Vespa (motocicleta)

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Vespa, veja Vespa (desambiguação).

Vespa é uma marca italiana de scooter fabricada pela Piaggio. A Vespa evoluiu a partir de um único modelo de scooter motorizada fabricada em 1946 pela Piaggio & Co.S.p.A da cidade de

Modelo recente de scooter Vespa

Pontedera na Itália, para uma linha inteira de scooters e uma das sete companhias pertencentes hoje em dia à Piaggio.

Desde a sua criação, as scooters Vespa são reconhecidas por seus corpos monoblocos, de aço pintado e pressionado, unido à uma estrutura unitária com capota completa para o motor ( que protege o mecanismo do gasto, da sujeira e da oleosidade ), tábua de chão plana ( que dá proteção aos pés ) e uma carenagem frontal proeminente ( provendo proteção contra o vento ). A Piaggio revolucionou a industria de veículo de duas rodas e os modelos Vespa se tornaram icônicos, baseando todos os modelos de scooter de outras companhias desde então.

História[editar | editar código-fonte]

Piaggio MP5 "Paperino", o primeiro protótipo de Piaggio

Depois da segunda guerra mundial, graças aos acordos de cessar fogo e proibição de ações militares entre os membros do eixo, a Itália teve sua indústria aérea severamente restringida em sua capacidade.

A companhia Piaggio emergiu do conflito com a sua frota de aviões de guerra Pontedera destruída em bombardeios. A economia em colapso da Itália, e o estado desastroso das suas estradas, não estavam aptas para uma retomada do mercado automobilístico.

Enrico Piaggio, filho de Rinaldo Piaggio, fundador da companhia, decidiu deixar o mercado de veículos aéreos para focar nas necessidades urgentes do seu país por meios de transporte modernos, baratos e compactos para as população em meio às ruas e rodovias destruídas pela guerra.


Design[editar | editar código-fonte]

Em 1944, os engenheiros da Piaggio Renzo Spolti e Vittorio Casini criaram uma motocicleta com a carroçaria que resguardava completamente o sistema de transmissão, formando um guarda respingo alto na frente. Junto com a carroçaria, o design incluía controles montados no guidão, resfriamento de ar forçado, rodas de diâmetro pequeno, e uma seção central alta. Oficialmente conhecida como “MP5” (“Moto Piaggio no. 5), o protótipo ficou conhecido como “Paperino” ( ou “patinho” ou “pato donald” em Italiano ). Piaggio não estava satisfeito com o MP5, especialmente sua seção central alta. Ele contratou um engenheiro de aviões chamado Corradino D’Ascanio, para redesenhar a scooter. D’Ascanio, que tinha sido consultado mais cedo por Fernando Innocenti sobre design e fabricação de scooters, deixou claro odiar motocicletas, acreditando que elas eram maciças, sujas e pouco confiáveis. O protótipo MP6 de D’Ascanio tinha o seu motor montado do lado da roda traseira. A roda seria dirigida direto da transmissão, eliminando a necessidade da correia de transmissão e todo o óleo e sujeira associado à ela.

O protótipo tinha um quadro de longarina unitária com painéis exteriores de aço. Essas mudanças permitiam com que o MP6 tivesse um design que permitisse pessoas de andar por cima da tábua de chão, sem a parte central presente no protótipo MP5 Paperino. O design do MP6 também inclui uma suspensão dianteira de lado único, rodas dianteiras e traseiras intercambiáveis montadas nos eixos, e um pneu estepe. Outras características do MP6 eram similares ao Paperino, incluindo os controles montados no guidão, a carroçaria fechada e o guarda respingos alto na frente.

Ao ver o protótipo do MP6 pela primeira vez, Enrico Piaggio exclamou: “Sembra una Vespa!” (Parece uma vespa) Piaggio efetivamente deu nome à nova scooter naquele momento. Vespa ganhou esse nome graças ao seu formato que lembrava o inseto: A parte traseira mais volumosa conectada a frente por uma cintura estreita, e o guidão na frente que parece antenas.

O produto original[editar | editar código-fonte]

Em 23 de abril de 1946, às 12 horas no escritório central de invenções, modelos e produtos do ministério da indústria e comércio na cidade de Florença, a Piaggio & Co. S.p.A obteve a patente para uma “motocicleta com partes racionalmente aplicadas e elementos da estrutura combinada com o pára lamas e capô cobrindo todas as peças mecânicas do motor.”

O design patenteado básico permitiu uma série de características a serem desenvolvidas na longarina que em breve permitiria um rápido desenvolvimento de novos modelos. A Vespa original tinha uma garupa traseira para passageiros, e um ótimo compartimento de armazenagem. A frente protetora original era um pedaço de metal aéreo; mais tarde, ele foi aperfeiçoado em duas “peles” para ter um espaço adicional de compartimento na frente da scooter  similar à um porta luvas de um carro. A tampa de combustível era localizada abaixo do assento articulado, o que evitava os custos adicionais de se colocar uma tranca para a tampa de combustível ou a necessidade de mais detalhes salientes de metal na carroceria lisa.

A Scooter tinha uma suspensão rígida e rodas pequenas de 200 milímetros que dava a ela um design compacto e bastante espaço para as pernas do piloto. O motor de dois tempos, horizontalmente montado e protegido pela carroceria, tinha 98 cilindradas e agia diretamente na roda traseira a partir de uma transmissão de três velocidades. A embreagem controlada por torção envolvia uma série de cabos. O primeiro motor não tinha um sistema de refrigeração por ar forçado, mas turbinas de ventilação foram em breve anexadas ao volante magneto ( que abriga os pontos e gera eletricidade para acessórios e para a partida do motor ) para empurrar o ar até as membranas de refrigeração dos cilindros. Os motores de vespas modernas ainda são refrigerados deste jeito.    

O protótipo MP6 tinha grades na frente e na traseira do para choque traseiro que cobria o motor. Essas grades assim foram feitas para permitir a refrigeração do motor por entrada de ar, já que o protótipo não tinha um sistema de refrigeração por ventiladores internos. Um sistema de refrigeração similar ao do protótipo MP5 “paperino” foi incluído no design da produção da Vespa, e as grades foram removidas do para choque.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Um dos modelos de sucesso da Vespa: Vespa 150 GS de 1955

A Piaggio entrou com uma patente para o design da scooter Vespa em abril de 1946. Os documentos aplicados referiam o modelo como sendo “prático em sua natureza” e como uma “motocicleta com partes racionalmente aplicadas e elementos da estrutura combinada com o pára lamas e capô cobrindo todas as peças mecânicas do motor.”, na qual “o conjunto que forma a motocicleta se constitui em uma unidade racional, confortável, que oferece proteção de lama e poeira sem prejudicar o padrão de boa aparência e elegância”. A patente foi aprovada no mês de dezembro daquele ano.

Os treze primeiro exemplares apareceram na primavera de 1946, e demonstravam certamente ter antecedentes aeronáuticos. Nos primeiros exemplares, era possível reconhecer a tecnologia típica de aviões presente no veículo. A atenção à aerodinâmica é evidente por todo o seu design, em particular sua cauda. Foi um dos primeiros veículos  a utilizar uma construção monobloco( em que o corpo é parte integral do chassi ).

A companhia tinha a intenção de produzir a nova Vespa em larga escala, e a experiência industrial extensiva permitiu com que eles alcançassem um eficiente volume de produção no estilo fordiano. A scooter foi apresentada pela primeira vez para a imprensa no clube de golf de Roma, onde jornalistas ficaram aparentemente mistificados pelo estranho veículo de cor pastel que mais parecia um brinquedo. No entanto, os testes na estrada foram encorajadores, e mesmo sem suspensão na roda traseira o veículo demonstrou ter boa capacidade de manobra e ser mais confortável de pilotar do que uma motocicleta tradicional.

Após seu lançamento ao público na feira de Milão em 1946, os primeiros 50 exemplares venderam lentamente. Depois da introdução do pagamento a prestações, as vendas dispararam.

Vendas e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Piaggio vendeu cerca de 2.500 vespas em 1947, mais de 10.000 em 1948, 20.000 em 1949 e mais de 60.000 em 1950.

Roman Holiday, um dos filmes que popularizou a marca nos anos 50.

Os maiores promotores de vendas no entanto foi Hollywood. Em 1952, Gregory Peck e Audrey Hepburn dividem o assento de uma vespa em passeio por Roma no filme Roman Holiday, resultando em um disparo de vendas da marca para mais de 100.000 unidades. Em 1956, John Wayne descia de seu cavalo para andar de vespa para se deslocar rapidamente entre sets de filmagens nos bastidores de seus filmes. Marlon Brando, Dean Martin e até mesmo a cantora e atriz Abbe Lane compraram Vespas. William Wyler filmou Ben Hur em Roma no ano de 1959 e durante a produção ele permitia que Charlton Heston abandonasse seu cavalo e carruagem para dar uma volta de vespa entre filmagens.

Clubes de Vespa começaram a aparecer por toda a Europa, e em 1952, a contagem de membros de clubes de Vespa haviam passado de 50.000 ao redor do mundo. No meio dos anos 50, Vespas começaram a ser fabricadas sob licença na Alemanha, Reino Unido, França, Bélgica e Espanha; nos anos 1960, produção também começou na Índia, Brasil e Indonésia. Pelo ano de 1956, um milhão de vespas já haviam sido vendidas, então dois milhões em 1960. Durante os anos 60, a Vespa - originalmente vista como um veículo utilitário - começou a simbolizar liberdade e imaginação, o que resultou em um novo avanço de vendas: quatro milhões até 1970, e então 10 milhões até o final dos anos 1980.

Melhorias foram feitas paulatinamente no design original e novos modelos foram introduzidos. Em 1948, a vespa 125 ganhou suspensão traseira e um motor maior. O farol moveu-se para cima e começou a ser implantado no guidão em 1953. Além disso tinha um motor mais potente e uma carenagem traseira re-estilizada. Uma versão mais barata também se tornou acessível. Um dos modelos mais amados era a Vespa 150 GS introduzida em 1955 com um motor de 150 cilindradas, um assento longo e um farol acoplado ao guidão. E então vieram as 50 cilindradas de 1963, e as Vespa 125 Primavera de 1968 se tornou uma das vespas mais duráveis de todas.

Vespas vinham em dois tamanhos, referidas como “grande porte” e “pequeno porte”. as pequenas vinham com as cilindradas em versão 50, 90, 100 e 125, todas elas derivadas do modelo 50 cilindradas de 1963, e as grandes vinham nas versões com cilindradas em 125, 150, 160, 180 e 200, todas baseadas no design do motor de 125 cilindradas VNA de 1957.

As vespas de grande porte se tornaram a linha PX no fim dos anos 1970 e eram produzidas nas versões 125, 150 e 200 cilindradas até julho de 2007. Começando nos anos 1981, uma versão de 80 cilindradas foi lançada também. A Piaggio re introduziu os modelos PX 125 e 150 em 2011, com os motores revisados para enquadrarem no padrão EURO 3 de emissão.

As vespas de pequeno porte se tornaram a linha PK no começo dos anos 80, mas alguns modelos vespas de pequeno porte continuaram a ser vendidas no mercado até o final dos anos 90 no Japão com estilos de design vintage.

Ícone[editar | editar código-fonte]

A marca se tornou parte das sub culturas de mods e skin heads na Europa e América do Norte.

Em anos recentes, muitos pilotos urbanos compraram vespas novas ou restauradas. A diminuição de vagas para carros em áreas densamente urbanizadas e o custo benefício da baixa necessidade de combustível da Vespa, viu um aumento de popularidade da marca ( e de scooters de um modo geral ). O uso cultural da scooter como veículo recreacional com uma sub cultura de fãs nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão também contribuíram para um aumento do uso de vespas. Em contraste, a Vespa é considerada como um veículo utilitário para transporte de produtos e algumas vezes utilizado como transporte de vários membros de famílias em partes da Ásia e América latina.

Esse ressurgimento de interesse em scooters vintage também fez crescer a indústria de restauração de scooters, com muitas Vespas sendo exportadas partindo da Tailândia, Vietnã e Indonésia para o resto do mundo.

Existe um museu e loja de presentes da Piaggio adjacente à planta central Pontedera, próximo à Pisa na Toscana. A exibição permanente inclui itens que participaram de exposições tais como o Guggenheim em Nova York e o centro Pompidou em Paris. O local também conta com uma exibição do modelo pessoalmente customizado por Salvador Dalí em 1962.

O museu automobilístico de Miami no norte de Miami, Flórida, clama ter a maior coleção de scooters Vespa do mundo, tendo mais de 400 itens.  

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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