Vítor Emanuel, Conde de Turim
| Vítor Emanuel | |
|---|---|
| Conde de Turim Príncipe de Saboia Infante da Espanha | |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Vittorio Emanuele Torino Giovanni Maria di Savoia-Aosta 24 de novembro de 1870 Turim, Itália |
| Morte | 10 de outubro de 1946 (75 anos) Bruxelas, Bélgica |
| Casa | Saboia |
| Pai | Amadeu I da Espanha |
| Mãe | Maria Vitória dal Pozzo |
| Religião | Catolicismo |
Vítor Emanuel de Saboia-Aosta (nome completo em italiano: Vittorio Emanuele Torino Giovanni Maria di Savoia-Aosta; Turim, 24 de novembro de 1870 – Bruxelas, 10 de outubro de 1946), infante de Espanha, conde de Turim, era neto do rei Vítor Emanuel II da Itália e membro da Casa de Saboia. Era primo do rei Vítor Emanuel III.
Primeiros anos
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Vítor Emanuel nasceu em Turim pouco antes de seu pai, o príncipe Amadeu de Saboia-Aosta, seguir para a Espanha, onde fora eleito rei. Sua mãe, Maria Vitória dal Pozzo, era a filha mais velha e única sobrevivente de Carlos Emanuel dal Pozzo, 5.º Príncipe de Cisterna, e de sua esposa belga, a condessa Luísa de Mérode-Westerloo.[1] Com a ascensão de seu pai ao trono espanhol, recebeu também o título de Infante da Espanha.[2]
O duelo
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Em 1897, Vítor Emanuel desafiou o príncipe Henrique de Orléans para um duelo, depois de Henrique ter descrito, em vários artigos no jornal Le Figaro, os soldados italianos mantidos prisioneiros na Etiópia durante a Primeira Guerra Ítalo-Etíope como covardes. A disputa teve grande repercussão na Itália e na Europa. Ficou acordado o uso da espada como arma de escolha, pois os italianos consideravam os duelos com pistolas, preferidos pelos franceses, dignos de maridos traídos, não de príncipes de sangue real.[3]
O duelo de espadas, dirigido pelo conde Leontiev e pelo conde Avogadro, com duração de 26 minutos, ocorreu às 5h da manhã de 15 de agosto de 1897 no Bois de Marechaux em Vaucresson, França. Vítor Emanuel derrotou Henrique após cinco repetições.[4]
Henrique sofreu um ferimento grave no abdômen direito, e os médicos de ambas as partes consideraram o ferimento grave o suficiente para colocá-lo em um estado de evidente inferioridade, causando o fim do duelo e tornando Vítor Emanuel famoso na Europa.
A resposta pública a Vítor Emanuel na Itália foi triunfante. Em Turim, o rei Humberto I o recebeu dizendo: "Quero ser o primeiro a parabenizá-lo de todo o coração pelo exemplo que você deu e pelo sucesso que alcançou". [5]
Perspectivas de casamento
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Mesmo em sua juventude, seu futuro casamento era considerado um assunto de grande importância, frequentemente discutido e negociado entre familiares e círculos políticos. A princesa Clara da Baviera chegou a ser considerada como possível esposa do conde de Turim, mas ele "recusou-se terminantemente a casar-se com ela em razão de sua aparência".[6]
Houve planos, organizados por sua tia, a rainha Helena, para que ele se casasse com a princesa Helena da Sérvia, filha do rei Pedro I da Sérvia, mas essas expectativas foram abandonadas quando, durante uma visita à tia na Itália, a princesa se apaixonou pelo príncipe João Constantinovich da Rússia, com quem acabou se casando.[7]
Por fim, Vítor Emanuel nunca se casou e permaneceu solteiro por toda, embora cultivasse uma relação carinhosa com a princesa Olga de Montenegro, quem visitava com frequência quando retornava de suas manobras militares na Alemanha.[8]
Vida posterior
[editar | editar código]Em abril de 1898, Vítor Emanuel partiu em uma viagem pelo mundo.[9] Sua primeira parada foi a cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Depois de passar um dia no Newport Country Club, ele presenteou o clube com uma taça de prata, que é concedida ao vencedor do 'Torneio anual de golfe do Conde de Turim'.[10] Após sua estadia nos Estados Unidos, ele visitou a China e o Japão na próxima etapa de sua viagem pelo mundo.[11]
Vítor Emanuel seguiu carreira no Exército Real Italiano e tornou-se comandante em chefe da Cavalaria Italiana.[12] Ele ocupou este cargo durante a Primeira Guerra Mundial.[13] Após o armistício, ele foi condecorado com a Cruz de Guerra pela França.[14]
Morte
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Vítor Emanuel morreu em Bruxelas quatro meses após a proclamação da República Italiana.[15] Ele era o último filho sobrevivente de Amadeu I. Seu corpo foi sepultado, até 1968, no mausoléu de Merode em Everberg, Bélgica.[16] Posteriormente, seu túmulo foi transferido para a Basílica de Superga em Turim, Itália.[17]
Honrarias
[editar | editar código]- Cavaleiro da Suprema Ordem da Santíssima Anunciação (14 de março de 1892)[18]
- Grã-Cruz da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro[18]
- Grã-Cruz da Ordem da Coroa da Itália[18]
- Cruz de Guerra (França)[14]
- Cavaleiro da Ordem da Águia Negra (6 de maio de 1896) (Império Alemão)[19]
Referências
- ↑ https://www.santiebeati.it/dettaglio/93538
- ↑ Almanach de Gotha. [S.l.: s.n.] 1872. p. 29
- ↑ «Un duello per l'Italia». Turim. 1952
- ↑ «Verbale dello scontro tra il Conte di Torino e il Principe Enrico d'Orléans». Turim. 1897
- ↑ «Prince Henri in a Duel». New York Times. 17 de agosto de 1897. p. 9
- ↑ «Why did Princess Clara take the veil?». Royals Musings. 31 de agosto de 2008. Consultado em 16 de dezembro de 2025
- ↑ Siniša Ljepojević (2018). Knez Arsenije Karadjordjević (p.98)
- ↑ «Olga Danilova». Cópia arquivada em 24 de novembro de 2023
- ↑ «Count of Turin to Travel». New York Times. 14 de abril de 1898. p. 1
- ↑ McNamara, Kevin (27 de junho de 2006). «U.S. Women's Open: Ike, JFK and Tiger left their mark here». The Providence Journal. Consultado em 3 de junho de 2008
- ↑ «The Count of Turin Here». New York Times. 4 de maio de 1898. p. 12
- ↑ «Praise Italy's Cavalry». New York Times. 21 de novembro de 1912. p. 5
- ↑ «Extols The Bravery of Italian Cavalry». New York Times. 24 de novembro de 1917. p. 3
- ↑ a b «France Honors Gen. Gough». New York Times. 27 de novembro de 1918. p. 10
- ↑ https://drouot.com/en/l/30639350-black-and-white-photograph-of-victor-emmanuel-of-savoy-aosta
- ↑ http://www.royaltyguide.nl/families/fam-S/savoye/savoyaosta.htm
- ↑ http://www.royaltyguide.nl/countries/italy/turin/superga.htm
- ↑ a b c Italia : Ministero dell'interno (1900). Calendario generale del Regno d'Italia. [S.l.]: Unione tipografico-editrice. pp. 53, 55, 67
- ↑ «Schwarzer Adler-orden». Königlich Preussische Ordensliste (em alemão). 1. Berlim: [s.n.] 1895. p. 5 – via hathitrust.org