Visão religiosa de Adolf Hitler

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Adolf Hitler, Führer da Alemanha entre 1933 e 1945.
Mãe Maria com o Santo Menino Jesus Cristo (1913), pintura a óleo sobre tela feita por Hitler.[1]

Adolf Hitler foi criado por seu pai, que era católico, e por sua mãe, que também era cristã devota. Hitler, contudo, deixou de participar dos sacramentos e passou a apoiar o Movimento Cristão Alemão.[2] Em seu livro, Mein Kampf, ele afirmou seguir os princípios do cristianismo.[3][4] Antes do começo da Segunda Guerra Mundial, Hitler promovia o chamado "cristianismo positivo", um movimento que expurgava do cristianismo todos os elementos do judaísmo e inseria ideais nazistas.[5] De acordo com controversos manuscritos redigidos por Martin Bormann, secretário pessoal do Führer, intitulados Tischgespräche, além do testemunho de amigos próximos de Hitler, afirmavam que ele tinha visões negativas do cristianismo. Mas a maioria afirmava que ele era teísta.[6][7]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

O pai de Hitler, Alois, embora nominalmente um católico era um pouco cético religiosamente,[8] enquanto sua mãe Klara era uma católica praticante.[9] Na escola do mosteiro beneditino, que Hitler frequentou durante um ano escolar quando criança (1897-1898), Hitler tornou-se o primeiro de sua classe, recebendo o mais alto grau no último trimestre. Ele recebeu o Crisma em 22 de maio de 1904, e também cantou no coro do mosteiro.[10] Segundo o historiador Michael Rissmann, o jovem Hitler foi influenciado na escola pelo Pan-germanismo, e começou a rejeitar a Igreja Católica, recebendo a Crisma só a contragosto.[11]

Vida adulta[editar | editar código-fonte]

Fivela de uniforme militar nazista com "Gott mit uns" ("Deus está conosco") gravado nela.

Algo da crença religiosa de Hitler pode ser recolhida a partir de suas declarações públicas e privadas, no entanto, estas apresentam um quadro conflitante de um homem que parece espiritual, porém contra a religião organizada. Algumas declarações privada atribuídas a ele permanecem em disputa quanto a veracidade.[12] Em sua posição como chefe das forças armadas, ordenou a colocação da frase "Gott mit uns" ("Deus está conosco") nas fivelas dos uniformes militares.[13]

Discursos públicos[editar | editar código-fonte]

Hitler cumprimenta dignitários católicos na Alemanha na década de 1930.

Em seus publicos discursos, especialmente no começo de seu governo, Hitler frequentemente descrevia positivamente a Cultura Cristã alemã,[4] e a sua crença em um Cristo ariano.[14] Pouco antes de sua ascensão ao poder Hitler discursou perante uma multidão em Munique.

"Meus sentimentos, como Cristão, mostram-me meu Deus e Salvador como um lutador. ... Como Cristão ... eu tenho o dever de ser um guerreiro pela justiça e verdade."[4]

Referências

  1. «5 Rarely seen artworks painted by Adolf Hitler». Sobadsogood.com. Consultado em 13 de dezembro de 2017 
  2. Susannah Heschel, The Aryan Jesus: Christian Theologians and the Bible in Nazi Germany, Princeton University Press, 2008. pp 1-10
  3. Hitler, Adolf (1999). Mein Kampf. Ralph Mannheim, ed., New York: Mariner Books, pp. 65, 119, 152, 161, 214, 375, 383, 403, 436, 562, 565, 622, 632-633.
  4. a b c Baynes, Norman H., ed. (1969). The Speeches of Adolf Hitler: April 1922-August 1939. New York: Howard Fertig. pp. 19-20, 37, 240, 370, 371, 375, 378, 382, 383, 385-388, 390-392, 398-399, 402, 405-407, 410, 1018, 1544, 1594.
  5. Steigmann-Gall, Richard (2003). The Holy Reich. Cambridge: Cambridge University Press, pp. 13-50, p. 252.
  6. John Toland, Adolf Hitler. New York: Anchor Publishing, 1992, p. 507.
  7. Michael, Robert (2008). A history of Catholic antisemitism. New York: Macmillan, p. 111.
  8. Smith, Bradley (1967). Adolf Hitler: His Family, Childhood and Youth. Stanford: Hoover Institution Press, p. 27."
  9. Smith, Bradley (1967). Adolf Hitler: His Family, Childhood and Youth. Stanford: Hoover Institution Press, p. 42.
  10. John Toland; Adolf Hitler; capitulo 1;
  11. Rissmann, Michael (2001). Hitlers Gott: Vorsehungsglaube und Sendungsbewußtsein des deutschen Diktators. Zürich München: Pendo, pp. 94-96; ISBN 978-3-85842-421-1.
  12. Carrier, R.C. (2003). "'Hitler's Table Talk': Troubling Finds." German Studies Review 26 (3): 561-576.
  13. Armbrüster, Thomas (2005). Management and Organization in Germany. [S.l.]: Ashgate Publishing. p. 64. ISBN 978-0-7546-3880-3 
  14. Heschel, Susannah (2008). The Aryan Jesus: Christian theologians and the Bible in Nazi Germany. Princeton: Princeton University Press, p. 8.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]