Visão religiosa de Adolf Hitler

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Hitler, Führer da Alemanha entre 1933 e 1945.

Adolf Hitler foi criado por seu pai, que era católico, e por sua mãe, que também era cristã devota. Hitler, contudo, deixou de participar dos sacramentos e passou a apoiar o Movimento Cristão Alemão.[1] Em seu livro, Mein Kampf, ele afirmou seguir os principios do cristianismo.[2][3] Antes do começo da Segunda Guerra Mundial, Hitler promovia o chamado "cristianismo positivo", um movimento que expurgava do cristianismo todos os elementos do judaísmo e inseria ideais nazistas.[4] De acordo com controversos manuscritos redigidos por Martin Bormann, secretário pessoal do Führer, intitulados Tischgespräche, além do testemunho de amigos próximos de Hitler, afirmavam que ele tinha visões negativas do cristianismo. Mas a maioria afirmava que ele era teísta.[5][6]

Visão religiosa quando jovem[editar | editar código-fonte]

O pai de Hitler, Alois, embora nominalmente um católico era um pouco cético religiosamente,[7] enquanto sua mãe Klara era uma católica praticante.[8] Na escola do mosteiro beneditino, que Hitler frequentou durante um ano escolar quando criança (1897-1898), Hitler tornou-se o primeiro de sua classe, recebendo o mais alto grau no último trimestre. Ele recebeu o Crisma em 22 de maio de 1904, e também cantou no coro do mosteiro.[9] Segundo o historiador Michael Rissmann, o jovem Hitler foi influenciado na escola pelo Pan-germanismo, e começou a rejeitar a Igreja Católica, recebendo a Crisma só a contragosto.[10]

Visão religiosa quando adulto[editar | editar código-fonte]

Fivela de uniforme militar nazista

Algo da crença religiosa de Hitler pode ser recolhida a partir de suas declarações públicas e privadas, no entanto, estas apresentam um quadro conflitante de um homem que parece espiritual, porém contra a religião organizada. Algumas declarações privada atribuídas a ele permanecem em disputa quanto a veracidade.[11] Em sua posição como chefe das forças armadas, ordenou a colocação da frase "Gott mit uns" ("Deus está conosco") nas fivelas dos uniformes militares.

Discursos Públicos[editar | editar código-fonte]

Em seus publicos discursos, antes e depois de ascender ao poder em 1933, Hitler frequentemente descrevia positivamente a Cultura Cristã alemã,[3] e a sua crença em um Cristo ariano.[12] Em um de seus discursos públicos em Passau no dia 27 de Outubro de 1928, Hitler declarava: "Não toleramos ninguém em nossas fileiras que ataque as ideias do Cristianismo. Nosso movimento é Cristão. Estamos repletos de um desejo que católicos e protestantes descubram uns aos outros nas profundas dificuldades de nosso próprio povo." [13] Na mesma esteira, pouco antes de sua ascensão ao poder Hitler discursou perante uma multidão em Munique dizendo: "Meus sentimentos, como Cristão, mostram-me meu Deus e Salvador como um lutador. ... Como Cristão ... eu tenho o dever de ser um guerreiro pela justiça e verdade."[3]

Após tornar-se presidente em virtude do referendo popular de 19 de agosto de 1934, Hitler falou sobre a relação entre Igreja e Estado em um de seus discursos onde comentava a promulgação do Reichskonkordat: "Eu sei que aqui e ali tem-se levantado objeções: sim, mas vocês desertaram a cristandade. Não, não fomos nós que desertamos o cristianismo; foram aqueles que vieram antes de nós que o abandonaram. Nós apenas realizamos uma divisão clara entre a política, que lida com coisas terrestres, e a religião, que lida com assuntos da esfera celestial. Não houve nenhuma inteferência com as doutrinas confessionais ou com sua liberdade religiosa, nem haverá qualquer interferência. Pelo contrário, o Estado protegerá a religião, embora sempre na condição de que esta não seja utilizada como uma cobertura para fins políticos."[14]

Mesmo quando ainda era chanceler Hitler atacava o ateísmo em seus discursos públicos, fazendo em Berlin no dia 24 de outubro de 1933 a seguinte afirmação: "Estamos convencidos de que o povo necessita e requer fé. Por conta disso temos empreendido a luta contra o movimento ateísta, e isso não apenas com algumas declarações retóricas: nós os temos extinguido!"[15] Da mesma forma, em agosto de 1934 após tornar-se o Führer da nação alemã, Hitler discursou em Koblenz dizendo: "Pode ter havido um tempo em que até mesmo partidos fundados sob uma base eclesiástica foram uma necessidade. Neste tempo o Liberalismo opunha-se à Igreja, ao passo que o Marxismo era anti-religioso. Mas esse tempo passou. O nazismo não se opõe à Igreja e tampouco é anti-religioso, mas, pelo contrário, encontra-se na esfera do cristianismo real. Os interesses da Igreja não podem deixar de coincidir com os nossos em nossa luta contra os sintomas de degeneração do mundo de hoje, em nossa luta contra a cultura bolchevique, contra o movimento ateísta, contra a criminalidade, em nossa luta em prol da consciência comunitária em nossa vida nacional, nossa luta para a conquista do ódio e da desunião entre as classes, para conquistar a guerra civil, a instabilidade, o conflito e a discórdia. Estes não são princípios anti-cristãos, mas sim princípios cristãos!"[14]

Referências

  1. Susannah Heschel, The Aryan Jesus: Christian Theologians and the Bible in Nazi Germany, Princeton University Press, 2008. pp 1-10
  2. Hitler, Adolf (1999). Mein Kampf. Ralph Mannheim, ed., New York: Mariner Books, pp. 65, 119, 152, 161, 214, 375, 383, 403, 436, 562, 565, 622, 632-633.
  3. a b c Baynes, Norman H., ed. (1969). The Speeches of Adolf Hitler: April 1922-August 1939. New York: Howard Fertig. pp. 19-20, 37, 240, 370, 371, 375, 378, 382, 383, 385-388, 390-392, 398-399, 402, 405-407, 410, 1018, 1544, 1594.
  4. Steigmann-Gall, Richard (2003). The Holy Reich. Cambridge: Cambridge University Press, pp. 13-50, p. 252.
  5. John Toland, Adolf Hitler. New York: Anchor Publishing, 1992, p. 507.
  6. Michael, Robert (2008). A history of Catholic antisemitism. New York: Macmillan, p. 111.
  7. Smith, Bradley (1967). Adolf Hitler: His Family, Childhood and Youth. Stanford: Hoover Institution Press, p. 27."
  8. Smith, Bradley (1967). Adolf Hitler: His Family, Childhood and Youth. Stanford: Hoover Institution Press, p. 42.
  9. John Toland; Adolf Hitler; capitulo 1;
  10. Rissmann, Michael (2001). Hitlers Gott: Vorsehungsglaube und Sendungsbewußtsein des deutschen Diktators. Zürich München: Pendo, pp. 94-96; ISBN 978-3-85842-421-1.
  11. Carrier, R.C. (2003). "'Hitler's Table Talk': Troubling Finds." German Studies Review 26 (3): 561-576.
  12. Heschel, Susannah (2008). The Aryan Jesus: Christian theologians and the Bible in Nazi Germany. Princeton: Princeton University Press, p. 8.
  13. Richard Steigmann-Gall. Holy Reich: Nazi conceptions of Christianity, 1919-1945. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. pp. 60-61
  14. a b Norman H. Baynes, ed. (1969). The Speeches of Adolf Hitler: April 1922-August 1939. 1. New York: Howard Fertig. p. 386.
  15. Norman H. Baynes, ed. (1969). The Speeches of Adolf Hitler: April 1922-August 1939. 1. New York: Howard Fertig. p. 378.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]