Vila Zelina

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Vila Zelina
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Dia Oficial: 27 de Outubro
Fundação: 27 de outubro de 1927 (90 anos)
Imigração predominante:  Lituânia,  Croácia,  Rússia,  República Checa,
 Bulgária,  Polónia,  Ucrânia,  Bielorrússia,
Roménia,  Hungria,  Eslovênia,  Eslováquia
Distrito: Vila Prudente
Subprefeitura: Vila Prudente
Região Administrativa: Sudeste

Vila Zelina é um bairro no distrito de Vila Prudente, na cidade de São Paulo considerado o leste europeu paulistano..[1]

História[editar | editar código-fonte]

Não se sabe ao certo a data em que a Vila Zelina foi oficialmente fundada. Porém, sabe-se que em Outubro de 1927 já havia resquícios de moradores imigrantes lituanos e eslavos ou, pelo menos, pessoas que transitavam por esta região, conhecida ainda no século 19 como Baixos do Embauba. Cláudio Monteiro Soares Filho, um dos proprietários de grande parte dessas terras, resolveu então lotear o espaço em 1927 e vender, para que se povoasse o local, já que em Vila Prudente, bairro vizinho, as fábricas e a atividade comercial já eram latentes.

Porém, como Monteiro Soares Filho não tinha muito tino para a venda, delegou esta função a um imigrante russo recém-chegado, Carlos Corkisko, que instalou uma espécie de escritório no lugar onde hoje funciona uma das filiais da rede de fast-food Santa Coxinha, bem no Largo de Vila Zelina. A maioria dos imigrantes oriundos da Lituania, Ucrania, Polonia, entre tantas nacionalidades que chegaram ao local, deixaram suas terras natais devido às mazelas provocadas pela Primeira Guerra Mundial e também pela Revolução Bolchevique de 1917 na Rússia que se espalhou por todo leste europeu.[2]

Feira Cultural do Leste Europeu de S.P.
Feira Cultural Mensal do Leste Europeu de S.P.

Ao longo da década de 1920 do Século XX, vieram os imigrantes da Europa principalmente lituanos, que adquiriram terrenos e construíram suas casas no loteamento que se encontrava no bairro. No local instalaram diversos comércios, por exemplo, vendas de secos e molhados, lojas, padarias onde faziam o famoso Pão Preto lituano, também uma contribuição à gastronomia paulistana.[3]

No que tange à arte culinária, os imigrantes trouxeram alimentos tradicionais, ainda hoje elaborados pelas rotisseries da região, como o Kugelis (torta lituana de batata), Koseliena (geleia lituana de carne) Virtinai (tipico ravioli lituano), Borsh (sopa de beterraba), repolho e pepino curtidos e o arenque e a sardinha defumados, Além disso, mantiveram a tradição do artesanato, onde se destacam as pinturas com motivos ucranianos em porcelana, faixas tecidas no tear (juostas), arte em madeira, ovos pintados, bordados típicos etc.[4]

Quando se iniciou o bairro e os imigrantes começaram a se mudar, muitos sentiram a necessidade da construção de um lugar para que todos tivessem um apoio espiritual. A igreja foi construída em terreno doado para a Comunidade Lituana Católica Romana de São José, pela Sociedade de Terrenos Vila Zelina por Zenóbia Alvarenga Monteiro Soares e pelo Coronel José Pires de Andrade, junto com 80 mil tijolos, em 24 de setembro de 1934. A construção da igreja iniciou-se logo em seguida, liderada pelo Padre Benediktas Sungintas, construida por Augusto Arruda Botelho, com doações e ajuda braçal de imigrantes lituanos que iniciaram maciça e pioneiramente a povoação de Vila Zelina e de lituanos que moravam em bairros vizinhos e no exterior. A igreja foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1936, dia da Independencia da Lituania.[5]

Antes da Igreja São José de Vila Zelina já constatou-se a presença de Igreja Batista Boas Novas fundada pela Comunidade Russa e Eslava da época. Nesta região temos atualmente três igrejas ortodoxas russas (sendo uma delas do rito antigo) e na década de 1940 a 1950 havia uma quarta igreja Ortodoxa Russa na esquina de Rua Barão de Juparaná com a Avenida Zelina, fechada durante o auge da ditadura militar, por associação dos russos (soviéticos, à época) como o Comunismo da extinta URSS e da Cortina de Ferro. Na Rua Pitingem bairro vizinho a Vila Zelina, existe também uma Igreja Evangèlica (Assembléia de Deus Russa) cuja família fundadora fora do célebre Roberto Minczuk maestro de ascendência ucraniana.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Muitos moradores ainda guardam tradições antigas de seus países de origem em diversos aspectos. Muitas residências e principalmente o comércio estão ao longo da principal avenida do bairro, a Avenida Zelina.

No dia 27 de outubro comemora-se anualmente o aniversário de fundação do Bairro de Vila Zelina. Nesse dia comemora-se também o dia do Imigrante Leste Europeu, em homenagem a esta região de Vila Prudente composta por Vila Bela, Vila Alpina, Quinta da Paineira, Jardim Avelino, Vila Lúcia, Vila Zelina e Parque Vila Prudente.

Mensalmente a Associação dos Moradores, Comerciantes, Empresários e Amigos do Bairro de Vila Zelina e adjacências - AMOVIZA, realiza a Feira Cultural Leste Européia de São Paulo onde são ofertados produtos artesanais da região e culinária típica dos países do leste europeu além de oficinas culturais onde uma delas realizada próximo a Páscoa é a tradição da pintura dos ovos de Páscoa que é uma tradição dos povos europeus. A Profa. Márcia Tuskenis há anos vem realizando voluntariamente oficinas gratuítas abertas ao público de pintura de ovos com motivos europeus durante esta edição pascal da Feira.

No centro da Vila Zelina está a Praça República Lituana, onde há um monumento em homenagem à independência do país em 1918, quando se desvencilhou do domínio soviético. O bairro possui ainda a Praça Imigrante do Leste Europeu, localizada na Passagem Lituania Livre e a Praça Pushkin em homenagem ao célebre escritor e poeta russo Alexander Sergueyevitch Pushkin, as quais homenageiam as treze comunidades de imigrantes dos países europeus como lituanos, ucranianos, bielorrussos, húngaros, búlgaros, croatas, eslovenos, estonianos, tchecos, russos, letões, poloneses e romenos que ajudaram a colonizar o bairro. Convém lembrar que húngaros e romenos, apesar de fazerem parte do antigo Leste Europeu, não podem ser considerados povos eslavos por terem outras origens, como no caso da Romênia, a latina. O mesmos se aplica aos povos dos países bálticos (Lituania, Letonia e Estonia) que não possuem origem eslava. Já a Hungria tem como povo originário o magiar. Seria como se chamássemos os letões e lituanos de escandinavos por causa da localização destas repúblicas bálticas ser no norte da Europa, por exemplo, mesmo sabendo que a Estônia (república báltica) possui laços culturais com a vizinha Finlândia. [6]

Referências

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