Vegetação ripária

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A vegetação ripária ou ripícola é um tipo de vegetação presente em espaços próximos a corpos da água (ou zona ripária). Quando assume fisionomia florestal, é chamada floresta ou mata ripária, e inclui vários subtipos, entre eles, a mata ciliar, a mata de galeria e a mata paludosa.[1]

Terminologia[editar | editar código-fonte]

De acordo com Rodrigues (1999),[2] a terminologia usada para a formação florestal ocorrente nas margens de cursos d’'água é variável e inclui:

  • mata aluvional (Veloso e Góes Filho, 1982)[3]
  • matas aluvionais fluviais (Campos, 1912), quando o solo aluvional é parte de várzeas[4]
  • florestas paludosas sensu lato (Lindman, 1906, Fernandes e Bezerra, 1990), que engloba as matas aluvionais fluviais e as matas de brejo[5][6]
  • floresta de várzea (Bertoni e Martins, 1987)[7]
  • mata de condensação (Troppmair e Machado, 1974), quando ocupam fundos de vales[8]
  • matas de anteparo (Lindman, 1906)
  • matas ciliares (Sampaio, 1938; Hueck, 1972; Bezerra-dos-Santos, 1975), definida como floresta latifoliada higrófila com inundação temporária (Leitão Filho, 1982)[9][10][11][12]
  • mata ciliar (ou floresta ciliar), como sinônimo de floresta de galeria (Joly, 1970; Veloso, 1972; Bezerra-dos-Santos, 1975; Goodland, 1975)[13][14][15]
  • mata ciliar (ou floresta ciliar, floresta de beira d’'água), diferenciada de floresta de galeria (ACIESP, 1997)[16]
  • mata ripária (ou floresta ripária), diferenciada de floresta de galeria (Bertoni e Martins, 1987; Catharino, 1989; Mantovani, 1989; Rodrigues, 1989), com a mesma definição da ACIESP (1997), mas reservando o termo mata ciliar para o uso popular genérico[17][18][19]
  • floresta estacional semidecidual aluvial (IBGE, 1993)[20]
  • floresta estacional semidecidual ribeirinha (Oliveira e Prado, 1989)[21]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Geral[editar | editar código-fonte]

As formações arbóreas existentes na beira dos rios modificam-se conforme as características dos locais onde elas se encontram. Essas matas, de modo geral, são chamadas de "formação ribeirinha" e têm sido comuns em algumas literaturas por suas características edáficas (floresta de brejo, de várzeas ou aluvial). As comunidades ribeirinhas que vivem perto destas áreas de mata ciliar, muitas vezes, chamam essas áreas por nomes baseados nas espécies que predominam no local (cocais, buritizais etc).

Dentro dessa nomenclatura, podemos encontrar o termo "floresta de galeria", encontrada nas regiões onde não há formação florestal como cerrado, caatinga, entre outros. Quando essas formações ocorrem em locais onde os solos são encharcados, podemos defini-las como floresta paludosa. Nas áreas de restinga, são chamadas de "vegetação com influência marinha". Nas áreas de manguezais e campos sulinos, "vegetação com influência fluviomarinha".

Encontram-se, também, transições de solo, de vegetação e de um grande gradiente de umidade do solo, o que impõe o tipo de vegetação.

Mata ciliar[editar | editar código-fonte]

A mata ciliar é definida como a vegetação florestal que acompanha os rios de médio e grande porte na região do Cerrado, em que a vegetação arbórea não forma galerias. Em geral essa mata é relativamente estreita em ambas as margens, dificilmente ultrapassando 100 metros de largura em cada. É comum a largura em cada margem ser proporcional à do leito do rio, embora em áreas planas a largura possa ser maior. Porém, a mata ciliar ocorre geralmente sobre terrenos acidentados, podendo haver uma transição nem sempre evidente para outras fisionomias florestais como a Mata Seca e o Cerradão.

Mata de galeria[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mata de galeria

Por mata de galeria entende-se a vegetação florestal que acompanha os rios de pequeno porte e córregos dos planaltos do Brasil Central, formando corredores fechados (galerias) sobre o curso de água. Geralmente a mata de galeria localiza-se nos fundos dos vales ou nas cabeceiras de drenagem onde os cursos de água ainda não escavaram um canal definitivo. Essa fisionomia é perenifólia (caducifólia), isto é, não apresenta queda de folhas na estação seca. Quase sempre a mata de galeria é circundada por faixas de vegetação não florestal em ambas as margens, e em geral ocorrem uma transição brusca com formações savânicas e campestres. Essa transição é quase imperceptível quando ocorre com matas ciliares, matas secas ou mesmo cerradões, o que é mais raro, embora seja diferenciada pela composição florística.

O termo "mata ciliar" refere-se ao fato de que ela pode ser tomada como uma espécie de "cílio", que protege os cursos de água do assoreamento assim como os cílios protegem os olhos.

Ecologia: funções[editar | editar código-fonte]

As matas ripárias são sistemas que funcionam como reguladores do fluxo de água, sedimentos e nutrientes entre os terrenos mais altos da bacia hidrográfica e o ecossistema aquático.

Essas matas desempenham o papel de filtro, o qual se situa entre as partes mais altas da bacia hidrográfica, utilizadas pelo homem para a agricultura e urbanização; e a rede de drenagem desta, onde se encontra o recurso mais importante para o suporte da vida, que é a água. Os ecossistemas formados pelas matas ripárias desempenham suas funções hidrológicas das seguintes formas:

  • Estabilizam a área crítica, que são as ribanceiras do rio, pelo desenvolvimento e manutenção de um emaranhado radicular;
  • Funcionam como tampão e filtro entre os terrenos mais altos e o ecossistema aquático, participando do controle do ciclo de nutrientes na bacia hidrográfica, através de ação tanto do escoamento superficial quanto da absorção de nutrientes do escoamento subsuperficial pela vegetação ripária;
  • Atuam na diminuição e filtragem do escoamento superficial impedindo ou dificultando o carregamento de sedimentos para o sistema aquático, contribuindo, dessa forma, para a manutenção da qualidade da água nas bacias hidrográficas;
  • Promovem a integração com a superfície da água, proporcionando cobertura e alimentação para peixes e outros componentes da fauna aquática;

Através das copas das árvores, interceptam e absorvem a radiação solar, contribuindo, assim, para a estabilidade térmica dos pequenos cursos d'água.

Descrição[editar | editar código-fonte]

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Estão sujeitas a inundações frequentes. No cerrado brasileiro, a vegetação ripária assume a forma de mata de galeria, ou seja, a vegetação florestal que acompanha os rios de pequeno porte e córregos dos planaltos do Brasil Central, formando corredores fechados (galerias).[22] Ocupa áreas de vales úmidos ao longo de cursos de água, em solos aluvionados por conta da erosão. Meliaceae, Euphorbiaceae, Moraceae, Lauraceae, entre outras, fazem parte do grupo de espécies existentes nessa vegetação. É, também, importante no processo de barragem de detritos e para estabilização de barrancos. Algumas matas de galeria formam veredas herbáceas em suas bordas, importantes vias de trânsito da fauna.[23]

A floresta se mantém verde durante o ano todo (não perde as folhas durante a estação seca) e acompanha os córregos e riachos da região centro-oeste do Brasil. Apresenta árvores com altura entre 20 e 30 metros. Esta fisionomia é comumente associada a solos hidromórficos, com excesso de umidade na maior parte do ano devido ao lençol freático superficial e à grande quantidade de material orgânico acumulado, propiciando a decomposição que confere a cor preta característica desses solos do cerrado).

A mata ripária é encontrada ao longo do curso dos rios e tem uma fisiologia dos diversos biomas existentes, mesmo não estando diretamente ligada a eles. As espécies arbóreas apresentam diferenciações sutis que só são percebidas por um bom especialista em taxonomia. Matas ripárias ajudam a sedimentar o controle e reduzir os efeitos danosos das enchentes, ajudando na estabilização dos igarapés. Zonas ripárias são zonas de transição entre um ambiente de sequeiro terrestre e um ambiente aquático. Organismos encontrados nesta zona são adaptados a inundações periódicas.

Essas formações arbóreas variam de acordo com a região onde se encontram e a vegetação que predomina no local. Podendo ser encontradas do norte ao sul do Brasil, apresentam uma notável biodiversidade arbórea.

Esses tipos de mata são considerados, por muitos, um verdadeiro mosaico, pois podem ocorrer de uma forma ou de outra em todas as regiões do país, de acordo com as características do solo, da bacia hidrográfica e de outros elementos existentes ao longo do curso das águas e que influenciam diretamente as características das espécies arbóreas existentes.

A mata ripária e a qualidade da água[editar | editar código-fonte]

O principal papel desempenhado pela mata ripária na hidrologia de uma bacia hidrográfica pode ser verificado na quantidade de água do deflúvio. Em estudos realizados para se verificar o processo de filtragem superficial e subsuperficial dos nutrientes (nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e cloro), através da presença da mata ripária, as conclusões foram as seguintes:

  • A manutenção da qualidade da água em microbacias agrícolas depende da presença da mata ciliar;
  • A remoção da mata ripária resulta num aumento da quantidade de nutrientes no curso de água;
  • Esse efeito benéfico da mata ripária é devido à absorção de nutrientes do escoamento subsuperficial pelo ecossistema ripário.

O consumo de água pela mata ripária[editar | editar código-fonte]

Em regiões semiáridas, onde a água é limitante, a presença da mata ripária pode significar um fator de competição. Isso se deve ao fato de que as árvores das matas ciliares apresentam suas raízes em constante contato com a franja capilar do lençol freático. Nesse caso, o manejo da vegetação ripária pode resultar numa economia de água.

No caso de se pensar em aumentar a produção de água de uma bacia mediante o corte da vegetação da mata ciliar em regiões semiáridas, deve-se considerar que a eliminação da vegetação deve ser por meio de cortes seletivos e jamais por corte raso. Isso porque as funções básicas das matas ripárias (manutenção de habitat para fauna, prevenção de erosão e aumento da temperatura da água) devem ser mantidas. Na região sul do Brasil, onde o clima é subtropical sempre úmido e chovem, em média, 1 350 milímetros por ano, a competição das matas ciliares não compromete a produção de água nas bacias hidrográficas a ponto de serem feitos cortes rasos.

Conservação[editar | editar código-fonte]

As matas ripárias ou ciliares são consideradas vegetações que contêm matas pelo Código Florestal Brasileiro[24] e como áreas de preservação permanente, com diversas funções ambientais, devendo-se respeitar uma extensão específica de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente.

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Referências

  1. Kobiyama, M. (2003). Conceitos de zona ripária e seus aspectos geobiohidrológicos. Anais do I Seminário de Hidrologia Florestal: Zonas Ripárias, Alfredo Wagner-SC, 2003, p. 1-13.
  2. Rodrigues, R. R. 1999. A vegetação de Piracicaba e municípios do entorno. Circular Técnica IPEF, n. 189, p. 1-17, [1].
  3. Veloso, H. P.; Góes-Filho, L. (1982). Fitogeografia brasileira: classificação fisionômico-ecológica da vegetação neotropical. Salvador: Projeto Radambrasil. 86 p. (Boletim técnico. Vegetação, n. 1). Disponível em: <[2]>.
  4. Campos, G. (1912). Mappa Florestal. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. São Paulo. 102 p., [3]. Edição Fac-similar, 1987.
  5. Lindman, C.A.M. (1906). A Vegetação no Rio Grande do Sul (Brasil Austral). Trad. de A. Loefgren. Porto Alegre: Universal.
  6. Fernandes, A.G. & Bezerra, P. (1990). Estudo fitogeográfico do Brasil. Stylus Comunicações, Fortaleza, [4].
  7. Bertoni, J.E.; Martins, F.R. Composição florística e estrutura fitossociológica de uma floresta ripária na Reserva Estadual de Porto Ferreira, SP. Acta Botanica Brasilica, v.1, n.1, p.17-26, 1987.
  8. Troppmair, H.; Machado, M.L.A. Variação da estrutura da mata galeria na bacia do rio Corumbataí (SP) em relação à água do solo, do tipo de margem e do traçado do rio. Série biogeografia botânica, 1974.
  9. Sampaio, A.J. Fitogeografia do Brasil. 2.ed. São Paulo: Nacional, 1938. 384 p.
  10. Hueck, K. (1972). As Florestas da América do Sul: Ecologia, composição e importância econômica. Trad. Hans Reichardt. São Paul: Ed. Universidade de Brasília/Ed. Polígono. 466 p.
  11. Bezerra-dos-Santos, L. Floresta galeria. In: IBGE. Tipos e aspectos do Brasil. 10.ed. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1975. p. 482-484.
  12. Leitão Filho, H.F. Aspectos taxonômicos das florestas do Estado de São Paulo. Silvicultura em São Paulo, v.16A, parte 1, p.197-206, 1982.
  13. Joly, A. B. (1970). Conheça a Vegetação Brasileira. São Paulo: EDUSP/Ed. Polígono. 165 p., [5].
  14. Veloso, H.P. Aspectos fito-ecológicos da bacia do alto rio Paraguai. Biogeografia, v.7, p.1-31, 1972.
  15. Goodland, R. Glossário de ecologia brasileira. Manaus: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 1975. p.42.
  16. ACIESP - Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Glossário de ecologia. 2.ed. São Paulo: ACIESP, CNPq, FAPESP, Secretaria de Ciência e Tecnologia, 1997. 352 p.
  17. Catharino, E.L.M. Florística de matas ciliares. In: Barbosa, L.M., coord. Simpósio sobre mata ciliar: anais. Campinas: Fundação Cargil, 1989. p.61-70.
  18. Mantovani, V. Conceituação e fatores condicionantes. In: Barbosa, L.M., coord. Simpósio sobre mata ciliar: anais. Campinas: Fundação Cargil, 1989. p.11-19.
  19. Rodrigues, R.R. Análise estrutural de formações florestais ripárias. In: Barbosa, L.M. Simpósio sobre mata ciliar: anais. Campinas: Fundação Cargil, 1989. p.99-119.
  20. IBGE. Mapa de vegetação do Brasil. Rio de Janeiro, 1993, [6].
  21. Oliveira, J.B.C.; Prado, H. Carta pedológica semidetalhada do Estado de São Paulo: folha de Piracicaba. São Paulo: Secretaria da Agricultura, 1989.
  22. Tipos de vegetação do bioma Cerrado. Formação florestal – mata de galeria
  23. Ab'Sáber, Aziz. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003. ISBN 978-85-7480-355-5
  24. Código Florestal (Lei nº 12.727), de 17 de outubro de 2012, que revogou a lei 4 771 de 15 de setembro de 1965.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rodrigues, R.R. & Leitão-Filho, H.F. 2000. Matas Ciliares: conservação e recuperação. EDUSP & FAPESP, [7].

Ver também[editar | editar código-fonte]