Viatodos

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Portugal Viatodos  
—  freguesia portuguesa extinta  —
Bandeira de Viatodos
Bandeira
Brasão de armas de Viatodos
Brasão de armas
Viatodos está localizado em: Portugal Continental
Viatodos
Localização de Viatodos em Portugal Continental
Coordenadas 41° 26' 55" N 8° 33' 27" O
Concelho primitivo Barcelos
Concelho (s) atual (is) Barcelos
Freguesia (s) atual (is) Viatodos, Grimancelos, Minhotães e Monte de Fralães
Extinção 28 de janeiro de 2013
Área
 - Total 4,21 km²
População (2011)
 - Total 1 840
    • Densidade 437,1/km2 
Gentílico: Viatodense
Orago Santa Maria
Freguesia de Viatodos

Viatodos foi uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 4,21 km² de área[1] e 18 habitantes e a mais icónica conhecida por zezinha cheira a peixe carvalho e tambem cheira mal da boca e tem pelos (2011)[2]. Densidade: 437,1 hab/km².

Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada às freguesias de Grimancelos, Minhotães e Monte de Fralães, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Viatodos, Grimancelos, Minhotães e Monte de Fralães da qual é sede.[3]

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Viatodos (1864 – 2011) [4]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
854 940 957 902 983 1 037 1 135 1 279 1 447 1 496 1 505 2 006 2 060 2 027 1 840
      Evolução da População desde 1864 até 2011          Evolução dos Grupos Etários (2001 e 2011)                   

Evolução da  População  1864 / 2011; Variação da População  1864 / 2011; A População em 2001; A População em 2011;

Geografia[editar | editar código-fonte]

Esta localidade, que cobre uma vasta e fértil área, beneficiou no passado e continua a beneficiar no presente de nela se cruzarem as estradas que vêm de Famalicão para Barcelos e de Braga para Vila do Conde. Como nas suas vizinhas, a agricultura hoje perdeu importância e os seus moradores ou trabalham nas pequenas unidades industriais e serviços locais ou se empregam em Famalicão ou Braga ou noutras paragens.

Viatodos confronta a nascente com Nine, a sul com Louro, a poente com Minhotães e Grimancelos, e a norte com Monte de Fralães e Silveiros.

Orago e nome[editar | editar código-fonte]

O orago é Santa Maria, a mãe de Jesus.

Sobre a etimologia do nome desta povoação, fantasiaram-se versões sem o mínimo de fundamento histórico. De facto, atendendo aos registos mais antigos (Censual do Bispo D. Pedro, Inquirições de D. Afonso III), Viatodos deriva de «Bem-a-todos» (Avelino de Jesus Costa), que então se escrevia «Benatodos». Daqui para a forma Beatodos (que já vem nas Inquirições de D. Afonso II) é um passo. Este é o verdadeiro nome do povoado. A forma Viatodos, nome oficial, resulta duma hipercorrecção.

Religião[editar | editar código-fonte]

Em meados do século XVIII, passou a funcionar na localidade a «palestra» eclesiástica, a que acorriam sacerdotes locais e das vizinhanças. Havia também uma irmandade eclesiástica importante.

Entre os párocos desta povoação, há o caso bem curioso do Pe. João de Sousa Afonso e Abreu, nascido em S. Mamede de Sandiães, Ponte do Lima, em 1768, e falecido em Viatodos em 1837.

No período de grande desorientação que precedeu a instalação do Liberalismo, fez alarde das suas opções pelas novas orientações políticas.

Tal se deduz claramente da acta do juramento da Carta Constitucional, ocorrido no Couto de Fralães em 1 de julho de 1826. Embora a reunião tenha decorrido na Casa de Fralães, próximo da igreja paroquial local, ele trouxe os participantes para a sua igreja de Viatodos e aí realizou um solene Te Deum de acção de graças. Ainda mais claramente se deduz desta informação de Teotónio da Fonseca: «o P.e João de Sousa Afonso e Abreu, reitor desta aldeia, foi preso por constitucional em 1829 e solto do Aljube do Porto em 1831».

A vitória liberal de 1834 fez dele sem dúvida um herói, conseguindo então anexar a paróquia vizinha de Monte de Fralães. Em 1837, «os seus inimigos porém, quando um dia ele vinha de uma localidade vizinha, esperaram-no com taleigas cheias de areia e de tal maneira o sovaram com taleigadas que dentro em pouco morreu» (Teotónio da Fonseca).

Embora se desconheça quem o sovou e onde, Monte de Fralães, em 1838, recuperou a sua independência como paróquia e viu o seu pároco expulso retomar o lugar.

Na edição de 1882 de "Portugal Antigo e Moderno" podem-se encontrar dados interessantes sobre Viatodos:

Na noite de 18 para 19 de Abril de 1881, os ladrões sacrílegos arrombaram a porta da igreja matriz desta aldeia e, entrando nela, arrombaram as caixas das esmolas e roubaram o seu conteúdo, assim como bastantes objectos pertencentes ao culto divino; tudo no valor de 200$000 réis (o ordenado anual do reitor era de 160$000 réis).

"A primeira imagem da padroeira era tão antiga e estava em tal estado que o visitador a mandou enterrar e que se fizesse uma nova; mas uma mulher vizinha da igreja não consentiu, levando a imagem para sua casa onde a conservou, com muita devoção. A nova imagem tem um metro d'altura. A igreja matriz é sagrada como se vê das várias cruzes que a cercam nas paredes interiores."

História[editar | editar código-fonte]

Ao lugar de Febros (aliás, a Britelos) e à Veiga do Olho Marinho, associam as Inquirições de D. Afonso III o nome do trovador João Garcia de Guilhade. No primeiro caso, porque criou aí uma filha, no segundo, porque lá, com outros, cultivava em seu proveito propriedade régia.

À data, parte da localidade já era «Honra de Farlães».

Em 1548, Viatodos actualizou o seu tombo; é um notável e extenso documento que dá uma ideia precisa da realidade da aldeia.

Viatodos fez parte, desde meados do século XIV até 1836, do Concelho de Fralães; muitos edis deste concelho daqui foram naturais.

Devido ao cruzamento das estradas já assinalado, houve aqui uma estalagem - a estalagem da «Jabelinha» -, como se lhe refere um documento, e, por exemplo, açougue, ferreiros, um ferrador, etc.

As casas mais notáveis foram as dos Vasconcelos, em Palmeira, e a do Xisto, dos Felgueiras Benevides.

Desde o Liberalismo até ao fim da Monarquia, teve sede aqui sede um Distrito do Juiz de Paz, que deixou vasta documentação e que incluía muitas freguesias das redondezas.

Viveu em Viatodos, embora de modo intermitente, o poeta Matias Lima, que a ela dedica muitos poemas.

Foi dela natural o sacerdote Barbosa Campos, que deixou também um conjunto de sonetos.

Outro notável foi o farmacêutico Sr. Oliveira, dono da farmácia da Isabelinha (o registo da botica que precedeu esta farmácia foi feito no tabelião do Couto de Fralães). A ele recorreu a mãe da Beata Alexandrina Maria da Costa uma ou talvez duas vezes para tratamento da filha.

Em 1926, as tropas que do Porto vieram para a estação da CP de Nine fazer frente à insurreição de Gomes da Costa chegaram a encher por completo a Recta da Estação, num espectáculo que causou dó, pelo esgotamento das tropas, e justificados receios.

A Escola Preparatória de Viatodos foi criada há mais de trinta anos.

Em Fonte Velha, ocorreu por meados do século XX um importante achado arqueológico, o do esconderijo dos «machados de Viatodos», valioso conjunto de peças de bronze que remontam ao século VIII a. C. e que durante décadas se guardaram no extinto museu portuense de S. João Novo (hoje deverão encontrar-se no museu bracarense dos Biscainhos).

A Feira da Isabelinha, em tempos semanal, hoje anual, foi criação do Concelho de Fralães, como consta do respectivo Livro dos Acórdãos.

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições autárquicas (Junta de Freguesia)[editar | editar código-fonte]

Partido % M % M % M % M % M % M % M % M % M % M
1976 1979 1982 1985 1989 1993 1997 2001 2005 2009
PPD/PSD 37,2 3 65,1 9 47,4 6 46,8 5 58,4 6 37,3 4 58,9 5 84,4 8 82,1 8
PS 29,9 3 16,8 2 26,6 4 40,9 3 35,6 3 35,1 3 52,7 5 39,7 4 14,1 1 15,8 1
CDS-PP 28,9 3 15,4 2 13,1 1 12,6 1 7,1 -
IND 55,7 8

Referências

  1. Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2012.1
  2. «População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano)». Informação no separador "Q601_Norte". Instituto Nacional de Estatística. Arquivado desde o original em 4 de Dezembro de 2013. Consultado em 6 de Março de 2014. 
  3. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.
  4. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes