Wallmapu

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Wall mapu
Wallmapu

Confederação Tribal

970 – 1880 Flag of Chile.svg
 
Flag of Argentina.svg

Bandeira de Wallmapu

Bandeira

Localização de Wallmapu
Continente América do Sul
Capital Temuco?
Língua oficial Mapudungun
Religião Mapuche
Governo Confederação e Caudilhismo (Em caso de guerras)
Toki (General)
 • 1553 - 1557 Lautaro
 • 1861 - 1875 Quipalán
História
 • 970 Primeiras cooperações entre as tribos
 • c.1485 Conflito com o Império Inca
 • 1536 - 1772 Guerra de Arauco
 • 1825 Reconhecimento da Soberania
 • 1861 Proclamação do Reino da Araucânia e Patagônia
 • 1880 Campanha do Deserto

Wall Mapu, Wallmapu ou Wajmapu (em Mapudungun: wall mapu, "a terra ao redor"[1]) é o nome dado por grupos indigenistas a territórios que cultural, geográfica e histórica havia sido habitado em diversos graus os do Cone Sul da América por tribos mapuche: desde o rio Mapocho pelo norte até ao arquipélago do Chiloé ao sul - à margem sub-oriental do Oceano Pacífico - e desde a latitude sul de Buenos Aires até a Patagônia - na margem sub-ocidental do Oceano Atlântico. A parte argentina é chamada Puelmapu ou Puwel Mapu, enquanto a chilena é Gulumapu ou Gülu Mapu.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Era Pré-Colombiana[editar | editar código-fonte]

A nação era uma confederação entre as tribos mapuches, que teria sido formada no século XVI. As tribos cooperavam entre si e cada uma era governada por um cacique local, sem um poder central. Apenas em tempos de guerra os caciques elegiam um Toki ou Caudilho, que na verdade era o líder militar das tribos. A notícia mais antiga desta confederação foi através de uma série de conflitos que teriam ocorrido de 1471 á 1493 entre os mapuches contra o Império Inca, que desejava anexar as terrar do sul ao Tawantinsuyu. O maior registro desta guerra é a Batalha do Maule, onde os incas foram massacrados pelos guerreiros das tribos.

Guerra do Arauco

Após a chegada dos espanhóis a região passou a ser atacada pelos colonizadores, que desejavam anexar a região ao Império Espanhol e expandir o cristianismo. Muitas batalhas foram travadas pelos espanhóis nos primeiros anos, liderados pelo explorador Pedro de Valdívia contra um guerreiro que outrora era um servo do colonizador, um índio chamado Lautaro que matou seu antigo amo e conseguiu frear o avanço espanhol na região.

Os conflitos entre os espanhóis contra os mapuches foi conhecida como Guerra do Arauco, devido ao auge ser a região da Araucânia. Tal conflito viria a acabar apenas em 1772, com um semi-reconhecimento dos espanhóis á região dos Mapuches. Mesmo assim a Espanha continuou reclamando a Araucânia como parte da América Espanhola.

Conflitos com a Argentina e Chile[editar | editar código-fonte]

Em 1810 a Argentina se tornou independente, logo depois em 1818 foi a vez do Chile ganhar sua emancipação. Ambas as novas nações passaram a reclamar o Wallmapu como parte do território de seus respectivos países, visto que os espanhóis jamais deixaram de considerar a região como parte do Império Espanhol. Ocorreram alguns conflitos entre chilenos e argentinos contra os mapuches, porém tais guerras foram resolvidas nos chamados Parlamento de Koyang e Tapihue , onde o Wallmapu foi delimitado com o rio Bíobio com os países da Argentina e Chile.

Lautaro, foi o Toki (General) da Nação Mapuche. Foi um dos maiores simbolos de resistencia indigenas da América, não apenas para os Mapuches.


O Reino da Arauânia e Patagônia[editar | editar código-fonte]

Em 1860devido a falta de soberania da região do Cone Sul, o aventureiro e advogado francês Orélie-Antoine de Tounens proclamou o Reino da Araucânia e Patagônia, que foi um estado sem reconhecimento e sem consolidação fixa. Os mapuches da região apoiaram o homem, pois pensaram que ele poderia conseguir um novo reconhecimento dos governos chileno e argentino em relação a Nação mapuche, visto que á altura de 1860 não era mais tão respeitada, visto que muitos caçadores, empresários e militares não apenas chilenos e argentinos, mas de várias nacionalidades já atacavam a região e matavam os mapuches.

Antoine não conseguiu o reconhecimento de nenhum país, ainda foi visto com chacota pelos mesmos. Quanto aos mapuches, continuaram sendo massacrados e invadidos pelos argentinos e chilenos. O lonca (Cacique) Quipalán se tornou o príncipal líder dos mapuches até sua morte em 1875, sem conseguir nada de muito relevante para a soberania da Nação.


Campanha do Deserto

Em 1879 os governos chileno e argentino passaram a invadir e anexar as terras das nações mapuches. Na parte da Argentina o evento foi conhecido como La conquista del disierto e durou até 1885. A Araucânia ficou sob o poder do Chile e a Patagônia e Terra do Fogo foram conqusitadas pela Argentina. Os mapuches foram massacrados e obrigados abandonar seu estilo de vida, adotando o estilo de vida argentino. Vale ressaltar que muitos foram presos em campos de trabalho forçado onde construiram recursos como tijolos para fundar novas cidades na região.

Tanto pelo lado argentino, quanto pelo chileno os mapuches e outras etnias indigenas nunca foram bem tratados e até hoje existe muito racismo com os nativos. Porém existem muitos grupos dispostos a voltar a lutar pela soberânia do país e do povo nacional. A maioria dos movimentos surgiram após a morte de Matis Catrileo, um mapuche de raça que morreu assassinado em 2008.


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wallmapu também pode ser entendido como a noção mapuche de universo.
  2. Vargas, Sebastião (2017). «História, historiografia e historiadores mapuche: colonialismo e anticolonialismo em Wallmapu». História Unisinos. 21 (3). Rio de Janeiro. p. 324. doi:10.4013/htu.2017.213.03 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Villalobos, Sergio Historia de Chile Tomo 4. Editorial universitaria, 1982.
  • Armando Braun-Menéndez: El Reino de la Araucanía y Patagonia. Editorial Francisco de Aguirre. 5a edición. Buenos Airey y Santiago de Chile, 1967. Primera edición: Emecé, Colección Buen Aire, Buenos Aires, 1945.
  • Leo Magne: L´extraordinaire aventure d´Antoine de Tounens, roi d´Araucanie-Patagonie. Editions France-Amérique latine, Paris 1950.
  • Philippe Prince d´Araucanie: Histoire du Royaume d´Araucanie (1860-1979), une Dynastie de Princes Francais en Amérique Latine. S.E.A., Paris 1979.
  • Victor Domingo Silva: El rey de la Araucanía. Empresa Editorial Zig-Zag. Santiago de Chile, 1936.
  • Millán, Mauro. Crónicas de la Resisténcia Mapuche. Cooperativa Chilavert de Artes Gráficas. Bariloche, 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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