Viana (Angola)

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Viana
Viana-Estacao-Transporte-rodoviario IMG1018.JPG

Cena de rua fora da estação, em agosto de 2011, na zona central de Viana.
Dados gerais
Fundada em c. 1920 (99 anos)
Província Luanda
Características geográficas
Área 1 344 km²
População 1 838 291[1] hab. (2018)
Densidade 1367,78 hab./km²

Projecto Angola  • Portal de Angola

Viana é uma cidade e um município angolano da província de Luanda, situado a 18 km da capital do país. É limitado a norte pelo município do Cacuaco, a leste pelo município de Ícolo e Bengo, a sul pelo município da Quissama e a oeste pelos municípios de Belas, Quilamba Quiaxi e Talatona.[2]

Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 1 838 291 habitantes e área territorial de 1 344 km², sendo o segundo município mais populoso e densamente povoado da nação, ficando atrás somente da capital nacional.[1]

O município foi fundado em 13 de dezembro de 1963 e é constituído por cinco distritos e duas comunas.

Devido à sua proximidade com a cidade de Luanda, Viana foi escolhida para sediar a Reserva Industrial de Viana, inserida na Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE-LB), onde há fortes incentivos fiscais para implantação de empreendimentos.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O nome do município de Viana nasceu de um simples lugar ermo, possivelmente na década de 1920, onde foram assentes carris do caminho de ferro, na confluência do rumo para Calumbo, Bom Jesus do Cuanza, e Catete, sentido de drenagem dos produtos que demandavam do Cuanza em direcção ao porto de embarque de Luanda.[4]

Durante largos anos, apenas conhecido por "Quilómetro 21", apeadeiro do Caminho de Ferro de Luanda que, mais tarde, viria a adoptar o nome de um velho agulheiro chamado António Viana que, naquele mesmo lugar, acabou seus dias em modesta casa de madeira que, como estação, lhe serviu também de residência, entre cajueiros e matebeiros.[4]

Assim o lugar passou a chamar-se Viana, implicitamente, sem formalidades de qualquer ordem, mas apenas por desígnio dos caminhantes que, cruzando a região, de comboio ou de carro, acabaram por implantar legando à posteridade.

Integração administrativa[editar | editar código-fonte]

Mais tarde, o diploma legislativo n.º 2.049 de 1948, classificou este lugar de povoação comercial, integrando-a no Posto Administrativo de Alcântara, do concelho de Luanda.

Por portaria n.º 9.585 de 19 de dezembro de 1956, assinada pelo então governador-geral Horácio José de Sá Viana Rebelo, o antigo apeadeiro de Viana - já então com uma população flutuante oriunda de Calumbo, do Bom Jesus e de Catete e de Botomona, das margens do Cuanza e do Bengo, do Cacuaco e de Luanda – passou a sede do novo Posto Administrativo de Viana, integrado na área do antigo concelho de Luanda em dois departamentos: o do concelho de Luanda que passara a abranger a área essencialmente urbana da cidade de Luanda e o outro, o da Circunscrição Administrativa de São Paulo, compreendendo as áreas dos postos da Sede, Barra do Cuanza, Belas, Boavista, Cacuaco e Viana.[4]

Pelo diploma legislativo n.º 3.042, de 11 de maio de 1960, foi criada a Circunscrição Administrativa de Viana, adjacente ao foral de Luanda, que só começou, efectivamente, a funcionar em 28 de outubro. Com a criação do Posto Administrativo de Belas, por portaria n.º 12.388 de 15 de setembro de 1962, a circunscrição passou a ter uma área de cerca de 1.820 Km2, com os Postos Administrativos de Sede, Barra do Cuanza, Belas e Cacuaco. Por portaria n.º 13.735, de 27 de Março de 1965, a antiga circunscrição de Viana ascendeu a concelho e nele foi instituída uma Comissão Municipal com a composição estabelecida pelo artigo 511.º da então Reforma Administrativa Ultramarina.[4]

Por portaria n.º 14.061, de 13 de dezembro de 1965, que altera a decisão administrativa da província, o posto administrativo de Cacuaco foi desanexado do concelho de Viana, passando a constituir um novo concelho, com sede na povoação do Cacuaco.[4]

Criação da Câmara Municipal[editar | editar código-fonte]

Finalmente, por portaria n.º 14.062 de 13 de dezembro de 1965, a Comissão Municipal de Viana e outras congéneres foi elevada à categoria de Câmara Municipal, cuja área, nos termos do artigo 1.º do diploma legislativo n.º 3590, de 11 de dezembro de 1965, passou a coincidir com a área do concelho.[4]

De área rural à área urbana[editar | editar código-fonte]

Após 50 anos de existência o município de Viana transforma-se de área rural em zona urbana, ao ser integrada no Plano Diretor que trabalha para a criação da Região Metropolitana de Luanda.[4]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O município de Viana é composto por cinco distritos urbanos, a saber: Vila Flor, Zango, Baia, Quicuxi e Estalagem. Ainda compõe-se da comuna-sede, que também conserva o nome de Viana, e pela comuna do Calumbo. Anteriormente Zango e Baia eram comunas.[5]

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população é jovem, cerca de 47% tem menos de 15 anos. Somente 1,5% da população tem 65 anos ou mais. Há mais mulheres do que homens. A proporção de crianças vulneráveis é de 31,2% dos quais 12,5% são órfãs ou separadas de pai e mãe. A principal razão da migração das populações foi a guerra que representa 53,8%, mas apenas 15,4% manifesta a pretensão de regressar às áreas de origem.

Migração[editar | editar código-fonte]

O processo migratório na área de Viana remonta antes de 1836, ano da abolição do tráfico de escravos, com maior incidência em Calumbo, que foi um centro muito desenvolvido, com porto fluvial e caminho de ferro. Entretanto o centro povoador de Viana só veio estabelecer-se de fato na década de 1920, em função do caminho de ferro. Recentemente a cidade começou a abrigar uma população de origem asiática, concentrada no bairro Vila Chinesa.

Economia[editar | editar código-fonte]

Em primeiro plano a planta metalúrgica da Acail, na Reserva Industrial de Viana, com diversas outras plantas industriais em segundo plano.

A posição geográfica de Viana em relação à capital da província e das extensas planuras dos seus terrenos, ainda tornam a cidade uma das maiores zonas industriais da nação. Viana foi escolhida para sediar a Reserva Industrial de Viana, inserida na Zona Económica Especial Luanda-Bengo (ZEE-LB), onde há fortes incentivos fiscais para implantação de empreendimentos.[3]

Logo após o final da Guerra Civil Angolana, Viana experimentou transformações radicais e desordenadas que mudaram o seu perfil económico e social. Ocorreu um forte processo de sucateamento do parque industrial, registrando por quase uma década as maiores taxas de desemprego do país, tendo se tornado uma cidade dormitório, girando em órbita de Luanda, e dominada pela economia informal. Esse panorama ruim só se alterou parcialmente após a entrada em operações da Reserva Industrial de Viana.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Ferrovia[editar | editar código-fonte]

As estações ferroviárias de Estalagem, Comarca, Viana, Capalanca, Entroncamento e Baia estão em território municipal e são servidas por comboios suburbanos, de médio e de longo curso.[6]

Rodovia[editar | editar código-fonte]

A principal rodovia de Viana é a EN-230 (Estrada do Catete), que a liga tanto à Luanda, quanto ao restante da nação;[7] outra rodovia importante é a Via Expressa Fidel Castro (antiga Via Expressa Cabolombo-Viana-Cacuaco), que na verdade é um anel viário da região de Luanda.[8]

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade de Viana mantém o Campus Viana-Capalanca, onde está sediada a Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, a principal instituição de ensino superior do pais;[9] outras instituições localizadas na cidade são o Instituto Superior Técnico de Angola e a Universidade Jean Piaget de Angola.

Segurança pública[editar | editar código-fonte]

Conta com um Destacamento Permanente da Polícia Nacional, além de um quartel do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros. É no território municipal que está localizado o Estabelecimento Prisional de Viana, a maior penitenciária angolana.

Cultura e lazer[editar | editar código-fonte]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Dentre as principais manifestações culturais de Viana estão suas tradições culinárias e religiosas.

Culinária[editar | editar código-fonte]

O prato básico da população é o Funge e o Pirão. A fuba de bombó e a farinha de milho, é o resultado da trituração da mandioca e do milho, que se agrega o peixe seco, o óleo de palma, o feijão e hortícolas, são os principais produtos que servem de base para a concepção da sua alimentação, que se juntam à carne e o peixe cacusso e bagre.

Nas áreas urbanas, agrega-se ainda o pão, o café, o chá, o leite, o arroz, as massas, as batatas, etc. A principal bebida é a quissangua, o maruvo, o caporroto, o macau, o quimbombo, de acordo aos aglomerados étnicos e o vinho que não é dispensado tal como a cerveja.

Festejos e tradições religiosas[editar | editar código-fonte]

A principal tradição religiosa de Viana é a Procissão do Corpo de Deus que acontece no primeiro domingo de junho, promovida pela Diocese de Viana. A caminhada de fé de Viana geralmente tem como ponto de partida os Bombeiros e termina no quintalão da Sé Catedral de São Paulo em Viana.[10]

As Festas da Quianda, no rio Cuanza entre Calumbo a Barra do Cuanza, são feitas para honrar a divindade e para aumentar a fartura do pescado. No passado, o sobado de Calumbo fazia as suas orações religiosas, em qualquer lugar, e no decorrer do tempo, pensou-se na feitura de uma estátua que anualmente era vestida para simbolizar, que lhe atribuiram o nome de "Mbangala", cujo objectivo das rezas é pedir as chuvas, que servia para limpeza das lagoas, para terem comida com abundância, pesca, saúde, etc., etc.

Para que a população tome conhecimento dos trabalhos, anualmente nas datas 1, 2, 3 do mês de Novembro, faz-se um peditório para aquisição de produtos alimentares e bebidas espirituosas, para o tratamento das lagoas, que denominam a "Festa da Quianda".

Lazer[editar | editar código-fonte]

Monumentos históricos[editar | editar código-fonte]

No Calumbo existe a Igreja de São José de Calumbo, que foi construída pelos holandeses, no século XVII, e posteriormente reabilitada pelo então governador da província Adrião Acácio da Silveira Pinto. Em 1830, por donativo do militar José Inácio Pereira de Morais, de alguns moradores, e do governador-geral de Angola Horácio de Sá Viana Rebelo foi novamente reabilitada. A Igreja de São José de Calumbo já havia sido classificada como imóvel de interesse público pela portaria nº 10.678, publicada no boletim oficial nº 11 de 18 de março de 1959; desde 22 de janeiro de 2011 passou ser considerada como "Património Histórico-Cultural Angolano".[11]

Esportes[editar | editar código-fonte]

É também em Viana que se encontra o Estádio do Santos, recinto utilizado pela equipa de futebol Santos Futebol Clube de Angola.

Cidades irmãs[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Schmitt, Aurelio. (3 de fevereiro de 2018). «Municípios de Angola: Censo 2014 e Estimativa de 2018». Revista Conexão Emancipacionista 
  2. Viana. Fallingrain.com
  3. a b Das 76 fábricas existentes na ZEE apenas 26 estão em pleno funcionamento. AngoNotícias/Nova Gazeta. 26 de setembro de 2016.
  4. a b c d e f g Município de Viana transforma-se de área rural em zona urbana em 51 anos de existência. Agência Angop. 13 de dezembro de 2016.
  5. Novo administrador municipal de Viana aponta prioridades. Portal Angop. 26 de junho de 2019.
  6. Horários e Itinerários. CCFL. 2017.
  7. Obras condicionam trânsito na estrada 230 junto a Comarca de Viana. Portal Angop. 3 de maio de 2018.
  8. Via Expressa recebe o nome de Fidel Castro. Rede Angola. 5 de dezembro de 2016.
  9. Activistas solicitam autorização para concluir estudos. Rede Angola. 10 de fevereiro de 2016.
  10. Carvalho, Vanda de.. Procissão do corpo de Deus anima a vida das comunidades católicas em todo o país. Radio Ecclesia. 1 de junho de 2018
  11. Igreja de São José de Calumbo classificada como Património Histórico-cultural Angolano. Agência Angop. 23 de janeiro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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