Xerém (culinária)

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Xarém algarvio

Xerém[1] ou xarém[2] é um prato típico de Portugal,[3] levado também para o Brasil e Cabo Verde, onde também é considerado tradicional.[4] Consiste numa papa feita à base de farinha de milho,[5] sendo acompanhado por ingredientes característicos de cada uma das regiões onde é preparado.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Os vocábulos "xerém" e "xarém" têm origem controversa. Existem pelo menos duas hipóteses etimológicas para a origem dos termos:

Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, é tradicional na região Nordeste, especialmente em Pernambuco. O prato é feito com grãos de milho seco quebrados no pilão, cozidos na água e sal. Também conhecido como "arroz de pobre", é servido com leite ou acompanhado de galinha guisada ou carne assada.

É também muito popular em Minas Gerais, porém não com o nome de "xerém" e sim de "canjiquinha", nome dado tanto ao milho quebrado que é o ingrediente básico do prato (conhecido como "quirera de milho" em São Paulo e outros Estados) quanto ao cozido propriamente dito.[7] Tradicionalmente, a canjiquinha mineira é cozida com costelinha de porco, havendo ainda variações bem menos comuns com outros cortes de porco, com galinha, carne bovina ou linguiça.

Este alimento surgiu graças aos bandeirantes e tropeiros que, em seus alojamentos, utilizavam o mesmo no preparo de angu de milho e papa preparado com outras especiarias.[carece de fontes?]

Cabo Verde[editar | editar código-fonte]

Em Cabo Verde, o xerém é também considerado um prato tradicional, podendo a farinha de milho ser cozida com água, louro, manteiga e sal.[8] Pode também ser preparado com atum fresco, leite de coco, cebola e gindungo.[4]

Existem variantes com designações mais específicas, como, por exemplo, o xerém de festa, que pode ser preparado com banha, carne de porco e cebola[9] ou, noutros casos, com favas, louro, pimenta e tomate [10]

É também, por vezes, consumido em festas de casamento, como acompanhamento.[11]

Na Ilha Brava, celebra-se no mês de junho a chamada festa do xarém, também designada por festa do tambor, assim duplamente designada por envolver uma preparação de xarém acompanhada por um tambor e, por vezes, por pessoas a dançar coladeiras.[12]

Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, o xarém (ou xerém) é considerado um prato típico da região do Algarve, no sul do país, em particular da cidade de Olhão. Nesta cidade, é frequente prepará-lo com amêijoas, toucinho, presunto e chouriço.[3]

Pode também ser acompanhado por torresmos, carne de suíno ou sardinhas assadas.[3]

O prato xarém com conquilhas foi um dos candidatos finalistas às 7 Maravilhas da Gastronomia portuguesa.

Citações referentes ao xerém[editar | editar código-fonte]

  • "Ô piza o milho penerô xerém/ eu não vou criar galinha/ pra dar pinto pra ninguém". (Luiz Gonzaga)
  • "O arroz fica c'os branco/ pobre só come xerém". (Lopes Bogéa)
  • "O xerém era feito do milho quebrado num moinho - uma pedra redonda, puxado por um torno, girando sobre a outra". (Ulisses Lins de Albuquerque)
  • "Um olhanense passava/ Muito bem para onde fosse/ Com um prato de xarém/ E uma batatinha doce". (Ditado popular olhanense)[3]

Referências

  1. http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=xer%C3%A9m
  2. http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=xar%C3%A9m
  3. a b c d «Cópia arquivada». Consultado em 14 de julho de 2011. Arquivado do original em 19 de janeiro de 2012 
  4. a b http://www.gastronomias.com/lusofonia/cv008.htm
  5. http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=xer%E9m
  6. CUNHA, A. G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. p. 832.
  7. «Canjiquinha com costelinha de porco». 16 de fevereiro de 2014. Consultado em 8 de agosto de 2014. Arquivado do original em 2 de maio de 2014 
  8. «Cópia arquivada». Consultado em 15 de julho de 2011. Arquivado do original em 10 de agosto de 2014 
  9. «Cópia arquivada». Consultado em 15 de julho de 2011. Arquivado do original em 23 de julho de 2011 
  10. «Cópia arquivada». Consultado em 15 de julho de 2011. Arquivado do original em 4 de março de 2016 
  11. «Cópia arquivada». Consultado em 15 de julho de 2011. Arquivado do original em 1 de julho de 2011 
  12. http://liberal.sapo.cv/index.asp?IdEdicao=50&idSeccao=483&id=8265&Action=noticia[ligação inativa]
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