Vianna da Motta

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Vianna da Motta
Informação geral
Nome completo José Vianna da Motta
Nascimento 22 de abril de 1868
Local de nascimento São Tomé, São Tomé e Príncipe
Reino de Portugal Portugal
Data de morte 1 de junho de 1948 (80 anos)
Local de morte Lisboa
 Portugal
Ocupação(ões) Compositor, instrumentista e professor de música
Instrumento(s) Piano

José Vianna da Motta GOCGOSEGCSE, ou Viana da Mota segundo a ortografia vigente, (São Tomé, São Tomé e Príncipe, 22 de Abril de 1868Lisboa, 1 de junho de 1948 (80 anos)) foi um pianista, compositor, maestro e musicógrafo português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de José António da Motta e de sua mulher Inês de Almeida Vianna, estudou no Conservatório de Lisboa, sendo os seus estudos patrocinados pelo rei D. Fernando II e a sua esposa, a Condessa de Edla. Em 1882 parte para Berlim onde, custeado pelo real mecenas, continua durante três anos os estudos de piano e composição.

Em 1885 parte para Weimar onde é aluno de Franz Liszt, que mais tarde lhe oferece uma fotografia com a dedicatória: "A José Vianna da Motta, saudando os seus futuros sucessos. Fr. Liszt".

Dá concertos nos Estados Unidos, Paris, Inglaterra, Espanha, Itália, Dinamarca, Lisboa e Porto, Brasil, Argentina numa série de recitais que são outros tantos triunfos.

Durante a Primeira Guerra Mundial dirigiu a classe de virtuosidade de piano no Conservatório de Genebra. Em 1917 regressa a Portugal, onde foi director do Conservatório Nacional de Lisboa, de 1919 a 1938.

Entre as suas composições mais conhecidas está a sinfonia "À Pátria", e as obras "Evocação dos Lusíadas", "Cenas nas Montanhas" entre outras.

Casou primeira vez com Margarethe Marie Lemke (Karlsruhe, Heidelberg, 31 de março de 1858 - ), filha de Juliua Lemke e de sua mulher Agnes Eckhardt, sem geração, casou segunda vez com Irma Harden, sem geração, e terceira vez com Berta de Bívar, com geração.

Faleceu em 1948, em Lisboa, tendo vivido os últimos anos da sua vida na residência de sua filha Inês de Bivar Vianna da Motta e do seu genro, o psiquiatra Henrique João de Barahona Fernandes. A sua outra filha, Leonor Micaela de Bivar Vianna da Motta, nascida em Buenos Aires, casou com João Apolinário Sampaio Brandão, com geração.

José Vianna da Motta desde cedo revelou a sua grande proficiência para a música e particularmente para o piano.

Com 14 anos de idade concluiu os estudos no Conservatório Nacional. No mesmo ano (1882), partiu para Berlim, com os seus estudos financiados pelo Rei consorte, D. Fernando II, e pela sua esposa, a Condessa de Edla, que nele apostaram depois de o ouvir tocar. Em Berlim estudou com Xaver Scharwenka (piano) e com Philipp Scharwenka (composição). A sua primeira apresentação, no mesmo local, data de 1885 e foi um inegável êxito. Na mesma cidade, teve também aulas com Carl Schaeffer, membro da Sociedade Wagneriana. Em 1884 já Vianna da Motta descobrira o encanto de Richard Wagner, em Bayreuth. Tornou-se então membro da mesma Sociedade, e foi fiel a Wagner até ao fim da sua vida.

Busto do compositor no Jardim do Torel, em Lisboa.

Em 1885, devido ao desejo de trabalhar com Liszt, parte para Weimar e foi um dos seus últimos alunos.

Dois anos depois, em Frankfurt, trabalhou com Hans von Bülow, que o considerou um dos mais brilhantes discípulos de Liszt.

Fixou residência em Berlim e apresentou-se em várias cidades alemãs. Rússia, Paris, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Itália, Dinamarca, Brasil, Argentina, foram países que presenciaram as suas actuações. Em 1893, no mês de abril, fez a sua primeira grande digressão em Portugal.

O público e a crítica sempre o aplaudiram e distinguiram a sua técnica, clareza, expressão, o rigor das suas interpretações dos mestres clássicos.

Foi considerado um brilhante intérprete de Liszt, Bach e Beethoven. A ele devemos a primeira apresentação da audição integral das 32 Sonatas para piano de Beethoven.

Anos antes de regressar definitivamente a Portugal, ao eclodir a 1ª Guerra Mundial, Vianna da Motta fixa-se em Genebra. Nesta cidade foi professor na Escola Superior de Música de Genebra.

Já em Portugal, manteve a sua actividade como pianista até 1945 a par com a sua acção pedagógica.

Foi Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (28 de junho de 1920), Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo (19 de abril de 1930) e Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada (2 de junho de 1938).[1]

Colaborou na revista Lusitânia [2] (1924-1927).

O seu espólio musical encontra-se na Biblioteca Nacional de Portugal.

Segunda parte da biografia:

Dada a versatilidade e a profundidade da sua cultura, Vianna da Motta personificou em alto grau o ideal de "músico completo" que Liszt preconizou na sua directriz pedagógica. Assim se explicará também a razão dos diversos campos da sua actividade: pianista, pedagogo, compositor, musicógrafo, conferencista e regente de orquestra; tendo sido predestinado, no entanto, para ser um virtuoso de piano, ele destacou-se no quadro dos renomeados pianistas da sua época (foi amigo e colaborador de Ferruccio Busoni, entre muitos outros). Em 1885 frequentou, em Weimar, o último curso de verão dado por Liszt, do qual recebeu por escrito os melhores votos para a sua grande carreira, e foi o aluno dileto de Hans von Bülow nos cursos de Frankfurt am Main em 1887.

José Vianna da Motta tocou por toda a Europa, Américas do Norte e do Sul, perante presidentes, Reis e Imperadores, recebeu altas condecorações e na Alemanha foi-lhe concedido o título de "Hofpianist" (pianista da Corte) por Carlos Eduardo de Saxe-Coburgo-Gota.

Conquanto Vianna da Motta tenha ficado sempre bem português e tenha marcado por todo o mundo a presença de Portugal, já através de si próprio, já através das suas composições e de outros compositores portugueses, como por exemplo de João Domingos Bomtempo, ele foi um afincado divulgador da cultura alemã e incorpora o fenómeno mais flagrante de simbiose das duas culturas ou seja: ele representa a ponte por excelência da cultura luso-alemã (especialmente na sua considerável obra de "Lied', em que musicou diversos poetas alemães!). Houve quem lhe chamasse "o português mais patriota e o alemão missionário".

Obrigado, pela Primeira Guerra Mundial, a abandonar a sua residência de Berlim em 1914, aceitou finalmente o convite para a regência da classe de virtuosismo de piano do Conservatório de Genebra, em 1915. Em 1917 regressou definitivamente a Lisboa, fundou a Sociedade de Concertos e realizou o seu objectivo de proceder à reforma do Conservatório Nacional de Lisboa, assumindo o cargo de director desta instituição de 1919 a 1938. A sua orientação pedagógica operou uma completa viragem no nível técnico/artístico e na intelectualidade do meio musical lisbonense. Fez inúmeras primeiras audições de obras há muito consagradas, como a integral das 32 sonatas de Beethoven, no centenário da sua morte, em 1927 (cuja receita reverteu a favor dos alunos pobres do Conservatório, tendo instituído o prémio Beethoven) e, também, de compositores seus contemporâneos.

Como compositor, cuja actividade se confinou ao período da sua vida com residência em Berlim, José Vianna da Motta foi importante para a História da Música em Portugal no âmbito da "música de concerto", por lhe caber o mérito da primeira procura e criação consciente de "música culta" de carácter nacional. São disso testemunho a sua obra mais relevante a Sinfonia "À Pátria" (que apresenta também a inovação entre nós do conceito lisztiano de música programática e em que, ao que parece, um compositor português usa pela primeira vez numa sinfonia, temas genuínos do folclore português), as suas composições pianísticas, as suas canções para canto e piano.

Sem dúvida, das personagens mais versáteis do mundo da música portuguesa na primeira metade do século XX. Exemplar na sua capacidade de trabalho e perseverança, no domínio absoluto da técnica pianística, no equilíbrio da forma e do conteúdo. Intérprete excepcional, notável pedagogo, admirável compositor…mas terá recebido sempre o valor que merece?

Legado[editar | editar código-fonte]

Composições[editar | editar código-fonte]

José Vianna da Motta dedicou-se à composição desde muito cedo. A sua primeira composição, intitulada Primeira inspiração musical, data de 1873 quando tinha apenas 5 anos de idade. Durante a sua infância, até aos seus 14 anos de idade, Vianna da Motta compôs mais de cinquenta peças, sobretudo para piano solo. Estas peças de infância, compostas entre 1873 e 1883, são representativas da primeira fase criativa do compositor, fase essa que se caracteriza sobretudo pela composição de peças de baile, marchas, variações e fantasias sobre temas populares de óperas[3].

Obras de infância para piano solo (selecção)[editar | editar código-fonte]

  • Gratidão, Valsa (1874)
  • Triumpho e Gloria, Grande Marcha (1875)
  • Amizade, Mazurca (1875)
  • Amor Filial, Valsa op. 16 (1878)
  • Purificação, Polca op. 18 (1878)
  • Praia das Conchas, Grande quadrilha de contradanças op. 22 (1878)
  • Gaieté, Galop op. 35 (1880)
  • Pensée Poétique, Rêverie op. 36 (1880)
  • Polaca, op. 37 (1880)
  • Resignação, op. 39 (1880) - peça para a mão esquerda
  • Au bord du Lac de Pena, Pastorale op. 50 (1881)
  • Variations sur l'hymne de Sa Magesté le Roi Don Louis I, op. 43 (1881)
  • O Dia 20 de Maio, Quadrilha de valsas para piano op. 44 (1881)
  • Elegia, op. 45 (1881)
  • Variações sobre um tema original, op. 47 (1881)
  • Grande fantaisie triomphale sur l'hymne de Sa Magesté le Roi Don Ferdinand II, op. 48 (1881)
  • Três Romances sem palavras, op. 51 (1882)
  • Rondino (1882)

A segunda fase criativa do compositor (de 1884 a 1895, sensivelmente) coincide com o período de formação na Alemanha e é por isso marcada pela influência germânica. Ela caracteriza-se essencialmente pela composição de peças para piano, de obras concertantes, música de câmara e Lieder. A terceira fase criativa caracteriza-se pelo recurso à canção tradicional portuguesa. Esta fase nasceu logo após o Ultimato britânico de 1890 com a composição da 1ª Rapsódia Portuguesa, obra inspirada em fados e dedicada ao então Rei de Portugal, o Rei D. Carlos. A partir de 1908, Vianna da Motta abandonou quase por completo a composição, talvez por discordar das novas tendências modernistas que vingavam por toda a Europa[4].

Obras para piano solo (selecção)[editar | editar código-fonte]

  • Barcarola, op. 1 (ca. 1884)
  • Fantasiestück, op. 2 (1885)
  • Sonata em Ré maior (1885)
  • Capriccio, op. 5 (ca. 1885)
  • Zwei Klavierstücke nach A. Böcklin (1891)
  • Cinco Rapsódias Portuguesas (1891 - ca. 1895)
  • Serenata, op. 8 (1893)
  • Cenas portuguesas, op. 9 (a. 1893)
  • Cenas portuguesas, op. 15 (1905)
  • Balada, op. 16 (1905), também conhecida por Balada sobre duas melodias portuguesas, op. 16
  • Barcarola, op. 17 (ca. 1905)
  • Cenas portuguesas, op. 18 (1908)

Obras para piano a quatro mãos[editar | editar código-fonte]

  • Ein Dorffest (1885)
  • Erinnerungen, op. 7 (1885)

Obras para piano e orquestra[editar | editar código-fonte]

  • Concerto para piano e orquestra em Lá maior (1886 - 1887)
  • Dramatische Fantasie (1893)

Obras para música de câmara (com piano)[editar | editar código-fonte]

  • Trio em si menor (1888 - 1889) - com violino e violoncelo
  • Quarteto em Lá menor (1889) - com violino, viola e violoncelo (obra inacabada)
  • Romanza (1893) - com flauta transversal
  • Sonata em si bemol maior (1894) - com violino

Obras para canto e piano (selecção)[editar | editar código-fonte]

  • Drei Lieder, op. 3 (1885)
  • Fünf Lieder, op. 5 (1887)
  • Vier Gedichte, op. 8 (1890)
  • Canções portuguesas, op. 10 (1893 - 1895)
  • Duas Romanzas (1893)
  • Danke, op. 13 nº 1 (1895)
  • Umflort, gehült in Trauern, op. 13 nº 2 (1895)
  • Lass mich Deine Augen fragen, op. 13 nº 3 (1895)
  • A Luz (1910)
  • Cantar dos Búzios (1929)
  • Verdes são as hortas (1936)

Obras para quarteto de cordas[editar | editar código-fonte]

  • Variações (1884)
  • Andante (ca. 1885)
  • Quarteto em mi bemol maior (1887 - 1888)
  • Quarteto em sol maior (ca. 1894)
  • Cenas nas montanhas, op. 14 (a. 1896)

Obras para orquestra[editar | editar código-fonte]

  • Abertura Inês de Castro (1886)
  • Marcha portuguesa (1893)
  • Invocação dos Lusíadas, op. 19 (1897) - com coro
  • Sinfonia "À Pátria" (1894; rev. 1920)

A Sinfonia "À Pátria" é geralmente considerada a obra-prima de Vianna da Motta. Foi a primeira sinfonia a merecer as honras de impressão em Portugal. Ela é inspirada em versos de Luís Vaz de Camões e segue o modelo formal clássico das sinfonias de Beethoven: quatro andamentos, dos quais o terceiro é um scherzo. No terceiro andamento o compositor utiliza duas canções populares portuguesas. Daqui depreende-se que nem sempre é fácil traçar a fronteira entre a segunda e a terceira fase criativa do compositor. Com efeito, várias das suas obras resultam claramente do cruzamento das culturas alemã e portuguesa, da importância que teve a sua formação musical na Alemanha e da necessidade de expressar o seu patriotismo por via do recurso à música tradicional portuguesa.

Revisões e edições musicais[editar | editar código-fonte]

Em 1913, a editora Breitkopf & Härtel encarregou Vianna da Motta de escrever as notas de revisão dos volumes IV a X[5] para a primeira edição completa das obras de Franz Liszt. Este foi um trabalho que Vianna da Motta realizou a par com Ferrucio Busoni. Segue uma lista de algumas das obras para piano de Franz Liszt editadas por Vianna da Motta:

  • LISZT, Franz, Années de Pèlerinage: Suisse, S. 160, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1916.
  • LISZT, Franz, Années de Pèlerinage: Italie, S. 161, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1916.
  • LISZT, Franz, Années de Pèlerinage: Troisième année, S. 163, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1916.
  • LISZT, Franz, Harmonies poétiques et religieuses I, S. 154, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1917.
  • LISZT, Franz, Sonate en si mineur S. 178, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1924.
  • LISZT, Franz, Ballade n.º 1, S. 170, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1924.
  • LISZT, Franz, Ballade n.º 2, S. 171, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1924.
  • LISZT, Franz, Consolations, S. 172, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1924.
  • LISZT, Franz, Harmonies poétiques et religieuses III, S. 173, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1926.
  • LISZT, Franz, 2 Légendes, S. 175, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1927.
  • LISZT, Franz, Grand Galop Chromatique, S. 219, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1928.
  • LISZT, Franz, 2 Polonaises, S. 223, ed. José Vianna da Motta, Leipzig, Breitkopf & Härtel, 1928.

Viana da Motta também se interessou pela edição de obras de outros compositores, como Beethoven ou Schumann, e pela publicação de exercícios de técnica inspirados em obras de Charles-Valentin Alkan.

  • BEETHOVEN, Ludwig van, Sonata op. 31 n.º 2 em Ré menor interpretada por José Vianna da Motta, ed. José Vianna da Motta, Lisboa, Sassetti, s.d.
  • VIANNA DA MOTTA, José, Exercices de Virtuosité tirés des oeuvres de C.V. Alkan, Paris, Costallat & Cie., 1908.
  • SCHUMANN, Robert, Album para a juventude: 43 peças para piano revistas e dedilhadas por J. Vianna da Motta / R. Schumann, op. 68, Lisboa, Sassetti & Ca., [1923].

Obra literária[editar | editar código-fonte]

  • Nachtrag zu Studien bei Hans von Büllow von Theodor Pfeiffer, Berlim, 1896; trad. em inglês por Richard Louis Zimdars, The piano Master Classes of Hans von Bülow: two participants accounts, Indiana, Indiana University Press, 1993. (Trata-se de um opúsculo com a descrição das aulas que Vianna da Motta frequentou em Frankfurt am Main no ano de 1887. Essas aulas foram em primeiro lugar descritas em cartas enviadas a Margarethe Lemke e Juliua Lemke e só posteriormente foram reunidas e publicadas por Vianna da Motta. No entanto, elas não foram publicadas tal como ele escreveu às senhoras Lemke. Segundo Christine Wassermann Beirão, em Nachtrag zu Studien bei Hans von Büllow von Theodor Pfeiffer "Vianna da Motta não cita os nomes dos participantes criticados, nem faz a sua própria análise, informando com a maior objetividade. Também as críticas de Hans von Bülow são amenizadas e parcialmente encurtadas. Em contrapartida, a versão exposta nas cartas [...], é a que mais se aproxima da descrição verdadeira, em que Vianna da Motta não se coíbe de transmitir as suas observações e aquilo que Bülow, na realidade, havia comentado sem rodeios.”[6])
  • A Sonata, Lisboa, Livraria Clássica, 1906.
  • Pensamentos extraídos das obras de Luís de Camões, Porto, Renascença Portuguesa, 1919. (Não se trata propriamente de uma obra literária mas de versos de Camões reunídos em categorias enunciadas por Vianna da Motta.)
  • Música e músicos alemães: Recordações, ensaios, críticas, Coimbra, Instituto Alemão, 1941.
  • A Vida de Liszt, Porto, Edições Lopes da Silva, 1945.
  • Música e músicos alemães: Recordações, ensaios, críticas, 2ª edição revista e aumentada, 2 volumes, Coimbra, Coimbra Ed., 1947.

A correspondência e os diários de Vianna da Motta têm sido objeto de estudo por parte de alguns musicólogos e investigadores. Segue uma lista das suas publicações:

  • Vianna da Motta e Ferruccio Busoni: Correspondência 1898-1921, Coordenação e notas musicológicas Christine Wassermann Beirão, transcrição José Manuel de Melo Beirão, trad. Elvira Archer, Lisboa, Caminho, 2003.
  • Diários (1883-1893); Coordenação e notas musicológicas Christine Wassermann Beirão; tradução Elvira Archer; transcrição José Manuel de Melo Beirão; apresentação de Mário Vieira de Carvalho; prefácio de Christine Wassermann Beirão, Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal e Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, 2015.

Gravações[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1927, Vianna da Motta gravou para a casa Pathé obras para piano a solo de Busoni, Schubert, Chopin, Liszt e também composições suas. Estas gravações são difíceis de obter. Elas foram editadas em 1995 pela etiqueta Dante que, entretanto, faliu.

  • José Vianna da Motta: The Complete Recordings, dir. Ward Marston, Paris, Pathé Art Label, 1928; reed. dir. Bruno Saint-Germain e Jean-Louis Percot, s.l., CD Dante HPC028, 1995.
  • The Pupils of Liszt (Pearl 9972)
  • Great Pianists on Piano Rolls (Phonographe Records 5027)

Discografia com obras de Vianna da Motta[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos registos que se seguem não são exclusivamente de obras de Vianna da Motta, mas sim de selecções de obras feitas pelos intérpretes nas quais se encontram algumas obras deste. Na lista que se segue foram também incluídas as gravações que Vianna da Motta fez das suas obras.

  • José Vianna da Motta : The Complete Recordings, dir. Ward Marston, Paris, Pathé Art Label, 1928; reed. dir. Bruno Saint-Germain e Jean-Louis Percot, s.l., CD Dante HPC028, 1995.
  • José Carlos Sequeira Costa (Marco Polo 8225116);
  • António Rosado (PortugalSom 860018);
  • Artur Pizarro (Hyperion A 67163);
  • Sofia Lourenço (Numérica 1077);
  • Elvira Archer e Anton Illenberger (PortugalSom 870009);
  • Orquestra Sinfónica da RDP dirigida por Silva Pereira e pela Orquestra Sinfónica do Estado Húngaro dirigida por Mátyás Antal (Portugalsom CD 870016/PS e SP 4117);
  • Mário Mateus com a Orquestra Filarmónica de São Petersburgo (Northern Flowers 9938).
  • Edição Pedro de Freitas Branco (PortugalSom 4116).
  • Jean Alexis Smith, Liszt / Viana da Mota, [s.l.], Jean Alexis Smith (651047154821), 2004.
  • Sofia Lourenço, Portuguese Piano Music, Grand Piano (GP725), 2016.
  • Álvaro Cassuto (Naxos 8.573495);
  • Bruno Belthoise e João Costa Ferreira, Paris-Lisboa: Bruno Belthoise & ensembles, Lisboa, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, 2017.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AA. VV., Vianna da Motta in memoriam, pref. Oliva Correia de Almada Menezes Guerra, Lisboa, Oficina Gráfica de Ramos, 1952.
  • AA. VV., José Viana da Mota: 1868-1948: 50 Anos depois da sua morte, Lisboa, Instituto Português de Museus, Museu da Música, 1998.
  • Arroio, António, José Vianna da Motta, Lisboa, 1896.
  • Andersen, Maria Josefina, Vianna da Motta interpretando os grandes músicos: Estudos de estética musical, Figueira da Foz, Tipografia Popular, 1937.
  • Bernardes, J. M. R. e Bernardes, I. R. S., Uma Discografia de Cds da Composição Musical em Portugal: Do Século XIII aos Nossos Dias, Lisboa, INCM, 2003, pp. 188-190.
  • Branco, João de Freitas, Comunicação acerca dos concertos de Vianna da Mota no Brasil, Sep. Actas III Colóquio Internacional Estudos Luso-Brasileiros, n.º 2, pp. pp. 89-92, Lisboa, 1960.
  • Branco, João de Freitas, Viana da Mota: Uma contribuição para o estudo da sua personalidade e da sua obra, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1972.
  • Cascudo, Teresa, "A década da invenção de Portugal na música erudita (1890-1899)", Revista Portuguesa de Musicologia, n.º 10, 2000, pp. 181-226.
  • Cascudo, Teresa, "Mota, José Viana da", Enciclopédia da Música em Portugal no Séc. XX, vol. 3, pp. 821-823, Círculo de Leitores e Temas e Debates, 2010.
  • Delgado, Alexandre, A Sinfonia em Portugal, 2ª ed. Lisboa, Caminho, 2002.
  • Freitas, Frederico de, "Viana da Mota, Pianista cosmopolita e compositor lusitano: No centenário do seu nascimento", in Panorama: Revista portuguesa de arte e turismo, n.º 28, pp. 6-22, 1968.
  • Hopkins, Charles, "Vianna da Motta, José", In The New Grove Dictionary of Music and Musicians, 2ª edição, Londres, MacMillan, 2001.
  • Lopes Graça, Fernando, Viana da Mota: Subsídios para uma biografia, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1949, (Reeditado em Opúsculos, vol. 3, Lisboa, Editorial Caminho, 1984).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.ordens.presidencia.pt/
  2. Rita Correia (05 de Novembro de 2013). «Ficha histórica: Lusitania : revista de estudos portugueses (1924-1927)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 03 de Dezembro de 2014  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  3. «Viana da Mota - Século XX - Centro Virtual Camões - Camões IP». cvc.instituto-camoes.pt. Consultado em 20 de agosto de 2017 
  4. DELGADO, Alexandre (2002). A sinfonia em Portugal. Lisboa: Caminho da Música. p. 66 
  5. CASCUDO, Teresa; TRINDADE, Maria Helena (1998). José Vianna da Motta: 50 anos depois da sua morte. Lisboa: Instituto Português de Museus. p. 35 
  6. WASSERMANN BEIRÃO, Christine (2015). Diários (1883-1893). Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal: Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical. p. 13 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]