V for Vendetta

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V for Vendetta
Capa-da-edicao-de-setembro-de-1988-da-hd-v-de-vingancade-alan-moore-e-david-lloyd.jpg

Capa original da 1ª edição de 1988.
Editora Reino Unido:
Quality Comics
Estados Unidos:
Vertigo (DC Comics)
França:
Delcourt
Brasil:
Abril Jovem
Panini Comics
Publicação
Formato de publicação série limitada
Publicação original 1982
Última Publicação 1989
Qte. de edições 10
Gênero (s) anarquismo, mistério, pós-apocalipse, Anti-herói
Personagens V
Evey Hammond
Eric Finch
Equipe criativa
Roteirista(s) Alan Moore
Argumentista(s) Alan Moore
Arte David Lloyd
Desenhista(s) David Lloyd
Tony Weare
Arte-finalista(s) David Lloyd
Tony Weare
Colorista(s) Steve Whitaker
Siobhan Dodds
David Lloyd

V de Vingança (versão em português para V for Vendetta) é uma série de romances gráficos escrita por Alan Moore e em grande parte desenhada por David Lloyd. A história se passa em um futuro distópico e pós-apocalíptico de 1997 no Reino Unido, em que um misterioso Revolucionário tenta destruir o Estado, através de ações diretas.

V de Vingança foi publicado originalmente entre 1982 e 1983 em preto e branco pela editora britânica Warrior, mas não chegou a ser finalizado. Em 1988, incentivados pela DC Comics, Allan Moore e David Lloyd retomaram a série e a concluíram com uma edição colorida. A série completa foi republicada nos EUA pelo selo Vertigo da DC e no Reino Unido pela Titan Books. No Brasil, foi publicada em 1989 em cinco edições em cores pela editora Globo e mais tarde pela Via Lettera, em dois volumes em preto e branco; em 2006 teve uma edição especial pela Panini, em volume único, colorido e com material extra. Atendendo a pedidos, em 2012 a Panini relançou esta edição especial.

Enredo[editar | editar código-fonte]

O enredo é situado num passado futurista (uma espécie de passado alternativo), numa realidade em que um partido de índole totalitária ascende ao poder, após uma guerra nuclear. A analogia com o regime fascista é inevitável: o governo tem o controle da mídia, há uma polícia secreta e campos de concentração para minorias raciais e sexuais - à semelhança do que escreveu Hannah Arendt no seu livro "Origens do totalitarismo", de 1951. Existe também um sistema de monitoramento mediante o uso de câmeras, nos moldes de 1984, de George Orwell, escrito em 1948, quando o CFTV ainda não existia tal como é hoje.

A história em quadrinho foi escrita no momento em que a Inglaterra, sob a liderança da primeira ministra Margaret Thatcher, estava implementando o modelo econômico neoliberal, ao mesmo tempo em que o chamado socialismo real entrava em colapso na U.R.S.S..

"V" (codinome do protagonista) tem uma postura anarquista.

Nesta obra, o caráter totalitário do Estado é mostrado, tal como escreveram vários teóricos anarquistas - Enrico Malatesta (nos seus Escritos revolucionários), Mikhail Bakunin, Pierre Joseph Proudhon, Max Stirner, Emma Goldman, Piotr Kropotkin e Henry David Thoreau.

História[editar | editar código-fonte]

A história começa após o fim do conflito político, com os campos de concentração desativados e a população complacente com a situação, até que surge "V" — um Anarquista que veste uma máscara estilizada de Guy Fawkes e é possuidor de uma vasta gama de habilidades e recursos. Ele então inicia uma elaborada e teatral campanha para derrubar o Estado.

No processo, conhece Evey, garota que perdeu os pais durante a guerra. Evey é tratada por V como aprendiz, sempre sendo apresentada à resquícios de uma cultura perdida por causa da guerra e degradação da sociedade.

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

O Anonymous, um grupo baseado na Internet, adotou a máscara de Guy Fawkes como seu símbolo (em referência a um meme da internet). Os membros do grupo usavam tais máscaras, por exemplo, durante os protestos do Projeto Chanology contra a Igreja da Cientologia em 2008. Alan Moore, o autor dos quadrinhos, falou sobre o uso das máscaras de Guy Fawkes, adotado a partir de V for Vendetta, em uma entrevista à Entertainment Weekly:

Cquote1.svg Eu também estava bastante animado outro dia quando assisti ao noticiário ao ver que houve manifestações em frente à sede da Cientologia por aqui e, de repente, vi uma filmagem mostrando todos esses manifestantes vestindo as máscaras de Guy Fawkes de V for Vendetta. Isso me agradou. Isso me deu um pouco de entusiasmo. Cquote2.svg
[1]

Segundo a revista Time, a adoção da máscara por manifestantes levou a se tornar a máscara mais vendida na Amazon.com, vendendo centenas de milhares de exemplares anualmente.[2]

Membros do grupo Anonymous usando a máscara de Guy Fawkes em Los Angeles, Estados Unidos, em 2008.

O filme supostamente inspirou alguns dos jovens egípcios, antes e durante a revolução egípcia de 2011.[3] [4] [5] [6]

Em 23 de maio de 2009 manifestantes vestidos como o personagem V e usaram um barril de pólvora falso no Parlamento do Reino Unido, em Londres, enquanto protestavam contra as despesas dos deputados britânicos.[7]

Durante o movimento Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, e em outras manifestações semelhantes ao redor do mundo, a máscara tornou-se conhecida internacionalmente[8] como um símbolo da revolução popular. O artista David Lloyd, declarou: "A máscara de Guy Fawkes tornou-se uma marca comum e um cartaz conveniente para usar em protestos contra a tirania — e eu estou feliz que as pessoas a usem, parece bastante original, um ícone da cultura popular sendo usado para este caminho."[9]

Em 17 de novembro de 2012, policiais em Dubai advertiu contra o uso de máscaras de Guy Fawkes pintadas com as cores da bandeira dos Emirados Árabes Unidos durante qualquer celebração associada com o "Dia Nacional dos Emirados Árabes Unidos "(2 de dezembro), declarando que tal uso um ato ilegal.[10]

Durante os protestos no Brasil em 2013, vários manifestantes também usaram a máscara como símbolo de suas reivindicações.[11] [12]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Gopalan, Nisha (21 de julho de 2008). "Alan Moore Still Knows the Score!" Entertainment Weekly [S.l.] Consult. 27 de julho de 2013. 
  2. Carbone, Nick (29 de agosto de 2011). "How Time Warner Profits from the 'Anonymous' Hackers". Time [S.l.: s.n.] Consult. 27 de julho de 2013. 
  3. "V for Vendetta": The Other Face of Egypt's Youth Movement, Jadaliyya
  4. http://www.youm7.com/News.asp?NewsID=583542
  5. http://www.myegyptmag.com/articles/4023/
  6. http://english.ahram.org.eg/NewsContent/5/35/34075/Arts--Culture/Stage--Street/V-for-Vendetta-masks-From-a-s-comic-book-to-the-Eg.aspx
  7. "BBC.com news report, Saturday, 23 May 2009 16:49 UK" BBC News [S.l.] 23 de maio de 2009. Consult. 27 de julho de 2013. 
  8. The Sydney Morning Herald [S.l.: s.n.] 14 de outubro de 2011 http://www.smh.com.au/nsw/v-for-vague-occupy-sydneys-faceless-leaders-20111014-1loy6.html.  Falta o |titulo= (Ajuda)
  9. Waites, Rosie (20 de outubro de 2011). "V for Vendetta masks: Who". BBC News [S.l.: s.n.] Consult. 27 de julho de 2013. 
  10. Barakat, Noorhan (17 de novembro de 2012). "Vendetta masks in UAE colours draw warning". Gulf News [S.l.: s.n.] Consult. 27 de julho de 2013. 
  11. Portal Terra, : (20 de junho de 2013). "Manifestantes adotam máscara de 'V de Vingança' como símbolo de protestos". Consult. 27 de julho de 2013. 
  12. Mariana Zylberkan (30 de junho de 2013). : Revista Veja. "Máscara de V de Vingança vira alvo de pirataria". Consult. 27 de julho de 2013. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]