Wilhelm Ritter von Leeb

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Wilhelm Ritter von Leeb
Nascimento 5 de setembro de 1876
Landsberg am Lech, Império Alemão
Morte 29 de abril de 1956 (79 anos)
Füssen, Alemanha Ocidental
Nacionalidade alemã
Serviço militar
Lealdade Império Alemão Império Alemão
Alemanha República Weimar
Alemanha Nazi Alemanha Nazista
Serviço Balkenkreuz.svg Wehrmacht
Tempo de serviço 1895–1938; 1939–1942
Patente Generalfeldmarschall
Comando Comandante do Grupo de Exércitos C
Batalhas/Guerras Levante dos Boxers
Primeira Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial
Condecorações Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro

Wilhelm Ritter von Leeb (5 de Setembro de 1876 – 29 de Abril de 1956) foi um marechal-de-campo alemão e considerado como criminoso de guerra após a Segunda Guerra Mundial. Durante a Operação Barbarossa — a invasão da União Soviética — Leeb comandou o Grupo de Exércitos Norte, o qual avançou pelos Países Bálticos em direcção a Leningrado, estabelecendo o cerco à cidade. As unidades militares sob o comando de cometeram várias atrocidades contra a população civil e colaboraram de perto com os SS Einsatzgruppen, os esquadrões da morte, principais responsáveis pelas execuções dos judeus durante o Holocausto.

Leeb foi um dos beneficiários do esquema de corrupção dos oficiais superiores da Wehrmacht, recebendo pagamentos secretos e fora-da-lei ao longo de toda a guerra, e tendo recebido um pagamento de 250 000 Reichsmark em 1941 e uma propriedade avaliada em 638 000 Reichsmark em 1943. A seguir à guerra, Leeb foi julgado no Processo contra o Alto Comando, parte integrante dos Processos de Guerra de Nuremberga. Foi considerado culpado e condenado a três anos de prisão.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Wilhelm Ritter von Leeb nasceu em 1876 em Landsberg am Lech. Entrou para o Exérctio da Baviera em 1895 e serviu na China durante da Revolta dos Boxers. Entre 1907 e 1913, frequentou a Academia de Guerra da Baviera e prestou serviço no Estado-Maior. No início da Primeira Guerra Mundial, Leeb voltou ao Exército bávaro. Esteve na Frente Oriental, onde se destacou na batalha de Gorlice-Tarnow, na captura da fortaleza de Przemyśl e na campanha na Sérvia. Em 1915, foi condecorado com a Ordem Militar de Maximiliano José, recebendo, assim, um título de nobreza; o sobrenome de Leeb passou a "Ritter von Leeb". Depois da guerra, continuou no Reichswehr, o exército da República de Weimar. Antes da subida ao poder de Adolf Hitler, Leeb comandou o distrito militar da Baviera.[1]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Em Julho de 1938, Leeb recebeu o comando do 12.º Exército, o qual participou na invasão e ocupação da regiãos dos Sudetas.[2] No Verão de 1939, Leeb passou a comandar o Grupo de Exércitos C e foi promovido a Generaloberst em 1 de Novembro de 1939. Leeb era contra os planos da ofensiva de 1940 via territórios neutrais como dos Países Baixos, tendo escrito: "O mundo inteiro vai virar-se contra a Alemanha, a qual, pela segunda vez em 25 anos, ataca a neutra Bélgica! A Alemanha, cujo governo prometeu e jurou solenemente a preservação e respeito por esta neutralidade apenas há algumas semanas".[3] Durante aquela batalha, as suas tropas penetraram na Linha Maginot. Leeb foi promovido ao posto de marechal-de-campo durante a Cerimónia dos Marechais-de-Campo de 1940 tendo sido condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.[4]

Julgamento e condenação[editar | editar código-fonte]

Leeb foi julgado pelos tribunal militar Estados Unidos em Nuremberga no Processo contra o Alto Comando. O advogado de defesa de Leeb, Hans Laternser, agiu como o conselheiro de defesa principal de-facto, muitas vezes representando terceiros em questões de procedimentos. Laternser defendeu a "decência" geral de Leeb, o qual, segundo o ele, mostrou respeito pelas leis da guerra.[5]

A defesa atribuiu as acções do militar alemão contra os civis, reféns e partisans às condições da batalha e às necessidades militares. Em relação às ordens criminosas que Leeb e outros réus eram acusados, Laternser afirmou que Leeb era um soldado que nunca tinha visto nem transmitido aquelas ordens, e não teve oportunidade de as contra-ordenar. Também defendeu que Leeb não tinha qualquer conhecimento das actividades dos Einsatzgruppen na sua área de comando, e não tinha jurisdição para as parar se tivesse conhecimento.[6]

Por ser o oficial superior mais antigo no julgamento, Leeb apresentou uma declaração final em nome de todos os réus. Declarou que os acusados nunca violaram os seus princípios militares e descreveu-os como sendo vítimas da história, dizendo que "Nenhum soldado em todo o mundo já lutou sob aquela pressão e tragédia". A sua declaração foi, de alguma forma, uma previsão para o tipo de narrativa de vitimização que prevaleceu na Alemanha Oriental nas décadas de 1950 1960.[7]

Leeb foi considerado culpado de uma de quatro acusações; foi condenado de transmitir a Ordem de Jurisdição Barbarossa e da sua aplicação criminosa pelas suas unidades subordinadas. Foi sentenciado ao tempo servido e libertado depois do julgamento.[8] A pena foi mais leve do que a de outros réus; o julgamento observou que "nenhuma ordem criminal foi introduzida [em evidência] que tenha sua assinatura ou selo de aprovação".[9] Leeb morreu de ataque cardíaco em 1956.[10]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. LeMO 2016.
  2. Rosmus 2015, p. 185.
  3. Shirer 1960, p. 647.
  4. Scherzer 2007, p. 498.
  5. Hebert 2010, pp. 102–103.
  6. Hebert 2010, pp. 103–104.
  7. Hebert 2010, pp. 126–127.
  8. Hebert 2010, p. 150.
  9. Hebert 2010, p. 147.
  10. Moll 1961, p. 112.