Xavier Zubiri

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Xavier Zubiri
Nascimento 4 de dezembro de 1898
São Sebastião, País Basco
Morte 21 de dezembro de 1983 (85 anos)
Madrid
Nacionalidade Espanhol Flag of Spain.svg
Ocupação filósofo
Influências
Prémios Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha
Magnum opus Natureza, História e Deus

Xavier Zubiri (São Sebastião, País Basco, 4 de dezembro de 1898Madrid, 21 de dezembro de 1983) foi um filósofo espanhol cujo trabalho se concentrou, fundamentalmente, nos campos da epistemologia, da metafísica e da gnoseologia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Zubiri foi membro da Escola de Madrid, onde conviveu com filósofos como José Ortega y Gasset, Julián Marías e Pedro Laín Entralgo.[1] A filosofia de Zubiri foi categorizada como um "materialismo realista",[2] que tentou reformular a metafísica clássica sob uma perspectiva totalmente compatível com a ciência moderna.[3]

Zubiri recebeu sua formação filosófica e teológica em Madrid e Roma. Durante a pós-graduação em Lovaina, aprofundou-se nos estudos fenomenológicos. Em 1929, o crescente interesse em fenomenologia fez Zubiri se mudar para Friburgo em Brisgóvia e abandonar seu cargo de professor em Madrid. Em Friburgo ele estudou com Edmund Husserl e Martin Heidegger.[4] Em 1930, mudou-se para Berlim, onde estudou física, filologia e biologia. Lá, ele ficou hospedado em Harnack House, o que o permitiu socializar com pensadores importantes deste grande período de atividade acadêmica da República de Weimar. Zubiri manteve contato com Albert Einstein (com quem já havia conservado em Madrid, na Universidad Central, em 1923),[5] Max Planck, Werner Jaeger, Erwin Schrödinger, entre outros.

Quando a guerra civil eclodiu em Espanha em 1936, Zubiri mudou-se para Paris. Lá, ele continuou tendo uma vida intelectual intensa, participando de cursos com Louis de Broglie, Frédéric Joliot, Irène Curie, Élie Cartan e Émile Benveniste, entre outros. Em 1939, pouco antes da França declarar guerra à Alemanha, Zubiri retornou à Espanha.[6]

Túmulo de Xabier Zubiri e sua esposa no Cemitério Civil de Madrid

A despeito da intensa atividade intelectual que teve durante toda sua vida, Zubiri foi obrigado se demitir das posições acadêmicas formais, dada a falta de liberdade acadêmica durante a espanha franquista. No entanto conseguiu manter seu trabalho como um acadêmico, através do patrocínio de familiares e amigos.[7] Zubiri foi um autor prolífico com aparições nas revistas espanholas Cruz y Raya e Revista de Ocidente . No entanto, após sua demissão das universidades espanholas, ele não publicou muitos artigos revisados por pares. O trabalho de Zubiri não foi bem recebido inicialmente nos ambientes acadêmicos estabelecidos na Espanha. Isto se deu sobretudo pelo contexto político franquista. Mas seu relacionamento com estudiosos como Ignacio Ellacuria fez seu trabalho ser amplamente divulgado e conhecido na América Latina, onde tem se desenvolvido até os dias atuais. Recentemente, acadêmicos espanhóis começaram a reconhecer a importância da filosofia de Zubiri. Em 1979, o governo alemão o concedeu a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha.[8]

Em 1983, já doente, Zubiri escreve O Homem e Deus, que não poderá terminar. Falece em 21 de setembro, em Madri. Seus discípulos, reunidos no Seminário Xavier Zubiri e, depois, na Fundación Xavier Zubiri, dão início à publicação de suas obras.

Pensamento[editar | editar código-fonte]

Seu desenvolvimento filosófico consiste numa tentativa de superar o subjetivismo reinante na modernidade e realismo ingênuo da filosofia clássica.[9]

A existência humana é entendida como uma religação (um dos conceitos fundamentais da filosofia da Zubiri). Na análise histórica, ele introduz a necessidade do estudo das possibilidades, ou seja, do que poderia ser e não apenas o que foi. Para Zubiri na intuição a realidade é capturada como de fato é. Esta seria a "apreensão primordial da realidade" que é realizada por meio de uma inteligência senciente (isto é, ligando o intelectivo com sensorial).[9]

Embora o sentimento e entendimento não possam ser identificados, também não podem ser dissociados, pois, para ele, o sentimento e intelecção são dois momentos de um único ato de apreensão. Isto, para é Zubiri, a inteligência senciente.[9]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Naturaleza, Historia, Dios 1942; 6 ed. 1974
  • El hombre, realidad personal 1963
  • El origen del hombre 1964
  • Notas sobre la inteligencia humana 1966 - 1967
  • La dimensión historica del ser humano 1973
  • El hombre y su cuerpo 1974
  • El problema teologal del hombre 1975
  • El concepto descriptivo del tiempo 1976
  • Respectividad de lo real 1979
  • Inteligencia Sentiente: Inteligencia y Realidad 1980
  • Prólogo a la traducción norteamericana de Naturaleza, Historia, Dios 1981
  • Inteligencia Sentiente: Inteligencia y Logos 1982
  • Reflexiones teológicas sobre la eucaristía 1981
  • Inteligencia Sentiente: Inteligencia y Razón 1983
  • ¿Qué es investigar?
  • Problema Filosofico de la Historia de las Religion 1993
  • Los problemas fundamentales de la Metafísica occidental 1994
  • Tres dimensiones del ser humano: individual, social e histórica 1974
  • El hombre y la verdad 1966
  • El problema del mal 1964
  • Cinco lecciones de filosofía 1963
  • Acerca del mundo 1960
  • Sobre la persona 1959
  • El problema del hombre 1953-54
  • Filosofía primera 1952-53
  • Cuerpo y Alma 1950-51
  • El espacio 1973
  • Reflexiones filosóficas sobre lo estético 1975
  • Sobre el tiempo 1970
  • Sistema de lo real en la filosofía moderna 1970
  • Acerca del mundo 1960
  • Acerca de la voluntad 1961
  • Estructura Dinamica de la Realidad 1961|1968
  • Sobre El Sentimiento Y La Volicion 1961|1921-26
  • Estructura de la metafísica 1961|1969
  • Sobre la Esencia 1961|1963
  • Espacio, Tiempo, Materia 

Em português[editar | editar código-fonte]

  • Cinco Lições de Filosofia, É Realizações 2012
  • Inteligência e Realidade, É Realizações 2013
  • Inteligência e Logos, É Realizações 2013
  • Inteligência e Razão, É Realizações 2013
  • Natureza, História e Deus, É Realizações 2013

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Wikisource Textos originais no Wikisource

Referências

  1. «La evolución de la escuela de Madrid (1939-1978): Zubiri, Marías y Laín Entralgo» (PDF) (em espanhol) 
  2. «Voluntad de Liberacion» (PDF) (em espanhol) 
  3. «La filosofía natural de Zubiri» (PDF) (em espanhol) 
  4. «Le problème de l'objectivité d'après Ed. Husserl» (em francês) 
  5. «Voluntad de Liberacion» (PDF) (em espanhol) 
  6. «Xavier Zubiri: La soledad sonora» (PDF) (em espanhol). Jordi Corominas and Joan Vicens 
  7. «Zubiri, vasco universal» (em espanhol) 
  8. «Actualidad de Zubiri en América Latina» (em espanhol). Germán Marquínez Argote 
  9. a b c García, Juan José (2006). Inteligencia sentiente, reidad, Dios. Nociones fundamentales en la filosofía de Zubiri (PDF) (em espanhol). [S.l.]: Pamplona. pp. 1–73. ISSN 1696-0637