Vapor Araguari

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Araguari
A canhoneira Araguari na Baía da Guanabara
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Operador Armada Imperial Brasileira
Fabricante Inglaterra
Lançamento 1858
Descomissionamento 1882
Características gerais
Tipo de navio Canhoneira Mista
Deslocamento 400 toneladas
Comprimento 44,2 m
Boca 7,4 m
Calado 2,6 m
Propulsão Velas
Motor a vapor para propulsão da hélice na popa
- 80 hp (59,7 kW)
Velocidade 9
Armamento 8 canhões de 68mm
2 canhões de 32mm
Tripulação 77

O Vapor Araguari foi um navio de guerra da Armada Imperial Brasileira que atuou na Guerra do Paraguai.

História[editar | editar código-fonte]

O Vapor Araguari era um navio de propulsão mista (a vela e a vapor) cuja maquina a vapor tinha potência de 80hp que impulsionava uma hélice de popa, o que lhe permitia alcançar uma velocidade de até 9 nós. As suas dimensões eram de 44,2 metros de comprimento, 7,4 metros de largura e 2,6 metros calado. Deslocava 400 toneladas e era equipado com duas baterias de artilharia separadas: uma com 2 canhões de 32mm e outra com 8 canhões de 68mm. A sua tripulação era de 77 marinheiros.

O Araguari foi o primeiro navio a levar esse nome em homenagem a uma cidade de Minas Gerais e um rio no Pará, tendo sido construído em estaleiros na Inglaterra junto com os seus navios gêmeo Araguaia, Iguatemi e Ivaí, tendo sido a construção supervisionada pelo então vice-almirante Joaquim Marques Lisboa, o futuro almirante Tamandaré.

Sob comando do primeiro tenente Pedro Tomé de Castro Araújo, chegou a Recife em 7 de agosto de 1858 vindo da Inglaterra com o restante de sua classe, após uma escala em Lisboa, após 36 dias de viagem.

Guerra do Paraguai[editar | editar código-fonte]

Após a eclosão da Guerra do Paraguai, em 30 de abril de 1865, o Araguari zarpou de Buenos Aires sob o comando do primeiro tenente Antônio Luiz Von Hoonholtz, futuro Almirante e Barão de Tefé. A esquadra era comandada pelo almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, era composta pela fragata Amazonas; as corvetas Beberibé, Belmonte e Parnaíba; e as canhoeiras Iguatemi, Mearim, Ipiranga, Jequitinhonha e nesse grupo incluído o próprio Araguari. O vapor atuou em apoio as operações de reconquista da cidade de Corrientes, em 25 de maio de 1865. A esquadra brasileira subiu o Rio Paraná a fim de bloquear a esquadrilha paraguaia em “Três Bocas”, confluência dos rios Paraná e Paraguai ao norte daquela cidade.

Batalha do Riachuelo
O Barão de Tefé, então comandante do Araguari na Guerra do Paraguai
Ilustração do Araguari incendiando o Paraguarí sob fogo da artilharia paraguaia na Batalha do Riachuelo
Ilustração do Araguari em ataque ao Marquês de Olinda, que vai a pique.

Em 10 de junho de 1865, a frota paraguaia estava ancorada no Rio Paraguai, nos arredores da Fortaleza de Humaitá. À meia noite, uma esquadra de nove navios e comandada pelo capitão de fragata Pedro Ignacio Meza partiu rumo a Corrientes para atacar a esquadra da Marinha Imperial Brasileira que estava nos arredores daquela localidade. Era encabeçada pelo vapor Tacuarí (comandado por José Maria Martinez), compondo ainda a esquadra o Marques de Olinda (Ezequiel Robles), o Paraguarí (José Alonso), o Ygurey (Remigio Del Rosario Cabral Velázquez), Yporá (Domingo Antonio Ortiz), Jejuí (Aniceto López), Salto Oriental (Vicente Alcaraz), Yberá (Pedro Victorino Gill) e o Piraveve (Tomás Pereira).

A esquadra brasileira estava ancorada nos arredores de Corrientes próximo a margem do Chaco nas cercanias da Ilha Barranqueira.

Na manhã de 11 de junho de 1865, houve então uma tentativa de assalto surpresa pela esquadra paraguaia naquela posição, porém, frustrada porque a tripulação da canhoneira Mearim situada um pouco acima daquela posição avistou a esquadra paraguaia antes de sua movimentação de assaltou, assim, dando o alerta geral para o restante da frota brasileira. Apesar de descobertos, a frota paraguaia continuou a movimentação de ataque aos navios brasileiros e, após o primeiro contato, com a iniciativa de fogo partindo dos paraguaios, nessa primeira fase do combate o Belmonte, o Jequitinhonha e o Parnaíba ficaram significativamente avariados e sofrendo muitas baixas entre sua tripulação. Na sequência, a batalha foi estendida até um pequeno afluente do Rio Paraná, chamado Rio Riachuelo, e lá tiveram novos embates. Além de enfrentar o fogo dos navios paraguaios, a frota brasileira ainda enfrentou tropas de artilharia paraguaia que estavam às margens do rio atuando em ataque coordenado com a frota paraguaia. Contudo, a esquadra brasileira prevaleceu na batalha, tendo sido afundados os navios paraguaios Marquês de Olinda, Salto Oriental e Jejuy, além das chatas (embarcações menores rebocadas), tendo os navios restantes seguido em fuga rio acima.

Ao fim da batalha, a esquadra paraguaia sofreu severas perdas. Na tripulação do Araguari houve 2 mortos e 5 feridos.

Atuações posteriores no conflito

O Araguari participou ainda da batalha de Paso de Cuevas, localidade da província de Corrientes, no dia 12 de agosto de 1865, em linha de avanço coordenado com o vapor argentino de 11 canhões Guarda Nacional, que mantiveram a troca de fogo mais difícil da batalha. Em 23 de novembro de 1865 o Araguari se encontrou com o vapor paraguaio Pira-Guirá para receber correspondência do governo paraguaio destinada ao comandante chefe dos exércitos aliados, Bartolomé Mitre.

Durante o ano de 1866 realizou tarefas de levantamentos hidrográficos na parte superior do alto Paraguai e da lagoa Pires.

Em 2 de fevereiro de 1867 participou do bombardeio de Curupaiti.

Ações posteriores

Em 30 de julho de 1873, levando a bordo o capitão de fragata Antônio Joaquim de Mello Tamborim, iniciou uma comissão destinada a determinar as coordenadas do Farol de Aracati, os locais possíveis para novos faróis em Rocas e Cabo de São Roque (Rio Grande do Norte) e para preparar instruções para navegadores que chegam a portos onde farão novos faróis, especificamente para os portos de Vitória (farol Santa Luzia), Recife (farol de Olinda e Picão), Cabedelo (farol de Pedra Seca, primeiro do estado da Paraíba) e Tutóia (Farol de Pedra do Sal, Maranhão).

Em 22 de janeiro de 1876 assumiu o seu comando o capitão de fragata Francisco José de Freitas. Em 26 desse mesmo mês Freitas foi também nomeado Diretor do Departamento de Faróis. Em 13 de março o navio iniciou viagem de inspeção na costa de São Tomé para escolher o lugar mais conveniente para um novo farol. Continuou nessas atividades até o mês de maio, quando foi então substituído pelo Vapor Bonifácio.

Em 16 de setembro a 30 de outubro daquele ano ainda inspecionou os faróis e rotas na Bahia (Cabo Frio, Santa Luzia, Abrolhos, Morro de São Paulo, Santo Antônio da Barra, São Marcelo e Itapoã).

Em 1882, recebeu a sua baixa do serviço ativo.

Bibliografia utilizada[editar | editar código-fonte]

  • Resquín, Francisco Isidoro (1896). Datos históricos de la guerra del Paraguay con la Triple Alianza. [S.l.]: Compañía Sud-Americana de Billetes de Banco 
  • Centurión, Juan Crisóstomo (1901). Reminiscencias históricas sobre la guerra del Paraguay. [S.l.]: Imprenta de J. A. Berra 
  • Mendonça e Vasconcelos, Mário F. e, Alberto (1959). Repositório de Nomes dos Navios da Esquadra Brasileira. 3ª edição. [S.l.]: SDGM 
  • Andréa, Júlio (1955). A Marinha Brasileira: florões de glórias e de epopéias memoráveis. [S.l.]: SDGM 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]