Angeles, Califórnia.[126] Em 2001, ela também receberia o Lifetime Achievement Award pela Pacific Northwest Booksellers Association,[126][128] um grupo das principais editoras e livrarias do noroeste dos Estados Unidos, e no mesmo ano, por The Telling, primeiro romance da autora dentro do Ciclo Hainish desde The Dispossessed, venceu o Locus Award de Melhor Romance.

Em 2000, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos homenageou a autora, incluindo-a na lista de "Living Legend" (Lenda Viva) na categoria Writers and Artists por sua significativa contribuição a cultura estadunidense.[127]

Ursula voltaria a receber o Locus Award em 2002, vencendo em duas categorias pelos contos "The Finder" e "The Bones of the Earth", presentes na coletânea Tales from Earthsea.[126] No mesmo ano, ela receberia ainda o Lifetime Achievement Award da associação Willamette Writers e o PEN/Malamud Award, da PEN/Faulkner Foundation, por "excelência no campo do conto ficcional".[129]

Finalmente em 2003, a autora foi incluída como Grand Master da literatura norte-americana de ficção científica e fantasia, a mais alta condecoração da Science Fiction and Fantasy Writers of America (SFWA), um dos poucos nomes do gênero a recebe-lo, na época. E, em 2004, Le Guin foi homenageada tanto com o May Hill Arbuthnot Lecturer Award[130] de literatura infanto-juvenil quanto com o Margaret Edwards Award[131] de literatura jovem adulta, ambos pela American Library Association (ALA) dos EUA. A ALA afirmou sobre a autora, na época: "(Ursula K. Le Guin) inspirou quatro gerações de jovens adultos a lerem uma linguagem muito bem construída, visitar mundos de fantasia que os informam sobre suas próprias vidas e pensar sobre suas idéias que não são fáceis nem inconsequentes".[131]

Em 2006, Ursula também foi homenageada pela Washington Center for the Book, uma associação literária de Washington, D.C., nos EUA, que a reconheceu com o Maxine Cushing Gray Fellowship for Writers.[132] Powers, o terceiro volume da série de fantasia Annals of the Western Shore, a última série fantástica publicada pela autora, ganhou o Nebul Award de Melhor Romance Jovem Adulto em 2008.[133] Já no ano seguinte, Le Guin venceu o Locus Award de Melhor Romance e o Mythopoeic Award da Mythopoeic Society, por Lavinia, e o Oregon State Library, do estado do Oregon, incluiu o romance The Lathe of Heaven, a coletânea Searoad e os contos "The World Begins Here" e "The Ones Who Walk Away From Omelas" de Ursula no especial 150 Books for Oregon’s Sesquicentennial. Em 2010, Le Guin venceu o Locus Award de Melhor Coletânea por Cheek by Jowl, uma coletânea de ensaios e em 2012, o Eaton Lifetime Achievement Award, concedido pela Universidade da Califórnia de Riverside.

Já em setembro de 2014, em um encontro realizado em Nova York e apresentado por Neil Gaiman, a autora foi homenageada com a Medal for Distinguished Contribution to American Letters, uma medalha concedida pela National Book Foundation dos Estados Unidos[134][135] Em seu discurso, Le Guin afirmou que "Livros não são simples commodoties, e completou: "Eu tive uma longa e boa carreira como escritora, em boa companhia. Aqui no final, eu não quero assistir literatura americana ser vendida e ir rio abaixo. Nós, que vivemos escrevendo e publicando, queremos e devemos exigir nosso quinhão dos lucros; mas o nome da nossa bela recompensa não é lucrativo. Seu nome é liberdade"[136] Em fevereiro de 2017, ela foi eleita membro honorária da American Academy of Arts and Letters,[126] e no mesmo ano, ganhou o Hugo Award de Melhor Trabalho Relacionado pela coletânea de ensaios Words Are My Matter: Writings About Life and Books, 2000–2016, durante a cerimônia Worldcon75, em Helsínquia, na Finlândia.[126]

Bibliografia selecionada[editar | editar código-fonte]

Título (Original em inglês / traduções em português) Formato Editora original/meio original de publicação Ano do lançamento original Série literária
"Folksong from the Montayna Province" poema Prairie Poet (revista) 1959 Orsinia
"An die Musik" conto Western Humanities Review (revista) 1961 Orsinia
"April in Paris" conto Fantastic vol. 11 (revista) 1962
"The Masters" conto Fantastic vol. 12 1963
"Darkness Box" conto Fantastic vol. 12 1963
"The Word of Unbinding" conto Fantastic vol. 13 1964 Earthsea
"The Rule of Names" conto Fantastic vol. 13 1964 Earthsea
"Selection" conto Amazing Stories vol. 38 1964
"The Dowry of the Angyar" conto Amazing Stories vol. 38 1964 Hainish
Rocannon's World romance Ace Books 1966 Hainish
Planet of Exile romance Ace Books 1966 Hainish
City of Illusions romance Ace Books 1967 Hainish
A Wizard of Earthsea / O Mago de Terramar ou O Feiticeiro de Terramar ou O Feiticeiro e a Sombra romance Parnassus Press 1968 Earthsea
The Left Hand of Darkness / A Mão Esquerda da Escuridão romance Ace Books 1969 Hainish
"Winter's King" conto Orbit 5, G. P. Putnam's Sons 1969 Hainish
Nine Lives noveleta Playboy vol. 16 1969
"A Trip to the Head" conto Quark/1, Hachette Books 1970
"Things" conto Orbit 5, G. P. Putnam's Sons 1970
"The Good Trip" conto Fantastic vol. 19 1970
The Tombs of Atuan romance Atheneum Books 1971 Earthsea
"Vaster than Empires and More Slow" conto New Dimensions 1, Doubleday 1971 Hainish
The Lathe of Heaven romance Scribner's Books 1971 Hainish
The Farthest Shore romance Atheneum Books 1972 Earthsea
"The Word for World Is Forest" novela Again, Dangerous Visions, Doubleday 1972 Hainish
"Imaginary Countries" conto The Harvard Advocate 1972 Orsinia
"Dreams Must Explain Themselves" ensaio Algol vol. 21 1973
"The Ones Who Walk Away from Omelas" conto New Dimensions III, Doubleday 1973
From Elfland to Poughkeepsie coletânea de ensaios Pendragon Press 1973
"The Day Before the Revolution" conto Galaxy Science Fiction vol. 35 1974 Hainish
The Dispossessed: An Ambiguous Utopia / Os Despossuídos ou Os Despojados: Uma Utopia Ambígua romance 1974 Harper & Row Hainish
"Why Are Americans Afraid of Dragons?" ensaio Pacific Northwest Library Association Quarterly vol. 38 1974
The Wind's Twelve Quarters coletânea de contos Harper & Row 1975
"Ketterer on The Left Hand of Darkness" ensaio Science Fiction Studies vol. 2 1975
"American SF and The Other" ensaio Science Fiction Studies vol. 2 1975
Wild Angels coletânea de poemas Santa Barbara Press 1975
Orsinian Tales coletânea de contos Harper & Row 1975 Orsinia
Very Far Away from Anywhere Else romance Atheneum Books 1976
"The Diary of the Rose" conto Future Power, Ramdom House 1976
"Is Gender Necessary?" ensaio Aurora: Beyond Equality 1976
"Science Fiction and Mrs Brown" ensaio Science Fiction at Large 1976
"A Week in the Country" conto The Little Magazine vol. 9 1976 Orsinia
"Brothers and Sisters" conto The Little Magazine vol. 10 1976 Orsinia
"Ghost Story" conto Encore, Magazine of the Arts vol. 1 1977
"Gwilan's Harp" conto Redbook (revista) 1977
The Eye of the Heron romance Millennial Women, Delacorte Press 1978
"The First Report of the Shipwrecked Foreigner to the Kadanh of Derb" conto Antaeus, Ecco Press 1978
Malafrena romance Berkley Books 1978 Orsinia
"The Pathways of Desire" conto New Dimensions Science Fiction, Number 9, Harper & Row 1979
"Where Does Time Go?" conto Omni vol. 2 1979
"Two Delays on the Northern Line" conto The New Yorker (revista) 1979
The Language of the Night coletânea de ensaios G. P. Putnam's Sons 1979
The Beginning Place romance Harper & Row 1980
Hard Words and Other Poems coletânea de poemas Harper & Row 1981
The Adventure of Cobbler's Rune romance (infanto-juvenil) Cheap Street Press 1982
The Compass Rose coletânea de contos Harper & Row 1982
Solomon Leviathan's Nine Hundred and Thirty-First Trip Around the World romance (infanto-juvenil) Cheap Street Press 1983
"The Ascent of the North Face" conto Isaac Asimov's Space of Her Own, Davis Publications 1983
"The Trouble with the Cotton People" conto The Missouri Review vol. 7 1984 Kesh/Always Coming Home
"The Visionary" conto Parabola: Myth and the Quest for Meaning vol. 9 1984 Kesh/Always Coming Home
Always Coming Home romance Harper & Row 1984 Kesh/Always Coming Home
"Time in the Valley" conto The Hudson Review vol. 37 1985 Kesh/Always Coming Home
Buffalo Gals, and Other Animal Presences coletânea de poemas Santa Barbara Press 1987
Catwings romance (infanto-juvenil) 1988 Orchard Books Catwings
A Visit from Dr. Katz romance (infanto-juvenil) Atheneum Books 1988
Fire and Stone romance (infanto-juvenil) Atheneum Books 1988
Wild Oats and Fireweed: New Poems coletânea de poemas Perennial Library 1988
Dancing at the Edge of the World coletânea de ensaios Grove Press 1989
Way of the Water's Going coletânea de ensaios Harper & Row 1989
Catwings Return romance (infanto-juvenil) Orchard Books 1989 Catwings
Tehanu / Tehanu: O Nome da Estrela romance Atheneum Books 1990 Earthsea
"The Shobies' Story" conto Universe 1, Ace Books 1990 Hainish
Searoad coletânea de contos Harper Collins 1991
"Dancing to Ganam" conto Amazing Stories vol. 68 1993 Earthsea
Earthsea Revisioned ensaio Green Bay Press 1993
Wonderful Alexander and the Catwings romance (infanto-juvenil) Orchard Books 1994 Catwings
A Fisherman of the Inland Sea coletânea de contos Harper Prism 1994
Going out with Peacocks and Other Poems coletânea de poemas Harper Perennial Books 1994
"The Matter of Seggri" conto Crank! (revista) 1994 Hainish
"Another Story" conto Tomorrow Speculative Fiction (revista) 1994 Hainish
"Unchosen Love" conto Amazing Stories vol. 69 1994 Hainish
"Solitude" conto The Magazine of Fantasy & Science Fiction vol. 87 1994 Hainish
Four Ways to Forgiveness coletânea de contos Harper Prism 1995 Hainish
"Coming of Age in Karhide" conto New Legends, Legend Books 1995 Hainish
Unlocking the Air and Other Stories coletânea de contos Harper Collins 1996
"Mountain Ways" conto Asimov's Science Fiction vol. 20 1996 Hainish
"Old Music and the Slave Women" conto Far Horizons, Avon Eos Books 1996 Hainish
Tao Te Ching (Tradução; autor original Lao Tzu) livro filosófico Shambhala Publications 1997
Steering the Craft: Exercises and Discussions on Story Writing for the Lone Navigator or the Mutinous Crew coletânea de ensaios The Eighth Mountain Press 1998
"Dragonfly" conto Legends, Tor Books 1998 Earthsea
Jane On Her Own romance (infanto-juvenil) Orchard Books 1999 Catwings
"Darkrose and Diamond" conto The Magazine of Fantasy & Science Fiction vol. 97 1999 Earthsea
The Telling romance Ace Books 2000 Hainish
"The Birthday of the World" conto The Magazine of Fantasy and Science Fiction vol. 98 2000 Hainish
Tales from Earthsea coletânea de contos Harcourt 2001 Earthsea
The Other Wind romance Harcourt 2001 Earthsea
The Birthday of the World and Other Stories coletânea de contos Harper Collins 2002
Changing Planes coletânea de contos Harcourt 2003
The Wave in the Mind coletânea de ensaios Shambhala Publications 2004
Gifts romance Harcourt 2004 Annals of the Western Shore
Voices romance Orion Books 2006 Annals of the Western Shore
Incredible Good Fortune coletânea de poemas Shambhala Publications 2007
Powers romance Orion Books 2007 Annals of the Western Shore
Four Different Poems coletânea de poemas Longhouse Press 2007
Lavinia romance Harcourt 2008
Cheek by Jowl coletânea de ensaios Aqueduct Press 2009
Cat Dreams romance (infanto-juvenil) Orchard Books 2009
Out Here: Poems and Images from Steens Mountain Country coletânea de poemas Astoria-Raven 2010
Wild Girls romance PM Press 2011
Finding My Elegy: New and Selected Poems coletânea de poemas Houghton Mifflin/Harcout 2012
"The Jar of Water" conto Tin House (revista) 2014
"The Daughter of Odren" conto Harcourt 2014 Earthsea
Late in the Day: Poems 2010–2014 coletânea de poemas PM Press 2015
Steering the Craft: A 21st-Century Guide to Sailing the Sea of Story coletânea de ensaios Houghton Mifflin/Harcourt 2015
Words Are My Matter: Writings About Life and Books, 2000–2016 coletânea de ensaios Small Beer Press 2016
The Complete Orsinia coletânea de contos The Library of America Press 2016 Orsinia
No Time to Spare: Thinking About What Matters coletânea de ensaios Houghton Mifflin/Harcourt 2017
Orsinia coletânea de contos Victor Gollancz Publishing 2017 Orsinia
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