Vila Itororó

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Vila Itororó
Casa 1 da Vila Itororó.jpg
Casa 1 (palacete) da Vila Itororó em dezembro de 2015
Estilo arquitetônico Art decô e Neoclássico
Construção
Proprietário Prefeitura do município de São Paulo

A Vila Itororó é um imóvel localizado no número 265 da Rua Martiniano de Carvalho, no bairro da Bela Vista, na cidade de São Paulo, no Brasil. É composto por um palacete e 37 casas.[2]

História[editar | editar código-fonte]

A vila foi construída entre 1922 e 1929, com topografia irregular e sem um estilo arquitetônico definido,[3] pelo empreiteiro e comerciante português Francisco de Castro,[4] com a proposta arquitetônica "de ocupação do espaço público pela comunidade".[5] Segundo o jornal Folha de S. Paulo, foi montado "um conjunto surrealista que não se prende às regras do utilitarismo nem obedece a regras e estilos determinados, surpreendendo até hoje [1978] aos pesquisadores pelo seu ecletismo e singularidade".[6] As três casas sobrepostas que formam a vila são sustentadas por colunas adquiridas quando da demolição do antigo Theatro São José, que ficava no local onde, hoje, existe o Shopping Light, no Vale do Anhangabaú.[4] As janelas redondas que adornam o palacete principal, com vitrais que representavam as bandeiras de diversos países, assim como as cariátides e esculturas de deuses gregos presentes na vila, podem ter vindo da mesma demolição[4] ou de outros edifícios demolidos.[6] As passarelas originalmente eram feitas de madeira, mas ao longo dos anos foram trocadas por passarelas de concreto, qualificadas como "modernismo deteriorante" pelo Jornal da Tarde em 1984.[4]

Na época da construção, o Riacho Itororó passava por ali, daí o nome da vila.[3] Mais tarde, foi canalizado. Dentro da vila, foi construída a primeira piscina privada de uso público em São Paulo, hoje desativada, tendo chegado a ficar cheia de lodo e servido como depósito para o maquinário enferrujado da antiga lavanderia do conjunto.[3] A piscina, que tirava água do Itororó, ainda funcionava nos anos 1980, como parte do clube Eden Liberdade, tendo sido erguida uma parede de tijolos a seu lado, supostamente para dar maior privacidade aos banhistas.[4]

O local, no início considerado "fino",[7] foi invadido na década de 1940.[6] Aos poucos, transformou-se em cortiço e, já nos anos 1970,[6] estava em processo de degradação. Castro teve seu patrimônio tomado por credores, que doaram a vila ao Hospital Beneficente Augusto de Oliveira Camargo (HAOC) por volta de 1950,[6] após sua morte.[8] Em 1978, o Sesc planejava comprar o conjunto de casas para transformá-lo em um "centro de convivência cultural", com teatro, biblioteca e cinema abertos ao público.[6] O processo de compra, entretanto, não foi para a frente, e o processo de degradação continuou, apesar de um projeto de restauração solicitado pela prefeitura a um grupo de arquitetos em 1976.[8] A piscina, por exemplo, funcionou até os anos 1980, como parte do Clube Eden Liberdade.[9] "Este é um caso de destruição por abandono", disse o arquiteto Benedito Lima de Toledo ao Jornal da Tarde em 1984.[4] A degradação acentuou-se em 1997, quando a Fundação Leonor de Barros Camargo, mantenedora do HAOC, desistiu de cobrar aluguel dos imóveis que compõem a vila.[5]

A área foi declarada de utilidade pública pela prefeitura em 2006. Em agosto de 2009, a Justiça paulista decidiu que a Secretaria de Estado da Cultura deveria tomar posse do terreno.[5] O governo estadual pagou à fundação oito milhões de reais pelo imóvel.[2] A previsão era de que os moradores desocupassem o local até dezembro de 2010, mudando-se para um prédio da CDHU no mesmo bairro.[2] "Desta vez não tem jeito", afirmou um morador do local ao Jornal da Tarde em junho de 2010. "Ou pegamos o apartamento ou vamos ficar sem nada."[2] A presidente da Associação de Moradores e Amigos da Vila também reclamou ao JT na mesma reportagem: "O ideal seria continuarmos aqui no espaço restaurado. Como você vai revitalizar um lugar expulsando parte de sua história?"[2] Em setembro de 2011, 86 famílias foram retiradas, completando-se a desocupação com a saída das outras 18 famílias em outubro.[10] As primeiras 86 foram transferidas para imóveis da CDHU próximos ao local, enquanto as demais deveriam receber aluguel social até terem definida sua transferência definitiva.[11]

Tal qual em 1978, o projeto previa transformar a vila em um polo cultural, com cinema e biblioteca, desta feita administrado pela prefeitura,[5] e tinha previsão de início de obras para 2011,[2] mas o registro das construções só começou a ser feito em 20 de dezembro, com a demolição dos "puxadinhos" prevista para ser iniciada na semana seguinte.[9] No dia 15, teriam saído as últimas pessoas que habitavam a vila, rumo a unidades da CDHU,[9] mas, em setembro de 2012, ainda havia cinco famílias morando no local.[8] A previsão de início das obras propriamente ditas passou para 2012, a um custo estimado inicialmente em cinquenta milhões de reais,[9] mas que baixou para quarenta milhões de reais quando o projeto de restauração foi divulgado, em setembro de 2012.[8] Além do polo cultural, previa-se um centro gastronômico.[8]

Em abril de 2015, a vila foi aberta ao público, para que sua reforma fosse acompanhada por meio de visitas com monitores.[12] A previsão então era de que a vila fosse reaberta parcialmente reformada em 2016 e totalmente em 2018.[12] Enquanto a reforma estivesse ocorrendo, estavam previstos exposições, seminários, oficinas e outras atividades culturais, a ser realizadas em um galpão anexo, localizado na Rua Pedroso.[12]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Vila Itororó

Referências

  1. [1]
  2. a b c d e f Diego Zanchetta (5 de junho de 2010). «Moradores da Vila Itororó serão despejados». Jornal da Tarde: 4A. Consultado em 9 de junho de 2010. 
  3. a b c Marici Capitelli (27 de agosto de 2009). «Local tinha piscina comunitária». Jornal da Tarde: 6A 
  4. a b c d e f Maria Inês de Camargo (25 de janeiro de 1984). «O passado em ruínas». Jornal da Tarde. 8 páginas 
  5. a b c d Marici Capitelli (27 de agosto de 2009). «Vila Itororó será desocupada». Jornal da Tarde: 6A. Consultado em 9 de junho de 2010. 
  6. a b c d e f José Ortiz (23 de janeiro de 1978). «Vida nova para a velha Vila». Folha de S. Paulo (17 827). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. pp. pág. 10 
  7. «A batalha do Bixiga». Editora Abril. Veja em São Paulo: pág. 16. 31 de outubro de 1985 
  8. a b c d e Mari Cavalcante (10 de setembro de 2012). «Vila Itororó ganha projeto cultural e gastronômico». Rede Bom Dia de Comunicações Ltda. Diário de S. Paulo (42 932). 4 páginas. ISSN 1519-6771 
  9. a b c d Rodrigo Brancatelli (21 de dezembro de 2011). «Vila Itororó será restaurada». Jornal da Tarde (15094): 8A 
  10. Prefeitura de SP remove últimas famílias da Vila Itororó
  11. Parceria entre Sehab e CDHU transfere 86 famílias da Vila Itororó
  12. a b c Carolina Dantas (10 de abril de 2015). «Canteiro de obras da Vila Itororó, no centro, é aberto para visitação». Folha de S. Paulo. Consultado em 2 de novembro de 2015.