Voo Independent Air 1851

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Voo Independent Air 1851
Acidente aéreo
A aeronave em 1980, quando ainda operava sob as cores da TWA.
Sumário
Data 8 de fevereiro de 1989
Causa Colisão com o solo em voo controlado (CFIT)
Local Portugal Pico Alto, Santa Maria, Açores
Origem Itália Aeroporto Il Caravaggio, Orio al Serio/Bergamo
Escala Portugal Aeroporto de Santa Maria (Açores), Açores
Destino República Dominicana Aeroporto Internacional de Punta Cana, Punta Cana
Passageiros 137
Tripulantes 7
Mortos 144
Feridos 0
Sobreviventes 0
Aeronave
Modelo Estados Unidos Boeing 707-331B
Operador Estados Unidos Independent Air
Prefixo N-7321T
Primeiro voo 22 de março de 1968

O Voo Independent Air 1851 foi um voo charter da companhia estadunidense Independent Air, que culminou com um grave acidente aéreo. A aeronave, um Boeing 707 com o registro N-7321T, colidiu com o Pico Alto, na ilha de Santa Maria (arquipélago dos Açores), causando a morte dos seus 144 ocupantes, no que é considerado um dos piores desastres aéreos ocorridos em território português[1]

Aeronave[editar | editar código-fonte]

O Boeing 707 destruído no acidente foi fabricado em março de 1968, tendo recebido o registro N28727. A aeronave foi brevemente operada pela companhia de petróleo Saudi Aramco até ser vendida para a companhia aérea estadunidense TWA em 30 de junho de 1968. Permaneceu ao serviço desta última até 1983 quando foi vendido para a empresa Atlanta Skylarks. No ano seguinte a empresa trocou de proprietários e foi renomeada Independent Air enquanto que o Boeng 707 recebeu o novo registro N-7321T.[2]

Acidente[editar | editar código-fonte]

Seis agências de turismo italianas reuniram-se no início de 1989 e elaboraram pacotes turísticos para Punta Cana, na República Dominicana. Após comercializar os pacotes turísticos, as agências fretaram o Boeing 707 N-7321 da Independent Air. A empresa aérea programou um voo da cidade de Bergamo, nos arredores de Milão, para Punta Cana, com uma escala para reabastecimento nos Açores.[3]

O vôo teve início às 10h04 (UTC) do dia 8 de fevereiro de 1989, quando o Boeing descolou do aeroporto Il Caravaggio com uma tripulação de 7 estadunidenses, transportando 137 turistas italianos.[1]

O vôo decorreu normalmente até ao espaço aéreo de Santa Maria, quando o Boeing foi vetorizado para pouso pela torre de controle do aeroporto. Durante a aproximação, a aeronave colidiu com o Pico Alto, a 547 metros de altura. O impacto rompeu os tanques de combustível e parte da fuselagem da aeronave. Poucos segundos depois, uma grande explosão espalhou destroços e pedaços de corpos por uma área de centenas de metros quadrados. Pouco pode ser feito pelas equipes de resgate, de forma que os trabalhos se concentraram na localização e resgate das caixas pretas da aeronave e na recolha dos restos mortais dos passageiros.[1]

Investigações[editar | editar código-fonte]

A comissão de investigação concluiu que o acidente foi causado por erro humano. A aeronave deveria voar a 3 mil pés durante a aproximação para o pouso no aeroporto de Santa Maria, porém encontrava-se apenas a 2 mil pés. Esse erro foi agravado pelos seguintes fatores[4]:

Tripulação
  • Inexperiência da tripulação em voos internacionais (principalmente do co-piloto);
  • Formação deficiente da tripulação, que não conseguiu evitar o choque com o solo, apesar dos alarmes de colisão com o solo (GPWS) terem soado na cabine durante os minutos finais do voo;
  • Apatia da tripulação em lidar com uma situação adversa;
  • Falhas de comunicação por parte da tripulação com os controladores de vôo do aeroporto;
  • Plano de voo incorreto para pouso em Santa Maria, elaborado sem levar em consideração normas e regulamentos de operação das autoridades aeronáuticas portuguesas;
Controle de voo do aeroporto de Santa Maria
  • Transmissão de dados incorretos de altitude (cerca de 240 m de diferença entre a altitude real e a aferida) para a tripulação do Independent Air 1851;

Consequências[editar | editar código-fonte]

Após a queda da aeronave, o governo italiano cancelou todas as licenças de operação de companhias aéreas de vôo charter estrangeiras, incluindo a Independent Air. Alguns meses depois as agências de turismo cancelaram contratos com a Independent, que acabaria indo à falência.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c AP, Reuters, AFP (9 de fevereiro de 1989). «Tragedia aérea en las Islas Azores: 144 muertos». El Tiempo, Ano 79, edição 27176, página 11. Consultado em 14 de junho de 2014 
  2. «Boeing 707-331B N7231T». JetPhotos.Net Aircraft Census Database 
  3. «Boeing com turistas italianos cai nos Açores e mata 144». Folha de S. Paulo, Ano 68, edição 21862, página A9. 9 de fevereiro de 1989. Consultado em 14 de junho de 2014 
  4. «Accident descriptiion». Aviation Safety Network. Consultado em 14 de junho de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]