Vouzela (freguesia)

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Portugal Vouzela 
  Freguesia portuguesa extinta  
VistaPanoramicaVouzela.jpg
Gentílico Vouzelense
Localização
Vouzela está localizado em: Portugal Continental
Vouzela
Localização de Vouzela em Portugal Continental
Mapa de Vouzela
Coordenadas 40° 43' 23" N 8° 6' 44" O
município primitivo Vouzela
História
Extinção 28 de janeiro de 2013
Características geográficas
Área total 5,17 km²

Vouzela é uma antiga freguesia portuguesa do concelho de Vouzela, com 5,17 km² de área e 1 350 habitantes (2011). A sua densidade populacional era 261,1 h/km².
A partir de 29 de Setembro de 2014, a freguesia de Vouzela passou a fazer parte integrante da União de Freguesias de Vouzela e Paços de Vilharigues.

Sede concelhia de doze freguesias, com a extensão de 189 km², é uma população que ronda os 13.200 habitantes. Vouzela está situada em pleno coração da sub-região de Dão-Lafões.

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Vouzela [1]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
716 944 1 036 1 152 1 236 1 173 1 340 1 404 1 372 1 259 1 167 1 340 1 407 1 485 1 350

Geografia[editar | editar código-fonte]

Situada no topo norte do concelho com o mesmo nome do qual é sede, Vouzela surge como vila encantada por entre as brumas das manhãs de Outono. Descendo a encosta norte da Serra do Caramulo já a encontramos aos pés do Monte da Senhora do Castelo e do Gamardo espraiando-se até ao Vouga, emoldurada pelo exuberante verde das florestas e, aqui e ali, casas de quinta, ora brancas, ora de um cinzento velho e granítico.

A vila é pequena mas airosa: servida por boas vias de comunicação, ligada por camionagem a todo o concelho, possuindo transportes rápidos para os grandes centros e dotada de todas as infra-estruturas que tornam a vida cómoda e calma.

As suas várias casas quinhentistas, a atestar seu passado valor, harmonizam-se com construções modernas surgidas em zonas novas e espalhadas por toda a vila.

Junto à vila há paisagens maravilhosas a impressionar o visitante: a estrada que nos leva à foz do Rio Zela, tem um aspecto caracteristicamente alpino, com a esplêndida piscina natural que o Vouga ali nos proporciona. E o Monte do castelo onde se localiza o magnífico Parque de Campismo, com todas as infra-estruturas que lhe proporcionam umas excelentes férias, para onde se vai numa estrada sinuosa de uns três quilómetros, permite-nos lançar a vista para um quadro estupendo, a conquistar o turista mais viajado, que dirá jamais ter visto igual beleza de tantos contrastes harmoniosos.

História[editar | editar código-fonte]

As primeiras referências à povoação remontam à segunda metade do século XI (1083) e, no entanto, há testemunhos de uma muito maior antiguidade: do castro da Senhora do Castelo, embora ainda não tivesse sido escavado, conserva-se a muralha e aparecem à superfície fragmentos de cerâmica castreja e romana. A existência de duas sepulturas antropomórficas, nas suas imediações, prova que continuou a ser habitado na Alta Idade Média.

A Igreja Matriz de Vouzela, monumento nacional desde 1922, é um templo que impressiona pela simplicidade austera do romântico a que foram acrescentados alguns belos pormenores de um gótico em ascensão. No interior, dos séculos XVIII e XIX, ressalta uma imagem de Cristo crucificado. Esta imagem é uma reconstituição fiel do original de Diogo Pires-o-Velho corroído pelo tempo. Digna de nota é também a bela imagem de Nossa Senhora do Rosário, de madeira policromada que, de expressão serena, nos recebe na calma obscuridade do templo onde sobressai apenas a esparsa luz reflectida na talha barroca dos altares.

Um outro edifício, a Casa da Cavalaria, tem sido alvo de algumas considerações a que não é estranha uma personagem que é um dos símbolos desta terra: D. Duarte de Almeida, o Decepado de Toro.

Vouzela foi, desde tempos muito remotos, uma terra muito importante. Dos romanos sabe-se que por aqui fizeram passar o seu tráfego através da ligação viária para todo o império. Entroncamento de duas importantes vias, que a ligavam à civitas e à região do litoral.

A transacção de antiguidades, por exemplo, constitui já um ex-libris do concelho. A zona Industrial do Monte cavalo em expansão, mostra o dinamismo de uma terra que faz assentar nos alicerces do passado o seu futuro.

Património cultural[editar | editar código-fonte]

Trajes tradicionais[editar | editar código-fonte]

A época do ano (Inverno/Verão), a ocasião (trabalho/festa) e principalmente a situação económica das famílias, determinava o trajar do homem e da mulher.

As diferenças verificadas no trajar dos vários grupos sociais são dadas, fundamentalmente, pela qualidade dos tecidos, pelos modelos e pelos adereços. Enquanto no trajar masculino a diferença é feita pelos tecidos, uma vez que os modelos se mantinham semelhantes, no trajar feminino é feita não só pelos tecidos mas também pelos modelos e adereços.

Para ocasiões de trabalho, a mulher vestia modelos simples e de mais usos. Para ocasiões de festa vestia as melhores peças em tecidos e modelos dependendo da sua situação económica. Os tecidos utilizados na confecção dos trajes eram de fabrico caseiro e industrial, como exemplo temos o linho, a estopa, o burel, o pano cru, a seda entre muitos outros. Em geral o traje feminino é composto pela capucha, a saia, o saiote, o avental, a camisa, a cinta, o lenço de cabeça, meias e tamancos. O traje masculino é composto pela capucha, a calça de burel, o colete, a camisa, as ceroulas, a cinta, meias, tamancas, tamancos de burel, a carapuça e a boina.

A capucha merece um destaque especial uma vez que era uma peça comum a todos os trajes, sobretudo femininos. Era e continua a ser usada nas freguesias mais serranas onde os Invernos são mais rigorosos e justificam o seu uso quase diário. A capucha era indispensável por ter múltiplas funções, tornando-se muito prática. A capucha de trabalho era de burel castanho ou tingido de preto sendo o principal abrigo da mulher e do homem que andavam à chuva, vento frio e neve.

Para além de agasalho, esta peça de vestuário, auxiliava a mulher no seu trabalho, pois nela trazia molhos de lenha, frutos, feijões e hortaliça. Muitas vezes servia para deitar a criança, no campo enquanto a mãe trabalhava. Em dias de festa continuava a usar-se a capucha feita de tecidos mais finos como por exemplo de burel novo.

Festas, feiras e romarias[editar | editar código-fonte]

Património natural[editar | editar código-fonte]

Em Vouzela atravessando a Alameda, encontramo-nos no bem cuidado jardim, que no início de Agosto, serve de palco às tradicionais Festas do Castelo. Os seus enormes plátanos e tílias convidam ao descanso.

Pode-se ainda, na Senhora do Castelo, mergulhar no verde das matas que a envolvem e nas piscinas do parque de campismo que ali se situa.

Igreja Matriz de Vouzela e Pelourinho.
Antiga ponte ferroviária.
Capela de S. Frei Gil de Vouzela.

Património histórico[editar | editar código-fonte]

Na periferia da freguesia das Donas encontram-se as Orcas da Albagueira e a Inscultura da Pedra da Gata, do período Neolítico. Como índicios da civilização castreja temos a Citânia do Crasto e a Citânia da Ribamá.

Dentre os edifícios catalogados pelo IPPAR, encontram-se nesta freguesia:

Tem-se ainda:

Vouzelenses Ilustres[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  2. http://books.google.pt/books?id=86BFAAAAcAAJ&pg=PA202&lpg=PA202&dq=heitor+homem+telles&source=bl&ots=f7k1HaPNus&sig=w92UyzsBynde47XShar_vRPRfAQ&hl=pt-PT&sa=X&ei=CShkVLrbB8KqywPz8IL4Bg&ved=0CDkQ6AEwBA#v=onepage&q=heitor%20homem%20telles&f=false
  3. "Pedatura Lusitana, tomo V, volume II, pág. 200, título: "Homens-Telles de Vouzela"
  4. artigo: Lafões Antiga, A Capela de S. João Baptista, e a Casa das Ameias, em Vouzela, in Gazeta da Beira, 12/06/2008"
  5. O Ciclo vivencial do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa, Marta Luísa Gil dos Santos, FlUP, dissertação de mestrado, 2000, págs 38, 41-42, 192 "

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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