Wolfgang Borchert

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde março de 2011).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Wolfgang Borchert
Nascimento 20 de maio de 1921
Hamburgo
Morte 20 de novembro de 1947 (26 anos)
Basileia
Sepultamento Cemitério de Ohlsdorf
Cidadania Alemanha
Ocupação dramaturgo, contista, poeta, escritor
Causa da morte hepatite
Página oficial
http://www.borchertgesellschaft.de/
Assinatura
Wolfgang Borchert Signature.jpg

Wolfgang Borchert (Hamburgo, 20 de maio de 1921 - Basileia, 20 de novembro de 1947) foi um dramaturgo e escritor alemão.

História[editar | editar código-fonte]

Teve uma curta existência de 26 anos, a qual foi marcada por experiências nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, por várias prisões políticas e por uma doença prolongada, que foi contraída quando ele ainda era soldado e que se agravou pela falta de medicamentos e alimentação adequados, levando-o à morte.

A mãe de Borchert, Herta Salchow, era escritora regional, tendo publicado uma coleção de contos e algum textos esparsos em revistas e jornais. O pai, Fritz Borchert, era professor primário e desempenhava o papel de crítico.

Com apenas quinze anos, Borchert escrevia poesias e seu modelo predileto era Rilke, porém, na sua produção poética podem ser encontrados, também, traços da poesia expressionista, em especial de Trakl.

Em 1938, Wolfgang abandona a escola por mau aproveitamento em matemática e línguas estrangeiras: seu desejo é tornar-se ator, mas os pais procuram demover tal desejo, e contra a vontade do jovem, fazem-no aprendiz em uma livraria.

Nessa época frequenta às escondidas um curso de teatro, através do qual faz conta(c)to com pessoas que possibilitam a participação dele em reuniões em que se discute literatura, em especial a proibida literatura expressionista. É nesse momento que as dificuldades com a Gestapo se iniciam.

Desde que passou a fazer parte da juventude hitlerista, Borchert já havia se mostrado contra o regime ditatorial, evidenciando sua aversão a uniformes e disciplina militar, e a qualquer forma de sociedade que eliminasse a liberdade individual. Aqui, há de se mencionar a influência de sua cidade natal, Hamburgo, que foi um centro conhecido pela resistência intelectual ao nazismo. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando era soldado, Borchert foi preso várias vezes, obtendo um total de 17 meses de prisão.

No começo de 1945, a tropa da qual fazia parte é aprisionada pelos franceses. Junto com um companheiro, Borchert consegue escapar e chegar a Hamburgo, graças às facilidades asseguradas por seu passado político anti-nazista.

Na sua cidade natal, em conjunto com alguns amigos, Wolfgang funda um pequeno teatro, chamado Die Komödie. Na mesma época, é convidado por seu antigo professor de arte dramática a trabalhar como assistente de direção na Hamburger Schauspielhaus, tarefa que o entusiasma, mas que sua debilitada saúde não permite levar adiante.

Depois de uma longa estadia em hospitais e esgotados os recursos médico-hospitalares, Borchert volta para casa, onde parece não se dar conta da gravidade de seu problema. Nos intervalos de febre e dor, dedica-se a escrever e a receber amigos, atividades que muito o agradam. Seu desejo de viver é grande, e a doença é uma temática que ele evita.

Todos os textos narrativos de Borchert terão por motivação acontecimentos reais, quase sempre ligados à sua vivência, daí a importância que se deve dar aos fatos ligados à sua vida. A angústia expressa nas obras dele é um pouco da angústia de toda a geração que vivenciou a guerra. As pessoas identificam-se com as acusações de Borchert, pois também sentem-se roubadas e enganadas nos melhores anos de suas vidas pelos acontecimentos da época.

Wolfgang Borchert - Hörspiel[editar | editar código-fonte]

Drauβen vor der Tür foi lançado primeiramente como Hörspiel, um gênero literário alemão, que tem como característica os diálogos, as músicas e os efeitos sonoros, para o ouvinte imaginar a história. Esse gênero se iniciou na década de 1920 e ganhou maior popularidade a década de 1940.

No período em que a obra foi escrita, o rádio era o contato mais próximo que população tinha com as informações, mas depois com a chegada da televisão, o rádio decaiu bastante. Na Alemanha, o primeiro Hörspiel foi transmitido em 24 de outubro de 1924. Já a peça de Borchert foi ouvida pela primeira vez pelo público no dia 13 de fevereiro de 1947.

Draußen vor der Tür[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1947, Borchert escreveu a única peça dramática de sua obra: Draußen vor der Tür,que foi levada ao ar pela primeira vez pela rádio emissora de Hamburgo em fevereiro do mesmo ano, e fez com que Borchert saísse do quase anonimato e se transformasse em um grande nome do cenário literário alemão.

Draußen vor der Tür relata a estória do soldado Beckmann, jovem militar que retorna à Alemanha depois de ser derrotado nos campos de batalha da Sibéria.

Ao chegar à terra natal, não encontra mais o que havia deixado: a esposa está em companhia de outro homem; os pais morreram e o filho, que nem chegou a conhecer, também.

Procura emprego e compaixão, mas tudo o que encontra por parte de seus semelhantes é indiferença e incompreensão. Quando, finalmente, uma jovem o acolhe, sente-se culpado por estar assumindo o lugar de outro soldado.

A descrição dos personagens, diferentemente do que se costuma apresentar nos textos de peças teatrais, não apresenta características físicas e materiais dos personagens, mas sim, psicológicas e sociais.

Percebe-se, então, que a maioria dos personagens é designada por sua “função” social, e não por um nome, o que possibilita maior identificação do público. Após a descrição dos personagens, encontramos “três textos” antes das cenas propriamente ditas. Os três parecem ser a mesma introdução à obra sob três pontos de vista diferentes, ou ainda, sob três formas distintas.

O primeiro texto que se segue à descrição dos personagens não possui título e figura como uma introdução na qual o autor antecipa a história de Beckmann, ao mesmo tempo que o situa no contexto histórico alemão, através de um relato feito por um narrador desconhecido, que parece ao mesmo tempo narrar e refletir sob a situação de Beckmann.

A seguir, encontramos o texto auto-denominado Vorspiel, ou seja, o prólogo, o qual é conceituado como introdução a uma obra. Porém, esse prólogo aparece como uma introdução ficcionalizada da peça, a partir de um diálogo entre Deus e a Morte. Por fim, o trecho intitulado “Der Traum” (o sonho), relata o que está se passando com Beckmann, através de um diálogo entre o próprio soldado e o rio Elba, onde momentos antes ele havia se atirado.

O restante da obra é dividido em cinco cenas, ambientadas na cidade de Hamburgo, nas quais o soldado Beckmann procura razões para continuar vivendo, mas encontra apenas a incompreensão e a indiferença por parte daqueles a quem se dirige.

A obra discute as consequências da guerra, as diferenças sociais e o apoio ao nazismo.Faz uma crítica contundente à sociedade da época que retrata, mas também à indiferença que os humanos têm para com seus semelhantes. Podem ser encontrados, também, vários traços do movimento expressionista, já que a história se desenvolve num ambiente repleto de irrealidades.

Drauβen vor der Tür- Divisão de Cenas[editar | editar código-fonte]

A peça é dividia entre: Introdução, Prólogo, Sonho, Cena 1, Cena 2, Cena 3, Cena 4 e Cena 5.

A Introdução é uma visão que o autor tem sobre as pessoas que estão vivendo naquele lugar destruído e também o sentimento que os soldados têm quando voltam para suas casas. Já o Prólogo é a conversa é uma conversa em Deus (representado por um Velho que está sempre chorando) e a Morte (representado pelo Agente Funerário). O diálogo entre eles é sobre a nova sociedade que está descrente na figura de deus e que a morte é agora o “novo deus”. O Sonho é o diálogo entre o soldado Beckmann, que tenta se matar se jogando no rio Elba, e o rio Elba, que não aceita aquela atitude de uma rapaz jovem e o manda de novo para a beira do rio para tentar mais uma chance na vida.

Na Cena 1, aparece um personagem que aparecerá no decorrer das outras cenas, que se chama o Outro, ele representa a figura de Beckmann mais jovem, o homem que acreditava na vida. E esses dois Beckmann conversam sobre aquela nova chance de recomeçar a vida.

Cena 2, Beckmann conhece a Moça, que o ajuda a sair da beira do rio e o leva para sua casa, dá-lhe roupas secas e diz que mora sozinha, mas que tinha sido casada com um soldado que morreu na batalha de Stalingrado, o mesmo lugar onde Beckmann tinha sido suboficial. No final dessa cena, Beckmann foge apavorado por perceber que o fantasma do marido da Moça está atrás dele.

A Cena 3, Beckmann vai procurar o verdadeiro culpado pelas mortes nos campos de batalha, que é o Coronel, que está jantando com sua família e se depara com a figura de um soldado que começa a lhe contar sobre os acontecimentos das batalhas, das mortes, dos familiares desesperados por notícias de seus parentes e diz se ele consegue dormir a noite com as vozes das pessoas chamando por ele.

O Coronel não acha o discurso do soldado muito interessante, mas engraçado e diz a Beckmann que ele deveria procurar algum teatro, por que ele daria um ator perfeito para comédias.

Inocentemente, Beckmann na Cena 4 vai procurar o Diretor de um teatro, que inicia a cena com discurso sobre os jovens alemães, que eles deveriam ser mais engajados, lembrar-se dos clássicos para ter inspiração. Beckmann tenta mostrar ao diretor que tem talento, mas é recusado, pois ele precisa adquirir mais experiência.

A cena final(Cena 5) é quando Beckmann cansa de todas aquelas pessoas e volta para a casa de seus pais, que estava ocupada por uma mulher chamada Senhora Kramer. Beckmann pergunta a respeito do seus pais e ela diz que eles estão num cemitério em Ohlsdorf. Ao ouvir dos deboches da senhora Kramer, Beckmann se irrita e sai andando pelas ruas.

No final, ele permanece sozinho e sem resposta para suas questões sobre a nova realidade.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MONETA, Zelinda T. G. Wolfgang Borchert- traduzido e comentado. Marília: Centro de estudos germânicos, 1978.
  • HEISE, Eloá; RÖHL, Ruth. História da literatura alemã. São Paulo: Editora Ática, 1986. Série Princípios.
  • BORCHERT, Wolfgang. Das Gesamtwerk. Hamburg: Clausen & Bosse, 1959.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]