Usuário:DAR7/Testes/História/Idade Antiga

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História
Pré-história Idade
da Pedra
Paleolítico 2.5 milhões - 10.000 a.C.
Mesolítico 13.000 - 9.000 a.C.
Neolítico 5.000 - 3.000 a.C.
Idade dos Metais Idade do Cobre 3.300 - 1.200 a.C.
Idade do Bronze 3.300 - 700 a.C.
Idade do Ferro 1.200 a.C. - 1.000
Idade Antiga Antiguidade Oriental 4.000 a.C. - 500 a.C.
Antiguidade Clássica 800 a.C. - 476
Antiguidade tardia 300 - 476
Idade Média Alta Idade Média 476 - 1000
Baixa Idade Média Idade Média Plena séc. XI - XIII
Idade Média Tardia séc. XIV - XV
Idade Moderna 1453 - 1789
Idade Contemporânea 1789 -

Na periodização das épocas históricas da humanidade, Idade Antiga, ou Antiguidade é o período que se estende desde a invenção da escrita (de 4 000 a.C. a 3 500 a.C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.). Embora o critério da invenção da escrita como balizador entre o fim da Pré-História e o começo da História propriamente dita seja o mais comum, estudiosos que dão mais ênfase à importância da cultura material das sociedades têm procurado repensar essa divisão mais recentemente. Também não há entre os historiadores um verdadeiro consenso sobre quando se deu o verdadeiro fim do Império Romano e início da Idade Média, por considerarem que processos sociais e econômicos não podem ser datados com a mesma precisão dos fatos políticos[1].

Também deve-se levar em conta que essa periodização está relacionada à História da Europa e também do Oriente Próximo como precursor das civilizações que se desenvolveram no Mediterrâneo, culminando com Roma. Essa visão se consolidou com a historiografia positivista que surgiu no século XIX, que fez da escrita da história uma ciência e uma disciplina acadêmica. Se repensarmos os critérios que definem o que é a Antiguidade no resto do mundo, é possível pensar em outros critérios e datas balizadoras[2].

No caso da Europa e do Oriente Próximo, diversos povos se desenvolveram na Idade Antiga. Os sumérios, na Mesopotâmia, foram a civilização que originou a escrita e a urbanização, mais ou menos ao mesmo tempo em que surgia a civilização egípcia. Depois disso, já no I milênio a. C., os persas foram os primeiros a constituir um grande império, que foi posteriormente conquistado por Alexandre, o Grande. As civilizações clássicas da Grécia e de Roma são consideradas as maiores formadoras da civilização ocidental atual. Destacam-se também os hebreus (primeira civilização monoteísta), os fenícios (senhores do mar e do comércio e inventores do alfabeto), além dos celtas, etruscos e outros. O próprio estudo da história começou nesse período, com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico, narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente.

Na América, pode-se considerar como Idade Antiga a época pré-colombiana, onde surgiram as avançadas civilizações dos astecas, maias e incas. Porém, alguns estudiosos considerem que em outras regiões, como no que hoje constitui a maior parte do território do Brasil, boa parte dos povos ameríndios ainda não havia constituído similar nível de complexidade social e a classificação de Pré-história para essas sociedades seria mais correta.

Na China, a Idade Antiga termina por volta de 200 a.C., com o surgimento da dinastia Chin, enquanto que no Japão é apenas a partir do fim do período Heian, em 1185 d.C., que podemos falar em início da "Idade Média" japonesa.

Algumas religiões que ainda existem no mundo moderno tiveram origem nessa época, entre elas o cristianismo, o budismo, confucionismo e judaísmo.

Antiguidade oriental[editar | editar código-fonte]

Civilização Egípcia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Antigo Egito
Mapa do Antigo Egito.

O Antigo Egito (atual República Árabe do Egito), atravessado pelo imenso rio Nilo, com 6 500 km e 6 cataratas, limitado por dois desertos (da Líbia e da Arábia), estava localizado no nordeste da África. Ao norte, o mar Mediterrâneo tornava fácil a viagem marítima e a atividade comercial com as demais civilizações. A leste, o mar Vermelho constituía outra via de transporte.[3]

O rio Nilo constituía o berço da existência dos antigos egípcios, os quais se dedicavam principalmente à lavoura. Entre junho e setembro, no tempo das enchentes, as chuvas intensas transbordavam o rio; este ultrapassava as margens e inundava imensas áreas de terras que seguiam pela beirada desse curso de água. Essas águas tornavam mais fértil o solo, uma vez que continham limo e matéria orgânica, que era transformada em adubo de excelente qualidade. Além de adubos, o rio continha muitos peixes e oferecia oportunidades à navegação de milhões de embarcações.[3]

Na hipótese dos egípcios, o rio Nilo era realmente abençoado pelos deuses. Quer dizer, o mesmo rio era conhecido como santo. No entanto, o Egito não era exclusivamente essa dádiva do Nilo. Eram necessários homens experientes, trabalhadores, aplicados e organizados.[3] Na época da estiagem, enquanto cooperavam para que unissem forças e conjunto, os egípcios desfrutavam das águas do rio para que fossem irrigadas inclusive terras longínquas ou que fossem erguidos diques para que as enchentes fossem controladas.[3]

Depois das enchentes, as águas diminuíam, desfazendo os limites das fazendas. Dessa forma, a cada ano que passava, a necessidade do homem trabalhador para a medição e o cálculo desenvolveu a geometria e a matemática. Um governo centralizador e único foi facilitado por esse trabalho frequente e pela unidade geográfica.[3]

Períodos históricos do Egito[editar | editar código-fonte]

O vale do rio Nilo foi povoado a partir do paleolítico. Ao longo do tempo, nasceram comunidades livres e estruturadas denominadas nomos. Os nomos foram agrupados em ambos os reinos (do Norte e do Sul) e em torno de 3200 a.C., o faraó Menés os unificou todos em um único reino. Como ele, iniciaram-se as grandes dinastias (famílias reais governantes do Egito por quase três mil anos).[3]

A História do Egito é habitualmente dividida na periodização de quatro grandes etapas:[3]

No fim do Médio Império, imigraram pacificamente muitos hebreus ao Egito, que acabaram perdendo a liberdade e foram finalmente libertados para que retornassem à sua pátria de procedência. Após os hebreus, o Egito foi invadido pelos hicsos, que ali se estabeleceram por 200 anos. Difundiram os carros de guerra, que os egípcios desconheciam, e o início do Reino Novo foi marcado por sua expulsão.[3]

No fim do Reino Novo, o Egito foi desfortalecendo e decaindo aos poucos, e isso favoreceu para que o país mais antigo do mundo fosse invadido e dominado por parte de uma grande variedade de civilizações, como persas, gregos, romanos e muçulmanos. No início do século XX, o Reino Unido conquistou politicamente o Egito, que declarou sua independência como monarquia constitucional em 1922, antes da proclamação da república em 1953, como nação contemporânea com governo próprio.[3]

Sociedade egípcia[editar | editar código-fonte]

A sociedade egípcia era dividida em certos níveis, cada um com suas funções muito determinadas. Naquela sociedade, a mulher era muito prestigiada e autoritária.[3]

O faraó significava a própria vida que passava no Egito. Era monarca e deus vivo. Fruto de adoração, reverência. Seu direito era o de ter uma grande variedade de esposas, a maior parte delas sendo familiares, para que o sangue real em família fosse garantido. Mas, apenas uma utilizava o título de rainha e dela ocorria o nascimento do herdeiro.

No ponto mais alto da pirâmide estava o faraó, sem limites de poderes, porque o faraó era considerado uma santidade, divindade e aceitado como uma pessoa que descendia de deus ou como o verdadeiro deus . É o sistema de governo chamado teocracia, ou seja, o governo em que deus é regente.[3]

  • O faraó era um rei todo-poderoso e o país todo era propriedade sua. Os campos, os desertos, as minas, os rios, os canais, os homens, as mulheres, o gado e os animais em sua totalidade — eram todos pertencentes ao faraó.[3] Ele era, em igual tempo, rei, juiz, sacerdote, tesoureiro, general. Era ele quem determinava e comandava tudo, porém, não sendo possível a sua presença em todos os locais, confiava encargos a mais de cem funcionários que o ajudavam para administrar o Egito. Na visão dos egípcios, o próprio faraó sobreviveria e esperava ser feliz.[3]
  • Os sacerdotes eram enormemente prestigiados e poderosos, tanto espiritualmente como materialmente, porque controlavam as riquezas e os bens dos vastos e enriquecidos templos. Eram também os egípcios que sabiam muito, guardavam os mistérios científicos e religiosos que se relacionavam com sua grande quantidade de deuses.[3]
  • A nobreza era constituída por pessoas da família do faraó, funcionários de primeiro escalão e enriquecidos fazendeiros.[3]
  • Os escribas, que vieram das famílias enriquecidas e abastadas, estudavam a leitura e a escrita e eram dedicados ao registro, à documentação e à contabilidade de documentos e atividades da vida do Egito.[3]
  • Os artesãos e os comerciantes. O trabalho dos artesãos era feito somente aos reis, à nobreza e aos templos. Fabricavam belas peças de adorno, utensílios, estatuetas, máscaras funerárias. O trabalho dos artesãos com madeira, cobre, bronze, ferro, ouro e marfim era excelente. Já os comerciantes eram dedicados ao comércio sob a responsabilidade dos reis ou em benefício próprio, adquirindo, comercializando ou permutando produtos com as demais civilizações, como cretenses, fenícios, povos da Somália, da Núbia, etc. O comércio obrigou que fossem construídos os imensos barcos de carga.[3]
  • Os camponeses constituíam a maioria da população.[3] O faraó organizava e controlava os trabalhos agrícolas, porque as terras, em sua totalidade, pertenciam ao governo. As enchentes do Nilo, os trabalhos de irrigar, semear, colher e armazenar os grãos forçavam os camponeses a trabalhar arduamente e receber pouco dinheiro. Em geral, os camponeses eram pagos com uma pequena parte dos produtos que colhiam e somente o suficiente para que sobrevivessem. Moravam em cabanas precárias e usavam roupas bem simplistas. Os serviços dos camponeses eram prestados também nas terras dos membros da nobreza e nos templos. A principal atividade econômica do Egito era a agricultura, por causa da falta de terreno e da escassez de vegetação para a criação de mais rebanhos. Como os camponeses eram pobres, eles plantavam cevada, trigo, lentilhas, árvores frutíferas e videiras. Fabricavam pão, cerveja e vinho. Muitos peixes eram oferecidos pelo Nilo.[3]
  • Os escravos eram, na maior parte, perseguidos dentre os derrotados nas guerras. Foram severamente obrigados a trabalhar como construtores das grandes pirâmides, exemplificando.[3]

A importância de alguns faraós[editar | editar código-fonte]

O Egito foi governado por numerosos faraós no decorrer da história do país. Poucos deles são certamente destacados.[4]

  • Menés (ou Narmer), em 3000 a.C., unificou os reinos do norte e do sul num único reino.[4]
  • Djoser (Zozer), reino no qual surgiu o primeiro edifício monumental em pedra do mundo, a pirâmide de Djoser, cuja medida é feita em degraus.[4]
  • Quéops, Quéfren e Miquerinos ficaram conhecidos quando construíram as três maiores pirâmides do Egito, na planície de Gizé. Quéops foi sucedido em seu trono por seu filho, Quéfren, e sua pirâmide foi construída a uma certa distância em metros da do pai. Depois de Quéfren, o Egito foi governado por Miquerinos, cuja pirâmide foi construída próxima das demais, porém, com uma pequena diferença de tamanho.[4]
  • Amenófis IV, que também chamava-se de "sacerdote do deus Sol", ficou conhecido como o faraó unificador da religião egípcia, obrigando que ela fosse cultuada a uma única divindade, o Sol, que chamava-se de Aton. Seu nome foi mudado de Amenófis (cujo significado é "Amon tem satisfação") para Aquenaton (cujo significado é "aquele que serve Aton"). Tornou-se antipático pelos sacerdotes[5] e pelo fanatismo do povo e este, depois que o faraó morreu, retornou aos velhos cultos.[4]
  • Tutancâmon, que pertencia à família de Aquenaton, tomou posse do novo reino ainda em plena juventude aos cinco anos de idade. Seu reino durou pouco tempo, devido à sua morte ocorrida aos dezoito anos de idade. Tornou-se muito famoso no século XX, pois em 1924, o arqueólogo britânico Howard Carter encontrou no Vale dos Reis, o seu sarcófago muito rico. O túmulo, intocado, ainda não tinha sido alvo de violação por criminosos e nele eram guardados riquezas de valor, porque as matérias-primas desses objetos eram ouro, prata e pedras preciosas. Havia objetos extraordinariamente ricos como máscaras mortuárias, sarcófagos, estátuas, móveis, joias, vasos, carros fúnebres, etc. Depois que os arqueólogos descobriram os objetos usados pela família real que governava o Antigo Egito, pode-se ter uma ideia do quanto era grandiosa, luxuosa e rica a vida dos faraós, enquanto que a maior parte da população, composta por camponeses, vivia com muita dureza e comia menos.[4]

Religião e mitologia egípcias[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mitologia egípcia

Os egípcios eram profundamente religiosos. Isso era importante porque a fé formava uma sociedade civilizada e organizada. Eram politeístas (crença em diversos deuses).[4] A partir dos tempos mais antigos, os egípcios eram adoradores de um grande número de deuses estranhos.[4] Os mais antigos deuses foram animais e toda a pessoa era protegida por deuses-animais. Eram adoradores de gatos, bois, serpentes, crocodilos, touros, chacais, gazelas, escaravelhos, etc.[4]

Dentre os animais de maior adoração, o mais conhecido foi o boi Ápis que, durante a sua morte, causava luto no Egito inteiro e os sacerdotes estavam à procura nos campos de um substituto que tivesse a mesma semelhança física. Eram crentes na possível reencarnação de um deus num animal de vida própria.[4] O rio Nilo, com suas cheias diárias, e o vento com calor do deserto, fenômeno climático destruidor das colheitas, eram forças naturais as quais os egípcios adoravam.[4]

Os egípcios eram crentes crença na vida após a morte,[4] por esse motivo eram prestadores de culto às pessoas que morreram.[4] Cada localidade era protegida por seus deuses, com características diferenciadas, sendo alguns deles metade homem e metade animal (em geral, corpo de homem e cabeça de animal — antropomorfismo).[4]

Deuses do Egipto[editar | editar código-fonte]
Rá, o deus Sol.

Segue abaixo a descrição de cada deus egípcio e suas prerrogativas atributivas:[6]

: o deus Sol, que na união com o deus Amon (Amon-Rá) era o mais importante deus egípcio.[6]
Nut: é o firmamento, simbolizado por um indivíduo do sexo feminino com os membros inferiores no Hemisfério Oriental e as mãos no Hemisfério Ocidental. Os corpos celestes passam ao longo do seu corpo. Seu filho, Rá (o Sol), é engolido por ela durante o período noturno e renascido a cada período diurno.[6]
Babuíno divino: aquele que testemunhou a viagem da barca solar.[6]
Barca solar de Rá, a qual, numa viagem eterna, diariamente o traz à Terra e no período noturno o leva novamente à vida eterna.[6]
Ísis: seu marido é Osíris e seu filho era Hórus. Ísis era a divindade feminina protetora da vida vegetal, das águas (das enchentes do Nilo) e das sementes. As chuvas seriam os lágrimas de Ísis à procura de seu marido, Osíris, que também é uma personificação do rio Nilo.[6]
Néftis: irmã de Osíris, seu marido era Set.[6]
Maat: divindade da justiça, da verdade, e do equilíbrio universal.[6]
Hórus: como divindade falconídea, cujos pais eram Osíris e Ísis, era também adorado como o nascer do Sol.[6]
Osíris: no seu hábito em forma de múmia, era a divindade dos que morriam, da vida vegetal, da fecundidade. Era também adorado como o pôr do Sol. Era ele que vinha à procura dos mortos para julgamento no seu tribunal (Tribunal de Osíris).[6]
Sacmis: divindade com corpo feminino e cabeça leonina. Divindade protetora dos conflitos militares que, por ser forte, se encarregou de matar os inimigos de Rá.[6]
Ptá: divindade de Mênfis, se considerava o Grande Arquiteto do Universo, conforme teriam dito os membros da maçonaria, e protegia os que trabalhavam com artesanato.[6]
Quenúbis: deus pastor, divindade das nascentes e das enchentes do Nilo.[6]
Anúbis: deus chacal, guardava os túmulos, deus da vida após a morte, mediador entre o firmamento e o nosso planeta, ajudou Ísis quando esta resolveu juntar os bocados do corpo de Osíris e deu-lhe ressurreição.[6]
Tote: divindade do conhecimento e dos poderes mágicos. A escrita foi criada por ele. Se considerava o escriba divino e os escribas recebiam a sua proteção.[6]
Hator: divindade feminina apresentada com ambas as formas: como uma fêmea do boi com os chifres e o Sol entre eles e como uma mulher tendo o Sol entre os chifres. Se considerava a divindade feminina dos vaidosos, dos músicos, dos felizes, dos prazerosos e dos apaixonados.[6]
Set: grande inimigo de Osíris (o Nilo), se considerava o calor do vento que veio do deserto. Personificação do mal, provocava raios e trovões seguidos de chuva e protegia as armas de fogo.[6]
Amom (de Tebas): divindade das divindades da mitologia egípcia, depois era adorado juntamente com Rá, sendo denominado de Amon-Rá.[6]
Bes: espírito (ou demônio) cujas características eram a monstruosidade e a maldade,[6] morava no inferno.[6]
Tuéris: deusa hipopótamo, protegia as mães com o bebê no útero.[6]
Bastet: deusa gata pela qual as boas influências da divindade solar eram transmitidas para as pessoas.[6]
Templos egípcios[editar | editar código-fonte]

Os templos egípcios não eram como as igrejas atuais. Eram imensos e enormemente grandes,[6] com um grande portão e vastos pátios que se abriam. As gigantescas colunas sustentavam os templos. Na parte do fundo estava situada a estátua que representa o deus local e na parte dos lados os demais poucos deuses. Nas partes da frente, o colosso das estátuas dos faraós construtores dos templos. No interior dos templos, os inúmeros sacerdotes passavam sua vida, com raspão no cabelo e se vestiam com uma única túnica.

Do Antigo Egito existem poucos restos das ruínas dos dois grandes templos, o templo de Luxor e o templo de Karnak.[7]

Cerimônias fúnebres[editar | editar código-fonte]
Múmia dentro do sarcófago.

Quanto às múmias, a crença dos egípcios era de que o ser humano era constituído por (o corpo) e de (a alma). Na opinião deles, quando morria, o corpo (Ká) era deixado pela alma (Rá), mas era possível a continuidade da vida da alma (Rá) no reino de Osíris ou de Amon-Rá. Isso podia acontecer se o corpo, tendo como dever a sustentação da alma, passasse por conservação. Daí vinha ser importante o embalsamamento ou a mumificação do corpo para o impedimento da decomposição do mesmo. Para a garantia de que a alma sobrevivesse, em caso de destruição da múmia, eram colocadas no túmulo estatuetas que representavam a pessoa que morreu.[7]

O túmulo era onde habitava um morto assim como a casa é onde habita um vivo, com mobiliários e alimentos provisionados. As pinturas que aparecem nas paredes são imagens representativas das cenas da vida de um morto à mesa, na perseguição aos animais e na atividade pesqueira. Eles eram crentes[7] na magia dos poderes dessas pinturas,[7] porque na opinião deles, isso representava o sentimento de felicidade e serenidade da alma durante a sua contemplação perante às imagens. A alma da pessoa que morreu era apresentada ao Tribunal de Osíris, onde era feito o julgamento por suas obras, para ver se era possível a sua admissão no reino de Osíris.[7]

Os túmulos eram moradias de eternidade. Para melhorar a proteção dos corpos, colocavam-se as múmias em sarcófagos com fechamento hermético. Os faraós, os nobres, os ricos e certos sacerdotes trabalhavam como construtores dos imensos túmulos feitos de pedras para a garantia de que os corpos fossem protegidos contra ladrões e profanadores. Sua finalidade era a garantia de se esperar por muito tempo até o retorno da alma.[7]

Assim, construíram-se mastabas, pirâmides e hipogeus com rico adorno.[7]

Cultura egípcia[editar | editar código-fonte]

Durante a antiguidade, a cultura egípcia era o conjunto de manifestações culturais desenvolvidas no Antigo Egito. Sem falar das pirâmides, mastabas, hipogeus e nos vastos templos, a arte do Antigo Egito também era vista como uma manifestação artística nos palácios, nas grandes colunas e obeliscos, nas esfinges, na estatuária e na arte decorativa em baixo-relevo. Listados abaixo:[8]

  • Mastabas: As mastabas eram túmulos com revestimento de lajes rochosas ou feitos de tijolo especial. Eram integradas por uma capela, a câmara mortuária e demais compartimentos.[8]
  • Hipogeus: Escavação de túmulos nas rochas, nas imediações do talvegue do Nilo. O hipogeu de maior fama foi de Tutancâmon, que situa-se no Vale dos Reis.[8]
  • Esfinge: Nas esfinges guardavam-se os templos e as pirâmides. A esfinge na parte dianteira da pirâmide de Quéfren tem cabeça humana e corpo leonino.[8] Sua frase célebre é "Decifra-me ou te devoro".[9]
  • Obelisco: Monumento cuja matéria-prima trata-se de uma única pedra no formato de agulha para a marcação de algum fato ou realização. É também o monumento representativo de um raio da divindade solar.[8]
Pirâmides[editar | editar código-fonte]
Nas pirâmides reais, havia corredores secretos, galerias, câmaras, portas e passagens falsas para enganar ladrões, cripta, corredores de ventilação e a câmara do rei.

No antigo Egito construíram-se centenas de pirâmides. As três grandes incluem-se entre as Sete Maravilhas do Mundo antigo. Até hoje certos mistérios são oferecidos pelas pirâmides para a mente humana. Assim a moderna engenharia não conseguiu ainda a explicação da capacidade dos escravos, naquele momento, para o transporte de blocos rochosos de 2 a 10 ou mais toneladas que vieram de longe até o deserto onde são encontradas as pirâmides. A maior dificuldade ainda é a explicação de como foi conseguido o carregamento de pedras em cima de pedras até uma altura de 146 metros (a altura da grande pirâmide de Quéops). Outro segredo é a explicação do motivo da construção das pirâmides com seus lados voltados com rigor para os quatro pontos cardeais. Hoje em dia, a crença de uma grande quantidade de pessoas no mundo inteiro é de que existe um misterioso poder de concentração enérgica e conservadora no interior das pirâmides. Assim, não seriam estragadas certas coisas perecíveis que se colocassem dentro, na posição que a câmara do rei ocupa.[10]

Para isso, ajudando com uma bússola, é obrigatória a orientação das bases piramidais posicionando nos quatro pontos cardeais. Também há uma crença de que o resultado de curar ou melhorar a saúde é influenciado pelo uso de uma pirâmide de cobre em situações condicionais para o abrigo de um ser humano dentro de uma pirâmide propriamente dita.[10]

As ciências egípcias[editar | editar código-fonte]

Os egípcios não foram tão grandes cientistas como arquitetos. Nas ciências, a matemática, a astronomia, a medicina e a engenharia foram desenvolvidas pelos egípcios. O ano foi dividido em 365 dias e em 12 meses com 30 dias. Os egípcios utilizavam os relógios solares, estelares e à base de água para a medição do tempo.[11]

Na matemática, a geometria foi muito desenvolvida, porque foram necessárias a medição das terras rurais e o levantamento das vastas construções.[11] Na medicina, os egípcios possuíam médicos que especializavam-se em uma grande variedade de doenças e trabalhavam como cirurgiões, inclusive usando anestésicos.[11] Mas, a medicina egípcia, como em toda a Antiguidade, era mais esotérica que científica, por acompanhar-se de magias e de invocações divinas.[11]

Especializavam-se em mumificação de corpos por meio de recursos de embalsamamento pelos quais foi conservado um sem-número de corpos até os dias atuais. De acordo com Heródoto, um historiador grego de muita fama, o corpo era mumificado da seguinte forma:[11]

[11]

Em seguida, o corpo era colocado no sarcófago. Os pobres[11] possuíam processos de mumificação muito mais fáceis.[11]

Língua e literaturas egípcias[editar | editar código-fonte]
Hieróglifos em uma estela funerária.

Os egípcios foram um dos primeiros povos que utilizaram a escrita no mundo. Há três alfabetos desenvolvidos por eles:[12]

  • O alfabeto hierático, uma forma simplificada de hieróglifos, era uma escrita que a nobreza e os sacerdotes utilizavam.[12]
  • O alfabeto demótico era um tipo de escrita utilizada pela maioria da população. Era utilizada pelas classes economicamente menos privilegiadas[12] da sociedade egípcia.[12]

Na época da campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, o arqueólogo francês Jean François Champollion levou para a França, em 1799, uma pedra da cidade de Roseta, que contém inscrição em três tipos de alfabeto: hieróglifos, grego e demótico. Em 1822, Champollion, fazendo uma comparação do texto em língua grega clássica com o mesmo assunto em hieróglifos, conseguiu a decifração do alfabeto egípcio, contribuindo para os estudos da civilização egípcia.[12]

Os egípcios escreviam especialmente em uma planta denominada papiro, muito encontrada às margens do Nilo. Cortava-se o miolo do papiro e ligavam-se e prensavam-se as partes umas às outras, compondo rolos que inclusive eram importados por povos vizinhos. Diversos livros escritos foram deixados pelos egípcios, a maior parte deles sobre assuntos relacionados à religião, como o conhecido Livro dos mortos.[12]

Música egípcia[editar | editar código-fonte]

Pelos documentos achados, como músicas fragmentadas e instrumentos, a arte musical começaria na Mesopotâmia e no Antigo Egito. De fato, em 1950 uma canção de origem assíria datada de 4000 a.C., com gravação numa tabuleta feita de argila, foi encontrada pelos arqueólogos.[13]

Os egípcios utilizavam muito a música em quaisquer das ocasiões religiosas ou da sociedade, como casamentos, festas, canções de guerra, de vitória, ou para a expressão de tristeza e luto. Entre os instrumentos musicais incluem a lira, cítara, oboé, címbalo, harpa e outros com caixa de ressonância.[12] Era comum que as mulheres ricas cantassem muito bem. Junto com a música, a dança e a coreografia foram desenvolvidas. Os mesopotâmicos e os egípcios conseguiram que a música fosse escrita por meio de sinais.[13]

Influência da civilização egípcia sobre outras civilizações[editar | editar código-fonte]

Os egípcios influenciaram o desenvolvimento de uma grande variedade de povos vizinhos ou distantes.[13] Uma grande quantidade de eruditos de demais povos da antiguidade buscava seus conhecimentos no Egipto, ali fazendo estágios. A geometria, que depois os gregos e demais povos seguirão, foi inventada por esse povo do norte da África.[13]

Os egípcios influenciaram quase totalmente a medicina.[13] De fato, todos os povos antigos foram ultrapassados nos conhecimentos médicos por essa civilização.[13]

No que diz respeito à religião, seus deuses e suas crenças se espalharam por toda a parte. O mundo foi impressionado pelas pirâmides e os egípcios acreditavam que a alma era imortal, considerando isso um avanço espiritual.[13]

No que tange à escrita, foram pioneiros na arte de escrever, e seus caracteres foram para a Fenícia, onde simplificaram-se, tendo como resultado o alfabeto que possuímos nos dias atuais. Grande colaboração às civilizações antigas foi o papiro fornecido pelo Egito a todo o mundo antigo para a escritura de seus livros, a formação de suas bibliotecas e o fornecimento de material para que seus sábios estudassem.[13]

Civilização Mesopotâmica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mesopotâmia
Mapa geral da Mesopotâmia.

A Mesopotâmia, uma rica região da Ásia Menor, situa-se na fertilidade das planícies drenadas pelos rios Tigre e Eufrates, cujas águas são lançadas no Golfo Pérsico. A Mesopotâmia equivale em boa parte ao território do Iraque dos dias de hoje.[14]

O termo Mesopotâmia é etimologicamente oriundo do grego clássico: mesos = meio e potamos = rio e tem como significado "terra que situa-se entre rios", ou seja, nesse caso, uma região que compreende a bacia hidrográfica dos rios Tigre e Eufrates. Mas, como visto no mapa, a extensão da Mesopotâmia ia além desses rios.[14]

Venerador mesopotâmico de 2750-2600 a.C.

Foram diversos povos que, através de lutas, tomaram posse sucessiva dessa fértil região do Oriente Médio (Ásia Menor). Dentre eles, podem ser citados os sumérios, os elamitas, os hititas, os acádios, os amoritas, os cassitas, os assírios, os babilônios, os caldeus, entre outros.[14]

É desconhecida a origem dos sumérios, mas é sabido que, por volta de 3000 a.C., eles foram estabelecidos na parte meridional da Mesopotâmia, próximo ao Oriente Médio.[14]

Política mesopotâmica[editar | editar código-fonte]

Diversas comunidades as quais, aos poucos, transformaram-se em cidades-estados, foram fundadas pelos sumérios. Assim, apareceram as cidades de Ur, Uruk, Lagash, Nippur. A de maior importância delas foi Ur.[14]

A região de ocupação suméria não tinha um poder central pela qual lhe fosse dada unidade política. Toda a cidade era que nem um país independente, com governo próprio. Um civil (patesi) e um sacerdote governavam uma cidade-estado. Essas cidades lutavam constantemente e foi o rei Sargão I quem conseguiu unificar tudo isso, criando o reino da Suméria, com extensão entre a Mesopotâmia e o Mar Mediterrâneo.[14]

Depois que Sargão I morreu, o reino decaiu e foi invadido por outros povos.[14]

Babilônios[editar | editar código-fonte]

Uma inscrição do Código de Hamurabi.

Liderados por Hamurábi, tomaram posse da Suméria e criaram o grande Império Babilônico, cerca de 1700 a.C. O primeiro código de leis de que se tem notícia foi elaborado por Hamurabi. O conteúdo das leis estabelece os direitos e deveres do povo e das autoridades. Mas, dependendo da classe social, as pessoas não eram semelhantes diante da lei no Império Babilônico. Os babilônios, por exemplo, não consideravam os escravos como gente, mas sim como objeto, uma mera propriedade qualquer. Ou melhor, a escravidão era permitida pelas civilizações da antiguidade e aproveitavam-se os prisioneiros de guerra, que não queriam morrer, para trabalhos forçados. É proveniente de Hamurabi a lei do talião: “Olho por olho, dente por dente”. Outra lei determinava que, caso um homem penetrasse em um pomar e fosse pego roubando, devia pagar uma determinada quantidade em prata ao proprietário do pomar.[15]

O Império Babilônico decaiu e os assírios, povo guerreiro muito organizado militarmente e o primeiro a utilizar os carros de guerra, conquistaram o estado extinto. Os assírios têm como características psicológicas a crueldade e a violência, sendo que diversos povos foram conquistados e que a região foi dominada por esse povo por 500 anos.[15]

Depois, em 612 a.C., o Império Babilônico foi reorganizado e veio ao apogeu com Nabucodonosor II, este embelezando a cidade, construindo os conhecidos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e mandando construir um imenso zigurate, chamada de Torre de Babel pela Bíblia. De fato, em 1899, quando foi escavado, descobriu-se um zigurate muito grande que se pensou que fosse a Torre de Babel. Possuía 90 metros de base e outro tanto de altura, com o topo revestido de ouro e azulejos pintados de azul.[15]

Escrita cuneiforme[editar | editar código-fonte]

Escrita cuneiforme com gravação num numa escultura feita durante o século XXII a.C. (Museu do Louvre, Paris). A linguagem escrita resulta do fato de que o homem necessita da garantia de se comunicar e desenvolver a técnica.

Os textos eram escritos pelos sumérios e babilônios em tabletes de barro. Foram os inventores de um tipo de escrita em formato de cunha, que por esse motivo, recebeu o nome de escrita cuneiforme. Esses tabletes feitos de barro pesavam muito e não eram de fácil manuseio, mas possuíam a vantagem de duração de séculos ou milênios com escrita inteligível.[15] Pesquisadores dos dias atuais acharam muitos deles e assim puderam descobrir uma grande quantidade de coisas da primeira civilização da história da humanidade. Na cidade de Nínive, o rei Assurbanipal fundou uma biblioteca, com 22 mil tabletes de argila (barro) com escritos em uma grande variedade de assuntos. Dentre demais assuntos, nos é mostrado pelos tabletes como eram o comércio e os negócios daquele tempo. Por exemplo, uma relação de medicamentos receitados aos pacientes é feita pelo médico. Há 3000 anos, os deveres de um menino, na escola, são relatados por um dos tabletes de maior interesse: o menino precisava ir mais rápido para evitar que chegasse atrasado na escola, senão a criança apanharia do professor. O professor, utilizava, também, a vara ou palmatória para castigar os alunos que puxassem assunto, que deixassem a escola sem autorização ou estudassem sem caprichar como deviam.[15]

Religião mesopotâmica[editar | editar código-fonte]

Tanto os sumérios como os babilônios eram politeístas, ou seja, eram crentes numa grande variedade de deuses.[16] Toda a cidade tinha o seu deus protetor. A Babilônia, por exemplo, estava sendo protegida por Marduque. Eram crentes também nas forças dos astros e da natureza e veneravam o céu (Anu), a Terra (Enlil), a Lua (Sin), o raio e a tempestade (Hadad), o fogo (Gibil), etc.[16]

Cultuava-se a religião nos templos, denominados zigurates, construções com degraus em formato de pirâmide. Os mesopotâmios acreditavam que os astros influenciavam na vida do homem, originando assim a astrologia. Os adivinhos e sacerdotes que estudavam os astros eram muito prestigiados. Os povos da Mesopotâmia contribuíram muito para o conhecimento dos astros, e através desse conhecimento conseguiam mesmo fazer a previsão das enchentes dos rios Tigre e Eufrates.[16]

Contribuições dos sumérios e babilônios[editar | editar código-fonte]

Deusa Ishtar, estatueta representativa do século IV a.C.

Foi muito importante a herança deixada pelos sumérios e pelos babilônios aos povos futuros. Dentre demais colaborações, podem ser apontadas:[16]

  • Organizaram política e socialmente as cidades-estados;
  • Criaram um código de direitos e deveres;
  • Organizaram a produção de alimentos: já naquele tempo, utilizavam o arado e máquinas de irrigação, por exemplo;
  • Construíram lindos templos e grandiosos palácios;
  • A escrita, que permitiu a fixação do conhecimento da época, foi inventada pelos sumérios;
  • Inventaram a roda e os carros puxados por cavalos;
  • Criaram a astronomia (ciência que estuda os astros);
  • Astrologia, ou seja, a ciência que estuda os astros que influem sobre o futuro das pessoas.

Os povos antigos não acreditavam que a alma era imortal, eram religiosamente pessimistas e viviam sem preocupações com a morte ou com o que as pessoas viam com seus próprios depois que morriam. Buscavam a sua proteção contra as forças malignas utilizando amuletos e fazendo toda sorte de magia.[16]

Uma das divindades mais adoradas era a deusa Ishtar, personificação do planeta Vênus. Protegia o amor e a guerra.[16]

Civilização Hebraica[editar | editar código-fonte]

Abraão e os três Anjos as portas do purgatório segundo descrição de Dante Alighieri em 1250. Gravura de Gustave_Doré (1832-1883).

As origens mais antigas dos hebreus (ou israelitas) ainda não se conhecem. A Bíblia sempre é a fonte mais importante para estudar esse povo. As origens se iniciaram com Abraão, líder de uma tribo de pastores seminômades que, recebendo os conselhos de Deus, partiu da cidade de Ur na Mesopotâmia, perto das margens do rio Eufrates, foi para Haran e depois se fixou na terra de Canaã, no litoral leste do mar Mediterrâneo (hoje Israel). O caráter dessa migração era religioso e teve grande duração de tempo até a chegada de Abraão à terra que Deus prometeu.[17]

Abraão, em contrapartida aos demais homens da época, era crente em um único Deus, que criou o mundo, que não se podia ver e que lhe ordenou que partisse para Canaã. Premiado por obedecer isso e por ser crente, uma promessa de Deus foi recebida por ele: sua família originaria um povo que se destinaria a ter a terra de Canaã, na qual, de acordo com a Bíblia, brotava leite e mel. Renovou-se essa promessa a Isaac, do qual Abraão era pai e mais tarde a Jacó (do qual Abraão era avô), este recebendo dum anjo a denominação de Israel, cujo significado é “o forte de Deus”. No entanto, Canaã foi definitivamente conquistada, no século XIII a.C., durante a saída de Moisés do Egito e a condução de todos os hebreus à Terra Prometida, em 1250 a.C.[17]

Os patriarcas[editar | editar código-fonte]

São chamados de patriarcas os três primeiros líderes dos israelitas: Abraão, Isaac e Jacó. O primeiro passava a sua vida em Ur, na Mesopotâmia. Abraão é ordenado por Deus que partisse para Canaã e lhe é prometido por ele que sua família terá um excelente futuro. Abraão viaja e é estabelecido na terra de Canaã com seus familiares. Depois que morreu, é sucedido por Isaac, do qual Abraão é pai. Depois, é seguido por Jacó, do qual Isaac é pai.[18]

Jacó é pai de doze filhos, que vão originar as doze tribos de Israel. José, o mais jovem deles, é o preferido dos pais. Ele é invejado pelos irmãos de tal maneira que é vendido como escravo a comerciantes egípcios, sejam eles nascidos no país, sejam eles imigrantes. No Egito, José trabalhará na corte do Faraó.[18] Depois de uma grande quantidade de aventuras ele é nomeado primeiro-ministro. Naquela época, muitos israelitas ficam sem nada para comer e José conseguiu estabelecer sua família no Egito.[19]

Moisés[editar | editar código-fonte]

Moisés com as Tábuas da Lei, por Rembrandt.

A vida dos hebreus no Egito foi pacífica por uma grande quantidade de gerações. No entanto, um faraó ficou inquieto porque a população cresceu e seu país ficou poderoso. Decide transformá-los em escravos e ordena a matança de todos os meninos nascidos a pouco tempo. Ora, naquele tempo, surge numa família de hebreus, o menino Moisés. Para ser salvo, é acomodado por sua mãe em uma pequena cesta feita de papiro e é escondido dentre os caniços do rio Nilo. A filha do faraó recolhe o bebê e o educa na corte. Chegando na idade adulta, Moisés se revolta porque diz que seu povo é miserável e se refugia no deserto do Sinai. Ali, Deus é revelado a ele e lhe promete duas coisas: tornará livres os israelitas da escravidão e ser-lhe-á dado o país de Canaã. Desde então, a missão extraordinária de Moisés é de que o povo israelita será guiado até a Terra Prometida e será por ele transmitida aos homens a mensagem de Deus como conteúdo dos dez mandamentos.[19]

Moisés retornou, então, para o Egito, para juntamente do faraó e lhe pediu que fosse permitida a partida dos hebreus à sua terra, porque Deus ordenou. Sabendo que o faraó recusou, o Egito é castigado por Deus com dez terríveis pragas, contadas na Bíblia. Enfim, o faraó renuncia e os israelitas são libertados: é o Êxodo, ou seja, o momento histórico em que os hebreus saíram do Egito.[19]

Os hebreus foram conduzidos por Moisés por meio do deserto do Sinai. Outra vez, Deus é revelado a ele, ser-lhe-ão dadas as Tábuas da Lei, com os dez mandamentos e uma aliança, um pacto é feito por Moisés com os israelitas. Estes são protegidos por ele até entrarem na terra de Canaã, no entanto, será exigido em troca que seu povo obedeça absolutamente a suas leis. Sem dúvida, são ditas por Deus a Moisés as leis de regência à vida do povo de Israel. As 10 primeiras são de importância particular: são os Dez Mandamentos da Lei de Deus.[19]

Conquista de Canaã[editar | editar código-fonte]

Depois da saída do povo de Israel do Egito, o mar Vermelho foi atravessado pelos israelitas que erraram 40 anos pelo deserto, enfim, chegando às fronteiras da Terra Prometida (atualmente Estado de Israel). Moisés falece, Josué sucede-lhe, declara uma guerra santa contra os cananeus e sagrou-se vencedor. O país dos cananeus é transformado então no país de Israel. Deus cumpriu o que prometeu.[19]

Juízes[editar | editar código-fonte]

Uma vez que se estabeleceram na terra de Canaã, era preciso uma autoridade para chefiar os hebreus nas batalhas contra os inimigos e orientar as atividades do povo. Foram os juízes, e dentre eles mereceram destaque Josué, Sansão, Gideão e Samuel. Depois dos juízes, o reino de Israel foi fundado, sendo que o rei passou a comandar o país.[19]

Monarcas[editar | editar código-fonte]

David representado por Michelangelo.

Davi e Salomão foram os reis mais vitoriosos da história de Israel. Davi terminou de conquistar a terra de Canaã e criou o reino de Israel. Mandou embora os filisteus e elegeu Jerusalém como capital. Davi foi um rei autor de poesias e seus vários salmos bíblicos foram escritos.[20]

Na época do reinado de Salomão, Israel se desenvolveu muito. Ordenou a construção de palácios, fortificações e o Templo de Jerusalém. No interior do templo, se localizava a Arca da Aliança, contendo as Tábuas da Lei, nas quais estavam escritos os Dez Mandamentos, que Deus ditou para Moisés no Monte Sinai, durante a vinda do povo hebreu do Egito à Canaã.[20]

Importou-se a maior parte do material utilizado nas construções de Tiro, na Fenícia. Exageraram-se muito as importações de madeira (especialmente o cedro-do-Líbano), ouro, prata e bronze que o país tornou-se empobrecido. O dinheiro recebido era muito pouco para que as dívidas fossem pagas. Para que os gastos e o luxo da corte fossem sustentados, os impostos foram aumentados por Salomão que tornou obrigatório o trabalho da população empobrecida em obras públicas. Além do mais, a cada três meses 30 000 hebreus foram revezados no trabalho das minas e das florestas da Fenícia para extrair madeira, como forma de pagar a dívida externa de Israel com a Fenícia.[20]

A administração de Salomão foi motivo de descontentamento do povo, porém, ele foi considerado historicamente como um rei que construiu muito e, especialmente, como um rei de muito conhecimento.[20]

Invasões estrangeiras[editar | editar código-fonte]

Os demais povos se apoderaram de Israel por uma grande variedade de vezes. Após a divisão de Israel em dois Estados adversários — Israel na parte setentrional e Judá na parte meridional, os assírios e babilônios aprisionaram os hebreus. Depois, dentre os demais povos dominadores, os persas e romanos se apoderaram de Israel. Por volta do ano 70 a.C., a cidade de Jerusalém foi destruída pelo imperador romano Tito. Os judeus, desde então, foram espalhados pelo mundo (foi a denominada Diáspora) e somente foi conseguida a reunião no território de hoje, em 1948, quando fundou-se o Estado de Israel.[21]

Religião judaica[editar | editar código-fonte]

Demais povos conquistaram os israelitas, de grande fraqueza sob a ótica militar, e até levaram como escravos à Babilônia (o cativeiro da Babilônia). Mas os hebreus superaram numerosas dificuldades por meio dos séculos e, uma vez que se uniram ao redor de seus ensinamentos religiosos, ainda hoje são sempre um povo.[22]

Uma função de grande importância na parte religiosa e moralista foi desempenhada pelos judeus, que influenciaram muito o ocidente inteiro, a partir da Europa às Américas.[22]

Eram praticantes do monoteísmo e acreditavam em Javé, Deus que criou tudo, universal, que não pode ser visto, espírito todo-poderoso, o qual não se podia representar através de estátuas ou imagens. Os hebreus deviam adorá-lo "em espírito e verdade". Os sacerdotes também chamavam-se de levitas, por serem pertencentes à tribo de Levi, uma das doze tribos de Israel.[22]

Nos 1000 anos anteriores à época em que Jesus Cristo nasceu, o povo hebreu escreveu sua história, suas leis e suas crenças. Esses relatos, em seu total, acham-se na parte inicial da Bíblia, denominada de Antigo Testamento, o qual é a parte que o povo hebreu segue. A Bíblia é um livro religioso do judaísmo como também do cristianismo.[22]

Os romanos destruíram o monumental Templo de Jerusalém no ano 70. Hoje em dia o restante é só o muro pelo qual o templo era cercado. Naquele muro, a destruição do templo e o espalhamento do seu povo vão ser lamentados pelos israelitas. Esse muro é chamado de Muro das Lamentações.

Quanto às festas e dias santificados, os judeus consagram o sábado à prática da religião. Proíbe-se qualquer trabalho que pode ser realizado apenas em seis dias úteis. Os judeus reservam o sábado, propriamente dito, para se encontrar com os familiares, para orar e estudar o Antigo Testamento (faziam-se também cultos religiosos na sinagoga).[22]

Geralmente, fatos históricos, religiosos e agrícolas são comemorados pelas festas religiosas. A festa religiosa de maior solenidade do judaísmo é o Yom Kippur (Dia do Perdão); era um dia destinado pela Lei de Moisés para que todos se apresentassem diante do Sumo Sacerdote e, através do ato simbólico do sacrifício, fossem perdoados por Deus caso houvesse sinceridade no arrependimento.[22]

Numa época antiga, dentre os judeus, Deus era homenageado através de animais sacrificados (holocaustos) e através de ofertas. Atualmente, na Diáspora (dispersão pelo mundo), os judeus são reunidos em locais de culto que chamam-se sinagogas. O ato de orar e ler a Bíblia Hebraica é transformada numa essência da vida judaica.[23]

Em toda a história israelita, certos homens influenciaram uma função especial: eles são os profetas. Os profetas são pessoas que Deus inspirou; são os porta-vozes dele. Desde o século VII a.C., eles já esperavam muito: o Messias, um enviado de Deus, veio para que o mundo seja transformado, fazer com que reinem a paz, a justiça e o amor e que os israelitas estejam reunidos para que vivam em paz em sua própria terra. Os israelitas ainda hoje sempre esperam um messias salvador, que, segundo o que os cristãos acreditam já chegou na pessoa de Jesus Cristo.[23]

Esperando o messias, é obrigatória a tendência do judeu à santidade, em observação da Lei e das regras de vida (moral judaica). O conteúdo das leis aparece em um livro que chama-se Torá (lit. "Lei"). Elas dizem respeito aos aspectos da vida em sua totalidade: cultuar, trabalhar, viver em família, comer, vestir, punir as faltas, etc. Os religiosos que explicam as leis da Torá são mestres que chamam-se rabinos. O conteúdo dos comentários que os rabinos explicam a respeito dessas leis aparece num grande livro: o Talmud.[23]

Civilização Fenícia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fenícia

O povo fenício, que se originou no Oriente Médio, passou sua vida, desde uns 3000 a.C., numa faixa de terra de menor comprimento no litoral leste do mar Mediterrâneo, na região que o Líbano e a Síria ocupam atualmente.[24]

Comércio fenício.

Proprietários de um pequena quantidade de terrenos e de solos arenosos, os fenícios não foram dedicados à agricultura. Uma vez que se cercavam de regiões montanhosas entre as partes setentrional, meridional e oriental, somente lhes sobrava o aproveitamento do mar. Passando sua vida em convívio com o mar, inventaram precocemente a construção de navios e a navegação. Dessa forma, suas cidades mais importantes, como Tiro, Sídon, Biblos e Ugarit, foram transformados em portos de partida dos navios que vendiam produtos próprios ou de demais nações. Suas galeras viveram aventuras pelos mares em corajosas viagens, na conquista de mercados longínquos.[24]

Foi dessa forma, que os fenícios, além de sondar o mar Mediterrâneo, comercializando com as ilhas do Chipre, Creta, Sicília, Córsega e Sardenha, alcançaram o oceano Atlântico, vindo ao mar Báltico, no norte da Europa, e explorando o litoral da África. Os fenícios foram o povo que mais navegou e explorou durante a Antiguidade. Circunavegaram o litoral da África no ano 600 a.C., por solicitação do faraó egípcio Necao, viajando no mesmo trajeto que, dois mil anos depois, seria feito por Vasco da Gama na direção oposta. Existe, ainda, a afirmação de quem considera a chegada dos fenícios até o litoral brasileiro.[25]

Comércio fenício[editar | editar código-fonte]

Numerosas foram as mercadorias que os fenícios comercializavam. Compravam-se alguns deles em demais nações e revendiam-se em demais locais. Porém, a maior parte eram produtos propriamente fabricados, como tecidos, corantes para pintar tecidos (como a púrpura), cerâmicas, armas de fogo, peças metálicas, vidro de transparência e de cor, joias, perfumes, especiarias, entre outros. Seus artesãos possuíam habilidade para imitar e falsificar mercadorias de demais povos. Importavam-se também os cedros da região montanhosa da Fenícia. Os fenícios também foram o povo que mais vendia escravos à época. Criaram feitorias (pontos onde mercadorias eram armazenadas) e uma grande quantidade de colônias em demais regiões, como as ilhas de Malta, Sardenha, Córsega e Sicília, e criaram, na porção setentrional da África, a famosa cidade de Cartago.[25]

Política fenícia[editar | editar código-fonte]

Os fenícios se organizavam em cidades-estados, ou seja, cada cidade fenícia formava um centro comercial dotado de independência e administração política peculiares. Comerciantes de influência denominados sufetas exerciam o governo dessas cidades. Por um grande número de vezes, essas cidades chocavam-se porque o comércio era muito concorrido. Tributos chegaram mesmo a ser pagos por certos centros urbanos que objetivavam preferir e proteger seus produtos comerciais.[25]

Cultura fenícia[editar | editar código-fonte]

Evolução das letras que compõem o nome hebraico do rei Davi a partir do alfabeto fenício, passando pela escrita hebraica antiga pré-exílio chegando as letras hebraicas atuais (denominadas de "letras quadráticas" ou "escrita assíria").

Inicialmente, os fenícios usavam a escrita cuneiforme da Mesopotâmia. Após a escrita cuneiforme, os fenícios, propriamente ditos, começaram a usar hieróglifos dos egípcios. Porém, esses sistemas de escrita não estavam atendendo às suas necessidades de comércio. Dessa forma, nasceu a ideia da simplificação da escrita e da invenção do alfabeto, o qual tornou-se a maior colaboração dada pelos fenícios para o nosso planeta, na área da cultura.[25]

Essa descoberta de importância surgiu porque era necessária a facilitação dos contratos de comércio que eram contabilizados e elaborados com os demais países. Dessa forma, os fenícios criaram os 22 sinais representativos das consoantes; em seguida, o alfabeto fenício foi aperfeiçoado pelos gregos, que adicionaram as vogais, e este sistema de escrita passou a ser adotado pelos demais povos.[25]

Em Ugarit, encontrou-se uma biblioteca com numerosos tabletes feitos de argila com escritura a respeito dos aspectos administrativos, religiosos e mitológicos da Fenícia.[25]

Religião fenícia[editar | editar código-fonte]

O povo fenício eram adeptos do politeísmo, ou seja, cultuavam uma grande variedade de deuses, como Astarte, deusa que protegia a fecundidade; Baal, deus do trovão; Melkart, deus guerreiro e violento; Ishtar, adorada também na Fenícia, e demais divindades.[26]

Como curiosidade, na religião da Fenícia, é que eles, como marinheiros, não possuíam deuses do mar e homens e crianças eram sacrificados por religiosos, em cerimônias ritualísticas, homenageando os deuses, especialmente Moloch.[26]

Ciência fenícia[editar | editar código-fonte]

O povo fenício não teve originalidade na área científica, deixando de parafrasear de demais povos o que possivelmente seria de grande utilidade para eles. Como comerciantes, o setor de maior desenvolvimento dos fenícios foi o da construção de navios e da navegação. Conheciam muito bem matemática para construir navios e astronomia, que os ajudava a navegar pelos mares.[26]

Civilização Persa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Persas

O Império Aquemênida teve início em 549 antes de Cristo, depois de ser conquistado por Ciro, o Grande, e término em 330, quando Dario III foi derrotado por Alexandre Magno, da Macedônia. O tempo de duração do Império Persa, então, era de mais de dois séculos e abrangia peculiarmente a Ásia Menor inteira. Situava-se na área de ocupação atual dos seguintes países: Irã, Iraque, Líbano, Jordânia, Israel, Egito, Turquia, Kuwait, Afeganistão, Geórgia, parte do Paquistão, da Grécia, da Bulgária da Romênia, da Ucrânia e da Líbia.[27]

Foi o mais grande império conhecido na época. Os persas, da mesma forma que os medos, eram os dois povos que se originaram de regiões de línguas indo-europeias e os quais foram estabelecidos no planalto iraniano há cerca de um milênio antes de Cristo.[27]

Reis persas[editar | editar código-fonte]

Ciro II.

Na história do Império Aquemênida, haviam três reis persas mais importantes: Ciro, o Grande, Cambises I e Dario I. Sob a direção talentosa do general Ciro,[28] então comandante das tropas persas, os dois povos, medos e persas, foram unidos em torno do século VI antes de Cristo e constituíram o Império Persa.[28]

Quando Ciro II governou por 25 anos, a Mesopotâmia conseguiu não só ser conquistada por ele como também a Ásia Menor inteira. Ao contrário de demais dominadores, Ciro respeitava os povos que dominava, permitindo que essas populações vivessem normalmente bem, fossem livres para agir, trabalhar, cultuar seus deuses, entre outras atividades.[28] Mais por razões de governo do que motivos de religião, Ciro, em algum momento, entrou num templo religioso persa com o objetivo de cultuar os deuses. A liberdade religiosa foi permitida e o roubo forçado dos templos babilônicos pelos soldados foi proibido. Caracterizado por sua liberalidade e generosidade,[28] Ciro autorizou a volta dos hebreus escravizados pelos persas ao país de onde originaram, a Palestina.[28]

Sua administração não aceitava as ideias dos outros em ambos os detalhes:[28] os povos conquistados se obrigavam a prestar o serviço militar e a pagar altos tributos. Ciro faleceu em batalha por volta do ano de 529 antes de Cristo.[29]

Ciro foi inicialmente sucedido por seu filho Cambises, caracterizado por sua crueldade e violência,[28] exigindo, também, que o próprio irmão fosse assassinado. Em 525 antes de Cristo, o Egito foi conquistado por Cambises, que, no entanto, morreu sem deixar evidências no caminho de volta ao seu país.[29]

Dário.

Dario I era da mesma família de Cambises e tomou posse do governo no ano de 521 antes de Cristo. Expandiu ainda mais o grande Império Persa, dominando o vale do rio Indo e o norte da Grécia, no entanto, Dario I foi infeliz na Batalha de Maratona,[28] quando os atenienses o derrotaram. A mais grande colaboração histórica deixada por Dario I foi, provavelmente, uma rigorosa ordem político-administrativa imposta por ele ao grande Império Aquemênida.[29]

Política persa[editar | editar código-fonte]

O Império Aquemênida foi firmemente governado por Dario I, este ajudado por um exército de grande poder, mas ao mesmo tempo, bondosamente. Para que facilitasse a administração, o império foi dividido em 20 províncias, denominadas satrapias. Um sátrapa governava cada satrapia. O rei nomeava os sátrapas, cujas funções mais importantes foram:[29]

  • exercício da justiça;
  • cobrança de impostos;
  • administração das obras públicas;
  • manutenção da ordem.

Para que não ocorresse o abuso de poder dos sátrapas, cabia ao rei a nomeação para cada província de um secretário e de um general que o informavam sobre os acontecimentos que passavam em cada satrapia. Os inspetores, visitantes periódicos das províncias, enviados do rei, fiscalizavam os sátrapas, por sua vez, generais e secretários. Os inspetores tinham como o apelido a perífrase de "os olhos e os ouvidos do rei". Para que facilitasse as transações comerciais, Dario decidiu criar uma moeda (em ouro ou prata) para o império inteiro: o dárico. As moedas só podiam ser fabricadas por ordem do rei.[29]

Transportes e comunicações persas[editar | editar código-fonte]

As estradas dentre as mais importantes cidades do Império Aquemênida foram construídas pelos persas. O sistema de correio instituído por Dario utilizava essas estradas. Há mais de 20 quilômetros cada existiam estações de descanso com hospedaria e cocheira. Os mensageiros reais substituíam os cavalos, de modo que as distâncias de grande comprimento fossem possivelmente cobertas com rapidez. Os mensageiros conseguiram o transporte de uma mensagem entre as cidades de Susa e Sardes em um limite de tempo anterior a duas semanas, totalizando uma distância superior a 2 400 quilômetros.[30]

Economia persa[editar | editar código-fonte]

As principais atividades econômicas do Império Aquemênida foram a agricultura e comércio. A população, embora fosse composta de agricultores, passava a sua vida na mais completa falta de recursos financeiros, se obrigando a dar aos fazendeiros grande parte do que era produzido pelos camponeses. Além do mais, se obrigava a trabalhar gratuitamente em obras públicas, como construir palácios, estradas e canais de irrigação, atividades agrárias muito valorizadas pela religião.[30]

A sociedade inteira era explorada pelo governo com o peso dos impostos, com a finalidade de sustentar o exército e o luxo da corte. O Império Aquemênida se relacionava comercialmente com o Egito, a Fenícia e a Índia.[30]

Religião persa[editar | editar código-fonte]

Faravahar (ou Ferohar), representação da alma humana antes do nascimento e depois da morte, é um dos símbolos do zoroastrismo.

A religião que o ilustre profeta denominado Zoroastro, natural da Pérsia, no século VI antes de Cristo, pregava, era seguida pelos persas. O deus do bem (Mazda) e o deus do mal (Arimã) lutavam constantemente e isso era pregado por Zaratustra. Cultuavam também o Sol (Mitra), a Lua (Mah) e a Terra (Zan).[30]

Acreditavam em um deus que criou o céu,[31] a terra[31] e o homem[31] e em uma vida depois da morte.[31] Não se enterravam os corpos dos falecidos que se consideravam impuros para não sujar com manchas a terra-mãe sagrada. Colocavam-se às aves de rapina, em torres de maior altura, ou protegiam-se todos com cera antes de se enterrarem. Não possuíam torres nem estátuas, mas propagavam o fogo sagrado, símbolo do deus do bem e da pureza. Além do mais, o zoroastrismo (religião persa também denominada mazdeísmo) difundia a bondade, a justiça e a retidão. O bem e o mal eram duplamente rígidos e isso influenciou enormemente o cristianismo, e, futuramente, o islamismo de Maomé.[30] A bíblia dos mazdeístas era o Zend Avesta.[31]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os persas eram distintos na arquitetura, sendo construtores de belos palácios, como os de Persépolis e Susa. Foram famosos trabalhadores de tijolo que se esmaltavam em cores vivas. Na escultura, eram utilizadores dos baixos-relevos. Foram artistas imitadores dos egípcios e dos assírios. Escreviam letras cuneiformes, da Mesopotâmia.[31]

Civilização Chinesa[editar | editar código-fonte]

Mapa histórico da China durante a dinastia Han.

A China é um grande país, geograficamente falando, que se localiza no extremo leste do mundo. Por ser geograficamente isolado, demorou a chegada de uma grande quantidade de coisas que os chineses descobriram e inventaram no Oriente, como a pólvora, a bússola e o papel, em viagens marítimas de navio que levavam muito tempo para vir ao Ocidente, porque era muito longe e difícil. A China, da mesma forma que a Índia, era um local de procura de comerciantes de especiarias.[32]

Na região norte, nas proximidades do rio Amarelo (Huang Ho), as frequentes inundações e catástrofes das chuvas eram provocadas. Consequentemente, deviam tratar-se cuidadosamente a agricultura e certos produtos mais importantes, como o trigo e o milho, distantes das áreas de inundação, sendo obrigatória, dessa forma, a irrigação artificial utilizada, trabalhando pacientemente o solo tratado.[32]

Nas regiões de montanhas do centro-sul, que o rio Azul (Yang Tsé Kiang) domina, contrariamente, o clima era de calor e umidade e a plantação de arroz era favorecida. Servia-se, ao mesmo tempo, a região com uma rede de canais artificiais.[32]

Sociedade chinesa[editar | editar código-fonte]

A construção da grande muralha da China ocorreu no século III a.C., na dinastia Tsing, para a defesa do império chinês contra os hunos invasores. Sua medidas são de aproximadamente 2 400 km de comprimento e hoje em dia é uma importante atração turística.

A civilização chinesa é muito antiga. Ela foi desenvolvida no Período Neolítico, nas terras baixas do rio Amarelo. Pode ser reconstruída a história da antiga sociedade chinesa por meio dos inúmeros materiais arqueológicos que se encontraram. Já que as civilizações babilônica e egípcia voltaram-se para a agricultura, que se considerava a mais antiga das artes. Para que o exemplo seja dado ao povo, o arado do imperador ("o filho do céu") foi pegado e a terra era lavrada anualmente pela única vez.[33]

Perto dos anos 1500 a.C., era boa a organização política da monarquia chinesa, dominada pela dinastia Shang, reinante entre os séculos XII e III a.C. Uma grande variedade de dinastias foi sucedida, com classes sociais divididas.[33]

O período da dinastia Shu foi de movimentada atividade cultural. Nasceu uma grande variedade de correntes filosóficas vindas a ser chamadas de Centros Escolares, que se destinavam ao exercício filosófico e ao estudo da milenar história da China. Destas escolas, apareceram notáveis filósofos, como Confúcio e Lao-Tsé.[33]

Filosofia chinesa[editar | editar código-fonte]

A filosofia chinesa destacava-se através da obra dos seguintes pensadores:[34]

  • Confúcio (Kung Fu-Tsé = o mestre; 551 - 479 a.C.). Foi um famoso filósofo chinês, passou a vida e percorreu em viagem pelas cortes reais, sendo oferecidos seus serviços e sua sabedoria para os soberanos e príncipes. Viveu na sua maior parte dando aulas. Não foi o fundador de uma religião,[34] mas considerou-se um mestre da vida.[34] A base de seus ensinamentos exemplifica a virtude vinda das alturas. A sociedade adequada, na opinião dele, é um conjunto humano demonstrador[34] de atitudes respeitosas[34] e ordeiras[34] entre o soberano e seus súditos,[34] entre pais e filhos, entre marido e mulher, e entre amigos. Então, caso não respeitarem-se essas normas, a sociedade será desordeira e violenta.[34] Foram em uma pequena quantidade os que seguiam Confúcio na época em que ele viveu. Depois que morreu, sua filosofia de vida teve bom sucesso, por ser um pensamento pregador do culto aos ancestrais, da bondade, do perdão e da amizade.[34]
  • Lao-Tsé (século VI a,C.) foi o filósofo criador da tradição religiosa que chama-se taoismo. O nome é derivado do seu livro Tao, pregador do caminho, da vida e dos hábitos corretos. Os taoistas eram os críticos das injustiças, como, exemplificando, pune-se um ladrão de menor idade à medida que um ladrão de maior idade vem a ser transformado em um ilustre fazendeiro.[34] O pedido do taoismo é que o homem volte para o meio ambiente.[34]

Alfabeto chinês[editar | editar código-fonte]

Os chineses foram os inventores de um tipo de escrita de grande complicação. Era a forma de escrita que chama-se ideográfica, os sinais representativos dos objetos ou ideias. Eram possuidores de uma quantidade superior de 3 000 ideogramas, cuja boa escrita é necessária para não confundir um com outro. Por essa razão, era considerada importante a caligrafia chinesa. Ao longo de uma grande quantidade de séculos, a escrita e a cultura privilegiaram a elite que prestava serviços ao governo.[35]

Economia chinesa[editar | editar código-fonte]

Cavalo sancai da Dinastia Tang. Museu de Xangai.

A civilização chinesa foi desenvolvida nas planícies que os imensos rios, por essa razão, dedicou-se bastante à agricultura. Contudo, nasceram diferentes atividades econômicas, como a indústria de tecelagem (com palha, cânhamo), em principal a seda fabricada, transformada em especiaria notável no mundo inteiro.[35]

O artesanato feito de bambu, juncos, caniços, peles de animais e madeira era uma atividade econômica de grande desenvolvimento. A habilidade dos chineses era o artesanato em cerâmica, que possuía seu ponto mais alto na notória porcelana fabricada na China.[35]

Cultura chinesa[editar | editar código-fonte]

Entre as obras dignas de atenção deixadas pelos chineses no área arquitetônica estão os palácios, templos e túmulos, casas com dois telhados, terraços e jardins muito delicados com cursos de água e pontes. Porém, a obra mais destacada foi a Grande Muralha. Na escultura, sendo utilizadores de mármore, calcário e alabastro, foram escultores de estátuas representativas de forças naturais, grandes batalhas e animais. Na pintura, foram fazedores de ornamentos muito delicados em porcelana e tecido, além de pintores de murais e decorações para a parte interna das casas. Eram empregadores de cores dotadas de vida e brilho.[35]

Civilização Hindu[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Civilização Hindu

A Índia, local de nascimento de uma imensa civilização, localiza-se no sul da Ásia. Por ali estar geograficamente situado, há muito tempo ela distanciou-se dos outros povos. Foi, da mesma forma que a China, a mais distante região onde intensificou-se o comércio das especiarias, na época da Idade Média e início dos tempos modernos, sendo influenciadas, também, as Grandes Navegações. Os hindus foram os meritosos inventores dos algarismos, que posteriormente os árabes divulgaram.[36]

Origens da civilização hindu[editar | editar código-fonte]

Dentre os povos habitantes da antiga Índia, destacaram-se os drávidas, em 2000 a.C. Praticavam muito bem a agricultura, já eram conhecedores de sistemas de irrigação e a habilidade dos hindus residia no comércio. Suas moradas eram cidades com estradas de grande comprimento,[36] casas feitas de pedras com boa limpeza no interior de seus comôdos, preocupando-se com a higiene e a parte sanitária. Mas esse povo não soube resistir aos invasores e, por esse motivo, entre 1750 e 1400 a.C. as tribos arianas oriundas do norte que dominaram a região de Pendjab (região dos cinco rios), perto do rio Indo, escravizaram os hindus.[36]

Sociedade hindu[editar | editar código-fonte]

As terras dos drávidas, escravizados pelos invasores, foram tomadas pelos arianos, estes fixados como classe que dominava o poder, a religião e o domínio militar. Sob total dominação, sobrou aos drávidas somente o trabalho e a submissão. As tribos arianas encontravam-se sob o domínio de diminutos reis que chamavam-se rajás e, de vez em quando, de marajás, reis mais poderosos.[37]

A sociedade foi organizada em base de castas (classes sociais imutáveis). Proibia-se, exemplificando, o casamento de uma pessoa de uma classe social com outra pessoa de uma classe diferenciada ou posição social. Quem era nascido numa classe social ficava nela até a sua morte. A classes (castas) ligavam-se à religião e às profissões diferenciadas. Eram crentes na saída das classes sociais através do corpo do deus Brama.[37]

As classes fixavam-se, continuando socialmente posicionadas. Punia-se todo o desrespeito a uma casta superior, expulsando o indivíduo da sua casta ou rebaixando-o para a condição de pária. Devido à sua expulsão, a pessoa submetia-se aos trabalhos de maior humilhação e considerava-se um impuro ou pária.[37] O costume dos hindus era o banho nas águas do rio Ganges (rio sagrado), no entanto, proibia-se aos párias o banho, a frequência aos templos e até a leitura dos ensinamentos sagrados.[37]

Religião hindu[editar | editar código-fonte]

Os nativos do vale do rio Indo eram adoradores da mãe-terra, dona da vida. Em seguida, os arianos foram os introdutores do culto ao firmamento, ao Sol, à Lua, ao fogo, à chuva e às tempestades. Logo seguidamente foram afirmados no bramanismo, religião pregadora das castas e que foi transformada em credo oficial na Índia, em conformidade com a escritura nos livros Vedas (Saber Sagrado). O bramanismo baseia-se em três divindades: Brama (aquele que criou o mundo), Vixnu (aquele que conserva os mundos) e Shiva (aquele que destrói os mundos). Essas três divindades em conjunto chamam-se Trimúrti. De acordo com essa religião, o espírito nunca morre e qualquer ser humano ressuscita depois que morre, sendo reencarnado ora em homem, ora em animal. Dessa forma, por meio de reencarnações, as pessoas vão ganhando perfeição espiritual até a sua chegada ao Nirvana, um estado de perfeição pelo qual é identificado o homem com o deus Brama. Assim, a religião motivava as pessoas à aceitação passiva de sua condição social como um estado natural, porque depois que morriam,[37] teriam a chance de renascimento numa casta superior se fossem benévolos[37] quando vivos.[37] Mas estavam expostos à perigosa descida para a condição de párias ou animais se fossem malévolos.[37]

Budismo[editar | editar código-fonte]

De suas raízes na Índia, os ensinamentos do Buda se espalharam pelo mundo, como essa escultura de Amitabha pertencente à Dinastia Tang, encontrada na Hidden Stream Temple Cave, Longmen Grottoes.

No século VI a.C., a solução de Buda, um iluminado, um membro da nobreza do Nepal, que não contentava-se com os preceitos bramanistas, era a criação de uma religião reformada, como credo pregador das pessoas iguais a Deus, sem distinguir castas.[37]

A casa e o conforto de Buda foram abandonados, para a mudança de vida e para a pregação de um novo tipo de religião. Penitenciou nos bosques, vestiu-se como um mendigo, sua barba e seu cabelo foram cortados e ele meditou profundamente.[37]

Por seis anos passou sua vida distante de todos, jejuando e meditando, até que um dia, com sentimento e visão muito claras, percebeu a vida como condutora para a liberdade e para o fim do mundo. Voltando a conviver com os homens, iniciou a pregação sem distinguir casta, sendo ensinando que ódio não é vencido com o ódio mas com o amor e apenas quem descobrir que a riqueza e os grandes sucessos podem ser renunciados terá a chance de encontrar a tranquilidade e a paz na alma e penetrará no Nirvana. A quantidade de adeptos do budismo era grande, em principal nas classes de menor riqueza, porém, fortaleceu-se em grande quantidade depois que morreu Buda. A religião foi estendida pela Ásia inteira, na sua chegada até o Japão. Atualmente é a religião professada por 3 milhões de asiáticos.[37]

Civilização Cretense[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Civilização Minoica
Mapa da Civilização Minoica.

Perto do III milênio a.C., contemporâneo às civilizações orientais e do Egito que desenvolveram-se na época, a ilha de Creta foi uma região receptora de certos povos, que provavelmente vieram da Ásia Menor. Creta localizava-se bem no Mediterrâneo Oriental, próximo à Grécia e à Ásia Menor. Os primeiros povos que habitavam essas terras originaram a civilização egeia, chamada assim porque desenvolveu-se ao redor do Mar Egeu. Como a maior parte da população formava-se de pescadores e marinheiros, foram chamados de povo do mar.[38]

Dentro da civilização cretense há três estágios: civilização egeia (inicial), civilização cretense e civilização minoica (período mais desenvolvido). A civilização cretense foi a de maior tranquilidade do que as civilizações do oriente. Inicialmente, os cretenses se preocupavan com a agricultura (vinha, oliva) e, depois eles foram dedicados ao comércio marítimo com as demais ilhas do Mar Egeu, com a Ásia e com o Egito.[38]

No século XIX, o arqueólogo inglês Evans foi o descobridor de traços e vestígios da grandiosidade dos palácios que datam de 1900 a.C. Esses traços e vestígios eram restantes das cidades de Cnossos e Faistos. Esses palácios com decoração de quartos, além de oficinas, redes de água e esgoto, lugares para fins administrativos eram a demonstração de que os cretenses eram altamente civilizados e socialmente organizados.[38]

Por volta de 1 750 a.C., talvez um terremoto, ou mesmo um vulcão explosivo, destruiu verdadeiramente Creta, de modo que os palácios reais de Faistos e Cnossos soterraram-se. Porém, acima dessas ruínas, por volta de 1600, o Minos foi o rei construtor do esplendor dos demais palácios e Cnossos foi transformada na capital da ilha de Creta.[39]

Civilização Minoica[editar | editar código-fonte]

O palácio de Cnossos, que o rei Minos construiu, era grande e seus cômodos compreendidos eram salas do trono, teatro para espetáculos, torneios e touradas. A construção, entre 4 e 5 andares, dispunha de 1 300 divisões para a maior diversidade de fins. Servia-se de um imenso pátio central com cerca de 10 000 m². Sua quantidade de habitantes era maior que cem pessoas, sendo compreendidas a família real, funcionários e servos.[39]

Os reis-sacerdotes do palácio de Cnossos eram os soberanos daquele edifício governamental. O de maior importância entre eles foi o rei Minos, que, segundo a lenda, seu pai era Zeus, o deus que lhe inspirava para ser o governante do povo como sábio e justo.[39]

O maior atrativo religioso era a Deusa-Mãe, que considerava-se a deusa que protegia a fecundidade, a maternidade, a terra e os homens. Era também a senhora que protegia os animais, e a ela consagravam-se os pássaros, leões e serpentes.[39]

Homenageando a Deusa-Mãe, os cretenses eram os organizadores de um grande número de festas, jogos, torneios, touradas em que os rapazes eram habilmente exibidos em exercícios que ofereciam perigo, ginásticas. Os cretenses eram os toureadores de touros, mas sem a matança desse bovídeo ruminante da classe dos mamíferos, porque esses animais eram considerados como entes sagrados.[39]

O período minoico teve papel de destaque no mais alto progresso da ilha de Creta. Eram comuns as relações de comércio com os demais povos que habitavam o mar Mediterrâneo. Os cretenses, naquele tempo, foram os utilizadores de um sistema de pesos e medidas sob inspiração dos egípcios e mesopotâmicos. Para os cretenses, as moedas de cobre eram de valores diferenciados para a sua utilização nas transações comerciais. As moedas, geralmente, mostravam um labirinto desenhado.[39]

Houve parada brusca dessa civilização, em 1 400 a.C., provalvelmente porque ela foi destruída. Naquele tempo, os aqueus, que vieram da Grécia, invadiram a ilha de Creta.[39]

Cultura cretense[editar | editar código-fonte]

A vida levada pelo povo cretense era de muita alegria e festividade. Tanto os homens quanto as mulheres possuíam dedicação em grande parte do seu tempo para jogar, exercitar o corpo ao ar livre, bater com os punhos, lutar com os gladiadores, correr, realizar torneios, desfilar e tourear.[40]

  • A dança, que se acompanhava de cantos e sons, era um diferente passatempo predileto que os cretenses possuíam.[40]
  • Frequentavam teatros ao ar livre, que ficavam nos pátios dos palácios em um grande número de vezes.[40]
  • Os alimentos eram armazenados em grandes potes ou vasos que eram tão altos quanto um ser humano. Esses vasos, ao mesmo tempo que os cretenses armazenavam, eram também objetos que decoravam, porque possuíam uma rica decoração.[40]
  • Foram os inventores de um sistema peculiar de escrita, com gravação em argila. A inspiração de parte dessa escrita veio dos hieróglifos egípcios.[40]
  • Ganharam fama pelos labirintos que construíram, com um grande número de salas e corredores. Ganhou popularidade o labirinto de Cnossos, o qual quem construiu foi o arquiteto Dédalo, a pedido do rei Minos.[40]
  • A arte cretense era muito fantástica, viva e delicada.[40] Os artistas possuíam talento de representação do momento em que um touro esteve furioso[40] ou em que um polvo se movimentava suavemente.[40] Os artesãos eram trabalhadores na cerâmica, no ouro, na prata, no bronze, com os quais eram feitas belas peças e objetos de adorno.[40]
  • Possuíam grande desenvolvimento na pintura.[41] Os pintores procuravam se inspirar na natureza, nos pássaros, nas flores, na vida à beira-mar. Os gregos somente superavam os cretenses na arte.[41]

Antiguidade clássica[editar | editar código-fonte]

Civilização grega[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Grécia Antiga
Localização da Grécia Antiga no mundo.

A Grécia é uma península que os mares Jônico, Egeu e Mediterrâneo banham.[42] Localiza-se a oeste da Ásia Menor (atual Turquia). O litoral grego tem grandes recortes, constituindo numerosos portos naturais. Os mares, pelos quais é circundada a Grécia, pontilham-se de ilhas e ilhotas conhecidas por serem naturalmente belas.[42]

Era uma região com grande diferença daquelas que os povos orientais habitavam,[42] os quais passavam a vida na fertilidade das planícies margeadas pela grandeza dos rios, ao passo que os gregos, ocupantes de uma área de grandes montanhas,[42] precisavam dedicar-se ao trabalho árduo em um solo de pouca riqueza e muita pedregosidade para conseguir sua agricultura de subsistência.[42]

Como a terra era empobrecida, nas diminutas áreas de cultivo eram formados agrupamentos humanos (diminutas comunidades) que uma grande variedade de acidentes geográficos, como montanhas e colinas separavam umas das outras.[42]

Período Pré-Homérico (século XX a.C até o século XII a.C.)[editar | editar código-fonte]

Cavalo de Troia em pintura de Giovanni Domenico Tiepolo.

Uma série de povos arianos e indo-europeus foram os invasores da região grega e as sociedades dominadoras dos habitantes dos povos neolíticos. Os povos mais importantes que invadiram a Grécia Antiga foram os aqueus, os dórios, os jônios e os eólios.[42]

Os aqueus invadiram uma grande variedade de cidades (Tirinto, Micenas, Troia). Como dividiam-se em tribos, eram organizados em pequenos reinos (cidades-estados). Por volta de 1500 a.C., já eram fortemente organizados para a guerra,[42] o que lhes possibilitou a dominação da ilha de Creta, e na região foi instalada uma base militar e marítima dos aqueus.[42] Foram transformados em soldados da marinha e foram os fundadores de uma grande variedade de colônias nas ilhas do Mar Egeu.[42] De 1280 a.C. até 1270 a.C., os aqueus declararam por uma dezena de anos uma guerra à cidade de Troia,[42] alvo de destruição e incêndio, sendo então dominada.[42] Até meados do século XIX, pensava-se que a Guerra de Troia era uma história fantasiosa[42] de autoria do poeta grego Homero e que a cidade jamais tivesse que existir.[42] Porém, em 1871, o alemão Heinrich Schliemann, em trabalhos arqueológicos, foi o descobridor de nove cidades que sofreram destruição,[42] umas juntamente às demais, e entre elas foi encontrado o tesouro do rei Príamo (rei de Troia), daí a comprovação da verdadeira existência de Troia.[42]

Período Homérico (século XII a.C. até o século VIII a.C.)[editar | editar código-fonte]

Busto de Homero.

O poeta Homero foi o autor de ambos os célebres livros de poesias: a Ilíada e a Odisseia.[42] Essas obras acabaram sendo transformadas em documentos de importância para se estudar a civilização grega daquela época, nos modus vivendi, costumes, usos da terra, organização social, política, cultura e educação.[42]

A Ilíada é a narração da história da cidade de Troia e a guerra, com a totalidade de seus heróis (como Ulisses e Aquiles) e suas aventuras.[42] Após ficarem duramente cercados por uma dezena de anos, os gregos conseguiram ser os vencedores da resistência troiana,[42] sendo os inventores de um grande cavalo feito de madeira,[42] com soldados que se esconderam dentro, julgando ser um presente dos deuses.[42][18] Depois que os troianos festejaram e beberam, houve a saída dos gregos do cavalo e a cidade foi dominada. Daí a origem da expressão "presente de grego".[42]

A Odisseia é a narração do aventureiro Ulisses,[42] um dos heróis que lutaram na Guerra de Troia, quando voltou para a ilha de Ítaca, onde era rei. Quando retornou de viagem, passou por proezas, como sentir-se livre[42] dos gigantes de um único olho na testa (os ciclopes),[42] ser resistente[42] às sereias encantadas (atrativo dos marinheiros para o fundo do mar)[42] e sentir-se livre[42] do terror da bruxa Circe,[42] feiticeira dos seus marinheiros.[42] A deusa Palas Atena foi a divindade protetora do herói viajante,[42] sendo possível o retorno de Ulisses a seu reino, onde o viajante foi esperado pela esposa Penélope por uma série de anos.[42]

Essas obras foram transformadas em clássicos como fontes para se estudar a história e como base para educar os jovens gregos por séculos,[42] porque eram publicações literárias realçadoras[42] dos valores da bondade, da coragem, da justiça, do amor filial e da luta pelos direitos.[42]

Genos[editar | editar código-fonte]

Na época em que viveu Homero, a sociedade era constituída de pequenas comunidades que nada mais eram que o grupo dos membros de uma família que eram obedientes[42] a um chefe (o pater familias, família patriarcal).[42] Eram agricultores e pecuaristas;[42] os bens e a terra eram pertencentes à comunidade. (Não existia a propriedade privada.)[42]

 Período Arcaico (século VIII a.C. até o século VI a.C.)[editar | editar código-fonte]

Pólis [editar | editar código-fonte]
O Partenon, na acrópole de Atenas.

Os genos progrediram, foram desunidos e apareceu uma forma diferente de comunidade de maior amplitude, que constituía uma unidade territorial, política, econômica e social. Chamava-se pólis, uma cidade-estado, livre das demais,[42] com governo próprio e economicamente auto-suficiente.[42] A pólis se compunha de três partes essenciais:[42]

  • a acrópole: a porção de maior elevação,[42] funcionando-se como fortaleza e onde estavam situados os templos para cultuar os deuses e governar a cidade-estado.[42]
  • a ágora: a praça mais importante, onde o povo encontrava-se reunido para a discussão dos problemas que preocupavam a comunidade e ao pequeno comércio.[42]
  • a ásty: o mercado central.[42]
  • os campos agrícolas ou de pastoreio.[42]

A Grécia era uma imensa região que um grande número de cidades-estados independentes constituíam,[42] mas que, apesar disso, eram as unidades administrativas conservadoras de alguma unidade,[42] porque eram unidades políticas falantes de uma mesma língua[42] e eram crentes nos mesmos deuses.[42] O sistema político era uma monarquia, onde o rei assumia as atribuições de chefe de guerra.[42]

Esparta e Atenas[editar | editar código-fonte]

Dentre as cidades-estados, destacaram-se Esparta e Atenas, com grande diferença de aspectos entre si.[42]

Esparta[editar | editar código-fonte]

Território de Esparta

Uma imensa cidade-estado foi formada no sul do Peloponeso,[42] entre as montanhas abertas para a fertilidade da planície da Lacônia, que o rio Eurotas percorre. Seus fundadores foram os dórios,[42] cujas funções eram a violência e a guerra[42] e a cidade era totalmente dedicada à guerra.[42] Seu governo era aristocrático, i.e.,[42] uma elite era uma classe detentora do poder[42] e suas ordens eram ditadas ao povo.[42] Suas leis, de acordo com a tradição, são originárias das ideias de um lendário legislador que se chamava Licurgo.[42]

O governo era constituído da seguinte forma:[42]

  • existiam dois reis (um chefe militar e outro religioso - diarquia.)[42]
  • um Conselho de Anciãos (a Gerúsia, formada por 28 elementos com idade superior a 60 anos de idade).[42]
  • a Ápela (uma assembleia popular reunida a cada mês para a discussão e aprovação de leis que os anciãos propunham).[42]
  • os éforos (que eram cinco magistrados que uma assembleia elegia por um ano e que se encarregavam da fiscalização do cumprimento das leis e da vigilância da educação dos jovens).[42]

O exército espartano, em grande número e com bom treinamento do seu contingente, defendia a pólis.[42]

Sociedade espartana[editar | editar código-fonte]

Os esparciatas eram o grupo de domínio,[42] proprietários das terras de melhor qualidade.[42] Seu dever era a contribuição de despesas públicas e em caso de negação da contribuição, perdiam privilégios como punição.[42]

Os periecos estavam numa situação de intermédio;[42] suas possibilidades eram: ter terras e comercializar; possuíam direitos civis, porém, não gozavam de direitos políticos.[42]

Os hilotas eram trabalhadores das terras[42] na condição de pessoas sem liberdade,[42] o governo era o seu proprietário,[42] não gozavam de direitos nem civis nem políticos.[42]

Exército espartano[editar | editar código-fonte]
Estátua em mármore de um hoplita, talvez o rei Leónidas.

Os espartanos viviam totalmente para as atividades militares e guerreiras.[42]Já, na idade dos sete anos, entregava-se a criança ao governo. Esta era a autoridade política e social indicadora de instrutores para a educação da arte militar.[42] Entre os sete e catorze anos treinava-se a criança para uma disciplina com rigidez,[42] com pouca alimentação para a leveza,[42] esperteza[42] e resistência à fome.[42] Submetia-se a provas físicas de dureza,[42] ia aos campos, onde o seu dever era o aprendizado da caça,[42] da luta,[42] do roubo[42] e da matança,[42] ou seja, seu dever era o aprendizado da defesa própria.[42]

Aos dezessete anos, era um jovem praticante de um exercício (Kriptia = gruta) em que o seu dever era a captura e matança de escravos que soltavam-se nas florestas.[42]

Seus deveres eram pouca fala[42] e sua expressão com pequeno número de palavras,[42] fato pelo qual foi recebido nome de laconismo (da palavra Lacônia, região espartana).[42] Na idade dos vinte e um anos, já era um hoplita (soldado) que possuía perfeição[42] e capacidade de defesa da pátria.[42]

De um modo geral, casava-se aos 30 anos,[42] sendo que, antes dessa idade, somente permitia-se a coabitação.[42] Aos sessenta anos recebia a aposentadoria do exército e era possível a sua participação no Conselho de Anciãos (Gerúsia).[42]

Esse tipo de educação militar, o treino para viver com dureza e desconforto, era uma disciplina criadora de um ambiente social muito tenso,[42] conflitante[42] e desafeto.[42]

Os esparciatas não se importavam com a acumulação de bens materiais, riquezas, metais preciosos e possuir coisas confortáveis e cômodas.[42] Embora desprezavam a riqueza,[42] estiveram à procura da produção do que necessitavam para a manutenção da sociedade. O tipo de vida desse povo era o fechamento da sociedade em si mesma,[42] sem mudar e sem progredir,[42] e os espartanos não aceitavam bem os estrangeiros.[42]

Mulheres espartanas[editar | editar código-fonte]

O destino das mulheres era pior que o dos homens.[42] Colocavam-se as mulheres numa posição inferior.[42] Não era possível a continuidade da educação dos filhos depois dos sete anos. submetiam-se ao pai quando solteiras e aos maridos depois que casaram,[42] não eram indivíduos participantes da vida política[42] e suas atividades sociais eram poucas.[11] Não eram confortadas pelos afetos familiares,[42] como as mulheres de Atenas, e se obrigavam à prática de exercícios físicos e esportes para a manutenção de uma boa forma física a fim de serem um gênero humano gerador de bons soldados para a pátria.[42] Não permitia-se o celibato para as mulheres, ou seja, possuíam o dever de casamento e de possuírem filhos fortalecidos.[42]

Os espartanos acusavam as mulheres sem desejo de casamento de criminosas contra a pátria.[42] Os espartanos, propriamente ditos, eliminavam as crianças nascidas com defeitos físicos que impedissem os mais jovens de serem bons soldados.[42]

Expansão de Esparta[editar | editar código-fonte]

Do século VIII ao século VII a.C., os esparciatas foram uma classe social adotante[42] de uma política expansionista e conquistadora das cidades vizinhas,[42] sendo reduzidos os vencidos à escravidão. Desse modo, foram a classe social dominadora de Messina, Arcádia, Hélade, Argólida.[42] No fim do século VI a.C., a maioria do Peloponeso é transformada numa liga militar,[42] comandada pelos espartanos. Estes ganharam fama como soldados de excelência,[42] que guerreavam por um grande amor à pátria.[42]

Atenas[editar | editar código-fonte]

Na região da Ática, a pólis de Atenas localizava-se bem perto do Mar Egeu, razão pela qual lhe foram dados certos privilégios no comércio marítimo, tornando desenvolvidas suas características de cidade aberta ao mundo.[42]

O solo empobrecido e a água em falta favoreceu o abandono da agricultura por seus numerosos habitantes e a dedicação ao artesanato e ao comércio. Os jônios, que conquistaram a região da Ática, foram misturados com os primitivos donos da terra e concederam a vida para a população de maior labor e genialidade da Grécia.[42]

O porto de Pireu, que os gregos construíram há uma pequena distância de Atenas, foi transformado num dos maiores centros comerciais do mundo antigo e o de maior importância da Grécia. Tudo isso veio ser um fator multiplicador das riquezas, estimulador da inteligência, fortalecedor do espírito de independência e do amor pela liberdade.[42]

Política ateniense[editar | editar código-fonte]

Atenas ganhou fama como o berço da democracia. Mas, antes da sua chegada a esse ponto, passou por um grande número de fases na sua organização política e social.[42]

Nos primeiros tempos, o chefe que governava as cidades-estados foi um rei (monarquia). Nos séculos VII e VI a.C., os grandes fazendeiros foram os destruidores do sistema monárquico e passaram a ser os implantadores de um sistema que germinou a futura democracia.[42]

A classe econômica era numerosamente privilegiada,[42] o que descontentou e revoltou os mercadores, pescadores, marinheiros, artesãos e pequenos proprietários.[42] Esse povo batalhava pela existência de leis escritas e justas que protegessem os direitos de qualquer cidadão.[42]

Então, a solução dos eupátridas foi o encarregamento do legislador Drácon (620 a.C.) da elaboração de leis escritas, que receberam a denominação de leis draconianas. Eram leis com rigidez,[42] dureza,[42] severidade[42] e com punição mortal a quem fosse desobediente.[42] Mas essas leis eram maiormente favorecedoras para os nobres do que para as camadas mais baixas da população, que continuaram preocupadas[42] e foram as classes sociais exigentes[42] em leis que defendessem seus direitos.[42] Depois que as camadas populares protestaram e manifestaram por mais ou menos trinta anos, apareceu um novo legislador, no ano de 594 a.C., que a classe dominante também escolheu, para a elaboração de novas leis e uma reforma social. Esse legislador foi Sólon, que acabou ganhando confiança dos ricos[42] por sua riqueza também[42] e dos pobres[42] por sua honestidade. [42]Desse modo, as leis de Sólon conseguiram alguma estabilidade, paz e justiça social por uma série de anos.[42] Sólon reformava a sociedade com equilíbrio.[42]

Constituição de Sólon[editar | editar código-fonte]

Solón dividiu a sociedade em quatro classes sociais (pentacosiomediminus, cavaleiros, zeugitas, tetas).[42] Essa divisão de classes baseava-se na renda (riqueza) de cada um dos quatro. E quanto mais as pessoas enriqueciam, gozavam de direitos e deveres.[42]

Constituição de Sólon.

Um grande número de mudanças políticas e sociais foi trazido pelas reformas de Sólon.[42] Ele concedeu abertura política para formar novos partidos políticos. Porém, uma parte da população (estrangeiros, pequenos camponeses, pobres e escravos) marginalizou-se da vida social, de modo que permaneceram as revoltas populares. Nesse clima agitado,[42] um nobre com ambição,[42] chamado Pisístrato, no ano 560 a.C., tirou proveito da situação e golpeou o governo, sendo estabelecido um novo regime político que se chamava tirania (tirano é aquele que eleva-se ao poder por meios que não constam na constituição).[42]

Com Psístrato, Atenas foi uma cidade pacífica e próspera.[42] A cidade foi transformada num grande centro industrial e comercial.[42] Depois que Psístrato morreu. o governo foi passado a seus filhos, que deram continuidade à política exercida pelo pai.[42]

Clístenes, o pai da democracia[editar | editar código-fonte]
Constituição de Clístenes.

No ano de 508 a.C., um nobre que se chamava Clístenes elegeu-se arconte e foi o governante de Atenas,[42] em atenção à vontade popular e em consolidação da democracia.[42]

Uma reforma social foi feita por Clístenes, sendo dada maior participação política às pessoas de baixa renda, foi dividida a população em dez tribos e as terras em dez partes igualmente para elas. Cada tribo possuía 50 representantes na Bulé, sendo totalizados os 500 membros formadores do mais importante órgão do governo.[42]

Discutiam-se os problemas em assembleias (eclésias) populares. Clístenes foi o estabelecedor da lei do ostracismo,[42] que exilava por dez anos o cidadão, pelo qual fossem cometidos erros de gravidade ou fosse ameaçada a democracia.[42] Clístenes deu maior abertura política e participação popular nas decisões do governo.[42] Daí o apelido de Clístenes: "Pai da Democracia".[42]

Família e educação em Atenas[editar | editar código-fonte]

O ateniense possuía uma grande ligação à família.[42] A casa era reinada pela mulher, enquanto o homem era dedicado ás tarefas fora do lar. Unia-se a família pela força dos laços religiosos e por cultuar os familiares que morreram. Veneravam-se estes em altares no interior dos residências.[42]

Depois de casada, a mulher passou a ser o cônjuge adotante da religião do marido.[42] Sepultavam-se os mortos e, certas vezes, queimavam-se. Em um grande número de vezes, protegiam-se os túmulos com esculturas feitas de pedras ou monumentos. Quanto à educação, era dada mais atenção à educação dos rapazes.[42]

Quase a totalidade dos elementos do sexo masculino eram seres humanos aprendizes da leitura e da escrita,[42] porque estas eram julgadas qualidades preciosas[42] para a formação de um bom cidadão. Não existiam escolas públicas, mas eram de escolha dos pais as escolas particulares e os professores que lhe agradavam.[42]

As crianças aos sete anos eram matriculadas na escola e elas eram seres humanos aprendizes da música,[42] considerada de importância para elevar o espírito.[42] Até os quatorze anos, eram indivíduos aprendizes da escrita,[42] da literatura (principalmente os poemas de Homero) e do cálculo.[42] Após os quatorze anos, se desejassem permanecer estudando, eram dedicados à ginástica.[42] Nos ginásios, eram os indivíduos praticantes de quaisquer dos esportes[42] e participavam dos Jogos Olímpicos, como lançamento de disco, luta, pugilismo, corrida e salto. Essa educação esportiva objetivava, inclusive, a preparação do jovem para o serviço militar.[42]

Os jovens não eram pessoas livres[42] para a escolha de seus pares,[42] porque as famílias arrumavam os casamentos. O tipo de família era patriarcal, na qual a mulher submetia-se ao homem.[42] Os homens vestiam uma túnica de grande comprimento, que se parece com aquela que os árabes ainda usam atualmente. O vestuário feminino consistia numa roupa de grande comprimento, tipo camisolão.[42]

Período clássico da Grécia[editar | editar código-fonte]

Durante o período clássico grego aconteceram guerras dentro e fora da península e a cultura grega se desenvolveu e se resplandeceu. Os gregos realizavam guerras externas contra os persas. As guerras internas devem-se à disputa entre Esparta e Atenas naquela época,[43] que lutavam para hegemonizar (dominar) as outras pólis.[43]

Guerras Greco-Persas[editar | editar código-fonte]

O Império Ateniense em 431 a.C.

Os gregos e persas guerreavam entre si devido às concorrências comerciais e porque ambos os povos desejavam a expansão de seu domínio acima dos povos vizinhos. Os povos eram uma ameaça[43] ao comércio e à vida política de uma grande variedade de cidades gregas.[43] Primeiro, dominaram a cidade de Mileto, que se revoltou e com ajuda solicitada à Atenas. As tropas de Atenas foram movimentadas contra os persas, originando assim a guerra.[43]

Primeira guerra[editar | editar código-fonte]
Milcíades.

Em 490 a.C., a grande armada persa, sob o comando de Dario I, desceu de sua embarcação na Ática, na planície de Maratona. Conduzidos por Milcíades, os atenienses foram os combatentes dos adversários nos seus pontos fracos, num ataque relâmpago.[43]

Os persas não chegaram nem mesmo a usar suas mãos e seus braços com a intenção de pegar em armas, porque os atenienses já dominaram os inimigos.[43]

Segunda guerra[editar | editar código-fonte]
Temístocles.

Em 485 a.C. no estreito de Salamina, os gregos derrotaram novamente os persas, sob o comando de Xerxes I, cujo pai foi Dario I. O ataque dos persas, com melhor preparação, se deu por terra e por mar. Os gregos, desta vez, dispunham de melhor exército, por fazerem uma coligação de cidades contra o inimigo, incluindo Esparta. Os persas chegaram a atacar pelo norte, invadiram os valentes espartanos sob a liderança de Leônidas e dirigiram-se ao sul, no local do incêndio de Atenas. Parecia que a Grécia foi derrotada, mas os gregos foram reorganizados e a esquadra persa foi atraída para o estreito de Salamina, local de favorecimento dos pequenos barcos gregos e da dificultação dos grandes navios persas.[43]

Os persas de Xerxes possuíam ainda contra si, as grandes armaduras dos soldados que brigavam por questões monetárias, enquanto o imenso patriotismo movia os gregos. Sob a liderança de Temístocles, os gregos exterminaram os persas, que deixaram seus navios.[44]

Causas do enfraquecimento da Grécia[editar | editar código-fonte]

Com o fim das guerras entre gregos e persas, as cidades gregas voltaram para seus interesses políticos, sociais e econômicos locais. Com a vitória de Atenas nos conflitos militares, os atenienses consideravam-se a salvação de toda a Grécia. Diante da possibilidade de novos ataques, Atenas propôs uma aliança das cidades, para se defenderem. Assim, foi criada a Liga de Delos, com a participação de mais de 300 cidades (com exceção de Esparta, que ficou de fora), tendo como sede a ilha de Delos, que centralizariam os tesouros e outros bens.[44]

Diante dessa união, os espartanos, invejosos, reagiram criando a Liga do Peloponeso, reunindo várias cidades. Isso acabou causando um conflito bélico entre as duas confederações com duração de 27 anos - e trégua de seis anos nominada Paz de Nícias. O conflito terminou com a derrota de Atenas. Então, cidades gregas aliaram-se à cidade de Tebas, dominando os espartanos e sobressaindo-se no comando político sobre os gregos por algum tempo. Com isso, a Grécia acabou enfraquecida e no ano 338 a.C. acabou sendo dominada pelo rei Filipe II da Macedônia.[44]

O século de Péricles[editar | editar código-fonte]

Péricles.

Péricles discursava muito bem. Era grande entendedor de arte militar. Como político, era habilidoso e prudente.[44] Era governante de Atenas entre 461 a 429 a.C. (aproximadamente trinta anos). Como governante era um príncipe, sempre concordando com o povo, muito respeitoso com o político.[44]

Péricles frequentava assiduamente o teatro e possuía grande amor às artes. Estava em busca da transformação de Atenas na capital cultural do mundo antigo. Seu período de governo foi esplendoroso.[44] Esse período passou a chamar-se Idade de Ouro da Grécia.[44]

Governo democrático de Péricles[editar | editar código-fonte]

A democracia ficou cada vez mais forte e as classes de baixa renda ganharam o direito de participação ativa na política.[44] No parágrafo abaixo, é recomendável uma leitura de um trecho de um discurso proferido por Péricles a respeito do seu governo:[45]

Temos uma forma de governo que causa inveja aos povos vizinhos. Não imitamos os outros e servimos de exemplo aos outros. Quanto ao nome, este governo é chamado de 'democracia' porque não é uma administração para o bem de algumas pessoas e sim para servir toda a comunidade. Diante das leis, todos gozam de igual tratamento. E a consideração de cada um vem não do partido, mas dos méritos demonstrados no serviço da comunidade. Temos medo de conseguir cargos públicos por meios ilegais.
Amamos o belo, mas na justa medida, e amamos a cultura do espírito, mas sem desprezar outros valores.

O Século de Ouro[editar | editar código-fonte]

Péricles contribuiu para o desenvolvimento maravilhoso das artes, das letras e da filosofia.[46] O projeto de Péricles destinado ao desenvolvimento das artes e da cultura era audacioso.[46] As pólis vizinhas enciumaram-se, mas com elas não havia nenhum impedimento para que crescessem.[46]

Péricles foi o primeiro a incentivar quaisquer das modalidades de expressão artística.[46] Ornamentaram-se as acrópoles e construíram-se vastos monumentos.[46]

Foi nessa época que em Atenas apareceu um grande número de talentos nos setores de arte e cultura, fazendo com que a cidade destacasse e assentasse sua hegemonia.[46]

Cultura grega[editar | editar código-fonte]

A arte grega era muito vistosa por ter proporções harmoniosas,[46] por ser equilibrada e serena.[46] Mistura totalmente a inspiração da fantasia e a realidade.[46] Os gregos consideravam esse tipo de arte que inspirou os artistas ao longo dos tempos.[46]

Arquitetura grega[editar | editar código-fonte]
Planta da Acrópole de Atenas.

Os gregos eram construtores de palácios, tribunais, teatros e templos que ganharam fama. O monumento de maior fama que os gregos construíram na Acrópole de Atenas foi o Partenon. Define-se o Partenon como um templo que homenageia a deusa Palas Atena, padroeira da cidade.[46]

O Partenon é o templo grego de maior fama. Causa admiração por ter proporções imensas, elegantes e harmoniosas. Não foi obra de um único autor, mas de uma grande variedade de artistas. Entre os artistas merece destaque Fídias. Há numerosas esculturas de Fídias como decoração do templo.[47]

O Partenon se transformou em igreja cristã no século VI e em mesquita turca em 1450 d.C. A permanência desse templo colossal durou até o século XVII, sem que quase ninguém tivesse posto o dedo. Naquela época, um desastre foi sofrido pelo prédio: os armamentos provocaram a explosão do templo. Isso porque os turcos que exerceram o domínio de Atenas eram guardiães de seus armamentos que ficavam armazenados no templo, o que representava um perigo para a sua segurança. Passou por restaurações, porém, em 1812, os ingleses levaram a beleza de suas esculturas que são encontradas no British Museum, em Londres.[47]

A arquitetura grega ganhou fama também pela tipologia das colunas que se usavam nas construções. Haviam colunas com lavor artístico em estilo dórico, jônico e coríntio.[47]

Escultura grega[editar | editar código-fonte]
Discóbulo, obra de Miron.

As obras que os gregos esculpiam deixam à amostra formas e expressão naturais, idealismo, alegria e companheirismo. Os escultores que os antigos mais conheciam foram Fídias, Miron e Praxísteles.[47]

São também conhecidas as Cariátides. As Cariátides são colunas que formam mulheres. São seis esculturas de jovens bonitas[48] de mármore que vieram de Cária, Ásia Menor, onde havia lindas mulheres.[48] Elas são encontradas no templo Erechthion, em Atenas.[48]

Pintura grega[editar | editar código-fonte]

As pinturas dos gregos eram harmoniosas, elegantes e vivas.[48] Infelizmente, há poucos vestígios da pintura grega e o que nos chegou foram principalmente vasos com decoração muito boa[48] e outras peças feitas por ceramistas. As pinturas apareciam na superfície de tecidos, pedras e madeira. Eram acostumados com a reprodução feita de cerâmica com cenas que ocorriam no cotidiano.[48]

Teatro grego[editar | editar código-fonte]

Os teatros gregos eram grandes construções que serviam de atrações para muitas pessoas por ocasião de festas religiosas e populares, principalmente as festas que homenageavam a deusa Atena e Dionísio (deus do vinho). Nessas ocasiões, os gregos compareciam a imensos espetáculos (que representavam comédias e tragédias).[48]

As representações dos gregos eram peças com os elementos de essência que o teatro tem atualmente: atores, diálogo e cenário.[48]

Os maiores autores de peças teatrais foram: Ésquilo, Sófocles, Eurípedes.[48] Destaque na comédia Aristófanes, cuja sátira preconceituosa[48] referia-se aos costumes da época.[48] Os temas favoritos ligavam-se às cenas da cidade, à religião e à mitologia.[48]

A acústica dos teatros era muito boa.[49] Havia riqueza e grande variedade dos trajes.[49] O coro acompanhava os atores. O coro era composto de um grupo de cantores e dançarinos, além de uma orquestra. Esses cantores e dançarinos eram utilizadores de máscaras que se chamavam de personas.[49] Essas máscaras representavam o caráter dos personagens com aumento do volume de voz. Por essa razão, aqueles que participam das narrações que ocorrem no teatro, na literatura e no cinema dos dias de hoje, receberam o nome de "personagens".[49] A possibilidade das mulheres era de assistir aos espetáculos, mas de não trabalhar como atrizes.[49] A representação dos personagens era somente dos homens.[49]

Péricles se convenceu de que era importante a franquia de ingressos do teatro a qualquer pessoa.[49]

 Religião e mitologia grega[editar | editar código-fonte]

A religião grega, foi, na antiguidade, a de maior aproximação entre os deuses e os homens. Era uma religião antropomórfica,[50] ou seja, os homens eram semelhantes aos homens,[50] com suas qualidades e defeitos.[50] Com uma característica diferente: seu poder e sua imortalidade.[50] Cultuavam-se as divindades nos lares, nos templos e nas festividades religiosas.[50]

O culto era um tradição.[50] Como se fazia no interior das casas, o fogo sagrado era acendido,[50] os gregos ofereciam e sacrificavam os animais.[50] A religião vinculava com união as pólis entre si. Os oráculos representavam os deuses (eram porta-vozes dos deuses).[50] Ganharam fama nos oráculos de Delfos, Olímpia, Epidauro e Delos. Populares e também políticos iam fazer uma consulta aos oráculos nos templos.[50]

Uma forma de costume grego de homenagem aos deuses eram os jogos e as competições esportivas.[50] Os de maior fama foram os Jogos Olímpicos, que realizavam-se no Monte Olimpo homenageando Zeus, que de acordo com a crença, era habitante desse monte,[50] acompanhando outros deuses.[50] Realizaram-se as primeiras Olimpíadas em 776 a.C. e, desde então, a cada quatro anos.[50]

Na religião grega havia um grande número de mitos e lendas que servem como explicação de como o mundo, os próprios deuses e os homens originaram-se.[50] Não existia um livro sagrado, uma vez que os poetas e artistas alteravam com frequência a religião, que passava por tradição oral de geração em geração.[50]

Para os gregos, o mundo começaria com Nix (a noite) e Érebo (seu irmão), que via-se como o inferno, ou seja, a segunda parte das trevas, com sua existência no Caos (que era o grande vazio inicial). Pouco a pouco Nix e Érebo foram separados, foram afastados cada vez mais, até que Nix foi transformado numa esfera, encurvado e, como um ovo, foi partido e fez nascer Eros (o amor). As duas partes da casca do ovo inicial foram afastadas, e uma foi transformada na abóbada celeste e a segunda num achatamento de disco que é a Terra. O céu passou a se chamar Urano e a terra Gaia. Depois que o céu e a terra se casaram, iniciaram-se as novas gerações divinas.[50]

Deuses do Olimpo[editar | editar código-fonte]
Busto de Zeus.
  1. Zeus: Deus soberano, cujos elementos que o simbolizam são a água e o fogo.[50]
  2. Hera: Esposa de Zeus, cujos seres vivos que a simbolizam são o pavão e a romã.
  3. Atena: Filha de Zeus, cujos seres vivos que o simbolizam são a coruja e a oliveira. Deusa que protegia a sabedoria e a estratégia de batalha.
  4. Hermes: Trazendo mensagem aos deuses, representava-se com asas nos pés e no capacete.
  5. Pan: Deus que protegia os bosques, possui chifres, orelhas e patas de bode. Inventou a flauta.
  6. Posidão: Deus que protegia os mares, representava-se com um tridente na mão.
  7. Dionísio: Deus que protegia o vinho, representava-se com uma taça e uva nas mãos.
  8. Hefesto: Deus que protegia a forja e a metalurgia. Seus símbolos era o martelo e a tenaz.
  9. Afrodite: Deusa que protegia o amor e a beleza, cujo elemento que a simboliza é a pomba.
  10. Deméter: Deusa que protegia a terra fértil e a agricultura.
  11. Apolo: Deus que protegia a harmonia, a luz, a música e a poesia. Seus símbolos eram a lira e o louro.
  12. Ártemis: Deusa que protegia a caça e as virgens, seus símbolos eram o veado e o arco.
  13. Héstia: Deusa que guardava os lares e o fogo sagrado.
  14. Hades: Deus que protegia os mortos e os infernos, em cuja porta estava o cão Cérbero, com três cabeças.[50]
Os grandes deuses[editar | editar código-fonte]
  • Zeus: considerava-se chefe dos deuses.[50] Sua morada era o Monte Olimpo.[50] Ele provocava chuvas,[50] e era o senhor dos ventos e dos trovões.[50] Se casava com Hera,[50] que os gregos cultuavam como a padroeira dos casamentos e das futuras mães.[50]
  • Apolo: Seu pai era Zeus, cujo filho era o deus que protegia a beleza, a arte, a música, as curas e as adivinhações.
  • Afrodite: Irmã de Apolo, seu pai era Zeus. Deusa que protegia a beleza e o amor. Era nascida das espumas marinhas.
  • Hermes: Seu pai era Zeus, cujo filho trazia mensagem aos deuses. Protegia os viajantes, os comerciantes e os oradores.
  • Dionísio: Seu pai era Zeus, cujo filho habitualmente acompanha-se de um cortejo de demônios masculinos e femininos (são os bacantes).
  • Posidão: Irmão de Zeus (seus pais eram Cronos e Reia), sua esposa era Afrodite. É o deus que protegia os mares. Seus filhos eram monstros.[50]
Heróis da mitologia grega[editar | editar código-fonte]
Hércules e a Hidra de Lerna de Antonio_Pollaiuolo.
Édipo e a Esfinge (pintura de Gustave_Moreau).

Os gregos foram veneradores de alguns semi-deuses (ou heróis).[50] Os de maior importância foram Hércules, Édipo, Teseu, Jasão e Perseu. Hércules ganhou fama por ser forte. Foram submetidos pelos deuses a uma grande variedade de provas: foram, por ele, todas superadas. Hércules batalhou apenas com um arco e uma clava. As provas ficaram de conhecimento como o Doze Trabalhos de Hércules, entre os quais:[50] o estrangulamento de Leão da Nemeia, a morte da Hidra de Lerna, a captura em vida do Javali de Erimanto, a libertação de Teseu dos infernos, etc.[50]

Édipo era filho de Laio, rei de Tebas, e de Jocasta. De acordo com o oráculo de Delfos, seus destinos eram o assassinato de seu pai[50] e o casamento com sua mãe.[50] Para não ocorrer a tragédia, Laio deixou o filho no ponto mais alto do Monte Citéreo, furando os pés furados e amarrando-o de cabeça para baixo. Depois que os pastores acharam, eles o criaram e, já adulto, de acordo com o destino, seu pai foi assassinado (sem tomar conhecimento).[50] Como recompensa do decifrador do enigma da esfinge[50] atormentadora de Tebas,[50] foi casado com a rainha (que era sua mãe).[50] Chegaram desgraças sobre a cidade e foi revelado pelo oráculo a Édipo que tudo era culpa dele, pois era casado com a própria mãe.[50] Depois que Édipo descobriu a verdade, sua mãe foi suicidada e os próprios olhos dele foram furados e vagou pelo mundo.[50]

Deuses do Olimpo[editar | editar código-fonte]
Busto de Zeus.
  1. Zeus: Deus soberano, cujos elementos que o simbolizam são a água e o fogo.[50]
  2. Hera: Esposa de Zeus, cujos seres vivos que a simbolizam são o pavão e a romã.
  3. Atena: Filha de Zeus, cujos seres vivos que o simbolizam são a coruja e a oliveira. Deusa que protegia a sabedoria e a estratégia de batalha.
  4. Hermes: Trazendo mensagem aos deuses, representava-se com asas nos pés e no capacete.
  5. Pan: Deus que protegia os bosques, possui chifres, orelhas e patas de bode. Inventou a flauta.
  6. Posidão: Deus que protegia os mares, representava-se com um tridente na mão.
  7. Dionísio: Deus que protegia o vinho, representava-se com uma taça e uva nas mãos.
  8. Hefesto: Deus que protegia a forja e a metalurgia. Seus símbolos era o martelo e a tenaz.
  9. Afrodite: Deusa que protegia o amor e a beleza, cujo elemento que a simboliza é a pomba.
  10. Deméter: Deusa que protegia a terra fértil e a agricultura.
  11. Apolo: Deus que protegia a harmonia, a luz, a música e a poesia. Seus símbolos eram a lira e o louro.
  12. Ártemis: Deusa que protegia a caça e as virgens, seus símbolos eram o veado e o arco.
  13. Héstia: Deusa que guardava os lares e o fogo sagrado.
  14. Hades: Deus que protegia os mortos e os infernos, em cuja porta estava o cão Cérbero, com três cabeças.[50]
Os grandes deuses[editar | editar código-fonte]
  • Zeus: considerava-se chefe dos deuses.[50] Sua morada era o Monte Olimpo.[50] Ele provocava chuvas,[50] e era o senhor dos ventos e dos trovões.[50] Se casava com Hera,[50] que os gregos cultuavam como a padroeira dos casamentos e das futuras mães.[50]
  • Apolo: Seu pai era Zeus, cujo filho era o deus que protegia a beleza, a arte, a música, as curas e as adivinhações.
  • Afrodite: Irmã de Apolo, seu pai era Zeus. Deusa que protegia a beleza e o amor. Era nascida das espumas marinhas.
  • Hermes: Seu pai era Zeus, cujo filho trazia mensagem aos deuses. Protegia os viajantes, os comerciantes e os oradores.
  • Dionísio: Seu pai era Zeus, cujo filho habitualmente acompanha-se de um cortejo de demônios masculinos e femininos (são os bacantes).
  • Posidão: Irmão de Zeus (seus pais eram Cronos e Reia), sua esposa era Afrodite. É o deus que protegia os mares. Seus filhos eram monstros.[50]
Heróis da mitologia grega[editar | editar código-fonte]
Hércules e a Hidra de Lerna de Antonio_Pollaiuolo.
Édipo e a Esfinge (pintura de Gustave_Moreau).

Os gregos foram veneradores de alguns semi-deuses (ou heróis).[50] Os de maior importância foram Hércules, Édipo, Teseu, Jasão e Perseu. Hércules ganhou fama por ser forte. Foram submetidos pelos deuses a uma grande variedade de provas: foram, por ele, todas superadas. Hércules batalhou apenas com um arco e uma clava. As provas ficaram de conhecimento como o Doze Trabalhos de Hércules, entre os quais:[50] o estrangulamento de Leão da Nemeia, a morte da Hidra de Lerna, a captura em vida do Javali de Erimanto, a libertação de Teseu dos infernos, etc.[50]

Édipo era filho de Laio, rei de Tebas, e de Jocasta. De acordo com o oráculo de Delfos, seus destinos eram o assassinato de seu pai[50] e o casamento com sua mãe.[50] Para não ocorrer a tragédia, Laio deixou o filho no ponto mais alto do Monte Citéreo, furando os pés furados e amarrando-o de cabeça para baixo. Depois que os pastores acharam, eles o criaram e, já adulto, de acordo com o destino, seu pai foi assassinado (sem tomar conhecimento).[50] Como recompensa do decifrador do enigma da esfinge[50] atormentadora de Tebas,[50] foi casado com a rainha (que era sua mãe).[50] Chegaram desgraças sobre a cidade e foi revelado pelo oráculo a Édipo que tudo era culpa dele, pois era casado com a própria mãe.[50] Depois que Édipo descobriu a verdade, sua mãe foi suicidada e os próprios olhos dele foram furados e vagou pelo mundo.[50]

Império Macedônico[editar | editar código-fonte]

A Macedônia foi organizada militarmente pelo rei Filipe II, ganhando poder. Este rei, quando era jovem, esteve como prisioneiro na cidade grega de Tebas, onde foi aprendiz da arte militar de Esparta.[51]

Falange macedônica: Formação coberta de 18 fileiras com lanças de 6 metros de comprimento. Era difícil vence-la.

Na sua volta à Macedônia, a percepção de Filipe II era de que as cidades gregas enfraqueceram-se, sendo facilmente conquistadas. E, com este objetivo, foi o reformador do exército, com a introdução da conhecida falange macedônica, que inovou os campos de batalha (que os romanos limitaram futuramente).[51]

Filipe II foi o conquistador da Grécia no ano 338 a.C. Foi morto dois anos depois e seu filho Alexandre Magno tomou posse do poder aos vinte anos de idade.[51]

Alexandre, jovem conquistador e glorioso, unificou os gregos e macedônios que lutaram comumente contra os persas. Em sangrentas batalhas foram os dominadores dos persas e alargaram o Império Macedônico até a Índia. Os soldados, que cansaram-se, não queriam continuar e no retorno, depois de acometer-se de uma febre, Alexandre o Grande é morto na Babilônia. Seu grande império dividiu-se, então, entre seus três mais importantes generais.[52]

O maior mérito de Alexandre Magno foi fundir as culturas dos povos que venceu, estando à procura do estímulo de casamentos entre vencedores e vencidos, e foi o promotor da igualdade de tratamento entre todos os povos que dominou. A cultura grega fundida com a cultura dos povos orientais foi chamada de helenismo.[52]

Cultura helenística[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cultura grega

Alexandre e seus sucessores foram os fundadores de numerosas cidades para a difusão da cultura grega. Construíram à maneira das cidades gregas, com as condições necessárias para o desenvolvimento da cultura. Entre estas cidades, eram de importância Alexandria (no Egito), Antioquia e Pérgamo (na Ásia Menor, hoje parte da Turquia). Alexandre, além do seu farol, que considerou-se uma das sete maravilhas do mundo antigo, possuía uma enorme biblioteca com uma quantidade superior a 700 mil livros onde sábios de toda a parte aumentaram seus conhecimentos.[52]

Filosofia grega[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Filosofia grega

A filosofia grega era vista como um meio de compreensão do mundo e do homem e tenta explicar a razão de ser de todas as coisas. Largaram as explicações mitológicas e religiosas e os gregos recorreram para a razão e a ciência para a explicação dos mistérios da existência do mundo, do ser humano, os valores morais, a alma e a felicidade.[52]

Os principais filósofos gregos são:[52]

  • Tales de Mileto: Foi o mais antigo filósofo grego. Também foi matemático e astrônomo.[52]
  • Sócrates: Como grande filósofo ensinava os valores morais. Com o princípio, a frase "conhece-te a ti mesmo", era a afirmação de que a verdade está no interior de cada um. Seu método de ensino era o "diálogo". Era crente num único Deus, não acreditava nos demais deuses e por isso os gregos o prenderam e acusaram de ter corrompido os jovens gregos. Sócrates foi obrigado a tomar um veneno, a cicuta.[52]
  • Platão: Um dos maiores filósofos da humanidade, seu professor foi Sócrates e seu aluno Aristóteles. Foi analista da questão social e levava em consideração que deveria haver melhor distribuição de riqueza entre os cidadãos. Sua grande obra foi A República. Levava em conta que as ideias eram verdadeiramente reais e a ideia de bem superaria a todas. As ideias assombravam o mundo e as coisas. Foi o fundador da conhecida escola chamado Academia (nome que derivou de Academo, que era seu amigo e proprietário do terreno). A filosofia de Platão influenciou muito os pensadores da Idade Média.[52]
  • Aristóteles: Também um dos maiores filósofos da humanidade, seu professor foi Platão e seu aluno Alexandre Magno da Macedônia. Seu espírito era de pesquisa e era dedicado a uma grande variedade de assuntos: biologia, política, moral, lógica, psicologia e religião. Para ele, havia um único deus, que era o motor eterno movedor de todas as coisas. Deus é um ato puro, absolutamente perfeito. Aristóteles criou a filosofia da lógica (raciocínio, argumentação). Para ele, o homem é um animal social e político. Foi o fundador de uma escola que se chamava Liceu (nome que recebeu porque o estabelecimento ficava perto do templo de Apolo Lício). Como Platão, influenciou enormemente a Idade Média inteira.[52]

Houve outros filósofos participantes das demais correntes filosóficas, como os sofistas, que consideravam que a verdade não pode ser conhecida, portanto, tudo tem validade; os cínicos, que desprendiam-se dos valores morais e apegaram-se aos valores espirituais; os epicuristas, que consideravam que o objetivo da vida humana é a busca dos prazeres; os estoicos, que a felicidade está na aceitação das coisas como elas ocorrem, resignando-se e mesmo sendo obrigado a sofrer.[53]

Literatura grega[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Literatura grega

Foram deixadas as obras literárias de excelência pelos gregos:[53]

Ciência grega[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: História da ciência

Abaixo listam-se grandes nomes da ciência grega:[53]

Civilização Romana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Roma Antiga

A Itália é uma península ao sul da Europa, pela qual é invadido o Mar Mediterrâneo dirigindo-se à África. Cerca-se dos mares Jônico, Tirreno e Adriático. Na Itália há montanhas, tendo os Alpes ao norte e percorrendo-se de norte a sul pela cadeia dos Montes Apeninos. O litoral costeiro italiano não favorece a navegação. Esse fator geográfico fez com que os primitivos povos da Itália fossem dedicados ao pastoreio e à agricultura.[54]

Itália Romana.

A Itália foi fruto de invasão por vários povos, geralmente denominados italiotas, que foram subdivididos em sabinos, latinos, samnitas e úmbrios. Foram os habitantes iniciais da Itália central.[54]

Os gregos, que localizavam-se perto da Itália, foram os ocupantes de muitas regiões do sul da Itália e aí fundadores da prosperidade de colônias, como Siracusa, Agrigento, Síbaris, Taranto e Nápolis. Os italiotas tiravam grande proveito da cultura grega, usando o alfabeto, técnicas agrícolas, noções científicas, gostando da arte e foi adotada a religião grega, com a maioria de seus deuses.[54]

Também os cartagineses, que vieram do norte da África (Cartago), foram os fundadores de suas colônias ao sul da Itália (na Sicília, na Sardenha e na Córsega) e relacionavam-se comercialmente e culturalmente com os italiotas.[54]

Fundação de Roma[editar | editar código-fonte]

De acordo com a lenda, Roma foi fundada em 753 a.C. por Rômulo, que foi criados por uma lobajunto de seu irmão Remo.

Segundo a lenda, em 753 a.C. Rômulo, na região do Lácio, fundou a cidade de Roma.[55]

No livro Eneida, de autoria de Virgílio, é narrada a fuga de um bravo combatente da guerra de Troia, que se chamava Eneias para a região do Lácio, e entre seus colocados num cesto nas águas correntes do rio Tibre. O cesto estava parado numa das margens e os pastores recolheram crianças e a loba os amamentou. Quando grandes, foram os fundadores de Roma, cujo mais antigo rei foi Rômulo. Realmente, foi demonstrado pelas escavações arqueológicas que já existia no local uma aldeia de pastores há uns milênios a.C.[55]

Sendo que os gêmeos fundaram ou não a cidade, certamente é que esta cidade (Roma) foi a dominadora dos povos vizinhos e transformada na cidade mais populosa do Lácio. Conta-se que logo no início na cidade eram precisos mais habitantes, e a solução dos romanos de Rômulo era o rapto numa festa de muitas filhas dos sabinos (rapto das sabinas). Desse modo, os sabinos foram o primeiro povo unido aos romanos.[55]

Para os latinos e sabinos haviam quatro reis alternados, sendo dois romanos e dois sabinos. Após esses reis, um povo mais adiantado, os etruscos, que estavam sendo conquistadores de povos vizinhos, dominaram os romanos, no século VII a.C. Três reis etruscos foram os governantes de Roma.[55]

Etruscos[editar | editar código-fonte]

Os etruscos, que desconhece-se sua origem, foram os ocupantes de grande parte da Itália. Eram um povo de civilização que adiantou-se, porém, infelizmente, é pouca conhecida sua cultura, por faltar documentação e porque ainda não decifrou-se a sua escrita.[55]

Eram marinheiros de habilidade, foram desenvolvedores de técnicas de trabalho com metais, como bronze, ferro, ouro e prata. Foram os formados de cidades-estados e foram os formadores de uma forte confederação. Relacionavam-se comercial e culturalmente com fenícios e cartagineses. Porém, foi encontrada forte resistência da solidez de colônias gregas da Magna Grécia.[56]

Períodos históricos[editar | editar código-fonte]

A História da Roma Antiga pode dividir-se em três períodos:[56]

Monarquia (753 a.C.-509 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Durante a monarquia, sete reis governaram Roma, sendo dois romanos, dois sabinos e três etruscos. Havia duas classes principais, constantemente rivalizadas, que eram os patrícios e os plebeus. Havia também os clientes e os escravos.[56]

Os patrícios mandavam nas terras, no gado, gozavam de uma grande quantidade de direitos e eram participantes ativos do governo.[57]

Os plebeus eram formadores daquela parte da população que não originava-se da nobreza, menos politicamente participativos, dedicados a uma variedade de afazeres no campo, no artesanato e no comércio. Ao longo do tempo, os plebeus entraram na luta por melhores condições sociais e foram conseguidas dos patrícios maior participação na política e mais direitos como cidadãos.[57]

Os clientes eram formadores de uma camada de intermédio entre os patrícios e os plebeus. Eles eram dependentes dos patrícios. A maior parte parte dessa classe constituía-se de trabalhadores agrícolas, que eram dependentes dos grandes proprietários rurais. Havia também nesta classe os estrangeiros, os filhos ilegítimos, os libertos. O cliente era recebedor da terra para garantir o cultivo de algumas cabeças de gado, eram protegidos contra violências e defendidos nos tribunais. Trocando esses favores, era dever dos clientes a prestação do serviço militar, a ajuda aos patrícios na vida política e o seguimento de suas ordens.[57]

Os escravos, no início pouco numerosos, empregavam-se nos serviços de maior peso. O patrão era possuidor acima do escravo do direito de vida e morte, sendo possível a venda ou a libertação. Eram transformados em escravos os prisioneiros de guerra, os que não tiveram o direito ao pagamento de suas dívidas ou os desertados do exército.[57]

Os reis na monarquia tiveram uma variedade de poderes: o poder religioso (como sumo sacerdote), o poder militar (comandante do exército) e o poder de juiz supremo do povo. Eram feitas as leis (poder legislativo) e aplicadas as mesmas (poder executivo).[57]

O governo era exercido pelo rei, sendo auxiliado pelo Senado e pelos Comícios Curiatos. O Senado era um Conselho de Anciãos (senes = anciãos) consultados pelo rei sobre os principais problemas a se resolverem. Os Comícios Curiatos constituíam de patrícios, reunidos em 30 cúrias, cada uma com seu representante. A Assembleia das Cúrias podia guerrear, ser aprovadas ou vetadas as leis que propuseram.[57]

A monarquia acabou no reinado de Tarquínio, o Soberbo, devido a uma revolta popular. Roma se tornou, por volta de 500 a.C., a principal cidade do Lácio. Houve aumento da população, os problemas sociais e políticos tiveram dificuldade e o rei demonstrava autoridade (tirania).[57]

A solução dos patrícios era dar um golpe de Estado, foi tomado a poder e proclamada a República, que era uma forma de governo democrático (República vem de res publica, que significa "coisa do povo").[57]

República (509 a.C.-27 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, na República Romana havia muita aristocracia (os poderes políticos eram de exclusividade dos nobres). Depois, teve um caráter de maior democracia, no qual participava a plebe no poder.[57]

Os poderes foram divididos pelos republicanos. Anteriormente, os poderes tiveram maior concentração nas mãos do chefe de Estado da monarquia, ou seja, o rei. O caráter dos cargos passou a ser temporário.[57]

O poder assim constituía-se:

O Senado era um Conselho de Anciãos (no começo 300, posteriormente 600), que os patrícios escolhiam. Tinham como função o recebimento de embaixadas de outros países, o tratamento com países do exterior, a nomeação de governadores provinciais, o controle da administração pública e a criação dos decretos-leis (os senatus consultus = decisões tomadas).[58]

Devido aos elementos que muito experientes e autoritários, o Senado romano foi por muito tempo o principal órgão governamental da República romana. Um magistrado exercia a presidência do Senado. Era possível um magistrado podia ser um cônsul, um pretor ou mesmo um tribuno.[58]

As magistraturas eram cargos de importância que os patrícios exerciam. Para que não abusem do poder, os patrícios exerciam as magistraturas apenas por um ano. Havia dois ou mais magistrados para cada cargo.[58]

Política romana[editar | editar código-fonte]
Afresco Cícero denuncia Catilina que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília. Palazzo Madama, Roma.

A seguir é listado a política romana:[59]

  • O Senado dava conselhos aos magistrados, era o órgão controlador da administração pública. Cargo vitalício.[59]
  • Os cônsules, que elegiam-se em número de 2, eram presidentes do Senado e os comícios em tempo de paz, faziam a proposta das leis, estavam no comando do exército e eram indicadores de ditador em tempos de guerra.[59]
  • Os pretores eram zeladores da justiça, com funções que pareciam-se com a de nossos ministros de hoje. Eram zeladores do governo dos territórios.[59]
  • Os censores eram elaboradores do censo dos cidadãos para listar eleitores ou para cobrar impostos, segundo a riqueza de cada um. Eram controladores da moral (os costumes) dos cidadãos (faziam a entrega ao Senado dos nomes listados dos cidadãos de maus costumes ou indignos). Eram escolhedores dos senadores entre os chefes das melhores famílias patrícias.[59]
  • Os edis eram conservadores da cidade (abastecimento, policiamento, espetáculos públicos, manutenção dos templos, das estradas).[59]
  • Os questores, que encarregavam-se das finanças, eram zeladores do tesouro público, dos impostos, dos pagamentos.[59]
  • A Assembleia da Plebe e os Tribunos da Plebe defendiam a plebe. Era possível a proposta de leis de sua autoria e o veto de leis contrárias aos direitos do povo. Não podiam estar ausentes de Roma e as portas de suas casas deviam abrir-se sempre ao povo.[59]

O ditador era um magistrado especial, que elegia-se por 6 meses somente nos momentos de crise e de guerra. Nessa temporada, eram reunidos poderes absolutos.[59]

As assembleias populares, que também se chamavam comícios, eram três:[60]

  • Comícios Curiatos
  • Comícios Tributos
  • Comícios Centuriatos

Essas Assembleias Populares eram muito fortes em decisão política sobre assuntos de importância, como a guerra e a pena de morte. Eram eleitores dos representantes que seriam ocupantes dos cargos da magistratura.[60]

Lutas sociais[editar | editar código-fonte]

Patrícios e plebeus[editar | editar código-fonte]

Os patrícios eram a classe de domínio, eram donos das melhores terras, privilegiados e gozavam de direitos políticos. Eram muito diferentes a classe dos patrícios e plebeus. Os plebeus, pequenos agricultores, artesãos e comerciantes, elegiam seus governantes, mas era possível elegerem-se. Obrigavam-se ao serviço militar, porém, se fossem vitoriosos não podiam ser recebedores das partilhas de terras do governo (ager publicus) e não ser casados com pessoas da classe patrícia.[60]

Além do mais, como pequenos proprietários, tinham que deixar em abandono por longo tempo de suas propriedades para o serviço ao exército e durante a sua volta não eram recebedoras de apoio do Estado para serem refeitos dos prejuízos, sendo muitas vezes se obrigavam à contração de dívidas com os patrícios. Muitos foram arruinados de vez, passando a serem escravizados.[60]

Por esses e outros motivos, durante dois séculos patrícios e plebeus brigaram e lutaram entre si, até que foi reconhecida uma variedade de vários direitos para a plebe pelos patrícios.[60]

Conquistas da plebe[editar | editar código-fonte]

Nas lutas iniciais, pelo ano 494 a.C., os plebeus chegaram ser formadores de um exército e foram retirados para o Monte Sagrado (perto de Roma), onde era pretendida a fundação de uma cidade independente. Foi recusada a defesa de Roma nas guerras contrárias aos demais povos que a estavam sendo ameaçadores.[60]

O forte do exército romano constituía-se de soldados plebeus e, assim, os patrícios obrigaram-se a fazer o negócio com eles para garantir a sua volta para a Roma. Foi concedido a eles o direito de terem seus tribunos (os Tribunos da plebe) para garantir a defesa de seus direitos e terem voz ativa nas decisões políticas.[60]

Os Tribunos da plebe eram famosos pela inviolabilidade, ou seja, o Senado não podia prendê-los. Mas os patrícios e plebeus ainda não tiveram igualdade de direitos, pois as leis romanas não escreviam-se (eram orais) e os patrícios é que eram intérpretes das leis nos tribunais, geralmente a seu favor. Os plebeus eram exigentes em escritura de leis, sendo ameaçados novamente de serem retirados para o Monte Sagrado. Legisladores eram enviados à Grécia pelos patrícios para se dedicar ao estudo das leis gregas. Daí resultou-se que escreveram-se leis romanas em doze tábuas feitas de bronze (Lei das Doze Tábuas).[60]

Mas foi percebido pelos plebeus que quase nada foi mudado, pois a escritura das leis era a mesma de antes, pelas quais os plebeus foram colocados numa posição de inferioridade diante dos patrícios (o poder nas mãos dos patrícios, escravidão por dívida e proibição de casamento entre as duas classes).[61]

Diante de novas pressões da plebe, criou-se a Lei Canuleia, em 445 a.C., sendo permitidos os casamentos que misturavam patrícios e plebeus. A próxima conquista da plebe foi a Lei Licínia Sextia. Por iniciativa dessa lei, foi proibida a escravidão por dívida e determinada as terras distribuídas com mais critério. Era dado também aos plebeus o direito de elegerem-se para o consulado.[61]

Daí por diante, foi sendo conseguido o direito de participar da política numa variedade de cargos pelos plebeus, mas isso fez com que a plebe fosse dividida em plebe rica e plebe pobre, pois as campanhas políticas eram caras e os cargos remuneravam-se. Com o tempo, foram adquiridas condições elevadas por uma parte dos plebeus, que foram misturados com os patrícios, enquanto a camada de maior pobreza foi continuada simplesmente como a plebe romana.[61]

Lutas por melhorias sociais[editar | editar código-fonte]

Irmãos Graco[editar | editar código-fonte]
Em torno de suas ideias foi formado um partido que pode ser chamado de democrático. Essa tentativa de redistribuir de terras era uma ideia famosa pela coragem, mas de difícil realização, porque logo foi encontrados opositores dos grandes proprietários de terras, que eram dominantes no Senado.[61]
Os inimigos de Tibério foram provocadores de um tumulto e tiraram proveito da ocasião para ser assassinado Tibério junto com uma quantidade superior a trezentos senadores que o davam apoio. Jogavam-se os corpos no rio Tibre.[61]
  • Caio Graco: Certos após, Caio Graco seguiu o programa de Tibério. Caio Graco elegeu-se tribuno em 123 a.C. Caio discursava com persuasão e paixão e um dos grandes políticos de Roma. Foi o autor da lei dos grãos de trigo, que deveria vender a preço bem baixo dos grãos de trigo, de modo a serem favorecidos os pobres, para que o alimento não lhes estivesse em falta. Logo após, foi exigida a lei agrária aplicada, que seu irmão Tibério já aprovou. Foi fundador de colônias, onde os camponeses tiveram o direito de distribuir terras para garantir o trabalho e a sobrevivência.[61]
Como seu irmão, foi vítima de assassinato num tumulto que seus inimigos provocaram.[61]
  • Espártaco: No ano 73 a.C., houve uma revolta de um grupo de gladiadores da cidade de Cápua. À frente deles estava um escravo de valor chamado Espártaco. Sendo Espártaco como líder, Milhares de escravos sentiram-se revoltados.
Nessa época, a população de escravos na Itália era maior que a de homens livres. Havia frequência das revoltas de protesto e muitos plebeus que arruinavam-se foram migrados para Roma, onde eram recebedores do pão e circo do governo para garantir o controle da situação. [61]
O exército romano foi desafiado por Espártaco, que tinha a pretensão de fazer a travessia dos Alpes, com a leva e a libertação de seus seguidores fora da Itália. Entre eles, porém, houve discórdia e o exército romano os abateu facilmente. No final da batalha na Apúlia, famosa pelo desespero, caiu em vitória à frente de 60 000 companheiros que entravam na luta pela liberdade. Outros 6 000 capturaram-se e sacrificaram-se escravos, alguns que sacrificaram-se ao longo da estrada de Cápua e Roma (Via Ápia - 71 a.C.).[61]

Expansão romana[editar | editar código-fonte]

Mapa das Guerras Púnicas.

A Itália foi unificada , os romanos estavam com os olhos voltados para conquistar o Mediterrâneo, como Cartago, Grécia e suas colônias, Egito, Síria e Judeia. Os cartagineses foram chamados pelos romanos de "punis", palavra grega que por ter o significado de fenícios, daí o nome de "guerras púnicas". De fato, conforme a tradição, mercadores fenícios que vieram da cidade de Tiro fundaram Cartago por volta de 814 a.C. A posição geográfica de Cartago era famosa pela sua formidabilidade. Na encruzilhada das rotas ocidentais e orientais do Mar Mediterrâneo, os seus portos eram movimentadores do comércio famoso pela intensidade. Cartago foi expandida e sendo transformada numa colônia fundadora de uma variedade de outras colônias em seu entorno, mais além no Gibraltar e na Espanha, como Sagunto, onde eram exploradas minas de prata. O fato de Cartago expandir-se e progredir-se invejou os romanos, que começaram o bloqueio do comércio cartaginês no Mediterrâneo. Roma e Cartago guerrearam três vezes.[62]

Primeira Guerra Púnica[editar | editar código-fonte]

Roma e Cartago lutaram por 23 anos, e tudo teve início quando foi tomada uma boa parte da Sicília pelos romanos. A Sicília, propriamente dita, era dominada pelos cartagineses. Uma potente frota com uma quantidade superior a 100 navios foi mandada pelo Senado. O exército romano não se habilitava ao combate no mar, mas era espiritualmente prático e firme.[63]

Os cartagineses foram comandados pelo general Amílcar Barca. Depois de os cartagineses lutarem anos e anos, foi deixada a Sicília para os romanos. Foram os perdedores da guerra e obrigaram-se a fazer pagamento de alta quantia em dinheiro. Nos anos seguintes, os romanos foram os dominadores das ilhas da Sardenha e da Córsega, que foram passadas ao domínio do mundo romano. Depois de serem vitoriosos no mar, a solução dos romanos era a invasão do território africano para a invasão de Cartago.[63]

Segunda Guerra Púnica[editar | editar código-fonte]

Segunda Guerra Púnica.

Roma e Cartago lutaram por 16 anos. Depois que morreu Amílcar, tomou posso do comando seu filho Aníbal Barca, pelo qual foi planejado o ataque aos romanos não mais por mar e sim, desta vez, por terra. Aníbal planejava o ataque da Itália que veio da Espanha e fazendo a travessia dos Alpes. Foi organizador do poderoso exército com trinta mil soldados e dezenas de elefantes famosos pelo adestramento. Em sua chegada à Itália, tornou-se primeiramente vitorioso em Trébia e daí andou em marcha para Roma. Cipião foi nomeado pelo Senado para ser organizada a defesa contra o invasor. Cartago foi atacada por Cartago, sendo Aníbal obrigado a deixar a Itália e ser o defensor de seu povo. Porém, derrotou-se Cipião em Zama, próximo a Cartago, no ano 202 a.C.[63]

Terceira Guerra Púnica[editar | editar código-fonte]

Roma e Cartago lutaram por quatro anos, que foram terminados com Cartago destruída. Sem domínio marítimo nem comercial, os cartagineses, mesmo assim, continuavam a serem preocupantes com os romanos. No Senado romano, o censor Catão eram insistente em quando discursava que "Cartago devia ser destruída", pois sempre era ameaçador. Por fim, os romanos foram decisivos na destruição total de Cartago e na proibição de qualquer tentativa de reconstrução da cidade. Isso foi ocorrido no ano de 146 a.C., quando Cartago foi elevada à categoria de uma simples província romana na África.[63]

Com a derrota de Cartago, os romanos foram lançados a conquistar o Mediterrâneo oriental, sendo dominadores da Grécia, do Egito, da Síria e da Judeia. E foram transformados em senhores absolutos do Mediterrâneo, pelos quais passou a ser chamado de Mare Nostrum (nosso mar).[64]

Consequências das Guerras Púnicas[editar | editar código-fonte]

Depois das Guerras Púnicas e das demais conquistas, grandes dificuldades foram abatidas sobre Roma:[64]

  • aumentou consideravelmente o número de escravos;[64]
  • lutas internas pelo poder;
  • administração difícil;
  • altos impostos pelo governo.[64]

Depois de conquistadas, Roma foi transformada numa potência mundial e a sociedade romana foi profundamente transformada. De um lado, os nobres, os cavaleiros, latifundiários e novos ricos foram os criadores de novas formas de riqueza, que fundaram-se na especulação comercial, financeira e nas conquistas e posses de terras. De outro lado, os pequenos camponeses, clientes e parasitas foram transformados em ainda mais pobres.[64]

As classes sociais foram distanciadas cada vez mais. O poder e a maior parte das terras estavam nas mãos dos ricos. Os pequenos camponeses foram os perdedores de suas terras, que doavam-se aos oficiais na sua volta da vitória das conquistas. Outros eram endividados e foram perdedores de tudo. Desse modo, Roma começou a ser receptora da enormidade de um população de desempregados e falidos, pelos quais foram reclamados do governo moradia e comida. As autoridades romanas passaram a ser os controladores dos ânimos e da situação sendo distribuída gratuitamente alimentação e sendo preenchido o tempo vazio dos desocupados sendo oferecido muita diversão (pão e circo).[64]

Os escravos, que consideravam-se coisas e que provieram de guerras e dívidas, cuja população é maior do que a dos homens livres, eram os executantes todos os tipos de serviços e sustentadores do resto da população. Em número superior, houve tentativa até uma variedade de rebeliões, sendo a de maior importância aquela que por Espártaco liderou.[64]

Essas diferenças sociais, as dificuldades administrativas e as lutas internas pelo poder vão levar tornar a República romana enfraquecida e decadente, sendo finalizada depois que voltou sistema do Império.[64]

Lutas pelo poder[editar | editar código-fonte]

Busto de Mário

Além dos irmãos Graco (Tibério e Caio) lutarem por reformas agrárias e melhorias sociais, a República romana agitou-se por lutas internas pelo poder e lutas entre classes sociais.[64]

Em 106 a.C., Mário, um general que alcançou a vitória nas conquistas militares, foi eleito cônsul por seis vezes consecutivas e reunido em torno de si um forte partido democrático. Mário e o seu partido deram apoio às reformas populares e promotores das leis que eram contra à aristocracia interessada.[64]

A aristocracia foi posta em prejuízo, pela qual procurada a sua organização e o reforço do partido dos nobres. No ano 88 a.C., um general bem-sucedido, elegeu-se cônsul. Sila, um aristocrata, torna-se o líder do seu partido. No 83 a.C., é estourada uma guerra social envolvendo os partidários de Mário e Sila. Uma variedade de cidades no entorno de Roma deram apoio às reformas sociais de Mário, porém, as tropas de Sila dominaram as dominaram combates famosos pela violência. Por fim, Sila foi o dominador da situação e é proclamado ditador perpétuo.[64] Entre as suas reformas estão: aumentar o número de senadores, diminuir o poder dos tribunos da plebe, premiar muitos soldados através do confisco de terras e organizar uma lista de adversários políticos ou pessoais que deveriam assassinar ou desterrar.[65]

No ano 79 a.C. Sila é retirado da política e o poder e os partidos passam a disputar o poder durante uma variedade de anos. Nessa época, a República romana não estava pacífica. Além das lutas por conquistas externas, foram surgidos problemas de fome, carestia e desemprego. Entre os políticos pelos quais era disputado o poder, três aliaram-se para serem o governantes do mundo romano.[66]

Triunviratos[editar | editar código-fonte]

Estátua de Júlio César no Fórum Imperial, Roma, Itália. Trata-se de uma obra moderna, em bronze.

Teve formação o que foi chamado de primeiro triunvirato (três no poder), que formava-se de Pompeu, Crasso e Júlio César. Cada um passou a ser o administrador de uma parte do grande domínio romano: Pompeu foi permanecido em Roma, Crasso foi para o Oriente e César ficou com o governo das Gálias. Crasso foi morto em combate no Oriente (53 a.C.). Júlio César, famoso pela ambição e já muito popular em Roma, passou a ser desconfiado pelo Senado romano, que passou a dar apoio a Pompeu. Mas César andou em marcha sobre Roma e foi o dominador das tropas de Pompeu, que teve sua fuga para o Egito, onde assassinaram. César foi transformado, então, senhor absoluto do poder, ditador vitalício, e era aspirante também ao título de rei.

No seu governo de curta duração, foi realizado um grande programa de reforma por César:

  • pôs a cidade em ordem;[66]
  • foi reduzido o número de pessoas recebedoras gratuitas de alimentação e diversão (pão e circo) do governo;[67]
  • permitiu a volta dos agricultores aos campos;
  • somente era possível que cada cidadão romano fosse dono de 1 a 2 escravos;
  • foi aumentado o número de funcionários;
  • iniciou grandes obras públicas;
  • foi diminuído o poder do Senado e reunidos os poderes nas próprias mãos.

O Senado Romano, que diminuiu os seus poderes e tendo medo da volta de César ao sistema de realeza, foi conspirado contra a sua vida. No dia 15 de março de 44 a.C., em pleno Senado, o ditador cercado pelos conspiradores e apunhalado. Entre os que assassinaram estava Bruto, filho adotivo de César.

Mas as coisas não foram acontecidas como o Senado esperava, isto é, mais poder para os senadores e para a aristocracia. De fato, um grupo de políticos tomou posse do poder, sendo formado o segundo triunvirato, com Marco Antônio, Otávio e Lépido, no ano 43 a.C.

Como no primeiro triunvirato, os líderes foram divisores do domínio romano: Otávio ficou com o Ocidente, Marco Antônio com o Oriente e Lépido com a África.

Lépido acabou se afastando da política e os dois outros chocaram-se. Marco Antônio, se apaixonou por Cleópatra (rainha do Egito), pelo qual foram prometidos territórios da República romana. Otávio foi autorizado pelo Senado romano para guerrear com Marco Antônio e Cleópatra. Marco Antônio, derrotado, cometeu suicídio e Otávio tomou posse como senhor absoluto de Roma. Foi terminada a República romana e iniciou o Império, no ano 27 a.C.[67]

Império Romano[editar | editar código-fonte]

Augusto (27 a.C. a 14 d.C.)[editar | editar código-fonte]

Com ele terminou a república e teve início o Império Romano, em 27 a.C.. Augusto foi governante até o ano 14 a.C. Considerou-se o período do seu governo um ponto alto do Império Romano. De acordo com a tradição cristã, foi nessa época em que foi nascido Jesus Cristo, personagem cujo nascimento baseou a nova contagem cronológica na História.[68]

Seu governo foi pacífico, ordeiro, econômica e intelectualmente próspero. Augusto e Caio Cílnio Mecenas, um rico cidadão romano, deram auxílio financeiro a muitos artistas, como os poetas Virgílio, Horácio, Ovídio e o historiador Tito Lívio. Augusto foi o ampliador das fronteiras do império e embelezador da cidade de Roma.

O Senado intitulou-o Augusto, que quer dizer "divino". Após morrer Otávio Augusto, tomou posse seu filho Tibério Cláudio.

Imperadores romanos[editar | editar código-fonte]

A partir de Otávio Augusto até o ano 395 d.C., uma variedade de imperadores foram os administradores do Império Romano. No início, houve quatro famílias (dinastias) de imperadores: a dinastia júlio-claudiana (14-69), a dinastia flaviana (69-96), a dinastia antonina (96-192), a dinastia severa (192-235). De 235 a 284, houve um período de anarquia militar, em que foram sucedidos 26 imperadores. Daí até 395 d.C., foram governantes Diocleciano, Constantino, Juliano e Teodósio I. Este, no ano 395, foi dividido o Império Romano entre seus dois filhos, ficando Honório com o Ocidente (capital Roma) e Acádio com o Oriente (capital Constantinopla). O último imperador do Ocidente foi Rômulo Augusto, que pelos bárbaros de Odoacro depuseram no ano 476 d.C., quando então foi iniciada a Idade Média. O Império Romano do Oriente ainda teve duração de mil anos, sendo terminado no ano de 1453, quando os turcos otomanos foram os dominadores da cidade de Constantinopla, sendo definitivamente acabado o Império Romano e sendo iniciada a Idade Moderna.[69]

Certos imperadores e fatos de seus governos:[70]

  • Tibério (14-37): Foi o sucessor de Augusto. Fez uma boa administração, melhoria nas finanças e continuou as obras de Augusto. Foi perseguidor dos inimigos e foi ganhou antipatia ao povo, pelo qual gritada a seguinte frase nas ruas: "Vamos jogar Tibério no Tibre". Acabou sendo vítima de assassinato.[70]
  • Cláudio (41-54): A poderosa guarda pretoriana o colocou no poder. Homem de cultura, pelo qual foram deixadas obras escritas. Foi um bom governante. Foi mandado o assassinato de sua mulher Messalina e foi casado com Agripina, pela qual foi envenenado para por no trono seu filho Nero.[70]
  • Vespasiano (69-79): Era famoso pela honestidade, trabalhado, inteligência e autoridade. Com ele foi iniciado um longo período pacífico e próspero no Império. Empregou um grande número de proletários que aproveitaram nas grandes construções e estradas. Foi mandada a construção do famoso Coliseu, em Roma.[70]
  • Trajano (98-117): De família romanizada da Hispânia, Trajano foi um bom administrador, sendo diminuídos os impostos os impostos e mesmo assim sendo aumentados os rendimentos do governo. Foi estabelecedor do crédito agrícola, assistiu os pobres. Foi embelezador da cidade com obras públicas, como o Fórum de Trajano, uma das construções de maior beleza do mundo romano.[70]
  • Calígula (37-41): Tomou posse sob o apoio do povo e do Senado. Era mentalmente desequilibrado, chegando mesmo ser levado seu cavalo Incitatus ao Senado e nomeado senador. Fez os judeus serem obrigados a aceitarem a adoração de imagem. Acabou sendo vítima de assassinato.[70]
  • Nero (54-68): Filho de Agripina. Muito jovem no poder, foi inicialmente bom administrador. Muito cedo deu vazão á perversidade de seus instintos. Foi mandado o assassinato de sua mãe Agripina, o irmão e todos aqueles que fossem críticos às suas loucuras. Em 64, incendiou Roma. Mas ele foi o acusador dos cristãos pelo fato, sendo mandado matar um grande número deles. Acabou em abandono por todos, cometendo suicídio por um escravo.[70]
  • Tito (79-81): Filho de Vespasiano, foi combatente de uma revolta dos judeus ainda no governo do pai. Famoso por sua paz e generosidade, ganhou o apelido de "Delícias do Gênero Humano". Seu curto governo foi desgraçado: Roma foi incendiada, uma peste e a erupção do Vesúvio, em foram soterradas as cidades de Pompeia e Herculano.[70]
  • Adriano (117-138): Imperador famoso pela paz e pela cultura. Amava a cultura helenística, ele tinha capacidade de escrever, escrevia poesias e cantava. Tinha o costume de ser viajante e solucionador dos problemas das províncias. Era mantenedor da unidade do império e foi construtor de uma muralha de 100 km para tornar difícil que os povos bárbaros, que vieram do Norte, penetrassem.[70]
  • Constantino (312-337): Um dos imperadores romanos de maior importância, Constantino foi um bom administrador e foi o reconstrutor de Bizâncio como Constantinopla para ser a nova capital do império. Em 313, com o Édito de Milão, deu liberdade religiosa aos cristãos.[70]

Religião romana[editar | editar código-fonte]

Os romanos, como a maior parte dos povos antigos, eram crentes no politeísmo. Eles eram um povo com origem no pastoreio e na agricultura e, portanto, cultuavam e adoravam as forças da natureza. Entre as divindades que ligavam-se à agricultura, estavam Saturno (protetor dos plantios), Flora (protetora das flores), Pamona (protetora dos frutos e colheitas) e Ceres (deusa da fecundidade dos campos). No interior das casas, os romanos tinham um altar próprio para cultuar os familiares e antepassados, que chamavam se deuses lares. Cultuava-se em familiares ou em público. Celebrava-se o culto doméstico pelo pater familias e o culto público pelo pontífice máximo, pelos sacerdotes e sacerdotisas. Em Roma, ganharam fama as sacerdotisas chamadas vestais, virgens que, em parte de sua vida, cultuavam a deusa Vesta, protetora de Roma.[71]

Contatando com outras culturas, os romanos foram importadores de uma variedade de deuses, principalmente da Grécia, que foram recebedores de nomes latinos. Veja, a seguir, um quadro correspondente entre as divindades gregas e romanas.[71]

Deuses gregos

Deuses romanos[71]

Zeus Júpiter
Hera Juno
Afrodite Vênus
Apolo Febo
Ares Marte
Hermes Mercúrio
Posidão Netuno
Atena Minerva
Dionísio Baco
Hades Plutão
Héstia Vesta
Deméter Ceres
Ártemis Diana
Hefaístos Vulcano[71]

Os romanos famosos pela superstição, estavam à procura da visão do futuro e o destino por meio do voo analisado dos pássaros, de suas vísceras e das forças da natureza. O Estado achava-se muito importante os deuses e atos religiosos, que eram recebedores de proteção do próprio senado.[71]

Martírio de São Pedro, por Caravaggio.

No governo do imperador Augusto, foi nascido Jesus Cristo, fundador do cristianismo, uma religião que em pouco tempo foi um atrativo de milhares de seguidores famosos pelo seu fervor. Na nova religião foram trazidos novos valores morais, como o amor e o respeito ao próximo de qualquer condição social. Ainda mais na nova religião era prometida aos bons uma recompensa numa vida após a morte, pois a alma era famosa pela imortalidade . O imperadores viram o enfraquecimento do culto aos seus deuses e notaram que a nova religião ameaçava ao próprio Império (porque para os cristãos os deuses não valiam nada e o imperador era simplesmente uma pessoa que podia morrer, não uma divindade). Assim, foram violentamente perseguidos os cristãos, que davam sua preferência à morte por estraçalhamento nos circos e arenas à renúncia à fé em Jesus Cristo. No Coliseu, enorme praça de espetáculos, os pagãos garantiam sua diversão com lançamento de centenas de homens, mulheres e crianças para as feras os devorarem vivos. Chamou-se a "época dos mártires", entre eles São Pedro e São Paulo, que foram condenados à crucificação.[71]

Os cristãos formaram comunidades locais, denominadas Igrejas, sob a autoridade pastoral de um bispo. O bispo de Roma, sucessor do apóstolo Pedro, exercia o primado sobre todas as Igrejas. A vida cristã estava centralizada em torno da Eucaristia e o repúdio do gnosticismo [72] foi a grande vitória doutrinal da primitiva Igreja.

Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos, porque a sua religião era vista como uma ofensa ao Estado, pois representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano imperial. Durante a perseguição, e apesar dela, o cristianismo propagou-se pelo império. Neste período os únicos lugares relativamente seguros em que se podiam reunir eram as catacumbas, cemitérios subterrâneos. O cristianismo teve de se converter numa espécie de sociedade secreta, com os seus sinais convencionais de reconhecimento. Para saber se outra pessoa era cristã, por exemplo, desenhava-se um peixe, pois a palavra grega ichtys (peixe) era o anagrama da frase Iesos Christos Theou Hyios Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).[71]

As principais e maiores perseguições foram as de Nero, no século I, a de Décio no ano 250, a de Valeriano (253-260) e a maior, mais violenta e última a de Diocleciano entre 303 e 304, que tinha por objetivo declarado acabar com o cristianismo e a Igreja. O balanço final desta última perseguição constituiu-se num rotundo fracasso. Diocleciano, após ter renunciado, ainda viveu o bastante para ver os cristãos viverem em liberdade graças ao Édito de Milão, iniciando-se a Paz na Igreja. A perseguição de Diocleciano ou "grande perseguição" foi a última e talvez a mais sangrenta perseguição aos cristãos no Império Romano.[71]

Em 303, o imperador Diocleciano e seus colegas Maximiano, Galério e Constâncio Cloro emitiram uma série de éditos em que revogavam os direitos legais dos cristãos e exigiam que estes cumprissem as práticas religiosas tradicionais. Decretos posteriores dirigidos ao clero exigiam o sacrifício universal, ordenando a realização de sacrifícios às divindades romanas. A perseguição variou em intensidade nas várias regiões do império: as repressões menos violentas ocorreram na Gália e Britânia, onde se aplicou apenas o primeiro édito; enquanto que as mais violentas se deram nas províncias orientais. Embora as leis persecutórias tenham indo sendo anuladas por diversos imperadores nas épocas subsequentes, tradicionalmente o fim das perseguições aos cristãos foi marcado pelo Édito de Milão de Valério Licínio e Constantino, o Grande.[71]

A grande perseguição não logrou controlar o crescimento da Igreja. Em 324, Constantino era o único governante do império e o cristianismo era agora a religião por ele mais favorecida. Embora a perseguição tenha resultado nas mortes de 3000 cristãos — de acordo com estimativas recentes.[71]

Cultura romana[editar | editar código-fonte]

Direito romano[editar | editar código-fonte]

O legado de maior importância deixado pelos os romanos deixaram para a humanidade foi o fato de os romanos, propriamente ditos, forem os conquistadores no campo do direito.[71] No direito romano são encontradas as raízes do direito e da legislação dos países modernos.[71] Assim como foram deixados ao mundo a filosofia e a arte de organização do pensamento pelos gregos, foi deixados para a humanidade a ciência do direito pelos romanos. O direito é fundamental para a garantia da ordem, o relacionamento social, a liberdade e os bens.[71]

Literatura e filosofia romanas[editar | editar código-fonte]

Na poesia, foram distintos os poetas Virgílio (escreveu Eneida, que é a narração da vinda de Eneias de Troia para a península Itálica), Ovidio (escreveu Arte de amar e de Metamorfoses), Horácio (escreveu Odes). Entre os historiadores mereciam destaque Júlio César (escreveu A Guerra das Gálias), Tito Lívio (escreveu História de Roma, em 142 livros), Suetônio (escreveu Vida dos Doze Césares), Tácito (escreveu Histórias e Anais). Demais nomes das letras romanas: Paluto e Terêncio trabalhavam com teatro; Cícero, rande orador romano, escreveu Catilinárias: contra Catilina, que traiu a República; Sêneca e o imperador Marco Aurélio trabalhavam com filosofia; Plutarco foi o autor de Vidas paralelas e Petrônio foi o autor de Satiricon.[71]

Arte romana[editar | editar código-fonte]

Os romanos eram espiritualmente práticos e não foram desenvolvedores das artes à maneira dos gregos, espíritos de maior sensibilidade. Foram destacados na arquitetura. Grandes estádios, circos e anfiteatros, como o Coliseu, que era uma construção em formato de círculo, com uma arena no centro e onde alojavam-se para atores, gladiadores e feras, com condições até de acumulação de água para batalhas navais. Nos circos havia competições de carros puxados por cavalos, como as bigas e quadrigas. Foram construtores de aquedutos, para a transferência de água potável a locais muito distantes. O aqueduto Aqua Claudia, por exemplo, era transferidor de água para Roma numa distância de 69 km. Foram construtores de grandes e termas de grande beleza para banhos públicos ou particulares. Edifícios públicos como o fórum, palácios, templos e casas de construção artística. De maior fama também foi a enormidade de colunas, como a de Trajano, em Roma. Na engenharia e na arquitetura romanas foram deixadas obras arquitetonicamente altamente valiosas, como pontes, arcos e pórticos.[71]

Um romano fala dos romanos[editar | editar código-fonte]

[71]

Referências

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  72. O gnosticismo, que constituía uma verdadeira escola intelectual - apresentava-se como sendo uma sabedoria superior, apenas ao alcance de uma elite minoritária de iniciados, o representante mais notável deste corrente foi Marcião, que fundou uma pseudo-igreja, que procurava imitar a Igreja cristã na sua organização e liturgia - vide ORLANDIS, José. História breve do Cristianismo. Tradução de Osvaldo Aguiar - Lisboa: Rei dos Livros, 1993.