Urussanga

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Município de Urussanga
Vista da cidade

Vista da cidade
Bandeira de Urussanga
Brasão de Urussanga
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 26 de maio de 1878 (138 anos)
Gentílico urussanguense
Lema Omnia Labor (Tudo é Trabalho)
Prefeito(a) Luís Gustavo Cancellier (PP)
(2017–2020)
Localização
Localização de Urussanga
Localização de Urussanga em Santa Catarina
Urussanga está localizado em: Brasil
Urussanga
Localização de Urussanga no Brasil
28° 31' 04" S 49° 19' 15" O28° 31' 04" S 49° 19' 15" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Sul Catarinense IBGE/2008 [1]
Microrregião Criciúma IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Norte: Orleans e Lauro Müller;
Sul: Cocal do Sul;
Leste: Pedras Grandes;
Oeste: Treviso, Siderópolis e Lauro Müller.[2]
Distância até a capital 185 km
Características geográficas
Área 240,476 km² [3]
População 20 223 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 84,1 hab./km²
Altitude 49 m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,772 alto PNUD/2010[5]
PIB R$ 392 339,647 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 19 837,17 IBGE/2008[6]
Página oficial

Urussanga[nota 1] é um município do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 28º31'04" sul e a uma longitude 49º19'15" oeste, estando a uma altitude de 49 metros, e a 185 quilômetros da capital estadual Florianópolis. Sua população estimada em 2004 era de 19 110 habitantes. Possui uma área de 237,41 quilômetros quadrados.

"Urussanga" provém do tupi antigo e significa "água muito fria".[7] É o nome do principal rio que banha a cidade. A vila foi fundada pelo engenheiro maranhense Joaquim Vieira Ferreira em 26 de maio de 1878 e emancipada em 6 de outubro de 1900. Principal núcleo da colonização italiana do sul do estado, destaca-se na gastronomia e na produção de vinhos. Realiza a Festa do Vinho nos anos pares, e a Ritorno alle Origini nos ímpares: a primeira, sempre no mês de agosto, e a segunda, no aniversário da cidade, quando são celebradas a cultura herdada dos imigrantes, com muita música, boa comida e bom vinho.

Durante muito tempo, a principal atividade econômica da cidade foi a extração de carvão mineral, já que a cidade localiza-se numa das principais regiões carboníferas do país (junto com os municípios de Lauro Müller, Siderópolis e Criciúma).

A origem da população atual é italiana e as vias de acesso são as rodovias SC-446 via Criciúma e Orleans e a SC-445 via BR-101 (Morro da Fumaça).

História[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, o atual litoral de Santa Catarina foi invadido por povos tupis-guaranis procedentes da Amazônia. Eles expulsaram os antigos habitantes da região, falantes de línguas do tronco macro-jê, para a Serra Catarinense, onde viriam a constituir os atuais caingangues e xoclengues. No século 16, todo o atual litoral do estado e regiões adjacentes eram habitados pela etnia tupi-guarani dos carijós, que viriam a ser escravizados em massa e dizimados pelos colonos de origem portuguesa de São Vicente.[8] Em meados do século 18, os carijós já estavam virtualmente extintos.[9]

Em 26 de maio de 1878 chegaram os primeiros colonos italianos à região da confluência dos rios América e Urussanga, vindos de Longarone.[10]

Urussanga e Longarone são cidades irmãs

Os colonos enfrentaram resistência indígena à ocupação das terras.[11] A emancipação da colônia Urussanga deu-se em 31 de dezembro de 1881, elevada a município em 6 de outubro de 1900. A instalação do município teve lugar em 22 de janeiro de 1901 e a instalação da comarca em 20 de dezembro de 1925, sendo hoje uma comarca intermediária.

Demografia[editar | editar código-fonte]

  • População total: 18 727 habitantes [2000] (20 217 [2010])
    • Urbana: 10 659
    • Rural: 8 058
      • Homens: 9 215
      • Mulheres: 9 512

Geografia[editar | editar código-fonte]

No relevo, predominam os terrenos de topografia acidental, havendo 30% de terrenos planos ondulados e 70% da área possuem declividade acima de 20%. Urussanga está localizada a uma altitude de 49 metros acima do nível do mar. O solo é podzólico vermelho/amarelo, de textura arenosa (45%), cambissolo álico (40%) e terra estruturada (15%). Em seu subsolo, existem minérios importantes: o carvão mineral e algumas reservas de fluorita e argila.

O município apresenta uma vegetação formada principalmente pela floresta ombrófila densa sub-montana, com presença de árvores nativas e reflorestamentos de eucaliptos.

Igreja Matriz de Urussanga

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município de Urussanga é banhado pelo Rio Urussanga, tendo, como principais afluentes: Rio Maior, Rio Carvão, Rio Deserto, Rio Caeté, Rio Barro Vermelho e Rio América. A disponibilidade de água em Urussanga é relativamente boa entre os meses de março e setembro e levemente deficitária entre os meses de outubro e fevereiro. Quanto a qualidade das águas, o Rio Urussanga e vários de seus afluentes apresentam uma das piores situações do Estado.

A concentração de empresas mineradoras contribui decisivamente para a poluição generalizada. Observa-se a ocorrência de degradação das águas desde a nascente (cabeceira) até a foz dos rios. Face a isto, as águas de Urussanga, em sua grande maioria, caracterizam-se como impróprias para o consumo humano, apresentando também restrições para outras atividades, incluindo irrigação. Um programa intensivo de conservação dos recursos hídricos é da maior importância para garantir o abastecimento para o consumo humano e para a irrigação, prática muito importante para a garantia da produção agrícola.

Clima[editar | editar código-fonte]

Segundo a metodologia proposta por Köppen, Urussanga é classificado como clima subtropical úmido, sem estação seca, com verão quente.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), de 1961 a 2015 a menor temperatura registrada em Urussanga foi de -3 °C em 6 de agosto de 1963,[12] e a maior atingiu 41,8 °C em 25 de dezembro de 2012.[12] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 160,4 mm em 16 de fevereiro de 1971. Outros grandes acumulados foram 133 mm em 1 de outubro de 2001, 131,6 mm em 10 de julho de 2007, 136 mm em 19 de janeiro de 2011 e 127,5 mm em 18 de agosto de 1965.[13] Em janeiro de 2011, foi observado o maior volume total de chuvas em um mês, de 542,4 mm.[14] O menor índice de umidade relativa do ar foi registrado na tarde de 9 de setembro de 1968, de apenas 19%.[15]

Dados climatológicos para Urussanga
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima absoluta (°C) 41 40,7 39,6 37 33,6 32,7 34,4 38,2 38,9 38,2 41 41,8 41,8
Temperatura máxima média (°C) 30,9 30,7 29,4 26,9 24,8 22,7 22,8 23,3 24 25,7 27,9 30 26,6
Temperatura média (°C) 23,8 23,9 22,7 19,8 17 14,9 14,7 15,7 17,1 19 21 22,8 19,4
Temperatura mínima média (°C) 18,7 19,1 17,9 14,4 11,6 9,5 9,3 10,3 11,9 13,6 15,5 17,3 14,1
Temperatura mínima absoluta (°C) 10,4 10,7 6 4,4 -0,2 -1,6 -2 -3 -1,4 2,8 5,2 8,8 -3
Chuva (mm) 192,3 213 186,5 86,8 83,4 79,5 107,2 144,9 153,2 122,3 125,6 141 1 635,8
Dias com chuva (≥ 1 mm) 14 13 13 8 8 8 8 8 11 11 10 11 124
Umidade relativa (%) 80 82 84 83 85 85 84 82 82 79 78 78 82
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1961-1990;[16][17][18][19][20][21][22] recordes de temperatura a partir de 1961).[12]

Economia[editar | editar código-fonte]

Movimento econômico misto, baseado nas indústrias de artigos plásticos, cerâmicos, móveis, esquadrias de alumínio, metalurgia, indústria de peças para motos em geral, equipamentos para suinocultura e avicultura, confecções e vitivinicultura. No setor primário, o destaque é para as culturas do milho, feijão, arroz e fumo, viticultura, fruticultura e a criação de aves e suínos.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. http://mapas.ibge.gov.br/divisao/viewer.htm
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  4. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 15 de fevereiro de 2014 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  7. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 606.
  8. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  9. BUENO, E. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro. Objetiva. 1999. p. 58.
  10. City Brazil. Disponível em http://www.citybrazil.com.br/sc/urussanga/historia-da-cidade. Acesso em 28 de fevereiro de 2015.
  11. Jornal Vanguarda. Disponível em http://www.jvanguarda.com.br/site2012/2011/09/23/a-dificil-convivencia-entre-indios-e-colonos/. Acesso em 28 de fevereiro de 2015.
  12. a b c «BDMEP - Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Mínima (ºC), Temperatura Máxima (ºC) - Urussanga». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 11 de maio de 2017 
  13. «Série Histórica - Dados Diários - Precipitação (mm) - Urussanga». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 11 de maio de 2017 
  14. «Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total - Urussanga». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 11 de maio de 2017 
  15. «Série Histórica - Dados Horários - Umidade Relativa (%) - Urussanga». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 12 de maio de 2017 
  16. «Temperatura Média Compensada (°C)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961–1990. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 
  17. «Temperatura Máxima (°C)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961–1990. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 
  18. «Temperatura Mínima (°C)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961–1990. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 
  19. «Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm)». Instituto Nacional de Meteorologia. 1961–1990. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 
  20. «Número de Dias com Precipitação Maior ou Igual a 1 mm (dias)». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 
  21. «Insolação Total (horas)». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 
  22. «Umidade Relativa do Ar Média Compensada (%)». Instituto Nacional de Meteorologia. Consultado em 11 de maio de 2017. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014 

Notas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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