Vila Pavão

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Município de Vila Pavão
Bandeira de Vila Pavão
Brasão de Vila Pavão
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 1 de julho
Fundação 1 de julho de 1990 (28 anos)
Gentílico pavoense
Prefeito(a) Irineu Wutke (SD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Vila Pavão
Localização de Vila Pavão no Espírito Santo
Vila Pavão está localizado em: Brasil
Vila Pavão
Localização de Vila Pavão no Brasil
18° 36' 54" S 40° 36' 39" O18° 36' 54" S 40° 36' 39" O
Unidade federativa Espírito Santo
Mesorregião Noroeste Espírito-santense IBGE/2008[1]
Microrregião Nova Venécia IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Ecoporanga, Barra de São Francisco, Nova Venécia
Distância até a capital 286 km
Características geográficas
Área 432,741 km² [2]
População 9 414 hab. IBGE/2016[3]
Densidade 21,75 hab./km²
Altitude 200 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,681 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 121 874,845 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 13 453,45 IBGE/2008[5]

Vila Pavão é um município brasileiro do estado do Espírito Santo. Sua população estimada em 2014 era de 9 320 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

Um pedaço de tábua na parte interna do lábio inferior. Essa era a característica marcante dos índios Botocudos, nativos habitantes do município que hoje é conhecido como Vila Pavão. Esses nativos viveram na região, e após frequentes ataques a fazendas e povoados, foram expulsos por colonizadores.

A construção da ponte sobre o Rio Doce, em Colatina, e a abertura da estrada que liga Nova Venécia a Vila Pavão, em 1940, foram as obras que desencadearam o povoamento e a colonização do município. Os tropeiros e caminhoneiros faziam divulgação "das terras quentes" aos imigrantes pomeranos e italianos no Sul do estado e nas regiões de limite com Minas Gerais. Foi isso que atraiu grande número de descendentes pomeranos e alguns italianos para o local.

A Pomerânia era uma das 38 províncias pertencentes à antiga Prússia. Com a Segunda Guerra Mundial, foi riscada do mapa e seu território dividido entre a Polônia e a Alemanha.

O município de Vila Pavão foi emancipado de Nova Venécia no dia 1 de julho de 1990 (dia do plebiscito, também considerado o "Dia da Cidade"). O município foi colonizado na década de 1920 por caboclos que fugiam da seca do sertão, madeireiros e depois de 1940, quando chegaram algumas famílias de descendência afro, italianas e a maioria pomerana. O nome "Vila Pavão" foi colocado por tropeiros que pernoitavam na única casa do "pavão" existente na encruzilhada onde hoje fica o centro da cidade, que tinha em sua varanda o desenho dessa ave.

Vila Pavão tem hoje mais de 9.000 habitantes, dos quais 78% residem na zona rural, dando destaque à sua agricultura familiar, com lindas elevações de granito denominadas "pedras" que, além de fazerem de Vila Pavão uma das maiores jazidas nacionais deste produto, ainda fazem da região uma das mais lindas do Brasil.

A Emancipação

O dia era 01 de julho de 1990. Esse dia para Vila Pavão é o mais importante de toda sua história. Era um dia brumoso, chuvoso e frio, lembrava muito a antiga província prussiana da Pomerânia, de onde era a origem da maioria dos moradores de Vila Pavão.

Nesse dia, os eleitores de Vila Pavão foram para as urnas para cumprir o penúltimo ritual do nosso processo de emancipação política do nosso município que desmembrava de Nova Venécia.

Para emancipar tínhamos que passar por 5 ritos. Já tínhamos conquistados 3. Fazer a população dizer "sim" no plebiscito desse dia para Vila Pavão era o penúltimo critério. E o ultimo era o sancionar o resultado em Praça Pública ou no palácio Anchieta pelo Governador do Estado confirmando assim a nossa emancipação. 

O dia mais importante da nossa história foi 1º de julho de 1990. Talvez se outro grupo politico mais conservador tivesse vencidos as primeiras eleições não teria sido esse o “dia da cidade.” O primeiro prefeito Erno Julio Dieter era de um grupo mais de esquerda (PDT e PT) e o outro grupo era mais de direita (PSDB e PFL). É fato que a esquerda valoriza mais o grupo e a direita valoriza mais o individuo. O primeiro valoriza mais a participação popular e a direita mais a participação das autoridades.

A maioria do “dia da cidade” dos municípios usa o segundo critério para sua escolha, ou seja, usa-se o dia que a autoridade máxima, no caso o governador “sanciona a lei de emancipação politica” que no caso de Vila Pavão foi 11 de janeiro de 1991 quando Max de Freitas Mauro veio em praça publica sancionar a lei. Lembro que isso aconteceu em cima de um caminhão na frente da Loja SM – Material de Construção.

Na época, em 1992, eu era Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Turismo e Lazer, por causa da participação popular (povo, maioria); lembro que na época propus para o prefeito Erno Julio Dieter que o “dia da cidade” fosse 1º de julho. Depois de algumas argumentações esquerdistas, Erno aceitou, elaborando essa lei que foi enviada para Câmara dos Vereadores e aprovada.

Na época lembro e ainda era costume direitista, influenciado pela ditadura militar considerar o “dia da cidade” quando a autoridade máxima, no nosso caso, o governador da época, Max de Freitas Mauro, sancionasse a lei que poderia ser em seu gabinete (Vitória) ou em praça pública como o governador fez. Resumindo, se o PSDB coligado com o PFL tivesse ganhado a nossa primeira eleição, provavelmente o “dia da nossa cidade” teria sido 11 de janeiro de 1991. Questão de ideologia politica.

Então devemos enaltecer o prefeito Erno Julio Dieter que valorizou a “participação popular” em especial os mais de 2 mil eleitores que vieram dizer “sim” para nossa emancipação nesse dia. Ali naquela reunião compreendíamos que a vontade do povo no dia 1 de julho de 1990 era mais importante do que um governador e merecia ser homenageada. O prefeito Erno aceitou essa nossa sugestão e assim essa data entra para história.  

Lembro que o Grupo Emancipavão, no dia incentiva as pessoas irem e votar. Nesse dia chuvoso e frio várias pessoas doentes, com febre foram votar. Tinha uma senhora que ganhara neném nos dias e estava de resguardo com muitas dificuldades de caminhar. Até sei mãe de quem é. Esse filho dela hoje tem a idade de nossa emancipação. Alguém tem foto dessa senhora caminhando com dificuldades para votar. Com certeza votou “sim”.

Vila Pavão sempre foi um município de agricultores familiares. Mais de 70% de sua população morava no interior. Todas as estradas eram de chão, até o trecho de Nova Venécia a Vila Pavão ainda não tinha asfalto. A chuva de semanas deixaram muitas estradas do interior intransitáveis, especialmente as do interior. No dia a chuva não dava treva. Assim dos 3.837 eleitores só vieram votar 2.290 eleitores. 1.547 não compareceram para votar. Destes, 2,123 disseram sim. Apenas, 108 votaram não, influenciados por alguns fazendeiros sonegadores na época. 32 anularam o voto e 27 votaram em branco. Tinham que comparecer a metade dos eleitores aptos mais um e era necessário 50 por cento deste total, mais um votasse “sim”.

Em 11 de janeiro de 1991, o governador Max de Freitas Mauro (PDT) veio cumprir o último ato da nossa emancipação em praça pública (na frente SM Material de Construção) e sancionou a Lei de emancipação. Essa data também merece ser comemorada. Lembro que nesse dia o Governador também deu inicio a obras da primeira quadra de esportes de Vila Pavão na escola do CIER.

Mas ainda tivemos que esperar mais de um ano para eleger o nosso primeiro prefeito e nossa primeira câmara de vereadores. Essa eleição aconteceu no dia 03 de outubro de 1992 que assumiu em 1º de janeiro de 1993.

Algo inédito aconteceu nessa primeira eleição: dois pastores luteranos disputaram a eleição, Erno Julio Dieter(PDT/PT) e Aroldo Felberg( PSDB/PFL). Venceu Erno que assumiu a primeira administração em 1993.

O SURGIMENTO DO CENTRO DE INTEGRAÇÃO E EDUCAÇÃO RURAL/CIER DE VILA PAVÃO

Os três Centros Estaduais Integrados de Educação Rural/CEIERs (antes CIERs) sugiram no final da Década de 1980, no fim do período da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985). O CEIER de Boa Esperança foi o primeiro em 1982, os de Águia Branca e Vila Pavão surgiram em 1983.

A ideia inicial foi do prefeito de Boa Esperança, Amaro Covre que queria encontrar alternativas agropecuárias para seu município que vivia uma crise que na verdade atingia toda região norte do Espírito Santo, em especial todos os produtores de café no Brasil.

A politica de erradicação dos cafezais inicia-se em 1962, mas e efetivada mesmo em 1966/67. O Espirito Santo junto com Santa Catarina historicamente tem a melhor estrutura agrária da agricultura familiar no Brasil. Mas a agricultura familiar capixaba implantada no século XIX com a imigração europeia, especialmente italiana e pomerana tem no café seu principal esteio econômico. Foi assim na região serrana nos anos de 1850 e vai ser assim no norte do Espírito Santo a partir de 1940.

Como sabemos a cultura do café numa estrutura familiar, plantado em regiões altas, morros e encostas envolve muita mão de obra familiar na época e ainda hoje. Com a erradicação dos cafezais de 1860 a 1980 tivemos no Espírito uma grande emigração para a grande Vitória, São Mateus e Linhares, onde os governantes capixabas incentivavam fortemente a industrialização e também para as Novas Áreas de Colonização, especialmente para Rondônia. 

A politica de erradicação dos cafezais na década de 1960 tinha como justificativa serem lavouras antieconômicas. As lavouras envelhecidas, a qualidade do café não produzia o que se esperava. Precisava-se buscar tecnologias na melhoria de qualidade da produção de café e uma maior diversificação agrícola e da pequena pecuária. Como podemos ver nossos agricultores familiares estavam totalmente desamparados.

Não tinham a mínima assistência técnica de nenhum órgão oficial e nem mesmo particular. Em 1983, mesmo ano do surgimento dos dois CEIERs (Vila Pavão, distrito de Nova Venécia e hoje de Águia Branca, distrito de São Gabriel da Palha) a oposição sindical tirava das mãos dos “pelegos” o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nova Venécia e São Gabriel da Palha. Período histórico que a Igreja, especialmente católica, timidamente acompanhada pela luterana (IECLB) realizava um trabalho de conscientização política fundamentado na Teologia da Libertação que se refletia no trabalha das Eclesiais de Base.

Existia uma politica de industrialização na grande Vitória e outras cidades maiores depois dos anos de 1970, mas não existia uma política de organização ou diversificação agrícola para os nossos agricultores familiares. O êxodo rural nesse período foi violento na Região norte do Estado. A saída de agricultores de Boa Esperança, Nova Venécia, São Gabriel da Palha, Pancas, Barra de São Francisco, Águia Branca para Rondônia era enorme. Vila Pavão, por exemplo, foi o lugar que mais perdeu gente para Rondônia nessa época: 40% de sua população. Foi o município que teve o maior êxodo rural do Espírito Santo nessa época.

Ecoporanga já tinha tido um grande baque com a famosa história do Cotaxé fazendo crescer o latifúndio que já era grande no município. A região serrana (Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Santa Tereza e Santa Leopoldina) buscava uma nova vocação na produção horto-granjeira e assim atendia o mercado consumidor que emergia com a industrialização na grande Vitória. Então a região Serrana não experimentou esse êxodo rural nesse período. Ecoporanga experimentou na década de 1950 o chamado “Massacre de Cotaxé” que em nome do latifúndio uniu as policias de Minas Gerais e o Espírito Santo aos fazendeiros para matar ou expulsar milhares de agricultores familiares do seu município. Só para termos uma ideia, Ecoporanga tinha 46.801 habitantes e hoje tem 24.217 habitantes. Perdeu quase a metade de sua população para o latifúndio no inicio da Ditadura Militar (1964-74). E uma década depois (1975-85), no fim da Ditadura Militar e em nome deste mesmo “latifúndio do capim.” O território que hoje é o município de Vila Pavão tinha mais de 13.000 habitantes hoje tem apenas 9.000 habitantes, perdendo mais de 40% da sua população no maior êxodo rural da sua história.

Ainda com relação a erradicação das lavouras de café na região, no final do Período Militar houve muita corrupção envolvendo bancos e fazendeiros da região. Os fazendeiros recebiam os incentivos do Governo para arrancar o café e com estes recursos compravam as terras dos agricultores familiares e destas arrancavam o café justificando o incentivo e ampliavam ainda mais seu latifúndio com o plantio de pastos para seu gado. Quer dizer, ganhavam as terras dos pequenos agricultores que emigravam para os grandes centros urbanos, mas sobretudo para a Região Amazônica, especialmente Rondônia, especificamente a cidade de Espigão do Oeste.

A exploração não era só por parte dos grandes fazendeiros e compradores de café, mas também por parte do comercio local que vendia fiado para pagar no famoso “30 de maio’ (período final da colheita do café)”. Os valores e juros eram estabelecidos pelos compradores de café e comerciantes. Os agricultores eram explorados tanto na comercialização de seus produtos diversificados e também nas compras que tinham que fazer no comércio local.  A data de “30 de maio” ficou assim conhecida, pois todas as compras ou notas promissoras venciam nesse dia.

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural/INCAPER, a ex Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural/EMATER também surge em Vila Pavão nos ano de 1983. Inicialmente ela vem com uma proposta muito voltada para o café e a pecuária. Com o tempo ela foi compreendendo a vocação da agricultura familiar e sua diversidade na pequena pecuária e agricultura. Inicialmente a assistência era só técnica e não se debatia a organização dos agricultores ou uma proposta de educação para os filhos destes agricultores familiares.

Além desse fenômeno politico de apoio e corrupção do latifúndio e o abandono das politicas públicas a agricultura familiar temos o fenômeno da seca na região. A seca que vem atingindo o Espírito Santo nessas últimas décadas justifica a inclusão de 28 municípios do norte do Espírito Santo em 1998 na região de atuação da Superintendência Regional do Desenvolvimento do Nordeste/SUDENE. Os municípios que compõem o Norte capixaba passam a ser beneficiados pelos incentivos fiscais e financeiros oferecidos por esta superintendência “aprendendo a conviver com a seca” como os munícipios do Nordeste. Interessante observar que muitos projetos ou ações voltadas à educação do campo abordoada com incentivos da SUDENE, os três CEIERs já vinham trabalhando. Hoje tramitam no Congresso Federal propostas de incluir mais municípios de Minas Gerais, todos outros municípios do Espírito Santo e todo o estado do Rio de Janeiro.  (PESQUISAS: JORGE KUSTER JACOB)

Referencia: - http://revistacafeicultura.com.br. - SOUSA. Antônio Carlos Rocha de. www.periodicos.ufes.com.br  - https://incaper.es.gov.br/

Relações Intermunicipais[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

O prefeito .Ivan Lauer, numa visita ao município de Espigão do Oeste(RO) em 2010 ficou impressionado a quantidade de moradores que eram de Vila Pavão e tinham emigrado para lá nos anos de 1970 a 1990. Voltando para Vila Pavão Lauer comentou o fato com seu secretario de de Cultura e Turismo, Jorge Kuster Jacob que já tinha pesquisas sobre o referido fato. Conversando sobre tiveram a ideia de construir um projeto de "Cidades Irmãs". Contatos com o prefeito Célio Renato da Silveira de Espigão do Oeste(RO) foram feitos e uma lei foi proposta. Entre outras atividades, um grupo de lideranças de Vila Pavão foi a Espigão do Oeste e na Festa Pomerana foi lançada a lei criando as Cidades Irmãs Pomeranas. Na oportunidade também foi lançado o livro: "Cidades Irmãs Pomeranas: Vila Pavão(ES) e Espigão do Oeste(RO)" do sociólogo, professor, escritor pomerano Jorge Kuster Jacob. Na oportunidade também foi com a caravana a "Banda Up Pomerisch" animar o baile da referida festa. Na oportunidade foram representantes do Poder Executivo, do Legislativo e ativistas culturais. A mesma programação foi feita pelo Poder Executivo, Legislativo e ativistas culturais de Espigão do Oeste. No mesmo ano(2011) foram a Vila Pavão e na 19ª Pomitafro foram assinar a lei e lançar o referido livro.

Vila Pavão foi o município capixaba que nas décadas de 1870/1980 mais perdeu habitantes para as novas áreas de colonização, especialmente para o município de Espigão do Oeste, especialmente pomeranos. Perdeu aproximadamente 30% de sua população. Saíam três paus de arara por semana. Lembrava os navios saindo de Hamburgo na Alemanha na década de 1860. Não existem no Brasil duas cidades tão distantes (3.140 quilômetros), com tamanha identidade histórica e cultural.[6] Atualmente, Espigão do Oeste é considerada a cidade mais pomerana da região Norte do País[7] e tornou-se um ponto de turismo para os pavoenses que, frequentemente, visitam seus parentes e amigos rondonienses.[8]: Por isso o pesquisador Jorge Kuster propôs a ela a denominação "Pomerânia Amazônica". "Espigão do Oeste é o ultimo reduto dos imigrantes pomeranos no mundo: Da Pomerânia para a região serrana capixaba(1859/1880), Norte do ES(1940), Paraná(1960) e Espigão do Oeste(1970/1980). "Não existe uma família em Vila Pavão que não tenha parentes próximos em Rondônia. Em 1990/2000 cada família pavoense tinha 50% ou mais de seus parentes em Rondônia. O livro faz essa retrospectiva. fala das principais manifestações culturais das duas cidades. Destaca a viagem entre 4 a 12 dias em cima de um pau de arara. A relação com os índios.Fala do "turismo das famílias" que vez outra se visitam, principalmente aquelas que prosperaram. Também fala de irmãos que nunca mais se viram ou alguns que depois de 30 anos se reencontraram. Descreve o drama do câncer ecológico. Por fim relata as leis das cidades irmãs assinadas pelos dois prefeitos acima, da lei de cooficialização da língua pomerana em Vila Pavão e o Decreto 60.040 criando a Politica dos povos e Comunidades Tradicionais no Brasil, pelo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva em 7 de fevereiro de 207 que deu muita visibilidade ao povo pomerano, entre outros 14 povos tradicionais do Brasil.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Vila Pavão está localizado a uma latitude sul de 18º 36' 54" e uma longitude oeste de Greenwish de 40º 36' 39", possuindo área equivalente a 0,94% do território estadual, com 435 km². Estando localizado no norte do Espírito Santo, Vila Pavão faz limites com Ecoporanga, Barra de São Francisco e Nova Venécia, distante 286 km da capital do Estado, Vitória, 28 km de Nova Venécia e 48 km de Barra de São Francisco.

Localização na divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

  • Região: Noroeste
  • Micro-região: Noroeste I

Aspectos naturais[editar | editar código-fonte]

  • Altitude: 200m
  • Ponto de maior altitude: Pedra da Dona Rita com 800m, localizada no Córrego da Rapadura
  • Média pluviométrica anual: 800 mm
  • Período chuvoso: outubro a março
  • Período de seca: abril a setembro

Temperatura[editar | editar código-fonte]

  • Média: 23º
  • Mínima: 17º
  • Máxima: 34º
  • Clima predominante: tropical

Distritos[editar | editar código-fonte]

O município possui 15 comunidades e é dividido em três regiões. Além da sede, o município possui as Vilas de Praça Rica (15 km) e Todos os Santos (17 km).

Cerca de 78% da população do município reside na zona rural, dando destaque à sua agricultura familiar, e o que demonstra a força do interior em Vila Pavão. Força e beleza, formada por lindas elevações de granito denominadas "pedras", que fazem da região uma das mais lindas do Brasil, além de possuir belas cachoeiras. A erradicação do café nas décadas de 1960/70 e sem uma politica para a agricultura familiar expulsou muitos habitantes para Rondônia.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Pomitafro[editar | editar código-fonte]

Pomeranos, italianos e africanos, a miscigenação de etnias que gerou a cultura de Vila Pavão

A Pomitafro é um dos maiores eventos de integração étnico-cultural do Brasil. Considerada hoje também a "Festa da Cidade", a Pomitafro foi criada pelos professores do Centro de Integração de Educação Rural /CIER em 1989. A Pomitafro saiu das iniciais de POMeranos, ITAlianos e aFROs, principais colonizadores do município e que visa resgatar a identidade histórica e cultural de parte da identidade do povo capixaba. Até a IV Pomitafro foi realizada no CEIER: 1989, 90, 91 e 92. Como Vila Pavão emancipou em 1992 de Nova Venécia e o 1º prefeito assumiu em 1993, os fundadores e organizadores do evento deram uma nova dimensão ao evento e a festa passou a ser realizado na principal avenida de Vila Pavão. Ela passou a ser a principal festa da cidade e um dos principais movimentos culturais do norte do Espírito Santo. Vila Pavão teve um movimento cultural e politico forte a tal ponto de Antonio Alves de Souza filho afirmar " a cultura e a agricultura familiar emancipou Vila Pavão". Ela passou a ser um movimento cultural uma vez que agora os três grupos de danças (pomeranas, italianas e afro) tinham uma vez por ano um palco para suas apresentações além de aceitarem convites para representar o município em outras festas tipicas e étnicas em municípios capixabas e mineiro. Os moradores e comerciantes passaram participar do evento enfeitando e fazendo exposições na vitrines com cores e objetos históricos da sua etnias. Dezenas de grupos dos Espírito Santo e de diversas etnias que formam o povo capixaba são convidados. Grupos de musicas com shows na língua pomerana e italiana são contratados para dar mais sentido a festa. As escolas colaboram cedendo espaços para refeições e pernoitar dos mais de 100 folcloristas que vem de todas partes do Estado. Centenas de voluntários pavoenses colaboram para o sucesso do movimento. A "Pomitafro em sala de aula" foi proposto pelo 1ª Secretario de Educação e Cultura do município, Jorge Kuster Jacob e assumido conjuntamente pelas escolas para debater e conscientizar os pavoenses da importância do movimento cultural para o município e Estado. Um grupo de danças infantis Pomitafro foi proposto para o Centro de Educação Infantil e aceito e coordenado pela professora Alzira Ramlow com ajuda da professora Agatha Wutke da Costa. O movimento cultural Pomitafro não parou por ai. Na criação dos símbolos do município( a bandeira, o hino e o banzão) as cores das três etnias, sua história, entre outros aspectos foram nitidamente usados. O cartaz da pomitafro é uma verdadeira fonte histórica. Todos anos um é emoldurado e exposto para servir de inspiração e resgatar a história do movimento. E tem critérios para a sua confecção. O Movimento cultural é dinâmico. A pomitafro quer a cada ano criar novas opções culturais sem perder a sua essência e a partir dele criar novos ritos no comercio, na industria e na agricultura local.Vila Pavão geográfica, populacional e economicamente está entre os 10 menores municípios do Espírito Santo mas culturalmente está entre os 10 melhores do Espírito Santo.


Grupo de Tradições Folclóricas Italianas Piccolo Pavone

Para atender a demanda da POMITAFRO alguns jovens se reuniram e criaram em 1989 a Barraca Italiana que recebeu o nome de Piccolo Pavone, que quer dizer Pequeno Pavão, como singela homenagem ao município de Vila Pavão. Dentre os seu fundadores merecem destaque Leila Simonassi, Luciene Timm Paganoto, Libian Timm Paganoto Rossim e Marcos Pratissoli. Anos mais tarde, em 1994, surgira então o Grupo de Tradições Folclóricas Italianas “Piccolo Pavonne”, formado por um grupo de pessoas interessadas em resgatar a cultura italiana que estava se perdendo junto aos descendentes. Em 2004 devido a ampliação e a valorização do resgate da cultura italiana no município de Vila Pavão – ES, criou-se então no dia 3 de abril de 2004 o Centro de Cultura Italiana de Vila Pavão, o CECIVIP. O Grupo Piccolo Pavone é um dos melhores e mais respeitados grupos de danças folclóricas do ES, o grupo desde a sua formação já realizou cerca de 800 apresentações.

Grupo Folclórico Pomerano Fauhån[editar | editar código-fonte]

Em 15 de maio de 1988  o Grupo Folclórico Pomerano de Vila Pavão foi consolidado oficialmente,  e pessoas  como Vadecir  Berger, Lenira Ramlow e através do incentivo e articulação do  sociólogo, professor e escritor Jorge Kuster Jacob  tornou – se possível o sonho. Assim Jorge Kuster Jacob que tinha as primeiras pesquisas no Brasil sobre os pomeranos publica também o primeiro livro do Brasil sobre os Pomeranos, " A Imigração e Aspectos da Cultura Pomerana no Espírito Santo" quem também era a tese de conclusão da sua faculdade de Sociologia na UNISINOS de São Leopoldo(RS). -"Ate mudas de coco, abacate, entre outras fizemos para fundar o grupo", disse o Jorge. Jorge levou a ideia para a Juventude da Igreja e depois para diretoria que inicialmente rejeitou a proposta porque "dançar não era algo cristão". Mas não desistiram da ideia. Valdecir e Lenira foram a um curso de danças em Domingos Martins(ES). Momentaneamente o grupo deixou de ser da igreja. "Expulsos da igreja"os primeiros ensaios foram realizados na casa do sogro de Jorge e a primeira apresentação na Escola onde Jorge era diretor. O preconceito  por parte  Igreja foi grande porque ainda  não tinha assimilado a importância que  um grupo de dança  tinha para a cultura de um povo, entretanto não permitiram os ensaios no salão  da igreja, e lá era o lugar ideal  porque o grupo necessitava de espaço  amplo para ensaiar.  O terraço da casa do sogro do idealizador e um dos fundadores Jorge. Era então o único lugar que o grupo conseguiu para realizar os ensaios e laboratório de  aprendizagem.

A partir daí começaram então as apresentações,  quando o grupo recebeu em 1989 o   primeiro convite: apresentar – se -se no dia das mães no CEIER _ Centro Estadual Integrado de Educação Rural, mesmo com   um traje improvisado o grupo  foi reconhecido e aplaudido pela proposta que estavam desenvolvendo. Nessa escola rural, o diretor Jorge Kuster Jacob também sugeriu e criava com Cirleia de Oliveira e Lucinete Buge Zucateli , um evento cultural no lugar de uma festa caipira que já acontecia a três anos. A festa caipira era algo de fora( São paulo), além de ser um "deboche institucionalizado" para cima dos agricultores. Os pomeranos, italianos e afros(POMITAFRO) eram os principais colonizadores e pequenos agricultores familiares e suas ricas manifestações culturais que tinham que ser resgatadas e valorizadas.

A aceitação foi tão forte que a igreja convidou os jovens para voltar e ter seus ensaios no salão da igreja. O grupo fez diversas apresentações nas comunidades e festas da região. A festa da colheita da igrejona(IECLB) era o grande momento do grupo para os membros da sua igreja. A grande maioria dos integrantes do grupo eram membros da Igreja Luterana de Confissão. Mas o grupo aceitava jovens de outras igrejas. Como o Centro de Integração de educação Rural/CIER, que tinha uma proposta de resgatar e valorizar a agricultura familiar e orgânica e também fazia parte a cultura local. Deixaram de lado a Festa Caipira e como descrito acima criaram a Pomitafro. O grupo folclórico Pomerano voltava e fazia na I Pomitafro a sua 2º apresentação nessa escola. onde também artistas locais como tocadores de concertina foram convidados, polenta(italiana), brote (pomerano) e a feijoada(afro) faziam parte da programação. No improvida a Sra Rita e vovó Basseti cantaram uma musica na linguá italiana. Como ainda não tinhamos grupo de danças italianas e afros a professora Cirleia esaiuou uma dança italiana com a quinta serie da escola e um grupo de moças de Nova venecia fizeram uma dança afro.

A partir daquele  momento  várias ações foram se concretizando  e a cultura foi se reacendendo e Vila pavão tornou – se reconhecido como um dos municípios mais pomerano do Brasil. É o município mais pomerano do norte do Espírito Santo.

GINGEBIJRFEST, UMA FESTA POMERANA EM PRAÇA RICA

A comunidade de Praça Rica, uma das mais pomeranas do município de Vila Pavão, realiza todos os anos a tradicional Gingebijrfest. O evento de caráter festivo, educativo e cultural, criado em 1993 é realizado anualmente pelo Centro Municipal de Educação Agroecológica/CMEA de Praça Rica. Esta festa cultural é um braço do Movimento Cultural Pomitafro. O secretário municipal de educação e cultura Jorge Kuster Jacob no inicio dos anos de 1990 com o intuito de interiorizar o movimento cultural depois de um debate com a direção da escola e com a comunidade escolar sugerir esse nome para a festa. Antes da festa a escola promove estudos e debates sobre a cultural local, tradicional e popular. O evento segue a mesma filosofia cultural resgatando e valorizando a cultura local como faz o movimento pomitafro. A cultura não tem sentido ou compromisso com o desenvolvimento local se não levar em conta a história e a identidade da comunidade. Assim a escola consegue num trabalho conjunto entre equipe escolar e comunidade escolar fazer história e fazer seus moradores curtir e participar do evento. A prática de fazer essa tradicional bebida que é a motivação da festa é mantida e distribuída no dia da festa com outras comidas típicas da cultura pomerana. Com um edital da Secretaria de Estado da Cultura/SECULT/ES e o projeto feito pelo Ponto de cultura Pomitafro na presidência da professora e pedagoga Libian Timm Paganotto Rossim a escola consegui a indumentária para um Grupo Folclórico Pomerano de Praça Rica.

O nome Gingebijrfest quer literalmente dizer a “festa da cerveja de gengibre”.  Não chega a ser cerveja como a conhecemos no mercado, mas é uma bebida fermentada feita com água e um pouco de aguardente. Essa bebida faz parte da programação de uma das mais tradicionais festas de casamento do mundo: o tradicional casamento pomerano. Esse casamento é cheio de rituais, dura três dias e os convidados participar com cinco presentes. É um verdadeiro mutirão matrimonial. E só no Espírito Santo que ainda temos essas tradições ligadas ao casamento pomerano. As famílias Weber e Pagung ainda mantem a tradição de fazer o tradicional gingijbier (gengibre)

O secretario na época queria resgatar e empoderar a história e a cultura dos três principais distritos": Praça Rica, Todos os Santos e Veloso. Como os três lugares tinham uma escola fundamental completa, professores gabaritados e uma história e identidade cultural própria propôs criar uma festa que estivesse enraizada nessa história e cultura local. Na localidade de Todos Santos como a maioria dos colonizadores era cabocla e afro e tinha famílias que sabiam produzir o Beiju( produzida de polvilho e farinha de mandioca) criou-se lá o Festival do Beiju. E no Veloso a principal festa estava relacionado com a religiosidade local. Os últimos dois lugares a festa não foi adiante. Praça Rica se deve muitos a Diretora Selma Pagung e sua equipe de professores que entenderam os objetivos e foram além, fundando atualmente um grupo de Danças Pomeranas. O Mais pomerano do norte do Espírito Santo.

O Ponto alto da programação são as danças folclóricas com as apresentações dos grupos folclóricos do município: Grupo de Danças Típicas “Rijkplatz” (Praça Rica em Pomerano); Grupo Folclórico Pomerano Fauhån, Grupo infantil Pomitafro, Grupo Afro de Todos os Santos e o grupo Folclórico Italiano Piccolo Pavone. Também costuma se apresentar a encenação da “Dança dos Noivos” que faz parte do ritual do tradicional casamento pomerano ainda e só realizado no Espírito Santo. Tudo regado a gingijbier e comidas típicas. O fechamento da festa vai ate madrugada com um baile da tradicional concertina ou uma banda típica pomerana.

Os Pomeranos na Comissão Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais:

O Decreto Nº 6040 de 07 de fevereiro de 2007 do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais “São grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais, de forma permanente ou temporária, de uso sustentável, como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição, voltado para a melhoria da qualidade de vida da presente geração, garantindo as mesmas possibilidades para as gerações futuras”. Mas, a questão é: Como os pomeranos conseguiram ser incluídos e reconhecidos pelo Governo Federal como povo tradicional? Tudo começou quando em 19 de dezembro de 2002, o Sr. Fernando Henrique Cardoso, Presidente da República, no seu último mês de governo, decreta a Criação do Parque Nacional dos Pontões Capixabas nos municípios de Pancas e Águia Branca, no estado do Espírito Santo, com área de 17.496 hectares. A partir da criação dessa Unidade de conservação, a população dos dois municípios, incluindo os pomeranos (Pancas), ficaram revoltosos gerando muitos conflitos com as comunidades locais, principalmente pela forma que o governo havia criado essa área de preservação ambiental, sem o conhecimento da população local. Rapidamente a notícia se espalhou e os grupos começaram a se organizar na tentativa de resolver a situação. Muitos moradores antigos ficaram atemorizados com a possibilidade de ter que mais uma vez abandonar suas terras após tantos esforços, ainda mais porque muitas famílias pomeranas preservaram a sua propriedade ao longo da história. Os descendentes pomeranos se sentiram ameaçados mais uma vez, de serem expulsos novamente do seu território conquistado com tanta luta e dificuldade, assim como foram os nossos antepassados na Antiga Pomerânia. A ameaça da desapropriação do local onde cresceram e criaram os filhos, netos fez com que os moradores  recordassem de outros momentos da história em que o povo pomerano foi humilhado, sem nenhum reconhecimento e valor.Quando o Presidente Lula instituiu o Decreto Nº 6.040 de 07 de fevereiro de 2007, os pomeranos também foram incluídos como povo tradicional juntamente com outros povos e comunidades. Inicialmente a pomerana de Pancas Patricia Sthur foi representar os pomeranos e levar a grande preocupação com a questão do Parque nacional. Na criação da comissão nacional Patricia era membra titular e indicada pela Associação Pomeranas de Pacas/APOP e Jorge Kuster Jacob de Vila Pavão foi suplente indicado pela Associação Cultural Alemã do Espírito Santo/ACAES. De 2007 a 2012, a Comissão se reuniu mais de 20 vezes e colocou frente a frente 15 povos para propor uma Politica dos Povos e Comunidades Tradicionais. Jorge representou os Pomeranos do Brasil por 12 anos. " Os pomeranos a partir deste momento foram vistos com outros olhos e conseguiram muita visibilidade e recursos para seus projetos. Os estados e os municípios também passaram a adotar essa politica e ver os pomeranos de forma diferente e com diversas manifestações culturais próprias. E Vila Pavão com suas politicas valorizando a cultural local conseguia ser reconhecida não só no município como no Estado, no Brasil e na Europa, especialmente na Alemanha e Polônia.

Folia de Reis

Danças afros

Grupo de Danças infantil Pomitafro

A Maior Torre de Lutero da América Latina

O MUSEU POMERANO FRANZ RAMLOW DE VILA PAVÃO

História é o estudo do passado para entender o presente,  e assim planejar um futuro melhor. Foi com essa afirmação que a escola e eu  como professor de história do Centro Integrado de Educação Rural/CIER, hoje Centro Estadual Integrado de Educação Rural/CEIER de Vila Pavão em 1989 iniciei projetamos  aulas de história de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental daquele importante educandário de Vila pavão.

A grande maioria dos alunos eram filhos de agricultores familiares e pomeranos. No decorrer das aulas explicávamos e os livros ajudavam exemplificar o que eram fontes históricas. Com base nesses estudos teóricos pedimos que os alunos trouxessem “fontes históricas” de suas casas para tornar as aulas mais concretas e contextualizadas. Cada aluno teve que explicar a sua fonte histórica na sala de aula para toda a turma. Os alunos trouxeram tantas e tão significantes peças que a escola resolveu fazer uma exposição para divulgar o trabalho para toda a comunidade escolar na época. Os pais dos alunos no encerramento do bimestre puderam visitar escola e ouvir as explicações dos filhos.

Interessante que muitos pais também davam depoimentos sobre a história da família através das referidas peças. Assim,  os alunos e pais explicavam à comunidade escolar a importância das peças históricas:   relógio, desnatadeira, máquina de moer café e carne , pilão, pedra de moinho, bule, panela, ferramenta, forma de fazer tijolos, máquina de costura, máquina de escrever, rádio, manteigueira de bambu, bacias, batinga para pintar fogão, coador de café, talheres, pratos, gamela, moringa, baú, ferro de passar roupa, diversas fotos antigas, bíblias em  alemão, moedas, quadros, cadeiras, bancos, entre outros objetos antigos que representava a época de colonização de Vila Pavão de 1950 a 1970.

Essa exposição que era para ser periódica acabou ficando por mais de um ano no corredor e parede do CIER. Algumas famílias pegaram seus objetos de volta, mas a maioria doou os objetos para fins históricos e culturais para um eventual museu.

Depois as peças ficaram no almoxarifado da escola por algum tempo e seguida foi entregue a Secretaria Municipal da Cultura e ficou por anos exposto na Biblioteca Municipal num cômodo alugado perto do Posto de gasolina no centro da cidade.

Foi com essa experiência que resolvemos montar um projeto: Parque Histórico e Cultural Pomerano de Vila Pavão. E dentro desse parque teria esse museu (uma casa típica pomerana). O projeto foi sendo construído e ficou “em espera” por 15 anos.

Encontrar uma área para a construção desse parque e ao mesmo tempo um órgão ou empresa que patrocinasse o  projeto  eram as grandes dificuldades.

Esse projeto tinha 20 páginas uma parte teórica com  muitas fotos de objetos,  como monjolos, moradias, paios,  utensílios, instalações, construções, paisagens campestres: área de mata, pasto, pomares, jardins, nascentes, córregos  entre outras,  que faziam parte desse parque que era para ser um modelo de propriedade familiar pomerana.

O projeto tinha dois caminhos para ser concretizado: um desapropriar uma pequena propriedade rural contendo essa estrutura ou construí-lo numa área. Mas o tempo e o destino nos trouxeram a solução.

Aquisição do imóvel e do terreno: A tradicional família do “seu” Franz Ramlow(depois do filho Leopoldo e na época pertencendo ao neto , Clério. A família morava na saída de Vila Pavão para São Gonçalo. Com o passar do tempo a família foi ficando men. Filhos e filhas foram casando e saindo de casa. E o neto do “Seu França”, filho do “Seu Leopoldo”, Clério Ramlow morava sozinho com a irmã Ema nesse enorme casarão típico pomerano. Eles resolveram  vender a casa para desmanche. Foi quando fizemos uma proposta , e Clério aceitou. Eu era secretário municipal de cultura e turismo na época. Propomos a compra  da casa e uma área de terra (quintal) para a Prefeitura Municipal de Vila Pavão em 2005 e assim implantar o referido museu.

Como autor do projeto, a justificativa de colocar o nome Franz Ramlow era porque ele foi o principal articulador da imigração pomerana em  Vila Pavão no final da década de 1940 e contribuiu muito para o desenvolvimento das famílias pomeranas em Vila Pavão, especialmente quanto a uma das suas principais manifestações culturais, a religiosidade.

A casa do “seu França” (o museu) foi utilizado para realizar os primeiros cultos luteranos do inicio da colonização. Na época o pastor que celebrava os cultos vinha de Lajinha (Pancas) ele fazia todo o trajeto a cavalo e geralmente pernoitava na cidade.

Alguns anos depois seu França também doou um terreno na frente do  museu onde foi construído a primeira Capela Luterana de Vila Pavão( 1950), antes de construir a Igrejona (1967). Nesse mesmo local “seu França” também abriu um comércio para servir a comunidade, especialmente aos pomeranos, que tanto ele como seu filho,  Leopoldo,  falavam a língua pomerana.

Anos depois instalou uma máquina de pilar café e outra para pilar arroz, produtos que também compravam dos agricultores. No mais a tradicional “Venda do Seu França” e mais tarde “Venda do Leopoldo”. Além de oferecer produtos industrializados comprava a colheita dos agricultores como café, arroz, feijão, milho, entre outros ovos, galinhas, porcos, bois, entre outros,  elementos produzidos pela agricultura familiar local.

Retiramos do projeto do Parque a parte do museu (casa). Fizemos algumas adaptações e junto com o prefeito municipal Ivan Lauer apresentamos o projeto ao Cônsul Honorário da Alemanha no Espírito Santo, Helmut Meyerfreund que adquiriu o casarão da família Ramlow e no valor de 60.000,00 (sessenta mil reais) e doou o casarão para a prefeitura municipal.

Na época com uma emenda de um deputado estadual no valor de 30 mil reias para reformar e fazer as devidas adaptações e transformar o museu no que ele é hoje.

O museu foi inaugurado no dia 26 de janeiro de 2005 pelo prefeito Ivan Lauer e Secretario de Cultura e turismo Jorge Kuster Jacob . A Câmara Municipal de Vereadores criou o Museu Pomerano Franz Ramlow através da lei 817/2012.

Hoje o museu já está estruturado e desempenha uma importante fonte histórica e de pesquisa  para a cultura local,  e demais pesquisadores.

Descrição do Museu Franz Ramlow: Além da casa com cozinha, sala de jantar, duas varandas, sala de visita, quatro quartos de dormir e um quarto do namoro ou das visitas. Tem um sótão para o qual dá uma escada e que tem função importante na história pomerana e o utilíssimo porão com algumas coisas como arados, pilão, ferramentas, entre outras coisas. No pátio tem um tradicional engenho de cana, uma farinheira, um carro de boi, um monjolo e um forno que é utilizado pelas senhoras da “Casa do Brote”.

O Museu nunca adquiriu e não adquire ferramentas, máquinas, ou qualquer objeto antigo. Todos os objetos antigos que compõe o seu acervo foram doados. A política desde a época do CIER foi de doação. Nada foi comprado. A não ser mapas, livros, quadros para colocar fotos, entre outras estruturas necessárias para administração e reforma de peças ou da própria estrutura da casa. A única coisa que o doador em contra partida recebe será colocado o nome e um resumido histórico daquela peça na história da família. A grande maioria do acervo do museu já foi catalogada.

Para dar mais vida foi construída ao lado do museu a “Casa do Brote”. A “Casa do Brote” é uma associação de mulheres que resgata e valoriza a identidade pomerana através da culinária, especialmente do brote, mas também faz biscoitos, bolos, roscas e faz sob encomenda almoços típicos nas festas tradicionais do município e outros eventos.

O Museu tem algumas curiosidades . Tem um enorme engenho de moer cana que dá um toque especial à paisagem arquitetônica pomerana de Vila Pavão. E quando têm visitas de pesquisa e estudos, o zelador Walter Ohnezorge (que sabe explicar sobre  todas as peças do museu) faz questão de fazer demonstrações práticas com o engenho, pilão, farinheira, forma de fazer tijolos e outras peças. Ali também podem ser vistos todas as etapas de fazer o tradicional brote pomerano e suas variedades. Além disso, encontramos no museu o último chapéu e o último guarda chuva usado pelo “seu” França Ramlow.

O bule da vovó faz parte dessa história: Em 1974 a minha avó Ernestina Jacob  e meu avô Reinaldo Jacob emigrou com vários primos e alguns  tios para Rondônia. Em cima de um pau de arara com mais integrantes da família Jacob e Ratunde mudaram para Espigão do Oeste na busca de mais e novas terras para plantar e sobreviver.

Passados 40 anos fomos fazer uma pesquisa em Rondônia. Hoje meus avós Reinaldo e Ernestina não vivem mais. Pude visitar os túmulos deles próximo da casa do Tio Gomercino Ratunde e tia Cecília Jacob Ratunde. Fui fazer uma entrevista com essa família de tios queridos que tenho lá.

Fazendo a entrevista, especificamente na cozinha da casa, olhei pra o fogão e  vi um bule aparentemente muito velho.  Cor marrom, cor terra. Levantei e fui até ele. Verifiquei sua tampa e as bordas estavam bem enferrujadas que confirmava a minha impressão de um bule velho. Perguntei a tia quantos anos podia ter esse bule. Respondeu que não sabia, mas que sua mãe, minha avó trouxe-o do Espírito Santo. Emocionei. Conclui que o bule tinha mais de 40 anos. E viajou para Rondônia em 1974. Saiu do Córrego do Estevão, passou na frente da casa dos Ramlow (hoje museu), passou por Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e chegou a Rondônia.

Vi que ali estava uma grande peça histórica. Tomamos o café que estava quase quente nele e pediu explicando que queria levar esse bule de volta e levar ele para fazer parte do acervo do Museu Pomerano Franz Ramlow de Vila Pavão. A tia tomou o último café que fez nele depois de 40 anos e me entregou o bule. Voltei e entreguei ao museu em Vila Pavão. Um bule que é o símbolo dessa emigração para o pulmão da Mata Amazônica para onde foi 40% da população do município de Vila Pavão na década de 1970.

Lembrando que Vila Pavão foi o município capixaba que mais perdeu sua população para o estado de Rondônia na época: 40%.

Essa casa, atual museu  e a família Ramlow teve a honra de hospedar na década de 1970, o pesquisador, escritor e cineasta alemão/pomerano Klaus Granzow que realizou ali entrevistas com “seu” França e depois publicou na Alemanha no livro “Pomeranos sob o Cruzeiro do Sul”. Esse livro foi traduzido por Hilda Braun para o português e patrocinado e lançado no Brasil pelo Arquivo Público do Espírito Santo em 2009. Em 2011, a professora de história Jorcy Foerste Jacob também fez questão de lançar seu livro “A Pomerânia Brasileira” no Museu de Vila Pavão.

É importante também destacar que o museu já recebeu diversas caravanas inclusive de Santa Catarina e Rondônia. Foi palco das filmagens de um casamento pomerano que dirigimos em 2011.

O filme documenta todos os rituais de um tradicional casamento pomerano que dura três dias e os convidados tem que doar 5 presentes para poder participar dos festejos. Ainda destacamos a culinária, a dança do quebra louça,  a dança da noiva e o ritual do tiro ao alvo da bandeira que faz parte do tradicional casamento pomerano. Vários documentários e reportagens de TV já foram gravados neste museu.

Só temos três museus pomeranos no Brasil. Este de Vila Pavão, um em Pomerode (SC) e outro em Santa Maria de Jetibá (ES). O museu de Vila Pavão funciona de 7h00h até 17h00 de segunda a sexta-feira.  Ainda não tem um horário para ficar aberto nos finais de semana e feriados o que seria ideal para atender e estimular turistas a visitar o nosso município, e assim conhecer um pouco da nossa identidade histórica e cultural. Mas se um grupo ou alguém quiser visitar deverá fazer contato com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo local e agendar uma visita.(JORGE KUSTER JACOB – Autor do Projeto )

BANDA UP POMERISCH DE VILA PAVÃO

Os pomeranos até 1985 eram uma comunidade tradicional. Suas manifestações típicas não tinham registros. Tudo era transmitido de geração a geração via oral. No espírito Santo eram os “alemães”. Mas na verdade eram muito mais que alemães, eram mais tradicionais e sua língua entre outras manifestações típicas pouco ou nada tinham a ver com a nacionalidade alemã.

Bastou que os pomeranos saíssem das suas comunidades, na maioria rural, para fazer uma faculdade e voltando dar visibilidade a sua rica identidade histórica e cultural. Assim sugiram teses de faculdade,  livros, ricos registros em fotos e filmes, e jornais, canais de tv e radio divulgarem essa rica e tradicional cultura que só existe aqui no Espírito santo de forma tão nativa ainda.

Grupos folclóricos e festas típicas foram criados nas principais cidades pomeranas capixabas: Santa Maria de Jetibá, Vila Pavão, Laranja da Terra, Domingos Martins, Pancas, Itarana, Itaguaçu, entre outros. Até a Língua Pomerana foi cooficializada nos 5 primeiros municípios. Um jornal (pommerblad de Vila Pavão) e programas de radio passarm a acontecer na língua pomeranas nesses municípios capixabas.  

Assim a língua, a culinária, a dança, a musica, a arquitetura, o artesanato, e outras manifestações pomeranas tomaram grande dimensão no Espirito Santo e nacional e internacionalmente passava a ser reconhecidos como tal.

Mas faltava uma coisa: alguém que cantasse musicas que agradasse a juventude nas principais festas pomeranas do Espirito santo e do Brasil. Existiam bandinhas no Rio Grande do Sul e Santa catarina mas com muita influencia alemãs.

Eis que em 2004 surge em Vila Pavão um conjunto musical por sugestão do Secretario Municipal de Cultura, Jorge Kuster Jacob a Banda “Up Pomerisch” (em pomerano). Ela começou a traduzir as letras dos principais sucessos populares (o vocalista e a mãe) ainda fazia parte da banda Hélio Matheus (falecido), o principal articulador do projeto.

A Banda Up Pomerisch, de Vila Pavão, teve uma música escolhida para participar da 2ª Mostra Etnográfica de filmes, realizada em Nova Venécia de 17 a 20 de agosto de 2011. Participaram 13 municípios do Norte do Espírito Santo com um filme produzido por município. A mostra também selecionou um vídeo clip e um filme de ficção entre os 13 municípios participantes. Vila Pavão teve a música da Banda Up Pomerisch, Root in Kaffasack (Rato no Coador) escolhida. A música é na língua pomerana e já faz o maior sucesso Osmar é considerado o melhor vocalista pomerano do Brasil e desconhecemos outro trabalho com esse objetivo no mundo. 

A Banda já fez diversos shows no Espírito Santo, Minas Gerais e Rondônia, já gravou dois CDs. Ela surgiu com o objetivo de valorizar a língua Pomerana, falada por 45% da população pavoense. No Espírito Santo, temos 15 municípios com uma grande presença pomerana. O Estado tem aproximadamente 150 mil pomeranos dos quais mais da metade ainda fala a língua pomerana. No Brasil, com destaque para RS, SC, RO, MG e Espírito Santo, temos aproximadamente 500 mil pomeranos.

Os pomeranos têm menos de 30 anos de reconhecimento da sua identidade histórica e cultural, os italianos têm milhares de anos e os negros no Brasil têm mais de 300 anos de luta. Apoiar esses projetos é uma obrigação do Poder Público. Resgatar e valorizar essa identidade nos municípios que tem característica fundamentalmente pomerana é inédito em nível de mundo e uma necessidade, inclusive para o desenvolvimento local e sustentável

O JORNAL POMMERBLAD DE VILA PAVÃO

Os imigrantes pomeranos até 1980 no Brasil não tinham de registros escritos. Toda nossa cultura era na tradição oral. Procurávamos nos dicionários e enciclopédias das bibliotecas no Brasil e nada encontrávamos. Pomerode (SC) tinha certos registros, mas da ótica alemã. É interessante que os pomeranos no Brasil eram confundidos e  a maioria se autodenominava “alemão”. Nos meados desta década a informática, as redes sociais começam a fazer parte da nossa história. Interessante que quando jogávamos palavras como  “pomerano” ou “Pomerânia” nos ainda carentes sites de busca, aparecia o “ Lulu da Pomerânia” ( um cachorrinho de madames) com centenas de sites e nada sobre nossa história, nosso povo, nossa cultura, nossas ricas tradições.

Muitos pomeranos, especialmente do Espírito Santo, nessa mesma década começaram a fazer faculdades no Rio Grande do Sul (principalmente teologia luterana), Vitória e Colatina (ES) outras faculdades. Fatos determinantes. Podemos destacar os primeiros documentos escritos e traduzidos a partir da literatura alemã e pesquisas de campo em jornais, teses de conclusão em português de Rodolfo Gaede (1976), Rogerio Medeiros (1981), Ismael Tressmann(1985),Erineu Foerste( (1987)Jorge Kuster Jacob(1992) e Helmar Rolke(1996). Mas o primeiro livro no Brasil é “A Imigração e aspectos da cultura pomerana no Brasil” (1992) de Jorge Kuster Jacob, publicado pelo Departamento Estadual de Cultura/DEC de Vitória(ES).

“Costumo dizer que fui para o Rio Grande do Sul estudar onde fiz a faculdade de Sociologia na Universidade do Rio dos Sinos/UNISINOS e a faculdade de catequese na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil/IECLB de São Leopoldo (RS) como alemão (1976) e voltei pomerano (1978)”. – disse Jorge Kuster Jacob.

E essa descoberta precisava ser divulgada, conhecida pelos próprios pomeranos e opinião pública. Como uma identidade histórica e cultural tão rica na língua, culinária, dança, música, arquitetura, artesanato, folclore, ritos, vestimenta, agricultura, entre outros pode ficar sob outra etnia nacional e não buscar seu próprio desenvolvimento.

Assim em 1988, Jorge Kuster Jacob criou o primeiro jornal pomerano no Brasil: o Pommerblad. Os principais objetivos do jornal eram resgatar e valorizar a história e manifestações culturais pomerana e integrar as comunidades pomerana do Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Minas Gerais. Divulgou eventos de todos estes municípios. Esse jornal durou 10 anos e circulou até 2008. Era bimestral e publicou 60 edições cada 6 paginas em média cada. Teve o apoio cultural na época da Chocolates Garoto(Vila Velha-ES), Malhas Malwe(Jaraguá do Sula-SC) e Prefeituras pomeranas do Espírito Santo(Vila Pavão e Santa Maria de Jetibá).

“O Museu Wolfgang Weege no Parque Malwee, em Jaraguá do Su/SC, tem um dos mais completos acervos literários sobre os pomeranos no Brasil. Possui em seu Arquivo a Coleção completa encadernada do antigo Jornal impresso Pommerblad, editado em anos anteriores pelo historiador Jorge Küster Jacob de Vila Pavão/ES”. O próprio editor possui arquivos e coleções.

ESCRITORES DE VILA PAVÃO E LITERATURA SOBRE O MUNICÍPIO

Vila pavão é um município pequeno geográfica, populacional e economicamente. Mas proporcionalmente um gigante na cultura. O trabalho de resgate, em suas diversas modalidade, na história, memória,  danças, músicas, programas de radio, jornal, filmes, museu, livros entre outras faz de Vila Pavão um dos dez municípios capixabas com a maior visibilidade cultural.

Destacando a questão na literatura podemos afirmar que uma tese (de Sociologia, da Universidade do Rio do Sinos/UNISINOS, São Leopoldo/RS) virou o primeiro livro do Brasil em português sobre os pomeranos brasileiros: “A Imigração e Aspectos da Cultura Pomerana no Espirito Santo,” de Jorge Kuster Jacob, em 1992, 70 paginas, lançado pelo Departamento Estadual de Cultura/DEC (atual Secretaria de Estado da Cultura/SECULT).

Dando continuidade esse rico momento de resgate surge o primeiro livreto, em forma de desenho e literatura infantil: “ Pommerhochtied: Um Casamento Pomerano no Espírito Santo” de Jorge Kuster Jacob e Erineu Foerste, em  1995, 60 paginas, com ilustrações de Kern Galvão da Silva, lançado pele Gráfica Cricaré de Nova Venécia/ES. Fo o primeiro livro infantil do Brasil e o primeiro a tentar no seu glossário escrever umas 70 palavras na língua pomerana. )

Com base nas informações destes dois livros publicamos de 1998 a 2008, sob a direção de Jorge Kuster Jacob o único jornal pomerano do Brasil: “O Pommerblad”(Folha Pomerana) com a finalidade de resgatar e valorizar a cultura pomerana integrando as comunidades pomeranas no país(ES, RO, RS, SC e MG). Foram 60 edições bimestrais com 6 paginas em media. Há arquivos no Museu da Malve em Jaraguá do Sul /SC.

Em 2010, a professora de História, Jorcy Foerste Jacob consegui publicar através de um edital do Banco do Nordeste o livro: “A Pomerânia Brasileira: Uma Eterna Migração”, com 114 páginas, pela Gráfica Cricaré (Nova Venécia).

No ano de 2011 foram escritos dois livros em Vila Pavão: “Um Relato sobre a Formação da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Vila Pavão.” Com 183 páginas, os autores são o pastor Rubens Sthur(org.), pastor Renato Nass, Ema Ramlow e Kelly Ramlow, pela Gráfica Cricaré, Nova Venécia(ES). Outro livro: “Cidades Irmãs Pomeranas: Vila Pavão (ES) e Espigão do Oeste (RO)”, nesse mesmo ano, escrito por Jorge Kuster Jacob, com 116 páginas, também pela Gráfica Cricaré, de Nova Venécia (ES).    

Então tivemos 5 livros publicados por autores de Vila Pavão até 2018. O único que registra a historia, cultura e principalmente a religiosidade local é o livro do Pastor Rubens Sthur. Os outros têm como tema a identidade cultural e a história dos pomeranos ao nível de Brasil e Estadual. Lógico, citam muito a cidade natal de seus autores.

O livro mais antigo e em alemão que cita Vila Pavão é o Livro “Pomeranos unter dem Kreuz des Suedens”. O livro narra uma viagem que o autor cineasta e escritor alemão Klaus Granzow fez ao Brasil, especialmente as comunidades pomeranas. Publicado em 1975, editado pelo Horst Erdmann Verlag, Tuebingen und Basel. Este livro que narra a visita a Vila Pavão da página 21 a 26 foi traduzido pela Selma Braun em 2009 com o titulo “Pomeranos sob o cruzeiro do sul”.  Patrocinado e editado pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo com 226 páginas.

A maior obra literária que fala de Vila Pavão e com artigos científicos com o titulo “Afro-Brasil: Debates & Pensamentos” sob a coordenação de Jaques d`Adesky e Marcos Teixeira de Souza. Essa obra traz o melhor artigo que alguém já escreveu sobre a Pomitafro: “Pomer-Ítalo-Afro-Brasil: Pomitafro, uma Festa Contra o Preconceito em Vila Pavão” (pesquisa e autoria de Marcos Teixeira de Souza e Marcia Iara Brito de Andrade).  O livro é editado pela Cassara Editora, em 2015, no Rio de Janeiro. O Livro tem 5012 paginas.  

Outro livro que tem artigos de autores de Vila Pavão é “O Povo Pomerano no Brasil” dos autores Ivan Seibel(Org.), Erineu Foerste, Henry Fred Ullrich, Jorge Kuster Jacob e José Carlos Heimemann. Editado pela Universidade de Santa Cruz do Sul, com apoio da Malwee, em 2016, com 105 páginas, na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul. São artigos do pavoense Erineu Foerste “Por uma Articulação Nacional do Povo Tradicional Pomerano no Brasil” (da pagina 53 a 57) e o artigo “Língua Pomerana na Atualidade: Um Diálogo Sobre Patrimônio Cultural do Povo Tradicional Pomerano” (da página 70 a 85). Jorge Kuster Jacob tem o artigo “Uma Mobilização Pelos Direitos Deste Povo no Estado do Espírito Santo.” O livro tem 104 paginas.

Livro sobre escritos acadêmicos coordenado pelos professores Luiz Fernando Tosta Barbato, Gabriela Faria Barcelos Gibim e Gustavo Henrique Ceopolini Ferreira com o título “Praticas de Ensino –Teoria e Prática em Ambientes Formais e Informais.” O livro foi editado pela Paco Editorial, Jundiaí (SP), Coleção Escritos Acadêmicos, Volume 27, com 15 artigos e 327 paginas. O doutor e professor Marcos Teixeira de Souza publicou nessa obra o artigo “Etnia, Educação e Cultura em Vila Pavão - ES: o protagonismo do professor Jorge Kuster Jacob,” no capitulo 11, da página 225 a 240).

Nas bibliotecas do Centro Estadual de Integração e educação Rural/CEIER e da Escola Ana Portela de Sá podemos encontrar a maiorias destas obras, cartilhas, folders e arquivos de jornais antigos que falam sobre a sua história e identidade politica, geográfica, econômica e cultural.

E em todas essas publicações podemos perceber que os principais pesquisadores e escritores de Vila Pavão são Jorge Kuster Jacob, Erineu Foerste, Jorcy Foerste Jacob e Rubens Sthur.

Programa de Radio Momento Pomerano

Filmes

Administração[editar | editar código-fonte]

Prefeitos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010. 
  3. «Estimativa populacional 2014 IBGE». Estimativa populacional 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2014. Consultado em 29 de agosto de 2014. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de agosto de 2013. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010. 
  6. Livro “Espigão do Oeste (RO) e Vila Pavão (ES) – Cidades Gêmeas” será lançado em agosto
  7. Os Pomeranos de Espigão do Oeste - RO
  8. jornal vox populi. «Espigão do Oeste e Vila Pavão (ES), podem virar Cidades Gêmeas». Consultado em 02 de Outubro de 2011.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]