Wilson Fonseca

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Wilson Dias da Fonseca, Wilson Fonseca ou Maestro Isoca (Santarém, 17 de novembro de 1912Belém, 24 de março de 2002) foi um maestro, compositor e escritor brasileiro. Atuou como um grande incentivador da cultura e da história da Amazônia, fundando a Academia Paraense de Música e como membro da Academia Paraense de Letras.[1]

Compôs mais de 1 600 músicas, muitas delas inspiradas em temas folclóricos e nas belezas naturais da terra natal. Em Santarém, desde 1994 existe uma escola de música que leva o seu nome.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Em 1920, Wilson Fonseca iniciou os estudos musicais com o pai, maestro José Agostinho da Fonseca (1886-1945), tornando-se um dos grandes compositores paraenses do século XX, junto com Waldemar Henrique e Altino Pimenta.[2]

Em 1922, integrou a banda “Sete de Dezembro” (depois chamada "Três de Junho") tocando triângulo.[3]

Em 1922, ingressou na Escola de Música do Colégio São Francisco, onde aprendeu a tocar requinta e saxofone alto.[2] Em seguida, integrou como saxofonista na banda Juvenil Sinfônica Franciscana.

Em 1930, com o avanço do cinema mudo, Wilson Fonseca apresentou a primeira composição durante a exibição de um filme, a valsa Beatrice, como pianista do quarteto do Cinema Vitória.[3] A partir daí, começou a compor regularmente, criando composições em vários estilos e finalidades, tais como: gênero sacro; folguedo popular; música de salão; “erudito”; arranjo para as mais diversas formações; dentre muitas outros.[2]

Em 1948, fundou a "Sociedade Musical de Santarém" ou “Fundação do Clube Musical”, estando presidente até 1990.[2]

Em 1951, junto com o irmão Wildes Fonseca, fundaram o "Coro da Catedral de Santarém". Época em que compuseram um grande número de recitais do gênero sacro para este grupo.[2]

Em 1963, os irmãos Wilson e Wildes fundaram a "Banda Professor José Agostinho" (posteriormente chamada de "Filarmônica José Agostinho"), composta inicialmente por 30 músicos. Com apoio dos sargentos João de Deus Damasceno e Raimundo Bittencourt e da Prefeitura Municipal.[2]

Em 1972, aposentou-se como funcionário do Banco do Brasil.[2]

Em 1994, o maestro Wilson Fonseca fundou a "Escola de Música Maestro Wilson Fonseca", que trabalha atualmente em parceria com a Fundação Carlos Gomes. Mantendo os grupos musicais: Grande Coral, Coral de Flauta Doce, Grupo de Madeiras, Grupo de Metais, Grupo de Percussão, Big Band e a Orquestra Jovem Wilson Fonseca.[2]

Em 1996, foi convidado para concorrer uma vaga na Academia Paraense de Letras (cadeira nº 7). Tornando-se o primeiro santareno nesta Academia.[1][2] Foi membro da Academia Paraense de Música (cadeira nº 24, que tem como patrono seu pai e atual ocupante Vicente José Malheiros da Fonseca, seu filho).[4]

Wilson Fonseca faleceu com 89 anos, sendo sepultado em Santarém. Em homenagem, a prefeitura municipal decretou luto oficial pela sua perda. O fato foi recebeu destaque na imprensa, inclusive no Congresso Nacional, em Brasília.[carece de fontes?]

Obras[editar | editar código-fonte]

Wilson Fonseca é considerado um compositor prolífico e eclético, indo do popular ao erudito com composições e arranjos desde banda completa, até ópera com orquestra sinfônica.[4] Produziu peças para: “piano solo” (39 obras); “canto e piano” (185 obras); bandas (111 obras dentre dobrados, hinos e marchas); folclore (117 peças), dentre as quais destacamos a série 40 “Santarém brincando de roda”, a série de 50 cantigas de rodas infantis de 1958, e a série de 10 cantigas de ninar recolhidas “Nos braços da mamãe” de 1967.[2]

Volumes[editar | editar código-fonte]

A obra musical está reunida em 20 volumes (10 apenas publicados), com mais de 1 600 produções catalogadas, grande parte ainda inédita. Esse acervo inclui peças para canto e diversas combinações de instrumentos, para banda, composições orquestrais e líricas, além de arranjos e transcrições.

  • 1º: 60 composições para coral;
  • 2º: 11 missas completas e 138 músicas;
  • 3º (1984): 58 valsas e 33 obras dentre modinhas, toadas, tangos e canções;
  • 4º: obras para duetos, trios, até orquestra;
  • 5º: obras para banda, com dobrados do nº 1 ao 10;
  • 6º: obras para banda, com dobrados do nº 11 ao 20;
  • 7º: obras para Banda, com dobrados do nº 21 ao 27 e marchas para procissões;
  • 8º: obras para banda com gêneros diversos;
  • 9º: obras dentre sambas, marchas, fox e boleros;
  • 10º: gêneros diversos.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

  • Hino de Santarém"- "Canção de Minha Saudade.
  • "Um Poema de Amor".
  • "Terra Querida".
  • "Lenda do Boto".
  • Abertura Sinfônica Centenário de Santarém" (1948).
  • América 500 Anos" poema sinfônico (1992).
  • "Cantata Nazarena" (deceto, 1993). Esta obra tem texto de José Wilson
  • "Amazônia" - suíte em 3 movimentos, para jazz-band de 1996.
  • "Vitória-Régia, O Amor Cabano - ópera. Esta obra tem libreto de seu filho José Wilson
  • Tapajós Azul" - valsa para orquestra sinfônica de 1997.
  • "As Pastorinhas - peça de teatro popular.

Há, ainda, 2 noturnos, 1 sonatina, dança coreográfica do Tipiti, inúmeras peças para coral a 2, 3 e 4 vozes, diversos números para piano solo, piano a 4 mãos, canto e piano, e várias peças de câmara, dobrados para banda, além de músicas sacras, inclusive Missas.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Série "Nos Originais" – Vol. 3 (UFPA) (LP)
  • "Rapsódia Amazônica" (Madrigal da Universidade Federal do Pará); (LP)
  • "Memorial" (Tynnôko Costa);
  • "Projeto Uirapuru - O Canto da Amazônia" – Vol. 1 através da Secretaria Estadual de Cultura do Pará);
  • "A Música e o Pará" - Duo Pianístico da UFPA
  • "Projeto Pará Instrumental" – Vol. 3 com a Amazônia Jazz Band.
  • Série "Música Brasileira"- Estúdio GLB - Brasília, Vol. 1 (violino e piano);
  • "Encontro com Maestro Isoca" - lançado na 2ª Bienal Internacional de Música de Belém,PMB, em setembro de 2002);
  • "Solos do Nosso Solo 2 – Bob Freitas & Nego Nelson.
  • "Prá início de conversa" - Grupo Vocal Vox Brasilis.
  • "Andréa in Concert" - violino e piano, gravado, ao vivo, em 1997, no EE.UU.
  • "As Pastorinhas 5 anos – Trilhas D’Água 3" – Coro Cênico da Universidade da Amazônia – UNAMA)
  • "Sinfonia Amazônica", (em 2 volumes)- gravados pela Orquestra Jovem "Wilson Fonseca", de Santarém, regência de José Agostinho Fonseca Neto.

Livro[editar | editar código-fonte]

  • Meu Baú Mocorongo (6 volumes) - livro de pesquisas, recordações e reflexões sobre a vida histórica e sociocultural de Santarém e da Amazônia.

Seu filho José Wilson, por ocasião de seus oitenta anos, publicou o livro "Recital dos 80 Anos", que tem servido de base para pesquisas acadêmicas sobre o maestro.

Seu filho Vicente José Malheiros da Fonseca (magistrado, professor e compositor) escreveu diversos artigos sobre a vida e a obra musical de Wilson Fonseca, publicados na imprensa brasileira, e também elaborou vários arranjos orquestrais e camerísticos de composições musicais de seu pai.

O livro "A Vida e a Obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca)", impresso na Editora do Banco do Brasil, de autoria de Vicente José Malheiros da Fonseca, em homenagem ao centenário de nascimento do compositor santareno, é lançado no dia 17 de novembro de 2012, no Centro Recreativo, em Santarém (PA).

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

A Revista Brasiliana nº 11 de maio de 2002, da Academia Brasileira de Música, publicou o artigo "Tributo ao Maestro Wilson Fonseca", de autoria de seu filho Vicente José Malheiros da Fonseca.

Já a Lei Federal nº 11.338, de 03 de agosto 2006 (DOU 04.08.2008), denomina o Aeroporto de Santarém como "Aeroporto Maestro Wilson Fonseca", em homenagem ao compositor santareno.

A Lei Estadual nº 7.337, de 17.11.2009 (Diário Oficial do Estado do Pará nº 31.548, de 19.11.2009), declara como integrante do patrimônio cultural do Estado do Pará a obra musical e literária do Maestro Wilson Fonseca (Isoca).

A Lei Municipal nº 19.132, de 28..11.2012, denomina Rua Wilson Dias da Fonseca (Maestro Isoca), em Santarém (PA), justamente a rua (antiga Floriano Peixoto) onde nasceu e morou desde criança o compositor santareno, cujo centenário de nascimento se comemora em 2012. O Projeto de Lei é de autoria da Vereadora Marcela Tolentino de Matos (PDT).

Wilson Fonseca é o escritor e compositor homenageado da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro de 2012, promovida pelo Governo do Estado do Pará, como de todas as ações que compõem a Feira e os Salões do Livro realizados em diversas cidades do Estado. A Feira é o quarto maior evento do gênero no Brasil e maior em programação cultural.

Referências

  1. a b Instituto Cultural Cravo Albin. «Wilson Fonseca». Dicionario Cravo Albin da MPB. Consultado em 25 de outubro de 2016. 
  2. a b c d e f g h i j Valente Azulay, Humberto. (2012). "Wilson Fonseca: crendices e lendas amazônicas para canto e piano". 709.2098115. Visitado em 25 de outubro de 2016.
  3. a b Campos Reinato, José. (2010). "Música Ao Seu Alcance Vol II". Clube de Autores. Visitado em 25 de outubro de 2016.
  4. a b Prefeitura Municipal de Santarém. «Wilson Dias da Fonseca». Aspectos Culturais - Personalidades de Santarém. Consultado em 25 de outubro de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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