Vital Maria Gonçalves de Oliveira

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Vital de Oliveira
Bispo da Igreja Católica
Bispo de Olinda
Dom Vital
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 2 de agosto de 1868
Ordenação episcopal 17 de março de 1872
Lema episcopal Iter para tutum
Brasão episcopal
Brasao Dom Vital Maria Goncalves de Oliveira.jpg
Dados pessoais
Nascimento Brasil Pedras de Fogo[1]
27 de novembro de 1844
Morte França Paris
4 de julho de 1878 (33 anos)
dados em catholic-hierarchy.org
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira, OFM Cap, (Pedras de Fogo, 27 de novembro de 1844[2]Paris, 4 de julho de 1878) foi um frade capuchinho, bispo católico, foi o 20º bispo de Olinda. Está em processo de Beatificação e Canonização, por isso recebeu o título de Servo de Deus.

Biografia[editar | editar código-fonte]

De nome de batismo Antônio Gonçalves de Oliveira Júnior, nascido no Sítio Jaqueira do Engenho Aurora, na época território do Estado de Pernambuco, filho de Antônio Gonçalves de Oliveira e Antônia Albina de Albuquerque[3], recebeu a ordenação presbiteral no dia 2 de agosto de 1868, aos 23 anos[1][2]. Dom Frei Vital Maria foi designado por Dom Pedro II, Imperador do Brasil, para ser bispo de Olinda, no dia 21 de maio de 1871, aos 26 anos.

Recebeu a ordenação episcopal no dia 17 de março de 1872[1][2], pelas mãos de Dom Pedro Maria de Lacerda[1].

Como ultramontano, foi protagonista na Questão Religiosa, conflito que aconteceu no Brasil de março de 1872 a setembro de 1875 entre a Igreja Católica e a Maçonaria, por causa da interdição do próprio Dom Frei Vital e do Bispo do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa nas relações do clero com a Maçonaria. Chegou a ser preso em 1875, por ordens do Visconde do Rio Branco, maçom.

Foram prendê-lo no palácio, em Recife, um juiz, o chefe de polícia e um coronel da polícia. Quando o juiz entrou no palácio e bateu na porta do quarto do bispo, este saiu totalmente paramentado, com mitra e báculo, e assim foi preso. Mas quando chegaram à rua, os policiais viram que a multidão engrossava dando vivas ao bispo e ficaram com medo. Meteram-se num carro e levaram-no para o Arsenal de Marinha onde ficou preso à espera do navio que devia levá-lo ao Rio. Em Salvador, trocaram-no de navio para que chegasse ao Rio sem ser esperado. E no Rio foi logo encarcerado no Arsenal, embora com todo o respeito e conforto. Deve-se dizer que, em toda parte, no Recife, em Salvador, no Rio, multiplicavam-se as demonstrações de apreço, homenagem e protestos de outros bispos, do clero, do povo.

O Papa começou a protestar e escreveu ao Imperador do Brasil pedindo que libertasse os bispos, sem deixar de afirmar que eles se conduziram como deviam fazê-lo. O imperador parece não ter dado muita importância à carta do papa, mas o Duque de Caxias propôs ao imperador uma anistia. O imperador hesitava. Por razões políticas, caiu o gabinete do Visconde do Rio Branco e o Duque de Caxias foi chamado para sucedê-lo. Ele aceitou com a condição de conceder anistia aos bispos. Finalmente, o imperador teve que aceitar e, em 17 de setembro de 1875, decreta a anistia que liberta D. Vital e os demais presos. Logo em outubro D. Vital vai a Roma onde é recebido paternalmente e com alegria por Pio IX (o Papa, comovido, só o chamava de "Mio Caro Olinda", "Mio Caro Olinda")

Regressou à Diocese em 6 de outubro de 1876 e foi recebido triunfalmente. Iniciou, com entusiasmo, suas atividades pastorais. No entanto, agravou-se seu estado de saúde e embarcou para a Europa, em busca de tratamento. Escreveu ao Papa, com sua renúncia à Diocese, sem resultado. A medicina não conseguiu descobrir a enfermidade, que provocou misteriosos sintomas.

Dom Vital morreu em Paris, a 4 de julho de 1878. Ao receber o Viático, diz: “Perdôo de coração aos meus inimigos e ofereço a Deus o sacrifício da minha vida”. Monsenhor de Ségur, na oração fúnebre, por ocasião das exéquias, afirmou que Dom Vital morreu envenenado. Assim terminou esse triste episódio, que é denominado a “Questão Religiosa”. Com ela, foram dados os primeiros passos para a correção de graves obstáculos ao florescimento da vida da Igreja no Brasil. Foi o início de um despertar.[4]

Seus restos mortais se encontram sepultados na Basílica Menor de Nossa Senhora da Penha, na cidade do Recife, no estado de Pernambuco, aos cuidados dos frades Capuchinhos.

PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO

O Processo de Beatificação e Canonização de Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira foi aberto na Arquidiocese de Olinda e Recife. Os trabalhos foram intensificados e concluídos em 04 de julho de 2001 e a documentação foi remetida à Santa Sé. No ano de 2012 o arcebispo Dom Antônio Fernando Saburido, OSB, entregou a condução do Processo aos frades capuchinhos, irmãos de hábito do Servo de Deus. O Postulador é o Frei Carlo Calloni (Postulador Geral dos Capuchinhos) e o Vice-Postulador é Frei Jociel Gomes. No momento, a causa encontra-se em trâmite na Congregação da Causa dos Santos e o Vice-Postulador está elaborando a Positio. Outras informações podem ser encontradas no site oficial da Causa: www.domvitaldeoliveira.org.

Lema[editar | editar código-fonte]

Iter para tutum.

"Cuidai para que meu caminho seja seguro". Trecho do cântico Ave Maris Stella, antiga oração dos navegantes dirigida à Virgem Maria antes de empreenderem uma viagem.

Sucessão episcopal[editar | editar código-fonte]

Dom Frei Vital foi o 20º bispo de Olinda, sucedeu a Dom Frei Francisco Cardoso Ayres e foi sucedido por Dom José Pereira da Silva Barros[1][2].

Notas e Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Francisco Cardoso Aires, I.C.
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Bispo de Olinda

1872 - 1878
Sucedido por
José Pereira da Silva Barros