Walter Salles

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Walter Salles
Salles no Festival Internacional de Cinema de Toronto, de 2012.
Nome completo Walter Moreira Salles Júnior
Nascimento 12 de abril de 1956 (65 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade Brasileiro
Ocupação Diretor, produtor
Cônjuge Maria Klabin
Globos de Ouro
Golden Globe icon.svgMelhor filme estrangeiro
1999 - Central do Brasil
Prémios BAFTA
Melhor filme estrangeiro
1999 - Central do Brasil
2005 - Diários de Motocicleta
Festival de Berlim
Urso de Ouro
1998 - Central do Brasil

Walter Moreira Salles Júnior (Rio de Janeiro, 12 de abril de 1956) é um premiado cineasta brasileiro.

Carreira[editar | editar código-fonte]

O exílio e a busca da identidade são os temas centrais das obras de ficção e dos documentários dirigidos por Walter Salles. Seus primeiros documentários, Krajcberg, o Poeta dos Vestígios (1986)Socorro Nobre (1995) ganharam prêmios em vários festivais, incluindo o Fipa d'Or de Melhor Documentário (França)  e Prêmio do Público no Festival dei Popoli, em Florença (Itália) .

Em 1995, Terra Estrangeira, co-dirigido por Daniela Thomas,  é selecionado para o Festival de San Sebastian e ganha o prêmio de público no Rencontres de Cinéma de Paris, e premiado como melhor filme do ano no Brasil e selecionado para mais de 40 festivais no mundo todo

Seu filme seguinte, Central do Brasil (1998), recebeu mais de cinquenta prêmios nacionais e internacionais,  entre eles o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro no Festival de Berlim, além do BAFTA da Academia Britânica e o Globo de Ouro de Melhor filme Estrangeiro.  O filme também recebeu duas indicações ao Óscar (de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.).

Abril Despedaçado ( 2001), estrelando Rodrigo Santoro, foi selecionado para a competição do Festival de Veneza, onde recebeu o Leonino D’Oro (prêmio do júri jovem) e ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Havana, e foi indicado para o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

Em 2003, Salles foi eleito um dos 40 Melhores Diretores do Mundo pelo jornal britânico The Guardian.

Diários de Motocicleta (2004), um filme sobre a vida do jovem Ernesto Guevara, que mais tarde ficou conhecido como Che Guevara. foi visto por mais de doze milhões de espectadores em todo o mundo e recebeu mais de vinte prêmios internacionais, entre eles BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Trilha Sonora, Prêmio da Associação de Críticos de Londres,  Prêmio do Público no Festival de San Sebastián e o Oscar de Melhor Música Original.

Em 2005, é lançado seu primeiro filme em língua inglesa, que é também seu primeiro filme hollywoodiano, Água Negra, uma adaptação do filme japonês de 2002 de mesmo nome.

Em 2008, co-dirigiu com Daniela Thomas Linha de Passe, mesclando atores profissionais e não atores. Por este filme, Sandra Corveloni recebeu a Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes.

Em 2012, Salles dirigiu um roteiro de José Rivera, adaptação do livro de Jack Kerouac, On the Road, com produção de Francis Ford Coppola.[1]

Em 2014, dirigiu o documentário Jia Zhang-ke, um Homem de Fenyang, selecionado para a Mostra Panorama do Festival de Berlim. O documentário foi exibido em mais de 30 festivais internacionais, entre eles BFI (Inglaterra), Bafici (Argentina), San Sebastian (Espanha), New York Film Festival (Estados Unidos). Além do filme, também foi lançado na Mostra Internacional de São Paulo de 2014 o livro “O Mundo de Jia Zhang-ke”, organizado por Jean Michel Frodon, com entrevistas conduzidas por Salles e Frodon na China.

Em 2017, dirigiu o curta Quando a  Terra Treme, como parte de um longa-metragem coletivo,  "Where Has the Time Gone?”, produzido pela Xstream Pictures, produtora de Zhang-ke.

Em 2018, Walter realiza coletivamente o documentário “Vozes de Paracatu e Bento” registrando depoimentos de personagens dessas duas comunidades que viveram e vivem as consequências desse que é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil.

A obra de Walter Salles  ganhou o prêmio Robert Bresson no Festival de Veneza, em 2009; em 2014,  recebeu o Marc'Aurelio d'Oro no Festival de Cinema de Roma.  Além de diretor, Salles também é produtor e coprodutor de jovens cineastas no Brasil.

Salvaguarda do Patrimônio Cinematográfico[editar | editar código-fonte]

Em 2020, Walter recebe o Prêmio FIAF, cujo laureado é escolhido pelo Comitê executivo da Federação Internacional de Arquivos de Filmes (FIAF), mais importante rede internacional de cinematecas e arquivos de filmes do mundo, a partir de uma pré-seleção de candidaturas apresentadas por integrantes das equipes de todos os arquivos afiliados a FIAF ao redor do mundo.

Walter é profundamente engajado na defesa e na salvaguarda do patrimônio cinematográfico. Seu envolvimento com a preservação está ligado à sua admiração pelo trabalho do cineasta brasileiro Mário Peixoto (1908-1992), cujo filme Limite (1931) é um dos mais importantes da história do cinema brasileiro e mundial. Os esforços de Walter Salles foram fundamentais tanto para a redescoberta do filme no Brasil e no exterior, quanto para a conservação dos documentos do arquivo de Peixoto. De maneira discreta, mas eficaz, ele fundou o Arquivo Mario Peixoto e, em seguida, possibilitou a a restauração de Limite.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Grande Prêmio do Público - Encontros Internacionais de Paris (Rencontres Internationale) Paris Film Forum - França, por Terra Estrangeira (1995)
  • Prêmio Rosa Camuna de Ouro, no Encontro de Filmes de Bergamo, por Terra estrangeira (1995).
  • Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, por Central do Brasil.
  • Urso de Ouro, no Festival de Berlim, por Central do Brasil" (1998).
  • Prêmio do Júri Ecumênico, no Festival de Berlim, por Central do Brasil (1998).
  • BAFTA de melhor filme em língua não inglesa, por Central do Brasil (1998).
  • Prêmio Golden Satellite de Melhor Filme Estrangeiro, por Central do Brasil (1998).
  • Prêmio da Universidade de Havana, o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio Gláuber Rocha de Menção Especial, no Festival de Havana, por Central do Brasil (1998).
  • Prêmio do Público e o Prêmio do Júri Jovem no Festival de San Sebastián, por Central do Brasil (1998).
  • Indicação ao Independent Spirit Awards de Melhor Filme Estrangeiro, por Central do Brasil (1998).
  • Indicação ao César de Melhor Filme Estrangeiro, por Central do Brasil (1998).
  • Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Direção, por O Primeiro Dia" (1998).
  • Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Roteiro, por O Primeiro Dia (1998).
  • Prêmio Ariel de Prata de Melhor Filme Latino-Americano, no México Academy Awards, por O Primeiro Dia (1998).
  • Indicação ao Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Lançamento de Cinema, por O Primeiro Dia (1998).
  • Indicação ao Independent Spirit Awards de Melhor Diretor, por Diários de Motocicleta (2004).
  • BAFTA de melhor filme em língua não inglesa, por Diários de Motocicleta (2005).
  • Marc'Aurelio Lifetime Achievement Award do Festival de Roma, que celebra a trajetória de um mestre da arte do cinema (2014).[2]
  • Prêmio FIAF 2020 (Federação Internacional de Arquivos de Filmes), que distingue uma personalidade do mundo do cinema externa ao meio dos arquivos, cuja experiência e engajamento em defesa do cinema correspondam as missões da FIAF.[3][4]

Graduação[editar | editar código-fonte]

Depois de estudar economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, graduou-se com uma licenciatura em comunicação audiovisual pela Universidade do Sul da Califórnia.[5]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do embaixador Walther Moreira Salles e da embaixatriz Elisa Margarida Gonçalves Moreira Salles. É irmão do banqueiro Pedro Moreira Salles e do documentarista João Moreira Salles, e meio-irmão do editor Fernando Moreira Salles, do primeiro casamento de seu pai, com Hélène Matarazzo.

Idiomas[editar | editar código-fonte]

Fala português, espanhol, inglês e francês fluentemente.

Automobilismo[editar | editar código-fonte]

Salles é piloto da GT3 Brasil.[6]

Referências

Fontes[editar | editar código-fonte]
  • Laurent Desbois: A Odisseia do cinema brasileiro, da Atlântida à Cidade de Deus (Companhia das letras, 2016) - Prefácio de Walter Salles: Cinema em construção

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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