VBTP-MR Guarani

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VBTP-MR Guarani
Guarani (6125539182).jpg
Tipo Blindado de Transporte de Pessoal - Médio sobre Rodas
Local de origem  Brasil
História operacional
Em serviço Desde 2012
Utilizadores  Brasil
Líbano
 Argentina
Histórico de produção
Fabricante Iveco
Custo unitário R$3.644.076,17 [1]
Quantidade
produzida
2044 unidades planejadas
Especificações
Peso 14.3 t
Comprimento 6.91 mt
Largura 2,7 mt
Altura 2.34 m
Tripulação 11 tripulantes
Blindagem do veículo 30 mm de aço balístico contra munição 7.62mm
Armamento
primário
Canhão automático de 30mm
Armamento
secundário
Metralhadora de 7.62mm
Motor Iveco FPT Cursor 9
383 hp (286 000 W)
Suspensão Hidropneumática 6x6 e 8x8
Alcance
Operacional
600 km
Velocidade 110 km/h

O Guarani é uma família de veículos militares brasileiros desenvolvidos pela empresa italiana Iveco, baseado no SuperAV de oito rodas. Foi pensado como sucessor do tradicional veículo brasileiro EE-11 Urutu, e foi denominado inicialmente como "Urutu-3". Haverá uma versão 8x8 de combate e reconhecimento, destinada a substituir o EE-9 Cascavel, com canhão 105mm.[2][3]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Os estudos de concepção do que viria a ser o Guarani remontam ao final da década de 1990, ainda com nome de NFBR (Nova Família de Blindados sobre Rodas), posteriormente sendo apelidado de Urutu III. Em diversos documentos emitidos pelo Exército, eram discutidas as versões que integrariam sua família, que seriam nas configurações 6x6 com ao menos uma 8x8, falando-se também em uma 4x4 leve. Previa-se, para as versões 6x6 e 8x8, a utilização de canhões 90 mm e 105 mm.[4]

Em 1999 o Exército Brasileiro emitiu um pedido (ROB # 09/99) para uma nova família de veículos blindados de combate com capacidade anfíbia capaz de substituir os EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, desenvolvidos na década de 1970. A principal característica desta nova família é o design modular, permitindo a incorporação de diferentes torres, armas, sensores e sistemas de comunicações para o mesmo carro, incluindo uma versão de comunicações, uma versão ambulância e versões diferentes de apoio de fogo, armados com morteiros de grosso calibre e sistemas de armas.

O desenho conceitual do veículo foi apresentado na Inovatec 2007, em São Paulo.[5] Em 12 de abril do mesmo ano, ocorreu uma reunião no Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), no Rio de Janeiro, para a solicitação formal às empresas Agrale, Avibras, EDAG, Fiat e IESA que elaborassem propostas financeiras. As empresas tiveram um prazo máximo de 80 dias para a entrega de informações e documentações necessárias à elaboração da proposta financeira, de onde sairia um vencedor com o objetivo de elaborar um protótipo de veículo blindado de transporte de tropas médio sobre rodas (VBTP-MR).[6]

Em 21 de dezembro, foi assinado, no Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), em Brasília, um acordo entre o Exército Brasileiro e a divisão da Fiat/Iveco no Brasil para o início da construção de um protótipo. No dia 18 de dezembro de 2009, no Quartel-General do Exército, o General de Exército Fernando Sérgio Galvão, Chefe do Estado-Maior do Exército, e o Presidente da Iveco, Marco Mazzu, assinaram o contrato de produção do Projeto Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - Médio sobre Rodas (VBTP-MR), que prevê a fabricação no Brasil de 2.044 unidades da VBTP-MR, em um período de 20 anos.

Em 2011 o protótipo do carro foi apresentado na LAAD (Latin American Aero & Defence), feira de Defesa, no Riocentro, Rio de Janeiro.[7]

As primeiras unidades foram entregues em 24 de março de 2014 à 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, de Cascavel, no Estado do Paraná.[8]

Em setembro de 2014 foi entregue o veículo de número 100, ano que finalizou com 128 VBTP-MR Guarani entregues.[1]

Produção[editar | editar código-fonte]

A produção do Guarani é realizada na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG), construída com investimento de R$ 55 milhões, gerando 200 empregos diretos e 1400 indiretos. Irá produzir 115 unidades por ano e tem capacidade para produzir até 200 veículos por ano. Possui cerca de 90% de componentes nacionais.[9][10][11]

O aço da blindagem é fabricado no Brasil pela Usiminas, que investiu US$ 295 milhões desde 2007 no centro de pesquisa e desenvolvimento mantido em Ipatinga para o desenvolvimento de aço balístico.[12]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Vista traseira do blindado.

O Guarani tem um chassi formado por duas longarinas na base do veículo, o qual abriga toda a suspensão, os elementos de transmissão com sua respectiva caixa e dois diferenciais, um dianteiro e outro traseiro. Sobre este conjunto foi montado a estrutura blindada do veículo, em forma de V capaz de resistir a minas de até 6 kg.

Com a finalidade de atender às exigências do Exército Brasileiro, e também em função dos custos, optou-se por incorporar ao projeto o maior número possível de componentes que já existissem no mercado automotivo de caminhões, como forma de baratear os custos ao mesmo tempo em que se tem um veículo moderno. Devido a isto, foram usados os elementos mecânicos da série TRAKKER, que é a linha de produção no Brasil para caminhões civis comercializados pela Iveco caminhões, sendo este o princípio do chassi pouco comum do Guarani.[13]

Em sua configuração padrão, a versão 6x6 possui um motor FPT Industrial Cursor 9F2C de 383 cv, transmissão automática ZF Friedrichshafen 6HP602S, propulsão aquática Bosch Rexroth A2FM80, sistemas pneumáticos centrais Téléflow, sistema de proteção QBN (química, biológica e nuclear) Aero Sekur, sensor de fogo automático e supressão Martec, painel digital do motorista, sistema elétrico CANBUS tipo 24V, assentos com absorção de choque, câmeras de motorista da Orlaco Products, sistema de ar condicionado da Euroar, sistema de runflat Hutchinson, eixos motrizes Dana, e caixa de transferência e suspensão da Iveco. O sistema de comando e controle é composto por dois rádios Harris Falcon III com GPS integrado, um intercomunicador Thales SOTAS, um computador Geocontrol CTM1-EB e software GCB (Gerenciador do Campo de Batalha), desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento de Sistemas do Exército.[14]

Armamento[editar | editar código-fonte]

  • Torre UT-30BR criada pela AEL Sistemas para canhão automático de 30mm ou
  • REMAX (Reparo de Metralhadora automatizada X) para metralhadora de 12,7 mm (.50) e 7.62x51mm ou
  • possivelmente um morteiro de 120 mm raiado, na versão porta-morteiros.
  • possivelmente um canhão de 105 mm, na versão de reconhecimento.[3]
  • possivelmente um canhão de 120 mm, na versão caça-tanques.

Na versão de Reconhecimento, deve-se usar um canhão 105 mm e tecnologias tais como: instrumentos de observação e busca de alvos tipo eletro-ótico e infravermelho (EO/IR), com transporte automatizado de alvos do comandante para o atirador (Hunter-killer), estabilização de armas e de instrumentos EO/IR e capacidade de engajar alvos tanto pelo atirador quanto pelo comandante.[15] O interesse de usar um canhão 105 mm na versão 8x8 que deve substituir o EE-9 Cascavel (o qual usa o canhão 90 mm) veio após os testes do Exército sobre o italiano Centauro B1, em 2001, despertando, em alguns setores do Exército, o desejo de aprimorar o poder de fogo nos projetos futuros.[4]

Na versão de combate de fuzileiros, deve-se usar sistemas de armas remotamente controlados, como canhões 30 mm (torre UT-30BR) e tecnologias tais como as da versão de Reconhecimento. Na versão de transporte de tropas, deve-se usar metralhadoras montadas sobre reparos não automatizados ou sistemas de metralhadoras remotamente controlados calibre .50 ou 7,62 mm (REMAX), além de tecnologias como instrumentos de observação e busca de alvos tipo EO/IR e estabilização de armas e de instrumentos EO/IR e estabilização de armas e de instrumentos EO/IR.[15]

Variantes[editar | editar código-fonte]

São previstas até dezessete versões do Guarani, que são:[15]

  1. Viatura Blindada de Transporte de Pessoal (VBTP)
  2. Viatura Blindada de Combate de Fuzileiro (VBC Fuz)
  3. Viatura Blindada de Reconhecimento (VBR)
  4. Viatura Blindada de Combate Morteiro Médio (VBC Mrt Me)
  5. Viatura Blindada de Combate Morteiro Pesado (VBC Mrt P)
  6. Viatura Blindada Especial de Central de Direção de Tiro (VBECDT)
  7. Viatura Blindada Especial Posto de Comando (VBEPC)
  8. Viatura Blindada Especial de Comunicações (VBE Com)
  9. Viatura Blindada Especial Socorro (VBE Soc)
  10. Viatura Blindada Especial Oficina (VBE Ofn)
  11. Viatura Blindada de Transporte Especializado Ambulância (VBTE Amb)
  12. Viatura Blindada de Reconhecimento Leve (VBR L)
  13. Viatura Blindada de Combate Anticarro - Leve de Rodas (VBC AC LR)
  14. Viatura Blindada Especial Observador Avançado - Leve de Rodas (VBE OA LR)
  15. Viatura Blindada de Combate Morteiro - Leve de Rodas (VBC Mrt LR)
  16. Viatura Blindada Especial Radar - Leve de Rodas (VBE Rdr LR)
  17. Viatura Blindada Especial Posto de Comando - Leve de Rodas (VBEPC LR)

Operadores[editar | editar código-fonte]

Características[editar | editar código-fonte]

  • Anfíbio
  • Capacidade para transporte da guarnição e de um GC
  • Proteção blindada de 30 mm para tiro de fuzil 7,62 mm M1 (ECD receber blindagem adicional)
  • Peso máximo de até 25 Ton em condições de combate (podendo ser transportado pelo KC-390 ou C-130)
  • Trem de rolamento 6x6, com possibilidade de ser 8x8 (duplo esterçamento)
  • Autonomia de 600 km

Similares[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Galante, Alexandre (24 de setembro de 2014). «Iveco entrega 100º blindado VBTP-MR Guarani ao Exército Brasileiro». Forças Terrestres - ForTe. Consultado em 29 de julho de 2016 
  2. Military Today VBTP-MR Armored personnel carrier
  3. a b «Exército planeja viatura blindada de reconhecimento (VBR), versão 8×8 do Guarani». ForTe 
  4. a b BASTOS, Carlos Stephani (1º de fevereiro de 2011). «IVECO GUARANI 6x6 PROTÓTIPO EM FASE FINAL DE CONSTRUÇÃO» (PDF). Universidade Federal de Juiz de Fora. Consultado em 30 de março de 2017 
  5. BASTOS, Carlos Stephani (21 de dezembro de 2007). «URUTU III ASSINADO O CONTRATO PARA FABRICAÇÃO DO PROTÓTIPO» (PDF). Universidade Federal de Juiz de Fora 
  6. BASTOS, Carlos Stephani (10 de abril de 2007). «URUTU III - NOVIDADES NA LAAD 2007» (PDF). Universidade Federal de Juiz de Fora. Consultado em 30 de março de 2017 
  7. GOMIDE, Raphael (14 de abril de 2011). «Exército começa a testar Guarani, blindado que substituirá Urutu». iG 
  8. Estadão - Sucessor do Urutu chega ao Exército - 24/03/14
  9. «Centésima unidade do blindado Guarani é entregue ao Exército Brasileiro». Ministério da Defesa 
  10. «Iveco inaugura linha de produção do blindado Guarani em Minas Gerais». Auto Segredos. 17 de junho de 2013. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  11. «Site Institucional». IVECO 
  12. «Siderúrgicas mineiras driblam crise com oferta de tecnologia de ponta». em.com.br 
  13. BASTOS, Carlos Stephani (31 de maio de 2012). «IVECO GUARANI 6x6 - MAIS QUATRO PROTÓTIPOS» (PDF). Universidade Federal de Juiz de Fora. Consultado em 30 de março de 2017 
  14. Barreira, Victor (22 de novembro de 2016). «Brazil orders new 6x6 armoured carriers». Istambul: IHS Jane's 360. Consultado em 30 de março de 2017 
  15. a b c Alvares, Marcelo Vitorino (2015). «A CAPACITAÇÃO DA NOVA FAMÍLIA DE BLINDADOS SOBRE RODAS (NFBRS) GUARANI: UMA PROPOSTA PARA A ESTRUTURAÇÃO DA SIBld / RC Mec» (PDF). Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais: p. 42. Consultado em 1º de abril de 2017 
  16. «Exército Brasileiro terá mais 1.580 VBTP 6×6 Guarani em quatro lotes». Defesa Aérea & Naval (em inglês) 
  17. Franco, Pedro Rocha (9 de julho de 2015). «Veículos blindados de Minas vão para o Líbano». Estado de Minas. Consultado em 29 de julho de 2016 
  18. Godoy, Roberto. «GUARANI IVECO takes the armored to the outside». DefesaNet. Consultado em 16 de outubro de 2017 
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