Waleed Al-Husseini

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Waleed Al-Husseini
Nascimento 25 de junho de 1989 (31 anos)
Calquília
Cidadania Estado da Palestina, Palestina
Etnia palestinos
Alma mater Universidade Árabe Americana
Ocupação escritor, ensaísta, filósofo, blogueiro, fundador, professor, feminista
Religião ateísmo

Waleed Al-Husseini (em árabe: وليد الحسيني), ou também Walid Husayn, (Calquília, 25 de junho de 1989) é um ensaísta, escritor e blogueiro palestiniano. Em outubro de 2010, a Autoridade Palestina o prendeu sob a alegação de blasfemar contra o Islão no Facebook e em blogues; sua prisão atraiu a atenção internacional. Mais tarde, ele escapou para a França, onde solicitou asilo com sucesso. Em 2013, fundou o Conselho dos Ex-Muçulmanos de França (CEMF).[1][2]

Ele é o autor de uma autobiografia, Blasphémateur ! : les prisons d'Allah, publicadas por Grasset em 2015, bem como de vários artigos no Le Monde, A Regra do Jogo ou Liberation, e um segundo livro, Une trahison française : Les collaborationnistes de l'islam radical devoilés, denunciando os "colaboracionistas do islamismo radical".

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido na Cisjordânia, Waleed Al-Husseini estudava ciência da computação. Estando desempregado, ele ajudava algumas horas por dia seu pai em sua barbearia. Alguns conhecidos descreveram-no como um "sujeito comum" que regularmente rezava na mesquita às sextas-feiras.[2]

Por volta dos 20 anos, Al Husseini passava muito tempo conectado à Internet. Quando sua mãe encontrou artigos seus sobre o ateísmo em seu computador, ela cancelou a assinatura da Internet, esperando que ele desistisse. Em vez disso, ele começou a frequentar o cyber café local, onde passava até sete horas por dia, isolado em um canto.[3]

Mas em Outubro de 2010, Waleed foi preso pela Autoridade Palestiniana, acusado de blasfémia contra o Islão. Além de suas páginas no Facebook, que agora foram apagadas, também publicou ensaios em árabe em um blogue chamado Noor al-Aqel (Iluminação da Razão) e em língua inglesa no Proud Atheist ("o ateu orgulhoso"), identificando-se como "um ateu de Jerusalém - Palestina". Entre outros argumentos, descrevia Alá como "um deus primitivo, beduíno e antropomórfico", e Maomé como um "maníaco sexual".[2]

Muitos muçulmanos de Calquília acreditam que ele deve ser executado, e membros da sua própria família consideram que deveria passar o resto da vida na prisão.[3]

Hussein sublinhou que não estava a insinuar que o cristianismo ou o judaísmo eram melhores que o islamismo, e que, em sua opinião, todas as religiões eram "um amontoado de lendas incríveis e uma pilha de disparates que competem entre si em estupidez". Hussein rejeitou as alegações de que o Islã era uma religião de tolerância, paz, igualdade e justiça. Ele também criticou o tratamento dado pelo Islã às mulheres, a supressão da criatividade humana e as alegações de que o Alcorão contém milagres científicos. Os grupos do Facebook que ele alegadamente criou suscitaram centenas de comentários zangados, ameaças de morte e a formação de mais de uma dúzia de grupos do Facebook contra ele. No seu auge, o “blog” em língua árabe de Hussein teve mais de 70 000 visitantes.[2][4]

Após dez meses de prisão,[5] Al-Husseini foi libertado sob fiança, mas foi várias vezes preso e detido pela Polícia de Segurança durante vários dias de cada vez. Alegou ter sido torturado nas instalações da polícia. A Autoridade Palestiniana destruiu os seus dois computadores e ordenou-lhe que deixasse de publicar as suas opiniões na Internet.[6][7]

Após obter asilo político em França, aí fundou, em Julho de 2013, com outros ex-muçulmanos, o Conselho dos Ex-Muçulmanos de França.[8]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Blasphémateur ! Les Prisons d'Allah, 2015, Grasset (ISBN 978-2-246-85461-6) (OCLC 903212636)
  • Une trahison française : Les collaborationnistes de l'islam radical dévoilés, 2017, Ring (ISBN 1091447578)

Referências

  1. Letters (19 de julho de 2019). «Humanists are being persecuted too | Letter». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077 
  2. a b c d Kershner, Isabel (15 de Novembro de 2010). «Palestinian Blogger Angers West Bank Muslims». The New York Times (Arq. em WayBack Machine) 
  3. a b «Palestinian held for Facebook criticism of Islam». Ynetnews (em inglês). 11 de novembro de 2010. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  4. «Why I left Islam». Proud Atheist (em inglês). Consultado em 13 de agosto de 2019 
  5. al-Husseini, Waleed (8 de dezembro de 2014). «What It's Like to Be an Atheist in Palestine». Daily Beast 
  6. «Atheist Walid Husayin describes West Bank ordeal». BreakingNews. 3 de Janeiro de 2012 
  7. Conrad, Naomi (17 de Abril de 2014). «When Muslims renounce their faith». DW 
  8. «Création du conseil des ex-musulmans». FIGARO. 6 de julho de 2013. Consultado em 16 de agosto de 2019