Whataboutism

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Whataboutism (também chamado de whataboutery)[nota 1][1][2] é uma variante da falácia formal tu quoque em que se tenta desacreditar a posição do argumentador ao acusá-lo de hipocrisia sem refutar seu argumento.[3][4][5] O termo originou-se na época da Guerra Fria e essa falácia foi utilizado em diversos momentos e contextos, incluindo, por exemplo: por propaganda e líderes soviéticos,[6][7] no conflito na Irlanda do Norte,[8][9] nos conflitos envolvendo a Rússia e a Ucrânia[10][11] e por Donald Trump.[12][13][14]

A falácia consiste de utilizar uma situação ou prática muito próxima ao que se é criticado utilizando-se de estruturas do tipo: "E aquilo...", "E sobre...", "E o(a)..." ou "E o que dizer, então...".[1][15][16] Geralmente, a utilização dessa falácia é feito para relativizar moralmente um evento ou situação utilizando-se de outro.[16]

A utilização dessa falácia é usualmente associada a União Soviética e a Rússia.[12][15][17][18] Na época soviética, era utilizada para responder a um criticismo utilizando-se de um evento do mundo ocidental.[19][20] Na Rússia, essa tática voltou a ser utilizada primeiramente para assuntos relacionados a violações de direitos humanos e a críticas ao governo russo[19][21][22] e recebeu novas atenções após o seu uso durante a anexação da Crimeia e a intervenção militar na Ucrânia;[10][11] a utilização dela é feita, inclusive, pelo presidente russo Vladimir Putin e seu secretário de imprensa Dmitry Peskov.[23][24][25]

A utilização russa do whataboutism gerou críticas por parte da mídia ocidental. The Guardian o considera, utilizado na Rússia, como "praticamente uma ideologia nacional".[26] A jornalista Julia Ioffe escreveu que "Qualquer um que tenha estudado a União Soviética" sabe desta técnica, citando umas das réplicas soviéticas, "And you are lynching Negroes", como um dos exemplos clássicos do uso da técnica.[27] Escrevendo para Bloomberg News, Leonid Bershidsky chamou o whataboutism como uma "tradição russa",[28] enquanto The New Yorker descreveu a técnica como "uma estratégia de falsa equivalência moral".[29] Jill Dougherty falou que whataboutism é a maneira dos russos falar "o sujo falando do mal lavado".[30]

Notas

  1. Não há nenhuma tradução consolidada, mas recebeu algumas traduções, sendo elas: E-aquilismo (em um artigo do Shifter) e Entãosismo (em um artigo do Público).

Referências

  1. a b João Ribeiro (31 de julho de 2018). «Whataboutism: a técnica que desconheces mas provavelmente dominas». Shifter. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  2. Rui Tavares (31 de agosto de 2018). «O entãosismo». Público. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  3. «whataboutism». Oxford Living Dictionaries (em inglês). Oxford University Press. 2017. Consultado em 20 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 9 de março de 2017. Origin - 1990s: from the way in which counter-accusations may take the form of questions introduced by 'What about —?'. ... Also called whataboutery 
  4. Zimmer, Ben (9 de junho de 2017). «The Roots of the 'What About?' Ploy». The Wall Street Journal (em inglês). Consultado em 20 de outubro de 2018. "Whataboutism" is another name for the logical fallacy of "tu quoque" (Latin for "you also"), in which an accusation is met with a counter-accusation, pivoting away from the original criticism. The strategy has been a hallmark of Soviet and post-Soviet propaganda, and some commentators have accused President Donald Trump of mimicking Mr. Putin's use of the technique. 
  5. «whataboutism». Cambridge Dictionary (em inglês). Consultado em 20 de outubro de 2018 
  6. Konstantin von Eggert (25 de julho de 2012). «Due West: 'Whataboutism' Is Back – and Thriving» (em inglês). Sputnik. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  7. «What About 'Whataboutism'?» (em inglês). Merriam Webster. 25 de julho de 2012. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  8. Ben Zimmer (9 de junho de 2017). «The Roots of the 'What About?' Ploy» (em inglês). The Wall Street Journal. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  9. «Whataboutery and whataboutism – what's it all about?». OxfordWords (em inglês). Oxford University Press. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  10. a b Joshua Keating (21 de março de 2014). «The Long History of Russian Whataboutism» (em inglês). Slate. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  11. a b Daniel W. Drezner (20 de agosto de 2017). «Ferguson, whataboutism and American soft power» (em inglês). The Washington Post. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  12. a b Danielle Kurtzleben (17 de março de 2017). «Trump Embraces One Of Russia's Favorite Propaganda Tactics — Whataboutism» (em inglês). National Public Radio. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  13. Michael Weiss (4 de novembro de 2016). «When Donald Trump Was More Anti-NATO Than Vladimir Putin» (em inglês). The Daily Beast. Consultado em 20 de outubro de 2018. In stark contrast with his predecessors for high office, he also regularly traffics in 'whataboutism', a Soviet-honed method of changing the conversation. Whenever human rights abuses or the trampling of freedoms abroad is raised, he shifts to the real or perceived shortcomings of the United States. 
  14. Feldmann, Linda; Kiefer, Francine (18 de maio de 2017). «How Mueller appointment may calm a roiled Washington» (em inglês). The Christian Science Monitor. Consultado em 20 de outubro de 2018. Trump also engaged in 'what-aboutism': 'With all of the illegal acts that took place in the Clinton campaign & Obama Administration, there was never a special counsel appointed!' he tweeted twice in three hours. 
  15. a b Mário Armão Ferreira (6 de janeiro de 2018). «O "whataboutism" nos comentários da PCManias». PCManias. Consultado em 20 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 14 de março de 2018 
  16. a b Marcelo Gruman (21 de setembro de 2018). «Civilização ou barbárie». Brasil 247. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  17. Sakwa, Richard (2015). Frontline Ukraine: Crisis in the Borderlands. [S.l.]: I.B.Tauris. p. 216. ISBN 978-1784530648 
  18. Maxim Trudolyubov (15 de janeiro de 2017). «How Putin Succeeded in Undermining Our institutions» (em inglês). Newsweek. Consultado em 20 de outubro de 2018. The way the Kremlin has always reacted to reports about corruption or arbitrary police rule, or the state of Russia's penal institutions, is by generating similar reports about the West. Whatever the other party says the answer is always the same: 'Look who's talking.' This age-old technique, dubbed 'whataboutism', is in essence an appeal to hypocrisy; its only purpose is to discredit the opponent, not to refute the original argument. 
  19. a b «Whataboutism - Come again, Comrade?» (em inglês). The Economist. 31 de janeiro de 2008. Consultado em 20 de outubro de 2018. Soviet propagandists during the cold war were trained in a tactic that their western interlocutors nicknamed 'whataboutism'. 
  20. «The West is in danger of losing its moral authority» (em inglês). POLITICO. 10 de dezembro de 2008. Consultado em 20 de outubro de 2018. 'Whataboutism' was a favourite tactic of Soviet propagandists during the old Cold War. Any criticism of the Soviet Union's internal aggression or external repression was met with a 'what about?' some crime of the West, from slavery to the Monroe doctrine. 
  21. Julia Ioffe (1 de junho de 2012). «Russia's Syrian Excuse» (em inglês). The New Yorker. Consultado em 20 de outubro de 2018. This posture is a defense tactic, the Kremlin's way of adapting to a new post-Cold War geopolitical reality. 'Whataboutism' was a popular tactic even back in Soviet days, for example, but objectivity wasn't. 
  22. Max Seddon (25 de novembro de 2014). «Russia Is Trolling The U.S. Over Ferguson Yet Again» (em inglês). BuzzFeedNews. Consultado em 20 de outubro de 2018. Since the Cold War, Moscow has engaged in a political points-scoring exercise known as 'whataboutism' used to shut down criticism of Russia's own rights record by pointing out abuses elsewhere. All criticism of Russia is invalid, the idea goes, because problems exist in other countries too. 
  23. Joshua Keating (21 de março de 2014). «The Long History of Russian Whataboutism» (em inglês). Slate. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  24. Miriam Elder (26 de abril de 2012). «Want a response from Putin's office? Russia's dry-cleaning is just the ticket» (em inglês). The Guardian. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  25. Neil Buckley (11 de junho de 2012). «The return of whataboutism» (em inglês). The Financial Times. Consultado em 20 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 11 de junho de 2012 
  26. Luke Harding (25 de novembro de 2014). «Edward Snowden asylum case is a gift for Vladimir Putin» (em inglês). The Guardian. Consultado em 20 de outubro de 2018. Russia's president is already a master of 'whataboutism' – indeed, it is practically a national ideology. 
  27. Julia Ioffe (2 de março de 2012). «Kremlin TV Loves Anti-War Protests—Unless Russia Is the One Waging War» (em inglês). The New Republic. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  28. Leonid Bershidsky (13 de setembro de 2016). «Hack of Anti-Doping Agency Poses New Ethical Questions» (em inglês). Bloomberg News. Consultado em 20 de outubro de 2018. Russian officials protested that other nations were no better, but these objections – which were in line with a Russian tradition of whataboutism – were swept aside. 
  29. Evan Osnos; David Remnick; Joshua Yaffa (6 de março de 2017). «Trump, Putin, and the New Cold War» (em inglês). The New Yorker. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  30. «Olympic doping ban unleashes fury in Moscow». CNN. 24 de julho de 2016. Consultado em 20 de outubro de 2018. There's another attitude toward doping allegations that many Russians seem to share, what used to be called in the Soviet Union 'whataboutism,' in other words, 'who are you to call the kettle black?' 
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