Várzea paraibana

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Mapa do estuário do rio Paraíba.

A Várzea paraibana é a região de planície aluvial compreendida pelo baixo curso do rio Paraíba (a partir da represa de Acauã), e seus afluentes, na Costa Atlântica do estado brasileiro da Paraíba.[1] Nela situam-se cidades com precioso patrimônio histórico dos séculos 16 ao 19, como Itabaiana, Pilar, São Miguel de Taipu, Cruz do Espírito Santo, Santa Rita, Bayeux e Lucena.[nota 1] Rica em história, a Várzea do Paraíba está intimamente ligada ao ciclo da cana-de-açúcar e foi muito citada em obras de escritores célebres, como José Américo de Almeida e José Lins do Rego.[2][3]

Atualmente, a região tem grande importância econômica para o estado, já que apresenta grande produção agrícolas e um polo industrial relevante, com indústrias de calçados, cerâmicas e de alimentos, principalmente. Seu setor terciário é também bastante desenvolvido.[4][5]

História[editar | editar código-fonte]

A Várzea Paraibana era povoada por tribos potiguaras e tabajaras antes da chegada dos conquistadores europeus à Paraíba, tendo os franceses sido os primeiros europeus a pisar em seu solo, ainda em meados do século XVI. Em 1599 os luso-brasileiros assinam paz com os potiguaras e a região começa a ser definitivamente ocupada.[6]

Sobre a iniciativa de povoamento da região, o livro Tratado Descritivo do Brasil em 1587 narra:

(...) entravam em cada ano nesse rio [Paraíba] naus francesas a carregar o pau-de-tinta (...) porque o gentio Pitiguar andava muito levantada contra os moradores da capitania de Itamaracá e Pernambuco, com o favor dos franceses, com os quais fizeram nessas capitanias muitos danos, queimando engenhos e outras muitas fazendas, em que mataram muitos homens brancos e escravos, assentou Sua Majestade de o mandar povoar e fortificar (...) este rio da Paraíba é muito necessário fortificar-se, a uma por tirar essa ladroeira dos franceses dele, a outra por se povoar, pois é a terra capaz para isso, onde se podem fazer muitos engenhos de açúcar.[7]


A região foi oficialmente conquistada em 1585 e logo o primeiro engenho do estado foi construído às margens do rio Tibiri: o engenho Tibiry Del-Rey. A partir daí passou a ser palco da monocultura canavieira, com dezenas de engenhos. A Várzea do rio Paraíba foi portanto o celeiro dos primeiros séculos da história da Paraíba, em virtude de ser extensa área sempre úmida e irrigada por vários cursos d'água, como Obim, Cabocó, Soé e o Rio Jaburu. Durante séculos a região mais rica do estado, e onde se produzia «o melhor açúcar do Brasil», segundo relatos do livro Diálogos das riquezas do Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão.[8][9]

«Rancho Grande dos Tropeiros», obra que personifica o passado épico da Várzea Paraibana.

Em 1978 o então governador Tarcísio Burity assina decreto tombando a cidade de Pilar. Além da cidade foram ainda preservados para a posteridade mais trinta e seis imóveis, entre prédios e parques, situados em João Pessoa.[10]

Patrimônio histórico[editar | editar código-fonte]

Na Várzea Paraibana está localizado um rico patrimônio da história da Paraíba do período colonial, como as capelas Sant'Ana, da Batalha e o antigo engenho Tibiry.[1] Abaixo, listam-se alguns deles:

  • Capela da Consolação
  • Capela de Batalha
  • Capela de N. Sa. da Conceição
  • Capela de Santa Luzia
  • Capela de Sant’Ana
  • Capela de São Felipe
  • Capela do antigo Engenho São João
  • Capela do Desterro
  • Capela do Socorro
  • Casa da Câmara de Pilar
  • Engenho Corredor
  • Engenho das Graças
  • Torre de Atalaia
  • Engenho Itapuá
  • Engenho Maraú
  • Engenho Massangana
  • Engenho Patrocínio ou Uma
  • Estação de trem Paula Cavalcanti
  • Igreja da Guia
  • Igreja do Almagre
  • Ruínas do Engenho Reis
  • Ruínas do Engenho Tibiri

Notas

  1. Embora estejam situadas na foz do rio Paraíba, João Pessoa e Cabedelo não entram no conceito de «Várzea Paraibana» em virtude da profusão de seu patrimônio e de nunca terem tido no açúcar a fonte de suas economias.

Referências

  1. a b Redação do sítio web (2007). «O Patrimônio Esquecido da Várzea». Portal Paraiwa.org. Consultado em 23 de julho de 2014. 
  2. RAPOSO, Eduardo; et al. (1984). Diálogo com José Américo de Almeida. [S.l.]: Nova Fronteira. 579 páginas 
  3. LINS DO RÊGO,José (1966). Menino de engenho. [S.l.]: José Olympio. 121 páginas 
  4. Adm. do governo (18 de novembro de 2014). «Santa Rita é a 15ª cidade que mais gerou empregos no país». Portal do Governo da Paraíba. Consultado em 31 de janeiro de 2015. 
  5. FONTGALLAND, Isabel Lausanne (2002). «Investigação do perfil das inovações tecnológicas de processos e produtos nas indústrias paraibanas de plásticos, bebidas e couro-calçados» (PDF). Sebrae.com.br. Consultado em 31 de janeiro de 2015. 
  6. Confraria do IHGP (2000). Revista, volume 33. [S.l.]: Instituto Histórico e Geográfico Paraibano 
  7. SOARES DE SOUZA, Gabriel (2000). Tratado Descritivo do Brasil em 1587. [S.l.]: Fundação Joaquim Nabuco/Massangana. pp. 14, 16 
  8. PALACIOS, Guilherme (2004). Campesinato e escravidão no Brasil: agricultores livres e pobres na Capitania Geral de Pernambuco (1700-1817). [S.l.]: Universidade de Brasília. 380 páginas. ISBN : 9788523007447 Verifique |isbn= (ajuda) 
  9. FERNANDES BRANDÃO, Ambrósio; CAPISTRANO DE ABREU, João (1930). Dialogos das grandezas do Brasil: pela primeira vez tirados em livro. [S.l.]: Oficina industrial graphica. 315 páginas 
  10. Adm. estadual (1978). Arquivo & administração, volumes 6–9. [S.l.]: Governo do Estado 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]