Violência

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O tema da violência tem sido muito retratado na arte, como nesta pintura de Domenico Zampieri (1581-1641)

Violência é um comportamento que causa intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa ou ser vivo. Tal comportamento pode invadir a autonomia, integridade física ou psicológica e até mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado.[1] O termo deriva do latim violencia (que por sua vez o amplo, é qualquer comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa.

Assim, a violência diferencia-se de força,[2] palavras que costuma estar próximas na língua e pensamento cotidiano. Enquanto que força designa, em sua acepção filosófica, a energia ou "firmeza" de algo, a violência caracteriza-se pela ação corrupta, impaciente e baseada na ira, que convence ou busca convencer o outro, simplesmente o agride.

Existe violência explícita quando há ruptura de normas ou moral sociais estabelecidas a esse respeito: não é um conceito absoluto, variando entre sociedades. Por exemplo, rituais de iniciação podem ser encarados como violentos pela sociedade ocidental, mas não pelas sociedades que o praticam.

Tipos de violência[editar | editar código-fonte]

Violência física[editar | editar código-fonte]

A violência física é o uso da força com o objetivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comuns, murros, tapas e agressões com diversos objetos e queimaduras. A violência física pode ser agravada quando o agressor está sob o efeito do álcool, ou quando possui uma Embriaguês Patológica ou um Transtorno Explosivo.

Violência psicológica[editar | editar código-fonte]

A violência psicológica ou agressão emocional, tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada pela rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. É um tipo de violência que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente provoca cicatrizes para toda a vida. Existem várias formas de violência psicológica, como a mobilização emocional da vítima para satisfazer a necessidade de atenção, carinho, importância, ou como a agressão dissimulada, em que o agressor tenta fazer com que a vítima se sinta inferior, dependente e culpada.

A atitude de oposição e aversão também é um caso de violência psicológica, em que o agressor toma certas atitudes com o intuito de provocar ou menosprezar a vítima. As ameaças de mortes também são um caso de violência psicológica.

Violência verbal[editar | editar código-fonte]

A violência verbal não é uma forma de violência psicológica. A violência verbal normalmente é utilizada para importunar e incomodar a vida das outras pessoas. Pode ser feita através do silêncio, que muitas vezes é muito mais violento que os métodos utilizados habitualmente, como as ofensas morais (insultos), depreciações e os questionários infindáveis.

Violência sexual[editar | editar código-fonte]

Violência na qual o agressor abusa do poder que tem sobre a vítima para obter gratificação sexual, sem o seu consentimento, sendo induzida ou obrigada a práticas sexuais com ou sem violência física. A violência sexual acaba por englobar o medo, a vergonha e a culpa sentidos pela vítima, mesmo naquelas que acabam por denunciar o agressor: por essa razão, a ocorrência destes crimes tende a ser ocultada.

Negligência[editar | editar código-fonte]

A negligência é o ato de omissão do responsável pela criança/idoso/outra (pessoa dependente de outras) em proporcionar as necessidades básicas, necessárias para a sua sobrevivência, para o seu desenvolvimento. Os danos causados pela negligência podem ser permanentes e graves.

Neurobiologia do comportamento violento[editar | editar código-fonte]

As bases neurais do comportamento violento têm sido consistentemente estabelecidas nos últimos anos, onde regiões cerebrais e neurotransmissores, bem como as suas ligações com diversos genes, hormônios e transtornos psiquiátricos, têm sido triadas,[3] Dentre as estruturas corticais, o Córtex Pré-Frontal (CPF) é a região cerebral mais amplamente associada com a agressão impulsiva e a violência em humanos. O CPF desempenha um papel central no controle de comportamentos, no direcionamento a metas e na tomada de decisões. Pacientes com lesões no CPF ventromedial (CPFvm) tiveram uma maior probabilidade de mostrar confrontos verbais e agressividade, se comparados com pacientes com lesões em outras áreas cerebrais e com grupo controle sem lesões.

Homens com Transtorno de Personalidade Antissocial têm mostrado alterações no COF, no Córtex Cingulado Anterior (CCA), na Insula e na Amígdala. Similarmente, pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline e Transtorno Explosivo Intermitente também apresentam características de funcionamento atípico nessas regiões. Estudos de neuroimagem têm confirmado uma disfunção e redução no volume do COF, CCA e CPFvm em pessoas com comportamentos agressivos e violentos.[3] Um número crescente de evidências tem corroborado a função da amígdala como uma das regiões cerebrais mais importantes para agressão na espécie humana. A amígdala, envolvida no processamento de estímulos biologicamente relevantes e reações emocionais, e o CPF são reciprocamente conectados.[3] Além disso, neurotransmissores como serotonina, GABA e dopamina, e hormônios como testosterona, progesterona, cortisol e vasopressina apresentam um relevante papel determinante para a manifestação do comportamento agressivo.[3]

Violência nos desportos[editar | editar código-fonte]

Existe violência praticada entre desportistas e entre adeptos de determinadas categorias. Existem diversos esportes que são considerados violentos, tais como: boxe, futebol, rugby, entre outros. Na copa FIFA de 2006, o jogador de futebol Zidane, que desferiu uma cabeçada no peito de seu adversario após uma ofensa verbal, em jogo final de copa do mundo, demonstrando uma atitude não adequada aos desportos.[4]

O bullying[editar | editar código-fonte]

Cena de bullying no filme Rebecca of Sunnybrook Farm (1917)

Este termo veio a partir da palavra bully, que, em inglês, significa "valentão". É o conceito de todos os tipos de agressão verbal e física, que acontecem com frequência e sem motivo. Sua concentração é no ambiente escolar. E causa distúrbios mentais e psicológicos.[5] Há três tipos de bullying: o verbal, que se caracteriza pelo uso de palavras; o social, no qual um grupo exclui certo indivíduo; e o virtual, o cyberbullying, o qual é feito através da internet.

Violência e artes[editar | editar código-fonte]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Na literatura, a representação da violência é rica e variada.[6] Merecem destaques as obras de alguns escritores.

Internacionalmente, a violência encontra representação quase que em toda a obra de Fiodor Dostoiévski. Franz Kafka ilustra um tipo de violência psicológica peculiar em O Processo (Der Prozeß, 1925). Ernest Hemingway é apenas um dos escritores a publicar obras sobre guerras, conquanto seu Por Quem os Sinos Dobram (For Whom the Bells Tolls, 1940) seja um bom retrato de um conflito real, a guerra civil espanhola.

Na literatura portuguesa, a violência sempre esteve presente, embora nas tendências modernas foram muito mais explícitos os modos variados e verossímeis de violência.

Há um exemplo interessante em Euclides da Cunha (que fez Os Sertões um relato primoroso da Guerra dos Canudos), e destaca-se a obra do chamado regionalismo nordestino, de José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em Capitães de areia (1936), Jorge Amado mostra, com ternura, a violência de um grupo de meninos abandonados nas ruas de Salvador; em Jubiabá (1935), ele mostra a trajetória de Antônio Balduíno, menino de rua que pratica atos criminosos menores, boxeador, [Assassinato|assassino]] (quando "o olho da piedade vazou"), vagabundo e finalmente grevista, que aprende o caminho da razão justamente quando confrontado com a violência política.

Mas é Graciliano Ramos que, na literatura do Brasil, se compara à Dostoiévski na presença constante da violência. Suas obras trazem quase invariavelmente o conflito do homem que sofre alguma restrição, alguma coação ou alguma rejeição social, econômica ou cultural e tenta inutilmente reverter esse quadro. Em seus livros de memórias, como Infância (1945) e Memórias do Cárcere (1953) Graciliano documenta sua própria convivência com o mundo violento e cruel.

Já o romance Angústia (1936) gira em torno de um assassinato, justificado pelo narrador-protagonista como necessário e impositivo. O crime perturba definitivamente o criminoso, antes e depois do ato propriamente dito: antes, nas constantes paranoias sobre enforcamento, e depois, na convalescença de um mês e na necessidade de escrever o livro para exorcizar-se, eximir-se da culpa.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Muitos filmes apresentam cenas de violência. Foto do ator Sam Shepard no filme Stealth.

O cinema é um veículo que tem uma grande infiltração mundial. Muitos dos filmes apresentam cenas de extrema e exagerada violência. A vida humana é por vezes tratada como algo banal. Existem diversos relatos de contraventores que ao praticar seus atos, se inspiraram em cenas e personagens considerados heróis. Trata-se também, de um tipo de violência cultural, na medida em que são estabelecidos novos valores incompatíveis com a conduta humana.[7]

Televisão[editar | editar código-fonte]

A televisão tem sido tema de muita discussão em relação as cenas de violência realísticas. Muitas vezes, quase simultaneamente, expõe em suas programações, nos telejornais, telenovelas e seriados. A grande infiltração da televisão em todos os lares pode rapidamente difundir alguns dos tipos de violência. Existem em vários programas uma forma de violência explícita, entre elas, a violência verbal, a que costuma ser mais encontrada na mídia. Há vários contraditores quanto a este tipo de programas televisivos serem expostos no horário nobre, e, os ditos cujos sempre tem almejado o aumento da censura para estes eventos que possuam palavras de baixo calão.[8]

Bíblia e violência[editar | editar código-fonte]

A Bíblia, para alguns especialistas, apresenta uma vasta coleção de eventos violentos. Nela, encontram-se, ao lado de exemplos de virtude, desde assassinatos fratricidas e estupros até periódicas demonstrações de ira divina (dilúvio, pragas do Egito). A história de Adão e Eva em si pode ser vista como uma história de violência: Deus propondo normas de obediência e preceitos com base em sua autoridade; preceitos desobedecidos primeiramente por Eva e depois por Adão; punição na forma de expulsão do paraíso e conhecimento do mal.[9] [10]

Veja também[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ECHENIQUE, M. Filosofia das Artes Marciais Belo Horizonte: Edições Nova Acrópole, 1995
  • DADOUN, R. A violência: ensaio acerca do "homo violens". Rio de Janeiro: Difel, 1998.
  • FROMM, E. Medo à Liberdade. Rio de Janeiro : Zahar, 1977.
  • GALVÃO JR, J. C. . Dialectique de la violence et rapports de force/ Dialética da violência e relações de força (edição bilíngüe francês/ português) Rio de Janeiro/ São Paulo: NPL/ Vida e Conciência, 2007.
  • GODOI, C. Os sentidos da violência: TV, celular e novas mídias. Santos, São Paulo: Realejo Edições, 2008.
  • ODÁLIA, N. Que é Violência. São Paulo : Brasiliense, 1983.
  • MARCONDES FILHO, C.J. Violência Política. São Paulo : Moderna, 1987.
  • MORAIS, R. Que é Violência Urbana. São Paulo : Brasiliense, 1985.
  • PINHEIRO, P.S. & ALMEIDA, G.A. Violência Urbana. São Paulo: Publifolha, 2003. Folha Explica.
  • PINKER, S. Tábula Rasa: a Negação Contemporânea da Natureza Humana Companhia das Letras, 2004.

Referências

  1. SerasExperian. Violência. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  2. Devocionais amor em Cristo. Não pela força, nem pela violência. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  3. a b c d de Almeida, Rosa; Cabral, J C; Narvaes, R.. . "Behavioural, hormonal and neurobiological mechanisms of aggressive behaviour in human and nonhuman primates". Physiology & Behavior. DOI:10.1016/j.physbeh.2015.02.053. Visitado em 2015.
  4. Folha UOL. Zidane dá cabeçada em italiano e é 4º expulso em finais da Copa. Visitado em 09 de julho de 2006.
  5. Orson Camargo. Bullying Brasil Escola. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  6. Portal Cronópios. Literatura Contemporânea Brasileira. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  7. Área de Sociedade e Cultura. Violência no Cinema. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  8. Dr. Drauzio Varella. Violência na TV e comportamento agressivo. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  9. Jesus Voltará. Violência - O que a Bíblia diz?. Visitado em 18 de janeiro de 2012.
  10. Bíblia Online. Versículos de Violência. Visitado em 18 de janeiro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]