Xavantes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Xavantes
Xavante.jpg
População total

15 315 (Funasa, 2010)[1]

Regiões com população significativa
Mato Grosso e Goiás, no Brasil[2]
Línguas
xavante (aquém)
Religiões

O povo indígena brasileiro xavante, autodenominado A'uwe ("gente")[3] ou A'wẽ Uptabi ("povo verdadeiro"),[4] [5] pertence linguisticamente à família linguística , a qual, por sua vez, pertence ao tronco linguístico macro-jê. Sua língua é chamada akwén ou aquém (também grafada "acuen"). A população xavante soma, atualmente, cerca de 15 315 indivíduos distribuídos em 12 terras indígenas - todas elas localizadas no leste do estado de Mato Grosso e Goiás. São elas:

Oito delas estão homologadas e registradas; duas encontram-se em processo de identificação; uma está reservada e registrada e uma está identificada e aprovada mas sujeita a contestação.[6] [7]

Atualmente, a população xavante no Brasil está em crescimento. Em 2009, era de aproximadamente 10 000 pessoas.[8] Em 2010, segundo a Fundação Nacional de Saúde, era de 15 315 pessoas.[9] Tinham, como atividade predominante até a segunda metade do século XX, a caça, a pesca e a coleta de frutos e palmeiras. Formam, junto com os índios xerentes, um conjunto etnolinguístico conhecido na literatura antropológica como acuen ou aquém, pertencente à família linguística , do tronco macro-jê.[10]

Pintam-se com jenipapo, carvão e urucum, tiram as sobrancelhas e os cílios, usam cordinhas nos pulsos e pernas e a gravata cerimonial de algodão. O corte de cabelo e os adornos e pinturas são marcadores de diferença dos xavantes em relação aos outros, transmitida através dos cantos pelos ancestrais e partilhados com todo o povo da aldeia.

História[editar | editar código-fonte]

Houve tentativas de integração com a sociedade brasileira em meados do século XIX, mas optaram por distanciar-se, migrando entre 1830 e 1860 em direção ao atual estado do Mato Grosso, onde viveram sem serem intensivamente assediados até a década de 1930. Em 1982, o cacique xavante Mário Juruna tornou-se o primeiro indígena brasileiro a se eleger deputado federal no país. Na década de 1990, os xavantes tiveram várias experiências novas com os "estrangeiros", como: um intercâmbio realizado com a Alemanha; a implementação de um projeto de educação bilíngue; e uma parceria musical com a banda de heavy metal Sepultura em seu álbum "Roots".[11]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

A região onde vivem hoje tem grande rede hidrográfica formada pelas bacias dos afluentes dos rios Culuene e Xingu e das Mortes e Araguaia. É dessa região de floresta tropical, mato e savana, com árvores baixas e altas, que os índios retiram o alimento e os materiais para seus artesanatos, armas, instrumentos musicais e as ocas, dispostas em forma circular. Ali, também buscam caças, frutos, palmeiras e pescados.

Devido à atual ocupação da região pelas culturas da soja e do gado, bem como outras monoculturas agrícolas, o uso de pesticidas e a diminuição das matas, seu modo de vida ligado à caça e à coleta tem mudado bastante. Muitas vezes, a "caça" e a "coleta" são deslocadas da mata para as cidades vizinhas, onde vão adquirir alimento e coisas dos "estrangeiros".

Tradições e rituais[editar | editar código-fonte]

Na literatura antropológica, os xavantes são conhecidos principalmente por sua organização social de tipo dualista, ou seja, trata-se de uma sociedade em que a vida e o pensamento de seus membros estão constantemente permeados por um princípio dual, que organiza sua percepção do mundo, da natureza, da sociedade e do próprio cosmos como estando permanentemente divididos em metades opostas e complementares.

Sua tradição tem uma maneira própria de ser transmitida e transformada, através de relatos, rituais e ensinamentos. A escrita é uma necessidade para qual o povo xavante se adaptou, com o intuito de reivindicar seu espaço na sociedade nacional e internacional. Os xavantes têm uma organização supostamente dualista e essa percepção da vida como um todo divide tudo permanentemente em metades opostas e complementares, mas há outras formas de divisão coletiva e organização das relações, como em trios ou quartetos. Esta é a chave da cultura dos xavantes. Existe também a corrida de buriti, denominada de uiwede, uma corrida de revezamento em que duas equipes de gerações diferentes correm cerca de 8 quilômetros, passando um tora de palmeira de buriti de cerca de 80 quilogramas de um ombro para o outro até chegarem ao pátio da aldeia.

Desde pequenos, os meninos formam grupos de idade semelhante. A primeira cerimônia pública de que os meninos participam é o ói'ó, em que os meninos demonstram sua coragem, seus medos, sua fraquezas através da luta com clavas. Quando chega o tempo certo, os mais velhos decidem a entrada dos meninos no (casa tradicional, especialmente construída numa das extremidades do semicírculo da aldeia, para a reclusão dos wapté durante o período de iniciação para a fase adulta), onde os meninos vão viver reclusos por cinco anos. Todo menino xavante, de 10 a 18 anos, passa por esse período de reclusão de cinco anos na casa dos solteiros, onde o jovem permanece sem contato com a tribo. Nesse período, o jovem fica todo o tempo no . Ele só deixa a casa para rituais e para atividades fora da aldeia, como caça e pesca.

O ritual de furo de orelha acontece quando os wapté saem definitivamente do , ou seja, na passagem da adolescência para a vida adulta. Após os cinco anos, acontece, na aldeia, a festa chamada Danhono, onde a orelha dos jovens é furada, sendo o furo preenchido com um cilindro de madeira que os xavantes acreditam ser indutor de sonhos. Atualmente, os xavantes jovens criaram uma analogia entre esses cilindros e as antenas: os cilindros seriam como "antenas" que captam os pensamentos dos ancestrais xavantes durante os sonhos. Após o ritual, os jovens passam a ser considerados adultos e voltam ao convívio social com a tribo.

Destaca-se, também, ultimamente, a grande popularidade da prática do futebol entre os xavantes.[12]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Xavantes

Referências

  1. Povos indígenas no Brasil: ISA. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante/1159. Acesso em 29 de julho de 2015.
  2. Xavante: nossa história. Disponível em http://www2.uol.com.br/aprendiz/designsocial/xavante/frame_brind.htm. Visitado em 29 de julho de 2015.
  3. Povos indígenas no Brasil: ISA. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante/1159. Acesso em 29 de julho de 2015.
  4. Xavante: nossa história. Disponível em http://www2.uol.com.br/aprendiz/designsocial/xavante/frame_brind.htm. Visitado em 29 de julho de 2015.
  5. Território no mundo A'uwe Xavante. Por Maria Lucia Cereda Gomide. Confins 11 | 2011 : Numero 11.
  6. FUNAI. Povos Indígenas. Etnias Indígenas. "Xavante"
  7. Instituto Socioambiental. Pesquisa por Povo. Xavante :: 12 Terras Indígenas
  8. SIL International. Xavantes. Visitado em 24 de maio de 2009.
  9. Xavante - Localização e população atual
  10. Xavante - Nome e língua.
  11. http://whiplash.net. Disponível em http://whiplash.net/materias/news_829/176187-sepultura.html. Acesso em 29 de julho de 2015.
  12. Povos indígenas no Brasil: ISA. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante/1164. Acesso em 29 de julho de 2015.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Datsi'a'uwẽdzé - vir a ser e não ser gente no Brasil Central [1].
Ícone de esboço Este artigo sobre povos indígenas é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.