Vida Domestica

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Vida Domestica
Exemplar de 1924, trazendo na capa gravura de C. Vianna, ilustrando a atriz e cantora mexicana Esperanza Iris
Frequência mensal
Editora Sociedade Gráfica
Vida Doméstica Ltda
Circulação nacional
Categoria familiar
País  Brasil
Idioma português
Fundação 1920

Vida Domestica[nota 1] foi uma revista mensal (posteriormente quinzenal e semanal)[1] brasileira editada no Rio de Janeiro voltada para o público feminino que circulou no país entre 1920[2] e 1962.[1]

Editora[editar | editar código-fonte]

No começo era editada pela firma Jesus & Jarque, tinha por diretor Jesus Gonçalves e redator Mário Nunes.[1]

Editado pela Sociedade Gráfica Vida Doméstica Ltda., fazia parte de uma tríade de revistas com as revistas em quadrinhos[3] Vida Infantil e Vida Juvenil que, junto aos respectivos almanaques, compunham a grade da editora.[2]

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Por ser voltada às leitoras - tinha por objetivo declarado ser uma "publicação do lar e das mulheres" - trazia grande número de anúncios que eram, destacadamente, de produtos de beleza (cosméticos, sabonetes, cremes, etc.), tecidos para confecção de roupas, etc. - e matérias jornalísticas tratando de cuidados de crianças, sobre casamento ou moda, notícias sobre os eventos considerados significativos, falando de temas diversificados (como joias, óculos, carros de bebê, remédios, viagens, etc.) - tudo permeado por grande quantidade de fotografias.[2]

Suas primeiras cinco páginas eram de propagandas, que também eram bastante numerosas no restante da publicação, e anunciavam os mais diversos produtos - o que ajudou a financiar sua edição por período tão longo quanto foi a sua existência (mais de quatro décadas).[2]

Público leitor[editar | editar código-fonte]

Embora seu conteúdo deixe entrever que se dirigia ao público urbano, algumas de suas matérias retratam a característica ainda rural da sociedade brasileira da época - pois trazia calendários agrícolas, notícias sobre animais e seus cuidados, etc.[2] Essa característica rural, contudo, perde espaço com o tempo, conforme a mudança do público para as cidades.[2]

Suas matérias visavam a mulher como dona de casa, falando do casamento e do lar, e matérias sobre puericultura, romances e novelas, saúde da mulher e utensílios úteis para a casa.[1]

Inicialmente defendia um papel da mulher não mais submissa, mas sim como um complemento do homem, em oposição aos movimentos feministas e emancipacionistas. Num dos seus artigos, em 1922, pregava:

"Abnegada e sublime, altruísta e heroica, a mulher brasileira é, antes de tudo, o modelo das mães; e aquela que exercer esta grandiosa missão, terá o bom senso de ficar na calma remansosa do lar, toda amor e carinho, devotamento e sacrifício, inteiramente entregue aos doces cuidados maternais, cônscia de que, educando patrioticamente a criança de hoje, prepara, com nobreza e galhardia, o soldado de amanhã."[1]

Notas

  1. Sem acento, na grafia da época

Referências

  1. a b c d e Elizabeth Sousa Abrantes. «"Mãe Civilizadora": A Educação da Mulher nos Discursos Feminista e Antifeminista na Primeira República» (PDF). Usos do Passado (XII Anpuh). Consultado em maio de 2011  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. a b c d e f Olga Brites (Jan./June 2000). «Crianças de revistas (1930/1950)». Educação e Pesquisa, vol.26 no.1 São Paulo (in: Scielo). Consultado em maio de 2011  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  3. Gonçalo Junior. Editora Companhia das Letras, ed. A Guerra dos Gibis - a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964. 2004. [S.l.: s.n.] ISBN 9788535905823 
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