Vacinação

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Criança a receber uma vacina contra a poliomielite na Índia.

Vacinação é a administração de uma vacina. As vacinas protegem o corpo de doenças infecto-contagiosas ou ajudam no tratamento contra essas doenças. Uma vacina é uma substância antigénica que estimula o sistema imunitário a desenvolver imunidade adquirida a determinado patogénio. Essa imunização previne ou atenua os efeitos de uma eventual infeção por esse patogénio.[1] Quando uma grande percentagem de uma população é vacinada, desenvolve-se imunidade de grupo. A vacinação é o método mais eficaz na prevenção de doenças infecciosas, salvando milhões de vidas em cada ano.[2] A sua eficácia e segurança encontra-se amplamente estudada e comprovada.[3][4][5]

As vacinas são geralmente administradas por injeção intramuscular na parte superior do braço, podendo também ser administradas por outro tipo de injeção, por punção, por via oral, por via transdérmica ou por via nasal.[6] Enquanto algumas vacinas necessitam de uma única dose para garantir imunização durante toda a vida, outras vacinas necessitam de várias doses para serem plenamente eficazes, quer seja para produzir uma resposta imunitária inicial ou para reforçar uma resposta imunitária que diminui gradualmente com o tempo, como é o caso da vacina contra o tétano a cada 10 anos.[7] As autoridades de saúde de vários países têm implementados planos de vacinação da população. Estes planos definem o calendário de todas as vacinas, que podem ser recomendadas ou obrigatórias. As vacinas incluídas nos planos diferem de país para país, dependendo da prevalência ou não de determinadas doenças.[8][9] Podem ainda ser administradas vacinas específicas a pessoas que se deslocam a regiões onde determinada infeção seja endémica ou em que haja suspeita de terem estado expostas a determinada infeção.[10][11]

A vacinação administrada durante a infância é geralmente segura.[12] Os efeitos adversos das vacinas são geralmente ligeiros e incluem febre, dor muscular e dor no local de injeção.[13] Os efeitos adversos graves são extremamente raros.[12] No entanto, apesar do consenso científico de que as vacinas recomendadas são seguras e eficazes, subsiste ainda a disseminação de rumores e receios infundados acerca da sua segurança, que têm estado na origem de surtos e mortes por doenças evitáveis por vacinas.[14][15][16][17][18][19] Existem ainda grupos que se opõem à vacinação obrigatória por acreditarem que viola princípios religiosos ou a liberdade individual.[16]

A Organização Mundial de Saúde estima que a vacinação evite a morte de 2 a 3 milhões de pessoas todos os anos. Cerca de 1,5 milhões de crianças morrem anualmente por doenças que podiam ter sido prevenidas caso tivessem sido vacinadas.[20] As campanhas de vacinação foram responsáveis pela erradicação mundial da varíola e pela eliminação de doenças como a poliomielite, sarampo e tétano em grande parte do mundo. A primeira vacina bem sucedida foi a vacina contra a varíola,[21][22] criada em 1796 pelo médico britânico Edward Jenner.[23] O conceito foi posteriormente desenvolvido por Louis Pasteur, que criou a vacina contra a raiva.[21][23] Até à sua erradicação em 1979, a varíola era uma doença altamente contagiosa e mortal, causando a morte a 20–60% dos adultos e 80% das crianças infetadas.[24][25][26]

Referências

  1. «What Is a Vaccine». NIAID. Consultado em 4 de maio de 2010 
  2. Fontes::
    • United States Centers for Disease Control and Prevention (2011). «A CDC framework for preventing infectious diseases» (PDF). Consultado em 26 de outubro de 2017  Citação: "Vaccines are our most effective and cost-saving tools for disease prevention, preventing untold suffering and saving tens of thousands of lives and billions of dollars in healthcare costs each year."
    • Gellin, Bruce, MD, MPH. (1 de junho de 2000). «Vaccines and Infectious Diseases: Putting Risk into Perspective». American Medical Association  Citação: "Vaccines are the most effective public health tool ever created."
    • «Vaccine-preventable diseases». Public Health Agency of Canada. Consultado em 11 de setembro de 2012  Citação: "Vaccines still provide the most effective, longest-lasting method of preventing infectious diseases in all age groups."
    • «NIAID Biodefense Research Agenda for Category B and C Priority Pathogens» (PDF). United States National Institute of Allergy and Infectious Diseases. Consultado em 11 de setembro de 2012  Citação: "Vaccines are the most effective method of protecting the public against infectious diseases."
  3. Fiore, Anthony E.; Bridges, Carolyn B.; Cox, Nancy J. (2009). «Seasonal influenza vaccines». Current Topics in Microbiology and Immunology. 333: 43–82. ISBN 978-3-540-92164-6. PMID 19768400. doi:10.1007/978-3-540-92165-3_3 
  4. Chang, Yuli; Brewer, Noel T.; Rinas, Allen C.; Schmitt, Karla; Smith, Jennifer S. (julho de 2009). «Evaluating the impact of human papillomavirus vaccines». Vaccine. 27 (32): 4355–62. PMID 19515467. doi:10.1016/j.vaccine.2009.03.008 
  5. Liesegang, Thomas J. (agosto de 2009). «Varicella zoster virus vaccines: effective, but concerns linger». Canadian Journal of Ophthalmology. 44 (4): 379–84. PMID 19606157. doi:10.3129/i09-126 
  6. Plotkin, Stanley A. (2006). Mass Vaccination: Global Aspects - Progress and Obstacles (Current Topics in Microbiology & Immunology). [S.l.]: Springer-Verlag Berlin and Heidelberg GmbH & Co. K. ISBN 978-3-540-29382-8 
  7. «Tetanus: Prevention». Mayo Clinic. 21 de setembro de 2006. Consultado em 17 de julho de 2008 
  8. «WHO Vaccine Preventable Diseases Monitoring System». World Health Organization. 22 de dezembro de 2006. Consultado em 2 de janeiro de 2007 
  9. «Immunization, Vaccines and Biologicals: Data, statistics and graphics». Organização Mundial de Saúde. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  10. «WHO World Health Organization: Immunization, Vaccines And Biologicals». WHO vaccine-preventable diseases: monitoring system 2010 global summary – National vaccines schedules. Consultado em 8 de agosto de 2010 
  11. «Vaccines: VPD-VAC/List of VPDs». Consultado em 8 de junho de 2010 
  12. a b Maglione, M. A.; Das, L.; Raaen, L.; Smith, A.; Chari, R.; Newberry, S.; Shanman, R.; Perry, T.; Goetz, M. B.; Gidengil, C. (1 de julho de 2014). «Safety of Vaccines Used for Routine Immunization of US Children: A Systematic Review». Pediatrics. 134 (2): 325–37. PMID 25086160. doi:10.1542/peds.2014-1079 
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  14. «Frequently Asked Questions (FAQ)». Boston Children's Hospital. Consultado em 11 de fevereiro de 2014. Cópia arquivada em 17 de outubro de 2013 
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  18. Wallace A (19 de outubro de 2009). «An epidemic of fear: how panicked parents skipping shots endangers us all». Wired. Consultado em 21 de outubro de 2009 
  19. Poland G, Jacobson R (2001). «Understanding those who do not understand: a brief review of the anti-vaccine movement». Vaccine. 19 (17–19): 2440–5. PMID 11257375. doi:10.1016/S0264-410X(00)00469-2 
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  21. a b Lombard, Murielle; Pastoret, Paul-Pierre; Moulin, Anne-Marie (2007). «A brief history of vaccines and vaccination». Revue scientifique et technique (International Office of Epizootics). 26 (1): 29–48. PMID 17633292 
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  23. a b Plett, Peter C. (2006). «Übrigen Entdecker der Kuhpockenimpfung vor Edward Jenner [Peter Plett and other discoverers of cowpox vaccination before Edward Jenner]». Sudhoffs Archiv (em German). 90 (2): 219–32. PMID 17338405. Consultado em 12 de março de 2008 
  24. Riedel, Stefan (2005). «Edward Jenner and the history of smallpox and vaccination». Baylor University Medical Center Proceedings. 18 (1): 21–5. PMC 1200696Acessível livremente. PMID 16200144 
  25. Koplow, David A. (2003). Smallpox: the fight to eradicate a global scourge. Berkeley: University of California Press. ISBN 0-520-24220-3 
  26. «UC Davis Magazine, Summer 2006: Epidemics on the Horizon». Consultado em 3 de janeiro de 2008 
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