Vogal anterior aberta não arredondada

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AFI – número 304
AFI – Unicode a
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Entidade HTML a
X-SAMPA a
Kirshenbaum a
Vogais
Ver também: AFI, Consoantes
Editar Anterior Quase anterior Central Quase posterior Posterior
Fechada
Blank vowel trapezoid.svg
i • y
ɨ • ʉ
ɯ • u
ɪ • ʏ
• ʊ
e • ø
ɘ • ɵ
ɤ • o
ɛ • œ
ɜ • ɞ
ʌ • ɔ
a • ɶ
ɑ • ɒ
Quase fechada
Semifechada
Média
Semiaberta
Quase aberta
Aberta
Quando símbolos são apresentados em pares, o da
direita representa uma vogal arredondada.

A vogal anterior aberta não-arredondada é um tipo de som vocálico, presente em alguns idiomas falados. Seu símbolo, tanto no AFI quanto no X-SAMPA, é /a/. É o som de "a" na palavra portuguesa "paz". É uma das oito vogais cardiais primárias. Não foi intencionada originalmente para representar um som vocálico de uma língua específica, mas sim para servir de ponto de referência fundamental em um sistema de transcrição fonética. No diagrama de sons vocálicos do AFI aparece no canto inferior esquerdo. No entanto, a precisão deste diagrama é assunto de debate, e este som já foi analisado acusticamente e classificado como vogal central extra-aberta/baixa não arredondada, definição na qual a posição anterior ou posterior perdeu relevância. Há também diferentes interpretações quanto à qualidade exata desta vogal: a clássica gravação de /a/ de Daniel Jones é ligeiramente mais frontal (posterior) mas não tão aberta quanto a de John Wells. [1]

É considerado normal utilizar o símbolo /a/ para representar uma vogal aberta central não-arredondada, ao invés de aproximá-la a vogal anterior aberta não-arredondada. [2] Esta é a prática usual, por exemplo, no estudo histórico da língua inglesa. A perda de símbolos individuais para a anterior aberta e e anterior quase-aberta não é vista como problemática, uma vez que a diferença perceptível entre ambas é muito pequena, e bem poucas línguas diferenciam ambos os sons. Caso haja necessidade de se especificar que a vogal é anterior, pode-se utilizar os símbolos /a̟/ (/a/ avançado) ou /æ̞/ (/æ/ com a língua mais abaixada), sendo o último mais comum.

O dialeto Hamont do limburguês contrasta as vogais anterior, posterior e central, o que é bastante raro. [3]

Características[editar | editar código-fonte]

É uma vogal anterior, pois a língua fica o mais para trás possível dentro da boca, sem causar uma constrição que a classificaria como uma consoante.

É uma vogal aberta, pois a boca se abre de tal forma que a língua fica o mais longe possível do céu da boca.

É uma vogal não arredondada, pois os lábios não se arredondam para produzi-la.

Ocorrências[editar | editar código-fonte]

Muitas línguas possuem alguma forma de vogal aberta não-arredondada. Para línguas com apenas uma vogal aberta, o símbolo /a/ pode ser usado, pois é a única vogal aberta cujo símbolo é parte do alfabeto latino básico. Sempre que marcada como tal, a vogal é mais próxima à central /ä/ do que à anterior /a/.

Idioma Palavra AFI Significado Observações
Árabe Padrão[4] أنا [anaː] 'Eu sou' Ver Fonologia do árabe
Assamês ম]] [am] 'manga'
Neo-aramaico assírio la [laː] 'não' Bastante presente nos dialetos de Úrmia e Jilu. Equivale a [ä] na maioria das demais variantes. No dialeto Tyari [ɑ] é mais comumente usado.
Búlgaro[5] най [n̪a̠j] 'a maior parte de' Quase-anterior.[5]
Catalão Muitos dialetos llamp [ˈl̠ʲæ̞m(p)] 'relâmpago' Alofone de /a/ em contato com consoantes palatalizadas. Pode variar entre /ɛ/ e /a/. Ver Fonologia do catalão
Maiorca sac [ˈsæ̞k] 'saca' Totalmente anterior e ligeiramente fechado.
Valência Geralmente mais centralizado. Alterna entre ɐ (i.e. [ä̝], [ɑ̝̈] e [ɛ̞̈] ~ [ɔ̞̈]) durante processos de harmonização de vogais.
Chinês Mandarim /ān Loudspeaker.svg? [ʔan˥] 'seguro' Alofone de /a/ antes de /i, n/ quando não é precedido de palatalizada. Ver [[Fonologia do chinês mandarim]
Dinamarquês Alguns falantes[6] Dansk [ˈd̥ansɡ̊] 'Dinamarquês' Usado por alguns falantes mais velhos ou de classes mais altas; equivale à quase-aberta [æ] no dinamarquês padrão moderno.[7] Ver Fonologia do dinamarquês
Holandês Padrão[8] aas [aːs] 'isca' Vai de anterior a central.[9] Ver Fonologia do holandês
Groningen[10]
Amsterdã[11] ijs 'gelo' Corresponde a [ɛi̯] no holandês padrão. Ver Fonologia do holandês
Utrecht[12] bad [bat] 'banho' Equivale a [ɑ] no holandês padrão dos Países Baixos. Ver Fonologia do holandês
Inglês Califórnia[13][14] hat Loudspeaker.svg? [hat] 'chapéu' Em outros sotaques, ou em alguns falantes que possuem os sotaques aqui listados, o ponto de articulação pode variar entre anterior [ɛ ~ æ ~ a] e central [ä] a posterior [ɑ], dependendo da região. Em algumas regiões, o ponto de articulação pode variar. Veja também Fonologia do inglês
Canadá[14][15]
Alguns poucos falantes mais jovens do Texas[14]
Vários falantes mais jovens australianos[16]
Falantes modernos de Received Pronunciation[17]
Subúrbios aos norte de Joanesburgo[18]
Alguns falantes da região central de Ohio[14]
Cockney[19][20] stuck [stak] 'emperrado' Também pode se ouvir [ɐ̟].
Norte dos EUA[21] stock 'estoque' Menos frontal [ɑ ~ ä] em outros dialetos americanos.
Francês Falantes parisienses conservadores[22] patte [pat̪] 'pata' Contrasta-se com [ɑ], porém, muitos falantes tem apenas uma vogal aberta [ä]. Ver Fonologia do francês
Galego[23] caixa [ˈkajʃä] 'caixa' Alofone de /a/ antes de consoantes palatalizadas.[23] Ver Fonologia do galego
Alemão Planalto suíço drääje [ˈtræ̞ːjə] 'virar' Ver Fonologia do alemão|}
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  1. Geoff Lindsey (2013) The vowel space, Speech Talk
  2. Keith Johnson: Vowels in the languages of the world (PDF), p. 9
  3. Verhoeven (2007), p. 221.
  4. Thelwall & Sa'Adeddin (1990), p. 38.
  5. a b Ternes & Vladimirova-Buhtz (1999), p. 56.
  6. Basbøll (2005):32
  7. Basbøll (2005):32, 45
  8. Collins & Mees (2003), pp. 95, 104, 132-133.
  9. Collins & Mees (2003), p. 104.
  10. Collins & Mees (2003), p. 133.
  11. Collins & Mees (2003), p. 136.
  12. Collins & Mees (2003), p. 131.
  13. Gordon (2004), p. 347.
  14. a b c d Thomas (2004):308: Uns poucos falantes mais jovens do Texas, por exemplo, que apresentam o LOT/THOUGHT merger tem TRAP mudado o som para [a], mas esta retração não é tão comum quanto em algumas regiões não-sulisas (por ex., Califórnia e Canadá), embora seja um fenômeno crescente em partes do Centro-Oeste às proximidades do Sul (por ex., região central de Ohio).
  15. Boberg (2005), pp. 133–154.
  16. Cox (2012), p. 160.
  17. «Case Studies – Received Pronunciation Phonology – RP Vowel Sounds». British Library. 
  18. Bekker (2008), pp. 83–84.
  19. Wells (1982), p. 305.
  20. Hughes & Trudgill (1979), p. 35.
  21. W. Labov, S. Ash and C. Boberg (1997). «A national map of the regional dialects of American English». Department of Linguistics, University of Pennsylvania. Consultado em March 7, 2013. 
  22. Ashby (2011), p. 100.
  23. a b Freixeiro Mato (2006), pp. 72–73.