Várzea do Carmo

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A Várzea do Carmo pintada por Arnaud Pallière

Várzea do Carmo era a denominação de uma das zonas centrais da cidade de São Paulo, adjacente ao Convento do Carmo e freqüentemente atingida pelas cheias do rio Tamanduateí, inicialmente conhecido como Piratininga. Em 1821, o Major de Engenheiros Pedro Arbues Moreira apresentou ao governo uma proposta de desaguamento da Várzea do Carmo, com a abertura de um canal de 40 palmos de largura. Por ser uma obra muito cara, não foi executada. Durante a presidência do Padre Dr. Vicente Pires da Mota foram feitos vários melhoramentos no local, entre eles a mudança no curso do rio Tamanduateí. Na administração dos presidentes João Teodoro Xavier e João Alfredo Correia de Oliveira, foram realizadas várias obras com o objetivo de preservar o local das inundações.

O saneamento integral e a recuperação da Várzea do Carmo foi um processo lento. Após a canalização do rio, que só foi concluída na segunda década do século XX, o topônimo caiu em desuso e, hoje, a zona é - grosso modo - equivalente ao Parque Dom Pedro II.

Na Várzea do Carmo, em São Paulo, em 14 de abril de 1895,[1][2] foi realizada uma partida de futebol entre ingleses e anglo-brasileiros, formados pelos funcionários da Companhia de Gás e da Estrada de Ferro São Paulo Railway. Essa é considerada a primeira partida de futebol do país. O amistoso terminou em 4 a 2, com vitória do São Paulo Railway.[3][4]

A Companhia da Várzea do Carmo[editar | editar código-fonte]

A Companhia Mêcanica, que havia efetuado grande parte da canalização do rio Tamanduateí, recebeu a proposta da Prefeitura para realizar a urbanização da Várzea. Tratava-se de executar o projeto então elaborado para o parque. Como o Tesouro Municipal não dispunha de recursos, o prefeito Washington Luís Pereira de Sousa propôs que o serviço fosse pago com os terrenos remanescentes, que pertenciam ao Município. Por ser uma poderosa organização empreiteira, a Companhia Mecânica não achou vantajosa essa troca de terras por serviços e desistiu.

O prefeito tinha como secretário o Sr. Antônio Almeida Braga, que se propôs a conseguir os recursos necessários para a urbanização por meio de uma companhia a ser construída. Assim surgiu a Companhia da Várzea do Carmo, que tinha como presidente o Visconde de Moraes. Para o Conselho Fiscal foi nomeado o engenheiro Ricardo Severo da Fonseca e Costa, sócio do escritório de Engenharia e Construções Ramos de Azevedo. Os escritórios dessa nova Companhia ficavam no prédio do Banco Português do Brasil, na rua XV de Novembro.

Em 1921 o canal do Tamanduateí foi concluído, junto com o ajardinamento da área, atraindo multidões à procura de trabalho. Dois anos depois o serviço estava completamente terminado e teve início a venda de lotes, que eram em média de duzentos metros quadrados com sete metros de frente. Os dois maiores lotes foram adquiridos pela Prefeitura para a construção do Mercado Central (atual Mercado Municipal de São Paulo).

Com os trabalhos de urbanização do parque e canalização do rio, mudava-se o leito antigo para transformar-se na rua 25 de Março. Ali existia um movimentado porto, com grandes e rústicos armazéns. Dessa extinta atividade restou a denominação Ladeira Porto Geral. Também desapareceram os portos do Tamaduateí, denominados Beco das Barbas, na atual Ladeira Porto Geral, da Figueira, na foz do Anhangabaú; da Tabatinguera, diante da rua de mesmo nome. Já o rio estava difícil de navegar devido aos bancos de areia, entulhos e aguapés.

Referências

  1. Futebol na Rede História do Futebol - Futebol do Sul do Brasil. Acessado em 16/04/2010.
  2. John Mills (2005). Charles Miller: O Pai do Futebol Brasileiro Panda Books [S.l.] 
  3. JAL & GUAL 2004, pp. 12
  4. Futebol brasileiro completa 120 anos da 1° partida Folha de S.Paulo - acessado em 13 de abril de 2015
Bibliografia
  • AMARAL, Antonio Barreto do - Dicionário de História de São Paulo. São Paulo: Coleção Paulística, Vol. XIX; 1980.
  • BRUNO, Ernani da Silva - História e tradições da Cidade de São Paulo. São Paulo: Hucitec; PMSP/SMC, 1984.
  • FERREIRA, Barros - O Nobre e Antigo Bairro da Sé. Série História dos Bairros de São Paulo.
  • JAL & GUAL - A história do futebol no Brasil através do cartum; Bom Texto Editora, 2004 - ISBN 85-87723-49-9
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